Introdução: A identificação precoce do TEA na Atenção Primária à Saúde é crucial para intervenções oportunas, contudo, profissionais enfrentam lacunas no reconhecimento de sinais sutis, ausência de capacitação e dificuldades na comunicação com as famílias. Pergunta norteadora: Quais os saberes e práticas dos profissionais de saúde da APS sobre o manejo das crianças com suspeita de TEA? Objetivo: Compreender os saberes e práticas dos profissionais de saúde da APS sobre o manejo de crianças com suspeita de TEA. Procedimentos metodológicos: Estudo exploratório-descritivo com abordagem qualitativa, fundamentado na Análise de Conteúdo de Bardin. Participaram 28 profissionais de nível superior das equipes de Saúde da Família e Multiprofissionais dos municípios de Oeiras, Picos e São João do Piauí, selecionados por sorteio aleatório. Utilizou-se questionário sociodemográfico e entrevista semiestruturada contendo 11 questões norteadoras. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética da UFPI parecer no 7.594.003. Análise dos dados: Os dados foram processados no software IRaMuTeQ, submetidos à Classificação Hierárquica Descendente (CHD), Análise de Similitude e Análise Fatorial de Correspondência (AFC), e interpretados à luz da Análise de Conteúdo de Bardin. Resultados: A amostra foi majoritariamente feminina 78,6%; n=22, com idade média de 37 anos variação de 25 a 53 anos, casados ou em união estável 60,7%; n=17 e com pós-graduação 71,4%; n=20. Todos os participantes tinham acesso à internet e computador, com uso diário da internet por 92,9%; n=26 e do computador por 71,4%; n=20. O corpus textual foi composto por 28 entrevistas, totalizando 1.203 segmentos textuais, com aproveitamento de 87,6% com 1.054 UCE. A CHD gerou quatro classes estáveis. A classe 1 (26,8%) revelou saberes ancorados nos marcos do desenvolvimento, utilizando caderneta da criança e prontuário eletrônico, com palavras como “puericultura”, “peso”, “altura”, “vacina”. A classe 2 (26,9%) evidenciou lacunas estruturais e ausência de capacitação específica, com termos “nunca”, “falta”, “capacitação”, “instrumento”, “protocolo”. A classe 3 (23,1%) mostrou dificuldades relacionais com as famílias, destacando “mãe”, “não aceitar”, “ansiedade”, “hiperatividade”, “comportamento”. A classe 4 (23,2%) apontou o encaminhamento como principal ação de manejo, com palavras “encaminhar”, “neuropediatra”, “fonoaudiólogo”, “fila”, “regulação”, “clínica santa ana”, “telenordeste”, porém sem contrarreferência. A análise de similitude confirmou “criança” como núcleo central, conectando-se aos eixos do desenvolvimento, das relações familiares e do encaminhamento. A AFC revelou que profissionais com filhos posicionaram-se mais próximos das dificuldades relacionais da classe 3, enquanto médicos e enfermeiros aproximaram-se das classes técnicas 1 e 4. Conclusões: Os profissionais dominam a vigilância do desenvolvimento típico, mas enfrentam despreparo técnico para sinais sutis do TEA, inexistência de capacitação continuada, fragilidades na comunicação com as famílias e um fluxo assistencial fragmentado que torna o encaminhamento uma prática solitária e sem retorno. Aplicabilidade: Reside na proposição de um Produto Técnico-Tecnológico “Roda de Cuidados” uma estratégia de educação permanente baseada em metodologias ativas para qualificar a triagem, o acolhimento e a contrarreferência no manejo do TEA na APS.