O câncer do colo do útero (CCU) constitui um importante problema de saúde pública, com expressivo impacto epidemiológico e socioeconômico. Em nível global, ocupa a quarta posição entre as neoplasias mais incidentes na população feminina e figura entre as principais causas de mortalidade por câncer entre mulheres. O objetivo deste estudo foi analisar os casos de neoplasia maligna do colo do útero nas regiões de saúde do estado do Piauí no período de 2014 a 2023. Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e analítico, baseado na análise de dados secundários provenientes do Painel Oncológico, referentes aos casos de câncer do colo do útero registrados nas regiões de saúde do estado do Piauí. A população do estudo foi composta por todos os casos incidentes de neoplasia maligna do colo do útero em mulheres, registrados no período de 2014 a 2023. Foram incluídos 2.633 casos classificados segundo a Classificação Internacional de Doenças – 10ª revisão (CID-10: C53). Os resultados indicaram que a região Entre Rios concentrou o maior número de registros no período analisado, com 1.278 casos, correspondendo a aproximadamente 48,5% do total no estado. Essa região manteve números elevados ao longo de toda a série histórica, com destaque para o ano de 2023, quando foram registrados 186 casos. A maior proporção de casos ocorreu na faixa etária de 40 a 44 anos (17,1%). Observou-se que parcela expressiva das mulheres iniciou o tratamento em até 30 dias após o diagnóstico, enquanto parte dos registros ocorreu entre 31 e 60 dias, intervalo correspondente ao prazo estabelecido pela legislação brasileira. Em relação ao estadiamento clínico, verificou-se maior frequência de diagnósticos nos estágios 2 (34,9%) e 3 (23,2%). Quanto às modalidades terapêuticas, a quimioterapia foi a forma de tratamento mais frequentemente registrada, seguida pela radioterapia, enquanto a cirurgia ocorreu em menor proporção. Os achados evidenciam a necessidade de ampliar e qualificar as estratégias de prevenção e controle da doença, especialmente no âmbito da Atenção Primária à Saúde. O fortalecimento das ações de rastreamento, a ampliação do acesso ao diagnóstico e a garantia do início oportuno do tratamento são fundamentais para aprimorar a qualidade do cuidado às mulheres com câncer do colo do útero. Além disso, a qualificação dos sistemas de informação em saúde, com melhoria da completude e da consistência dos registros, é essencial para subsidiar o planejamento e a avaliação das políticas públicas voltadas ao controle da doença.