O assoalho pélvico masculino desempenha papel relevante no suporte visceral, na continência urinária e fecal e na função sexual. Apesar do avanço das pesquisas em fisioterapia pélvica, ainda são escassos os estudos que investigam parâmetros funcionais e ultrassonográficos do assoalho pélvico em homens que praticam sexo anal receptivo. Este estudo teve como objetivo comparar parâmetros clínicofuncionais e ultrassonográficos do assoalho pélvico masculino entre homens cisgêneros que praticam sexo anal receptivo e homens que não realizam. Trata-se de estudo observacional transversal, com análise preliminar de 49 homens cisgêneros, distribuídos em grupo exposição, composto por participantes que relataram sexo anal receptivo nos últimos 30 dias, e grupo controle. Os grupos demonstraram-se homogêneos quanto à idade (mediana de 25–26 anos), índice de massa corporal e nível de atividade física (p>0,05). Em análise preliminar, não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre homens cisgêneros que relataram sexo anal receptivo nos últimos 30 dias e controles quanto aos parâmetros funcionais e ultrassonográficos avaliados. Esses achados sugerem que, nesta amostra, a prática relatada não esteve associada a alterações mensuráveis do assoalho pélvico; contudo, os resultados devem ser interpretados com cautela devido ao delineamento transversal, à amostragem por conveniência e ao tamanho amostral ainda inferior ao previsto. Os achados preliminares indicam que homens que praticam sexo pênis-ânus receptivo não apresentam diferenças funcionais ou ultrassonográficas estruturais no assoalho pélvico quando comparados a não praticantes. Tais evidências contribuem para desmistificar pressupostos estigmatizantes na saúde do homem, fornecendo subsídios para uma abordagem clínica pautada em dados objetivos.