A dissertação analisa o processo de desospitalização de crianças e adolescentes com condições crônicas complexas no município de Teresina/PI, compreendendo-o como um fenômeno que ultrapassa a alta hospitalar e envolve a articulação entre múltiplos serviços, instituições e profissionais no âmbito das redes de atenção à saúde. O estudo parte da problematização dos fluxos institucionais, das responsabilidades administrativas e das estratégias de continuidade do cuidado no domicílio, evidenciando que a efetivação da desospitalização depende da integração entre hospitais, atenção domiciliar, rede socioassistencial e instâncias de gestão. A pesquisa adota abordagem voltada às dimensões institucionais do processo, buscando preencher lacuna identificada na literatura, frequentemente centrada nas experiências subjetivas dos envolvidos. Os resultados indicam que a desospitalização se configura como expressão das relações entre políticas públicas, desigualdades sociais e organização dos serviços de saúde, sendo marcada por entraves como ausência de fluxos estruturados, fragmentação institucional e dificuldades na contrarreferência. As permanências hospitalares prolongadas revelam tanto limitações da rede de proteção social quanto esforços das equipes profissionais na construção de estratégias para continuidade do cuidado. Destaca-se, nesse contexto, a atuação do Serviço Social como elemento mediador fundamental entre usuários, famílias e serviços, contribuindo para a identificação de demandas sociais e para a articulação interinstitucional. A pesquisa conclui ao evidenciar a necessidade de fortalecimento da governança da rede e de maior integração entre políticas públicas, reafirmando a desospitalização como processo complexo, que exige planejamento, coordenação e ampliação da capacidade de resposta do sistema de saúde.