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Banca de QUALIFICAÇÃO: FERNANDA RAQUEL DOS SANTOS SOUSA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: FERNANDA RAQUEL DOS SANTOS SOUSA
DATA: 26/03/2026
HORA: 15:00
LOCAL: Sala Virtual
TÍTULO: “Ancestralidade, Resiliência e Clima: o afroempreendedorismo feminino na agricultura urbana de Teresina-PI e seu impacto na formulação de políticas públicas de adaptação climática”.
PALAVRAS-CHAVES: Ancestralidade, Resiliência e Clima
PÁGINAS: 61
GRANDE ÁREA: Ciências Sociais Aplicadas
ÁREA: Serviço Social
RESUMO:

O empreendedorismo feminino no Brasil apresenta crescimento expressivo nas últimas
décadas, consolidando-se como um componente relevante da dinâmica econômica nacional.
Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), com base na
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua/IBGE), indicam que
o país possui mais de 10 milhões de mulheres à frente de negócios, correspondendo a
aproximadamente 34% do total de empreendedores brasileiros (SEBRAE, 2024). Esse aumento
do empreendedorismo feminino é bastante positivo, uma vez que contribui para o
desenvolvimento econômico e redução da pobreza (Kobeissi, 2010).
O empreendedorismo feminino está em evidência, por conta do processo de feminização
do mercado de trabalho, ocorrendo, assim, um aumento gradativo de empreendimentos
organizados por mulheres (Amorim; Batista, 2012). No que se refere ao empreendedorismo
inicial, o Global Entrepreneurship Monitor (GEM) aponta que as mulheres representam cerca
de 46% dos empreendedores em estágio inicial no Brasil, percentual que coloca o país entre
aqueles com maior participação feminina no cenário internacional. Esses dados revelam não
apenas a ampliação do acesso das mulheres à atividade empreendedora, mas, também o
fortalecimento de seu protagonismo na criação de novos negócios (GEM, 2023).
Um estudo realizado com o objetivo de discutir e debater sobre o empreendedorismo
feminino no Brasil a partir de uma revisão bibliográfica concluiu que este fenômeno representa
um avanço importante no cenário econômico brasileiro, ampliando a participação das mulheres
em setores antes dominados por homens. Apesar disso, persistem barreiras estruturais
relacionadas à desigualdade salarial, ao preconceito e à falta de políticas robustas de diversidade
nas empresas. Contudo, ainda há distância entre as discussões acadêmicas sobre diversidade e
sua aplicação prática nas organizações brasileiras (Lima; Gomes Filho, 2019). Por exemplo, a
desigualdade de renda é uma das principais questões, com as mulheres ganhando em média
24,4% menos que os homens. Além disso, a representatividade feminina em cargos de
empregadoras ainda é baixa, com apenas 12,5% das mulheres donas de negócio ocupando essa
posição (SEBRAE, 2024).
Tendo vista as problemáticas raciais e de gênero do Brasil, nota-se que o
empreendedorismo pode funcionar como uma estratégia de sobrevivência e mobilidade
socioeconômica para as mulheres negras. Além disso, essa ocupação pode gerar mais frutos
financeiros e de qualidade de vida, comparada com outros países que concentram a maioria das
mulheres negras, como o serviço doméstico (Benedito, 2018). Contudo, as mulheres negras
enfrentam ainda mais dificuldades. A renda das empreendedoras negras é 47,5% menor que a das mulheres brancas e 60,8% menor que a dos homens brancos. Essa disparidade ressalta a importância de políticas e ações que promovam a igualdade de oportunidades para todas as mulheres (SEBRAE, 2024).

Neste cenário, persistem-se desigualdades que afetam de maneira mais intensa as
mulheres, especialmente as mulheres negras, como menor acesso a crédito, maior
informalidade e rendimentos médios inferiores quando comparados aos dos homens. Tal
contexto, reforça a necessidade de políticas públicas que considerem as interseccionalidades de
gênero e raça, sobretudo em setores estratégicos como a agricultura urbana e o enfrentamento
às mudanças climáticas.
A crise climática é, fundamentalmente, uma crise de desigualdade. Em Teresina, Piauí,
uma das capitais com maior incidência de calor extremo no Brasil, a agricultura familiar,
essencial para a segurança alimentar e majoritariamente conduzida por mulheres, enfrenta
vulnerabilidades crescentes.
Historicamente, as mulheres negras no contexto rural e periurbano são as mais expostas
aos impactos do clima devido a barreiras estruturais de raça, gênero e classe que limitam o
acesso à terra, crédito e tecnologia. Esta pesquisa se justifica pela urgência em dar visibilidade
ao afroempreendedorismo feminino como um poderoso motor de adaptação climática. Longe
de serem apenas vítimas, as afroempreendedoras da agricultura familiar de Teresina utilizam
frequentemente práticas de base agroecológica e conhecimentos ancestrais que se mostram mais
resilientes ao estresse hídrico e térmico.
Em pesquisa realizada com o objetivo de analisar o perfil das publicações científicas
relacionadas ao empreendedorismo feminino e agricultura no período de 2000 a 2021. Os
resultados mostram que os estudos sobre empreendedorismo feminino abordam as seguintes
categorias principais: diversidade de gênero; tecnologia e redes sociais; empreendedorismo
institucional; análise de comportamento e capacidade e estratégia empreendedora feminina.
Contudo, sinalizou para a existência de uma série de desafios que ainda precisam ser superados,
como políticas públicas adequadas voltadas a superar barreiras culturais que dificultam a
inclusão e permanência da mulher no universo empreendedor e incentivo de programas voltados
para a promoção de cooperativas de mulheres. As autoras destacam uma lacuna importante:
pouquíssimos estudos tratam diretamente da relação entre empreendedorismo feminino e
agricultura, sendo que os dois únicos trabalhos encontrados não atendiam aos critérios da
pesquisa (Rodrigues; Lopes; Santos, 2022).
O acesso das mulheres ao empreendedorismo e a redução das lacunas de gênero no
mercado de trabalho são cruciais para o crescimento econômico, a promoção da igualdade e a redução da pobreza na América Latina e no Caribe (CEPAL; OIT, 2020). Diante deste contexto, a investigação preenche uma lacuna ao focar especificamente na intersecção entre raça, gênero, empreendedorismo e clima em um contexto geográfico de alto risco (calor extremo), potencializando a relevância acadêmica e social do projeto.

Além disso, o estudo dialoga diretamente com agendas públicas contemporâneas
relacionadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), articula-se diretamente
com os ODS 5 (Igualdade de Gênero), ODS 10 (Redução das Desigualdades), ODS 11 (Cidades
e Comunidades Sustentáveis), ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis) e ODS 13 (Ação
Contra a Mudança Global do Clima). Ao integrar justiça climática, equidade racial e de gênero
e sustentabilidade urbana, o estudo contribui para a implementação de políticas públicas
alinhadas à Agenda 2030, contextualizadas às realidades socioambientais de Teresina-PI.
Diante o exposto, esta pesquisa adotará uma abordagem qualitativa, de caráter
exploratório, desenvolvida por meio de um estudo de caso. O estudo investigará o
afroempreendedorismo feminino na agricultura urbana como estratégia de adaptação climática,
com foco em mulheres negras e na interface entre raça, gênero e políticas públicas. Os dados
serão produzidos por entrevistas semiestruturadas com afroempreendedoras e gestores públicos,
pesquisa documental e observação em campo, a partir de uma amostra não probabilística e
intencional. A análise fundamenta-se na análise de conteúdo temática, orientada pelas categorias:
barreiras estruturais (raça, gênero e acesso ao capital), estratégias de adaptação (tecnologia e
conhecimento ancestral), reconhecimento e acesso a políticas públicas e manifestações de
justiça/injustiça climática.
Este projeto está organizado em quatro capítulos. O primeiro capítulo apresenta a
introdução, com a contextualização do tema, justificativa, delimitação do objeto de pesquisa,
problemática do estudo, os objetivos: geral e específicos. O segundo capítulo aborda o referencial
teórico, com a revisão da literatura sobre “Afroempreendedorismo e Gênero Interseccional”. O
terceiro capítulo descreve a metodologia utilizada, incluindo as abordagem e tipo de pesquisa,
campo empírico e participantes, instrumentos e técnicas de coletas de dados e procedimentos de
análise de dados. Por fim, no quarto capítulo apresenta-se o cronograma deste estudo.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 823.***.***-68 - ANA KEULY LUZ BEZERRA - UFPI
Interno - 016.***.***-09 - RAFAEL FERNANDES DE MESQUITA - UFPI
Externo à Instituição - 889.***.***-53 - MARIA MISLENE ROSADO DE SOUSA - IFPI
Notícia cadastrada em: 18/03/2026 11:24
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