A presente tese tem como objetivo compreender e analisar o processo de vacinação na Primeira
Infância no município de Teresina, Piauí, a partir de uma perspectiva histórica que abrange
desde a década de 1970 até o período recente, incluindo os efeitos observados até dezembro de
2024. O estudo parte da análise de um período anterior às quedas nos índices de cobertura
vacinal, buscando compreender as transformações ocorridas ao longo do tempo no âmbito das
políticas públicas de imunização. A investigação fundamenta-se na compreensão da vacinação
como parte do processo de promoção da saúde, configurando-se como estratégia essencial para
a prevenção de doenças infecciosas na infância. Nesse sentido, são mobilizadas as categorias
de temporalidade, intersetorialidade e produção do cuidado como dimensões analíticas centrais
para a compreensão da vacinação enquanto política pública. Do ponto de vista metodológico, a
pesquisa articula dados primários e secundários. Foram analisados dados epidemiológicos
provenientes de sistemas de informação em saúde, bem como realizadas entrevistas
semiestruturadas com profissionais de saúde de diferentes níveis de atuação — incluindo
gestores, profissionais de nível superior, técnicos e Agentes Comunitários de Saúde — além do
diálogo com atores considerados protagonistas na construção histórica das políticas de
imunização no município. Os resultados evidenciam que o processo de vacinação na Primeira
Infância em Teresina é marcado por avanços históricos significativos, especialmente no período
de consolidação do Programa Nacional de Imunizações, seguido por um cenário recente de
redução das coberturas vacinais, intensificado no contexto pós-pandemia da COVID-19.
Observa-se que a vacinação, embora amplamente reconhecida como estratégia preventiva,
passa a ser atravessada por desafios contemporâneos, como a hesitação vacinal, a disseminação
de desinformação e as desigualdades territoriais no acesso e na adesão às ações de saúde.
Adicionalmente, os achados indicam que os efeitos da vacinação sobre os indicadores de saúde
ocorrem de forma indireta e ao longo do tempo, especialmente na redução das internações, o
que reforça seu caráter preventivo e a necessidade de análises que considerem dinâmicas
temporais. No plano qualitativo, destaca-se o papel dos Agentes Comunitários de Saúde na
mediação entre os serviços de saúde e as famílias, bem como na construção de estratégias de
busca ativa e fortalecimento do vínculo no território. Conclui-se que a compreensão da
vacinação na Primeira Infância exige a consideração de múltiplas dimensões – históricas,
sociais, institucionais e territoriais –, sendo fundamental o fortalecimento de políticas públicas
que articulem promoção da saúde, governança e práticas de cuidado, com vistas à ampliação da
cobertura vacinal e à proteção integral da criança.