INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional brasileiro tem ocorrido de forma acelerada, acompanhado pelo aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs), em especial a hipertensão arterial sistêmica (HAS). Essa condição está diretamente associada a fatores modificáveis, como alimentação inadequada, excesso de peso e sedentarismo, configurando um importante desafio para a Atenção Primária à Saúde (APS). MÉTODOS: Trata-se de um estudo observacional do tipo transversal. O estudo foi realizado em duas unidades de atenção primária à saúde, no período de dezembro de 2024 a março de 2025, no município de São Félix do Piauí. A amostra do estudo foi calculada em 212 participantes, cuja amostragem deu-se de forma aleatória simples. Considerando os critérios de elegibilidade para o estudo, a amostra final foi composta por 158 pessoas idosas hipertensas cadastrados no e-SUS Atenção Primária. Foram coletados dados socioeconômicos, clínicos e antropométricos, além da avaliação do consumo alimentar por meio de inquérito dietético e do letramento em saúde. Os aspectos éticos da resolução 466/12 foram respeitados em todas as fases dos estudos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Piauí(UFPI), conforme o Parecer n. 7.218.998. RESULTADOS: As pessoas idosas entrevistadas apresentaram a média de idade de 69,66 (DP = 6,99) anos, sendo a maioria (53,2 %) na faixa de 60-69 anos. Evidenciaram predominância do sexo feminino, 85 (53,8%), casados 111(70,3%), com renda até 1 salário mínimo 115 (72,8%), e com ensino fundamental 131(82,9%). Em relação ao estado nutricional, observou-se alta prevalência de excesso de peso, Em relação às variáveis antropométricas observa-se que a amostra apresentou predominância de excesso de peso, com IMC médio de 27,23 kg/m² (IC 95 % 26,55-27,90), mediana de 27,14 kg/m² e desvio-padrão de 4,28 kg/m², situando-se na faixa de eutrofia 64 (41,6 %; 34,0-49,4). Dentre os idosos avaliados, 41 (26,6 %; 20,1-34,0) estavam obesos e 22 (14,3 %; 9,4-20,5) com sobrepeso, totalizando mais de 40% com excesso de peso, associada a valores elevados de circunferência da cintura, indicando risco aumentado para doenças cardiovasculares. Quanto ao consumo alimentar, identificou-se ingestão insuficiente de frutas, verduras e legumes em 81,5% dos idosos, enquanto apenas 18,5% atingiram as recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira, o que pode contribuir para o descontrole pressórico. Quanto ao letramento em saúde(LS), na dimensão funcional, 17,1 % dos idosos concordam muito que encontram palavras que não conseguem ler, 39,9 % ficam neutros e 23,4 % discordam; 12,7 % concordam muito que a letra é muito pequena, 39,2 % são neutros e 25,3 % discordam; e 10,1 % concordam muito que o conteúdo é muito difícil, 39,2 % neutros e 25,3 % discordam. Na dimensão comunicativa, 51,3 % discordam muito de não procurar informações e 46,8 % apenas discordam, enquanto 50 % afirmam encontrar a informação que precisam e 52,5 % entendem o que encontram. A dimensão crítica está fragilizada, com mais de 95 % dos participantes relatando dificuldade para avaliar a veracidade ou a aplicabilidade pessoal das informações de saúde. CONCLUSÃO: Conclui-se que pessoas idosas hipertensas acompanhadas na APS apresentam excesso de peso e risco nutricional, além de práticas alimentares marcadas pela coexistência de escolhas adequadas e inadequadas. O letramento em saúde mostrou-se um fator central no manejo da condição, influenciando diretamente a compreensão das orientações, o autocuidado e a adesão ao tratamento.