O estudo se propõe a analisar o processo de implementação da inserção curricular da
extensão nos cursos de graduação ofertados nas universidades federais públicas brasileiras, no
período de 2010 a 2025.
A extensão assegurada como função da educação superior, ao lado do ensino e da
pesquisa no escopo da Constituição Federal de 1988, reflete uma das conquistas coletivas da
luta dos movimentos estudantis, associações, redes, fóruns institucionais, com destaque para o
Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Instituições Públicas de Educação Superior Brasileiras
(FORPROEX), incorporada pelo Estado a partir dos debates no campo acadêmico, social e
político.
As lutas empreendidas em múltiplas esferas, a depender do contexto histórico,
influenciaram em diferentes concepções de extensão. Ferraz (2019, p.25) aponta que essas
variações estão ancoradas no “projeto societário e universitário em disputa”. Compreende-se
que a concepção expressa pelo FORPROEX, reflete um posicionamento político, plural e
participativo das ações universitárias. Assim, depreende-se como extensão, o “[...] processo
educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pesquisa de forma indissociável e
viabiliza a relação transformadora entre a universidade e a sociedade” (FORPROEX, 1987,
p.1). Trata-se de um conceito inovador que articula a dimensão social e a dimensão formativa
crítica. Sousa (2010) evidencia a dimensão social como uma categoria que se destacou a partir
das necessidades postas pelos movimentos estudantis às Instituições de Ensino Superior (IES),
vinculada a capacidade da universidade de gerar um impacto social alinhado às necessidades
sociais e não apenas com a produção de conhecimento.
Assim, o FORPROEX, defende uma extensão indissociável do ensino e da pesquisa,
ou seja, que suas ações não sejam meramente assistencialistas, tecnicista, desconexa do
contexto universitário, mas que em sua essência, contribua com o aspecto formativo do
estudante, a partir da troca de conhecimento com a comunidade, subsidiada por uma ação
reflexiva-crítica e emancipatória. Esse debate, de certo modo, rompe com os conceitos de
extensão dissociados do ambiente universitário e marca um processo adaptativo nas Instituições
de Ensino Superior.
No Brasil, a base da extensão universitária esteve subordinada às experiências da
Inglaterra, dos Estados Unidos, e, mais tarde, da América Latina, por meio do Manifesto de
Córdoba.