A presente pesquisa investiga a formação da produção algodoeira na Ribeira do Itapecuru, na Capitania do Maranhão, entre os anos de 1620 e 1750, sob a perspectiva da Arqueologia Histórica, buscando compreender as interações estabelecidas entre os saberes indígenas, a ocupação colonial e a organização da economia algodoeira na região. Parte-se da hipótese de que a produção do algodão na América Portuguesa não constituiu uma atividade exclusivamente introduzida pelos colonizadores, mas resultou da apropriação e reorganização de conhecimentos técnicos e práticas produtivas desenvolvidas por diferentes povos indígenas muito antes da chegada dos europeus. Para alcançar esse objetivo, a pesquisa adota uma abordagem interdisciplinar, articulando dados provenientes da arqueologia, da documentação histórica, da cartografia histórica e da historiografia especializada. Metodologicamente, fundamenta-se no levantamento e análise de documentos preservados no Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), disponibilizados pelo Projeto Resgate Barão do Rio Branco, além de cartas de sesmaria, requerimentos administrativos, relatos de cronistas e bibliografia especializada sobre a ocupação do Maranhão e a produção algodoeira colonial. Os resultados preliminares permitiram identificar importantes evidências arqueológicas relacionadas ao cultivo, beneficiamento e uso do algodão nas Américas e no Brasil, bem como reconhecer agentes históricos diretamente envolvidos na consolidação da produção algodoeira na Ribeira do Itapecuru, entre os quais se destacam Diogo Manem, Manuel de Albuquerque, Antônio Pinheiro Vasconcelos e Lucas Raposo. A documentação levantada evidencia que a expansão da economia algodoeira esteve associada à concessão de terras, à implantação de unidades produtivas, à utilização da mão de obra indígena e à ocupação progressiva do território. Embora a pesquisa ainda esteja em desenvolvimento, o conjunto documental reunido demonstra o potencial das fontes históricas para compreender a dinâmica da produção algodoeira maranhense e reforça a importância da Arqueologia Histórica como campo de investigação capaz de integrar evidências materiais e documentais na interpretação das transformações ocorridas na paisagem colonial da Ribeira do Itapecuru.