Introdução: A imobilização prolongada em pacientes críticos internados na UTI está
associada a complicações hemodinâmicas, respiratórias e neurológicas. O ortostatismo
passivo com prancha ortostática surge como estratégia de mobilização precoce capaz de
mitigar esses efeitos. Objetivo: Avaliar os efeitos do ortostatismo sobre variáveis
neurológicas, respiratórias e hemodinâmicas, comparando parâmetros fisiológicos e
funcionais antes, durante e após a intervenção. Metodologia: Estudo clínico quase-
experimental realizado com 25 pacientes submetidos a protocolo de ortostatismo progressivo
(30°, 45° e 60°). Foram avaliadas variáveis hemodinâmicas (FC, PAM), respiratórias (FR, Vt,
Cest, DP, SpO₂) e neurológicas (ECG, RASS). A análise estatística utilizou ANOVA e teste
de Friedman, considerando significância em p<0,05. O tamanho de efeito foi calculado por
meio do eta quadrado parcial (η²p) e do coeficiente de Kendall’s W, interpretados segundo
Cohen como pequeno, moderado ou grande. Resultados: Dos 25 pacientes, 15 (60%) eram do
sexo masculino, com média de idade de 50±20 anos (16–91) e tempo médio de intubação de
6,9±4,0 dias. A PAM e a SpO₂ permaneceram estáveis. A frequência respiratória aumentou
significativamente (p=0,0433; W=0,32). A Escala de Coma de Glasgow apresentou melhora
expressiva (p<0,0001; W=0,65). O volume corrente elevou-se (p=0,0006; W=0,40), a
complacência estática aumentou (p=0,0221; η²p=0,18) e a driving pressure reduziu
(p=0,0071; W=0,28). Perspectivas: O ortostatismo passivo com prancha ortostática
demonstrou ser seguro e eficaz, promovendo benefícios respiratórios e neurológicos sem
comprometer a estabilidade hemodinâmica. Esses achados reforçam seu potencial como
recurso relevante nos protocolos de mobilização precoce em pacientes críticos e apontam para
a necessidade de estudos futuros sobre seus efeitos na recuperação funcional e nos desfechos
em UTI.