e representa um fator de risco significativo para o desenvolvimento de úlceras pépticas
e câncer gástrico. No Brasil, estudos indicam uma prevalência de 31,70% em pacientes
submetidos à endoscopia na região Sudeste, sendo mais frequente no sistema público de
saúde, com 42,00% dos casos, em comparação aos 25,60% registrados na rede privada. O
diagnóstico histopatológico, considerado padrão-ouro, baseia-se na análise visual realizada
por patologistas, um processo que demanda tempo considerável e está sujeito à variabilidade
entre observadores. Além disso, as diferenças nos protocolos de coloração histológica, como
H&E, Giemsa e Warthin-Starry, juntamente com a escassez de bases de dados públicas,
representam obstáculos relevantes ao desenvolvimento de sistemas automatizados robustos.
Este trabalho propõe uma abordagem automatizada de classificação binária da presença
de H. pylori em patches histológicos, com foco na robustez frente às variações entre os
protocolos H&E e Giemsa. A metodologia empregou dois conjuntos públicos de imagens
— o DeepHP, com 394.926 imagens coradas com H&E, e o dataset Giemsa, com 24.901
imagens —, além da aplicação de nove arquiteturas de redes neurais convolucionais prétreinadas,
incluindo VGG, ResNet, DenseNet, MobileNet e Xception. Foram utilizadas
também técnicas de aumento de dados, validação cruzada estratificada e formação de
comitês por voto majoritário. Os experimentos de transferência entre domínios revelaram
uma assimetria importante: modelos treinados com imagens H&E mantiveram desempenho
elevado ao serem testados em Giemsa, alcançando até 95,50% de acurácia, enquanto o
processo inverso resultou em queda significativa de desempenho, com máximo de 71,29%.
O treinamento com um conjunto híbrido de imagens mitigou efetivamente o domain
gap, promovendo maior equilíbrio nos resultados, com acurácias variando entre 90,21% e
97,91%. O comitê de melhor desempenho — formado pelos modelos VGG19, VGG16 e
MobileNetV2 — obteve acurácia de 99,58%, índice Kappa de 99,16% e AUC de 0,99, além
de reduzir a taxa de falsos negativos para apenas 0,006%. Esses resultados demonstram que
a combinação estratégica de modelos especializados em diferentes protocolos de coloração
constitui uma abordagem eficaz para a classificação robusta de H. pylori, oferecendo
potencial relevante como ferramenta de apoio diagnóstico na histopatologia gástrica.