Introdução: O tempo de permanência hospitalar (TPH) é um importante indicador de qualidade assistencial, diretamente relacionado à eficiência da gestão hospitalar e aos desfechos clínicos dos pacientes. Em cirurgias eletivas, diversos fatores podem influenciar a duração da internação, incluindo aspectos clínicos, operatórios e organizacionais. No estado do Piauí, há escassez de estudos que abordem esses determinantes no contexto da rede pública de saúde. Objetivo: Analisar os fatores associados ao tempo de internação prolongado em pacientes cirúrgicos internados no Hospital Getúlio Vargas (HGV), unidade de alta complexidade, localizado em Teresina, Piauí. Métodos: Estudo quantitativo, transversal, descritivo e observacional, realizado com 286 pacientes, entre 18 e 90 anos, submetidos a cirurgias eletivas no HGV durante o segundo semestre de 2023. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos, nutricionais e cirúrgicos. O tempo de internação foi o desfecho principal. A análise estatística utilizou testes não paramétricos, com nível de significância de p<0,05. Resultados: A mediana do tempo de internação foi significativamente maior entre pacientes encaminhados para UTI (12 dias), submetidos a cirurgias de grande porte (16,5 dias), com classificação ASA III e presença de comorbidades. Observou-se que o tempo de jejum pré e pós-operatório apresentou associação com maior tempo de internação, inclusive em pacientes ASA I e II, não encaminhados à UTI e submetidos a cirurgias de pequeno porte, sugerindo efeito independente. A hidratação venosa também esteve associada à internação prolongada em subgrupos de menor risco. A avaliação pré-anestésica foi realizada em apenas 3,5% dos casos. Conclusão: O tempo de internação prolongado esteve associado a fatores clássicos de gravidade, como classificação ASA elevada, presença de comorbidades e porte cirúrgico, mas também a aspectos assistenciais potencialmente modificáveis, como o tempo de jejum e o uso de hidratação venosa. A identificação desses fatores pode subsidiar intervenções de baixo custo voltadas à racionalização da permanência hospitalar e à melhoria da qualidade do cuidado cirúrgico. Reforça-se a necessidade de implementação de protocolos perioperatórios baseados em evidências, como o Enhanced Recovery After Surgery (ERAS) e o Aceleração da Recuperação Operatória (ACERTO), além da institucionalização da avaliação pré-anestésica.