INTRODUÇÃO: A hanseníase é uma doença infectocontagiosa, de evolução crônica e transmissão respiratória, causada pelo Mycobacterium leprae, que acomete principalmente os nervos superficiais da pele e troncos nervosos periféricos, podendo causar incapacidades físicas. No ano de 2022, o Brasil notificou 19.635 casos novos de hanseníase, com uma taxa de detecção de 9,67 casos por 100 mil habitantes, ocupando o segundo lugar em número de casos detectados no mundo. Dentre esses casos, 81,2% são classificados como multibacilares, ou seja, potenciais transmissores da doença. OBJETIVO: Desenvolver com evidências de validade uma tecnologia assistencial para a avaliação clínica dos contatos de hanseníase no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS). MÉTODO: O estudo foi realizado no município de Teresina-PI. Trata-se de uma pesquisa metodológica, desenvolvida a partir de revisão de literatura sobre o tema e das orientações do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da hanseníase. A tecnologia proposta apresenta o formato de uma ficha clínica, cujo conteúdo, aparência e sua usabilidade foram submetidos à validação por juízes especialistas. Entre esses juízes, foram incluídos profissionais com expertise na temática da hanseníase e/ou na validação de instrumentos, além de profissionais da Atenção Primária, como parte do público-alvo. O estudo foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa, atendendo rigorosamente aos princípios éticos e às normas vigentes para pesquisas envolvendo seres humanos. RESULTADOS: A tecnologia assistencial apresentou Índice de Validade de Conteúdo Global de 0,97 (97%), demonstrando excelente validade de conteúdo. Sua usabilidade, avaliada pelos juízes do público-alvo, foi de 90,9%, evidenciando avaliação global favorável. CONCLUSÃO. A tecnologia configura-se como instrumento relevante para qualificar o cuidado, fortalecer a vigilância e aprimorar as práticas profissionais na Atenção Primária. Sua validação contribui para o enfrentamento da hanseníase, ao favorecer a organização e a qualidade do acompanhamento dos contatos de hanseníase.