A cromoblastomicose (CBM) é uma micose crônica causada por fungos melanizados, cujo tratamento permanece desafiador devido ao tempo prolongado de evolução da doença, o que impacta na eficácia dos antifúngicos existentes. Embora seja classificada como uma doença tropical negligenciada, ainda são escassos os estudos voltados à identificação de novas opções terapêuticas. Nesse contexto, o reposicionamento e a combinação de fármacos representam uma estratégia promissora para a identificação de novas alternativas terapêuticas. Este estudo investigou o potencial antifúngico e o perfil de segurança da pilocarpina (PILO) por meio de uma abordagem multidisciplinar, integrando ferramentas in silico, análises morfológicas por Microscopia de Força Atômica (MFA) e ensaios experimentais de citotoxicidade e genotoxicidade. A triagem computacional demonstrou propriedades farmacocinéticas compatíveis com o reposicionamento terapêutico e identificou interações da PILO com alvos fúngicos relacionados à sobrevivência e à virulência, sugerindo potencial mecanismo de ação, embora se deva avaliar a estabilidade do complexo receptor-fármaco com cautela. Posteriormente, foi realizada uma avaliação ultraestrutural, a qual revelou que as combinações da PILO com terbinafina ou posaconazol promoveram alterações distintas na superfície de Fonsecaea pedrosoi, incluindo redução da rugosidade superficial e modificações topográficas compatíveis com danos à arquitetura celular. Por fim, os ensaios biológicos demonstraram citotoxicidade dependente da concentração em células LLC-MK2 (CC₅₀ = 30,78 µg/mL), enquanto as combinações sinérgicas entre PILO e os antifúngicos mantiveram a viabilidade celular superior a 80%. No modelo Allium cepa, a PILO isolada não apresentou efeito antiproliferativo, e sua associação com antifúngicos mantiveram a frequência de micronúcleos próxima ao controle e as alterações cromossômicas foram reduzidas quando aplicadas as combinações entre PILO e os antifúngicos em comparação aos tratamentos isolados. Em conjunto, os resultados demonstram que a PILO apresenta perfil farmacológico e de segurança favorável, além de potencializar a atividade de antifúngicos convencionais, constituindo uma candidata promissora ao reposicionamento terapêutico como adjuvante no tratamento da cromoblastomicose.