Esta pesquisa analisa o estatuto metafísico da música no pensamento de Arthur Schopenhauer e investiga suas possibilidades para o ensino de Filosofia. Parte-se da questão sobre o sentido da afirmação de que a música exprime à vontade e sobre a inteligibilidade dessa formulação a partir da distinção entre vontade e representação. Sustenta-se como hipótese que a singularidade musical resulta da convergência entre seu caráter não representativo e a estrutura temporal do querer, uma vez que melodia, ritmo e harmonia configuram movimentos de tensão, adiamento e resolução sem descrever sentimentos particulares. A investigação é qualitativa, bibliográfica e hermenêutica. Adota como fontes primárias os dois tomos de O mundo como vontade e como representação e Metafísica do belo, em traduções brasileiras de Jair Barboza, e dialoga com comentadores em língua portuguesa. O percurso histórico-comparativo examina matrizes antigas, medievais e modernas a fim de delimitar as permanências e rupturas da resposta schopenhaueriana. Os resultados parciais indicam que a música pode ser compreendida como figuração analógica da dinâmica da vontade e como experiência capaz de suspender provisoriamente o domínio do querer, embora sua pretensão ontológica encontre limites históricos e epistemológicos. Na dimensão profissional, o estudo retoma o projeto FILO-MUSIC, desenvolvido anteriormente em sala de aula, e busca aperfeiçoá-lo como atividade didático-filosófica organizada em sequência didática. Na versão de qualificação, a etapa pedagógica permanece propositiva, apresenta um esboço em cinco movimentos, com materiais e critérios de análise, e será ajustada ao contexto escolar antes de sua aplicação e avaliação.