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ÁQUILA RAYANE SILVA DE ALENCAR
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Sistemática de Corynothrips Williams, 1913 (Thysanoptera: Thripidae) e gêneros relacionados nos Neotrópicos
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Orientador : ELISON FABRICIO BEZERRA LIMA
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Data: 30/04/2026
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Os gêneros neotropicais Corynothrips Williams, 1913, Coremothrips Hood, 1925 e Rhabdothrips Hood, 1933 (Thripidae: Thripinae) compreendem atualmente seis espécies válidas descritas e são tradicionalmente considerados morfologicamente próximas na literatura. No entanto, essa hipótese de afinidade nunca foi formalmente testada em um contexto filogenético, e esses gêneros não estão incluídos em nenhum dos 12 grupos genéricos reconhecidos para Thripinae. Além disso, semelhanças morfológicas superficiais têm dificultado sua delimitação diagnóstica e a compreensão de suas relações evolutivas dentro da subfamília. Algumas espécies têm relevância econômica, como Corynothrips stenopterus, associada a danos em plantações de mandioca na América Central e do Sul, e Coremothrips nubillicus, registrada em associação com mangaba (Hancornia speciosa) na região Centro-Oeste do Brasil. A ausência de uma revisão taxonômica abrangente e de hipóteses filogenéticas robustas dificulta a identificação de espécies e limita a compreensão de sua posição sistemática. Este estudo teve como objetivo revisar taxonomicamente Corynothrips, Coremothrips e Rhabdothrips, testar suas relações filogenéticas e avaliar sua posição dentro de Thripinae com base em uma abordagem de evidência total. Análises morfológicas foram conduzidas utilizando lâminas permanentes examinadas em microscopia, e dados moleculares foram gerados em parceria com os seguintes laboratórios: Laboratório de Ecologia Molecular de Artrópodes da Universidade de São Paulo (ESALQ/USP, Piracicaba, Brasil) e o Laboratório de Conservação e Utilização de Biorrecursos da Universidade Agrícola de Yunnan (China); Centro de Taxonomia de DNA, Divisão de Sistemática Molecular, Levantamento Zoológico da Índia, Calcutá. Os resultados são detalhados em dois capítulos: no primeiro, os resultados são detalhados em dois capítulos (artigos científicos): No primeiro, realizam-se a descrição de uma nova espécie de Coremothrips e a proposição de Corynothrips flavus Moulton, 1941 como sinônimo de Rhabdothrips albus Hood, 1933 (syn. nov.). Este artigo também apresenta uma chave de identificação atualizada para todas as espécies dos três gêneros, bem como um mapa de distribuição geográfica, fotomicrografias diagnósticas e sequências moleculares. No segundo artigo, são realizadas inferências filogenéticas que ampliam a compreensão das relações dentro de Thripinae, a análise filogenética baseada em dados morfológicos sob pesos implícitos (K = 4.0625) recuperou Coremothrips e Corynothrips como um clado consistente e próximo a espécies da subfamília Sericothripinae.
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MARIANA MIRANDA DE SOUSA
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O Registro Fossilífero de Eremotherium Laurillardi (Lund, 1842) No Piauí: Implicações Paleobiogeográficas, Paleoecológicas e Paleoclimáticas
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Orientador : DANIEL COSTA FORTIER
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Data: 18/03/2026
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O estudo investiga o registro fóssil da preguiça-gigante Eremotherium laurillardi no Piauí, destacando o achado incomum no centro-norte do estado, no município de Arraial. A pesquisa teve como foco caracterizar morfologicamente e cronologicamente o material, reconstruir aspectos paleoecológicos relacionados à dieta e ao clima, além de avaliar a distribuição potencial da espécie por meio de modelagem de nicho ecológico. Para isso, foram realizadas análises morfológicas comparativas detalhadas, que confirmaram a atribuição taxonômica ao gênero Eremotherium. A cronologia foi estabelecida por datação radiocarbônica (¹⁴C) utilizando espectrometria de massas com aceleradores (AMS), resultando em um intervalo de 32.265–33.212 cal yr BP, inserindo o fóssil no Pleistoceno Tardio. As análises isotópicas de δ13C e δ18O, forneceram evidências paleoecológicas, indicando hábitos alimentares associados a plantas de ambientes abertos e campestres, bem como condições ambientais mais frias e secas do que as atuais. Desse modo, foi desenvolvida a modelagem de nicho ecológico com base em 97 pontos de ocorrência de E. laurillardi, dos quais 37 possuem datação absoluta. As variáveis ambientais utilizadas foram extraídas da base de dados WorldClim, contemplando parâmetros climáticos essenciais como temperatura e precipitação. A modelagem foi conduzida no algoritmo Maxent, com calibração multitemporal, de modo a correlacionar as idades fósseis disponíveis com as respectivas camadas paleoclimáticas, assegurando maior robustez às projeções. Essa abordagem permitiu não apenas reconstruir a distribuição potencial da espécie ao longo do Pleistoceno Tardio, mas também avaliar o impacto do novo registro de Arraial na compreensão de sua paleodistribuição.
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KARYNNE ARAUJO COSTA
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LEVANTAMENTO DE FLEBOTOMÍNEOS EM ZONAS URBANAS E RURAIS DE TERESINA, PIAUÍ: AVALIAÇÃO DE UM NOVO DISPOSITIVO DE COLETA E IMPLICAÇÕES PARA EPIDEMOLOGIA DA LEISHMANIOSE
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Orientador : MARIA REGIANE ARAUJO SOARES
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Data: 18/03/2026
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Os flebotomíneos constituem uma fauna bastante diversidade de insetos, dos quais, destacam-se espécies transmissoras das leishmanioses. Na década de 80, Teresina, Piauí, foi a primeira cidade brasileira a relatar a ocorrência de leishmanioses em zona urbana, o que demonstrou a adaptação de Lutzomyia longipalpis a estes espaços, visto que antes, era considerada uma espécie de ocorrência predominantemente silvestre. A necessidade de compreender os atuais cenários de ocorrência desta espécie em Teresina, sobretudo em áreas de ocupação antiga e recente, constitui-se objetivo desta pesquisa. Adicionalmente, testamos um novo dispositivo de captura de flebotomíneos, a fim de viabilizar uma alternativa de baixo custo e sustentável para os estudos destes vetores. Armadilhas luminosas tipo CDC, HP e JD2R foram instaladas por 12 horas ininterruptas nas localidades Cacimba Velha e Terra Nossa em ambientes intra e peridomiciliares, por três noites consecutivas no período de agosto a dezembro de 2025, perfazendo um esforço total de captura de 324 horas de coletas. Os flebotomíneos retidos nas armadilhas foram triados e identificados conforme a literatura. Variáveis ambientais (tempertura, umidade e velocidade do vento) foram registradas a cada captura. Uma propecção tecnológica sobre novos dispositivos de captura compreendendo o período de 10 anos (2014 a 2024), foi conduzida nas principais bases tecnológicas de patentes. Em campo, a armadilha JD2R foi testada em comparação com outras armadilhas disponíveis no mercado como a CDC (Center Control of Disease) e a HP (Hoover Pugedo). Espera-se demonstrar ao final desta pesquisa, a dinâmica de ocorrência de flebotomíneos em ambientes de ocupação humana antiga e recente em Teresina e analogamente, oferecer um novo dispositivo eficiente e de baixo custo aos estudos sobre insetos vetores.
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MARIA IDALETE LOPES SILVA
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Revisão taxonômica integrativa e modelagem de nicho sob cenários de mudanças climáticas globais dos escorpiões arborícolas do gênero Physoctonus Mello-Leitão, 1934 (Scorpiones: Buthidae)
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Orientador : LEONARDO SOUSA CARVALHO
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Data: 17/03/2026
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Os escorpiões do gênero Physoctonus são animais arborícolas encontrados principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, com registros concentrados nos biomas Caatinga e Cerrado. Atualmente, o gênero inclui três espécies descritas: Physoctonus debilis, Physoctonus striatus e Physoctonus amazonicus. Embora o grupo tenha sido revisado recentemente, ainda persistem importantes questões taxonômicas, especialmente relacionadas à descrição original e à validade das espécies P. striatus e P. amazonicus. Essas incertezas refletem limitações em amostragens anteriores e no uso de caracteres diagnósticos baseados em poucos exemplares, o que mantém em aberto dúvidas sobre quantas espécies realmente compõem o gênero e como elas se distribuem ao longo do território brasileiro. Além dos problemas taxonômicos, as áreas onde esses escorpiões ocorrem vêm sofrendo intensos impactos decorrentes do desmatamento, da fragmentação de habitats e das mudanças climáticas, fatores que podem comprometer seriamente a sobrevivência dessas espécies no médio e longo prazo. Como se tratam de escorpiões estritamente arborícolas, dependentes da vegetação para alimentação, abrigo e reprodução, alterações na estrutura e na disponibilidade de habitats tendem a afetar diretamente suas populações. Neste trabalho, foi realizada uma revisão taxonômica detalhada das espécies de Physoctonus, combinando diferentes linhas de evidência, incluindo a análise de caracteres morfológicos, dados morfométricos e informações moleculares. Essa abordagem integrativa permitiu uma reavaliação das espécies e resultou na redefinição de dois táxons, P. debilis e P. striatus, contribuindo para a estabilização taxonômica do gênero. Paralelamente, foram utilizados modelos de nicho ecológico para estimar as áreas ambientalmente adequadas para essas espécies no presente e projetar possíveis mudanças em sua distribuição sob cenários futuros de aquecimento global. Os resultados indicam que que as mudanças climáticas podem reduzir ou modificar significativamente as áreas onde esses escorpiões conseguem sobreviver. Em conjunto, esses resultados reforçam a importância de abordagens integrativas em estudos taxonômicos e fornecem informações relevantes para o planejamento de estratégias de conservação, além de contribuírem para o aprimoramento do conhecimento sobre a biodiversidade de escorpiões brasileiros.
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RAIANNE DO NASCIMENTO GUEDES
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Influência sazonal na diversidade taxonômica e funcional das vespas de Darwin (Hymenoptera: Ichneumonidae)
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Data: 17/03/2026
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Vespas parasitoides são insetos que durante a fase larval, desenvolvem-se alimentando de um hospedeiro, podendo matá-lo imediatamente ou permitindo seu desenvolvimento. Esses insetos possuem importância econômica e ecológica, pois atuam como indicadores de qualidade ambiental e no controle biológico de pragas. Apesar disso, este grupo ainda possui muitas lacunas de conhecimento relacionado a taxonomia, distribuição e ecologia. Deste modo, este estudo propõe investigar a diversidade taxonômica e funcional das vespas de Darwin (Ichneumonidae) no Parque Municipal Lagoa Azul, São Desidério, Bahia, comparando os períodos chuvoso e de estiagem. Foram realizadas seis coletas no período chuvoso (dezembro de 2023, janeiro, fevereiro, dezembro de 2024, janeiro e fevereiro de 2025) e seis coletas no período de estiagem (junho, julho e agosto de 2024 e 2025), totalizando 72 amostras. Foram utilizadas seis armadilhas de interceptação de voo (Malaise). No total foram identificados 1.065 indivíduos distribuídos em 23 subfamílias, 43 gêneros, seis espécies e 215 morfoespécies. Cryptinae foi a subfamília mais abundante (36,16%), seguida de Pimplinae (17,06%), Orthocentrinae (8,01%), e Anomaloninae (7,92%). A análise de rarefação baseada nos períodos apresentou maior riqueza em espécies para o período chuvoso, com 65,38% da riqueza esperada, enquanto o período de estiagem apresentou apenas 28,48% da riqueza estimada de Ichneumonidae no Parque. O período chuvoso correspondeu a 80, 28% de toda a diversidade encontrada nesse estudo demonstrando diferença acentuada na composição (P< 0.01), sendo essa foi diferença explicada principalmente pela perda de espécies (βnes=0.536) do período chuvoso para o período de estiagem. A diversidade funcional apresentou um padrão oposto ao observado na diversidade taxonômica. A composição funcional geral da comunidade manteve-se estável entre os períodos chuvoso e de estiagem (P > 0,10), sugerindo que apesar da perda de espécies, as estratégias de parasitismo foram mantidas. A composição funcional baseada nas guildas parasitoides não diferiu entre os períodos (P>0,05). Embora o tamanho da asa tenha apresentado maior amplitude de variação no período chuvoso, as médias foram muito próximas entre os períodos (chuvoso: 7,02 ± 1,57; estiagem: 6,33 ± 1,79), não resultando em diferenças expressivas entre os períodos (P= 0,05). O comprimento do ovipositor foi o atributo que apresentou a diferença mais acentuada entre os períodos (P < 0,01), com maior variação entre as espécies registradas no período chuvoso. Concluímos que embora o período chuvoso favoreça uma maior diversidade taxonômica e uma maior variação no comprimento do ovipositor, associadas a uma exploração mais ampla do habitat, a resposta funcional da comunidade à sazonalidade não foi uniforme para os demais atributos analisados. Assim, a sazonalidade atua como um importante modulador da diversidade, mas não impõe um único conjunto de atributos funcionais dominantes, uma vez que comunidades de parasitoides são funcionalmente diversas e nem todas as espécies respondem aos fatores ambientais da mesma forma ou na mesma intensidade. Este estudo reforça a importância de abordagens integrativas que considerem simultaneamente a diversidade taxonômica e funcional para compreender a estruturação de comunidades de parasitoides em ambientes sazonais, contribuindo para o avanço do conhecimento ecológico e potencialmente nas estratégias de conservação em regiões tropicais.
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RAUL SILVA BARROS ROCHA
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Determinantes da diversidade e da estrutura filogenética da vegetação lenhosa em ecótonos de cerrado-caatinga no nordeste brasileiro
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Data: 17/03/2026
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Embora os processos históricos e evolutivos tenham sido pouco abordados nos estudos ecológicos, a crescente disponibilidade de ferramentas filogenéticas tem possibilitado estudos mais robustos sobre a atuação desses na estruturação de comunidades naturais. A presente dissertação tem como propósito analisar os padrões de diversidade filogenética (PD) e estrutura filogenética de duas áreas distintas localizadas em uma região de ecótono de Cerrado e Caatinga no estado do Piauí. Com o intuito de facilitar a apresentação, a dissertação foi dividida em dois capítulos. No primeiro capítulo, intitulado “Diversidade e estrutura filogenética após o manejo agrícola tradicional de cultivo itinerante no cerrado”, estabelecemos as seguintes hipóteses: (i) A PD das vegetações em áreas de 18 e 35 anos de pousio seja semelhante à PD do cerrado de referência, uma vez que a camada lenhosa do cerrado se reestabelece rapidamente frente ao manejo que não envolve a aração do solo; (ii) A estrutura filogenética será superdispersa no início da regeneração e predominantemente aleatória nas fases intermediárias e finais, em função da rebrota de espécies filogeneticamente distantes no início da regeneração e da maior influência do banco e da chuva de sementes nas fases posteriores; (iii) Alta rotatividade filogenética entre os tempos em regeneração, retratando a chegada de linhagens tardias via dispersão ou contribuição do banco de sementes; (iv) O longo período de pousio terá favorecido a restauração das condições edáficas nas áreas em regeneração, reduzindo as restrições ambientais e exercendo pouca ou nenhuma influência na PD e estrutura filogenética. Como resultado, descobrimos que o manejo tradicional de cultivo itinerante não afeta a diversidade e a estrutura filogenética da comunidade lenhosa do Cerrado. As comunidades em diferentes tempos em pousio (18 e 35 anos) foram semelhantes ao Cerrado de referência em termos de diversidade filogenética padronizada (ses.PD). As medidas de diversidade beta filogenética apontaram que as comunidades compartilham um conjunto similar de linhagens, e a estrutura filogenética indicou um processo de regeneração controlado por fatores aleatórios, como potencial de rebrote das espécies e/ou dispersão. Além disso, o manejo agrícola ocorrido não deixou legados negativos nos atributos do solo, de modo que influenciasse os padrões de diversidade e estrutura filogenética da vegetação. Esses resultados sugerem que esse modelo agrícola deve ser incentivado quando realizado utilizando ferramentas de baixo insumo e períodos de descanso da terra mais longos. No segundo capítulo, intitulado “Influência de palmeiras na diversidade filogenética da vegetação lenhosa dos murundus em ecótono cerrado-caatinga”, testamos as seguintes hipóteses: (i) Maior PD será encontrada em murundus com presença de palmeiras, uma vez que elas se comportam como poleiros naturais que recrutam diásporos e atuam como berçários que melhoram as condições ambientais para colonização de espécies com linhagens filogenéticas distantes; (ii) A estrutura filogenética de murundus com presença de palmeiras será superdispersa, pois a facilitação atua na organização da comunidade recrutando espécies de linhagens filogenéticas distintas; (iii) Murundus com presença de palmeiras apresentam composição filogenética distinta de murundus sem palmeiras, sendo essa diferença de composição melhor explicada pela substituição e não pela distância entre os murundus. Isso é esperado porque as palmeiras, além de proporcionarem condições favoráveis para o estabelecimento de espécies, também recrutam conjuntos de linhagens distintos dos murundus em que elas estão ausentes. (iv) Murundus maiores suportam maior PD, de acordo com a teoria da biogeografia de ilhas. Mostramos que murundus com palmeiras apresentaram maior PD e uma estrutura filogenética superdispersa, provavelmente devido a um efeito facilitador. Evidenciamos diferenças de composição entre os murundus, sendo a substituição de linhagens o principal fator para a diferença entre os murundus. O efeito da distância não foi relevante, e a área influenciou a PD, corroborando a teoria da biogeografia de ilhas.
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MÔNICA MARCELA DA CONCEIÇÃO SOUSA
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Efeitos de borda associados a rodovia sobre a comunidade de formigas (Hymenoptera: Formicidae) do Cerrado no leste maranhense, Brasil
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Data: 16/03/2026
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O efeito de borda em fragmentos de Cerrado adjacentes a rodovias representa um importante modulador da estrutura e da distribuição das comunidades de formigas. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo avaliar os impactos do efeito de borda associado à rodovia sobre a diversidade, composição e distribuição das assembleias de formigas na APA do Inhamum, em Caxias, Maranhão. Testamos as hipóteses de que: (i) a estrutura ambiental varia de forma significativa ao longo do gradiente borda–interior, refletindo alterações na complexidade do habitat; (ii) áreas de borda apresentam maior abundância de indivíduos, porém menor riqueza, diversidade e uniformidade de espécies em comparação ao interior; e (iii) a composição taxonômica e funcional das assembleias de formigas responde de forma gradual ao gradiente ambiental, com substituição progressiva de espécies e guildas ao longo da distância da borda. A coleta de dados foi realizada em cinco pontos, cada um composto por nove transectos de 20 m, distribuídos do limite da rodovia até 600 m no interior do fragmento, empregando armadilhas de queda (pitfall) mantidas em campo por 48 horas, os espécimes coletados foram levados para laboratório para triagem e identificação. A análise dos dados integrou abordagens taxonômicas e funcionais. A variação ambiental foi avaliada por meio de análise de componentes principais (PCA). Diferenças na composição taxonômica e funcional entre borda e interior foram investigadas utilizando ordenação por Análise de Coordenadas Principais (PCoA) e análise de variância multivariada permutacional (PERMANOVA). Modelos lineares generalizados foram empregados para testar a relação entre variáveis ambientais e métricas de diversidade. Adicionalmente, foram realizadas análises de espécies e guildas indicadoras (IndVal), bem como a detecção de limiares ecológicos ao longo do gradiente ambiental (TITAN). Os resultados evidenciaram diferenças significativas nas condições ambientais entre borda e interior, estruturadas principalmente por gradientes de complexidade do habitat. A abundância de indivíduos foi maior nas áreas de borda, enquanto a riqueza, diversidade e equitabilidade de espécies foram superiores no interior do fragmento. A composição taxonômica e funcional variou de forma gradual ao longo do gradiente, com predominância de espécies e guildas generalistas e oportunistas próximas à borda e maior representatividade de espécies associadas a ambientes florestais mais conservados em maiores distâncias. O volume de serrapilheira apresentou efeito positivo sobre a riqueza de espécies, e foram identificadas zonas de transição ecológica indicando a extensão dos efeitos de borda ao longo do fragmento. Os resultados demonstram que o efeito de borda atua como um filtro ambiental contínuo no Cerradão da APA do Inhamum, promovendo reorganizações graduais na composição taxonômica e funcional das assembleias de formigas. Do ponto de vista da conservação, o estudo reforça a importância da manutenção da cobertura florestal e da heterogeneidade estrutural para evitar a homogeneização biótica e garantir a persistência de espécies sensíveis em paisagens fragmentadas por rodovias.
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JUSSARA DAMASCENA DE OLIVEIRA
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OCORRÊNCIA DE LUTZOMYIA LONGIPALPIS (DIPTERA: PSYCHODIDAE) EM UMA COMUNIDADE RURAL NO LESTE MARANHENSE: IMPLICAÇÕES DA IMPLANTAÇÃO DE UM PROJETO AGROINDUSTRIAL SOBRE A FAUNA DE VETORES.
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Orientador : MARIA REGIANE ARAUJO SOARES
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Data: 16/03/2026
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As leishmanioses estão entre as doenças mais negligenciadas do mundo. Esse grupo de enfermidades são endêmicas em áreas tropicais e subtropicais, sendo causada por parasitas do gênero Leishmania e transmitida durante o repasto sanguíneo do vetor. Nas Américas, a leishmaniose visceral, causada por Le. infantum é transmitida principalmente por Lutzomyia longipalpis, embora outras espécies já tenham sido encontradas infectadas, como Lu. cruzi e Lu. evansi . Esta doença vem sofrendo expansão e alterações no seu ciclo de transmissão em razão de alterações antrópicas como o desmatamento, ocasionado para instalação de grandes empreendimentos com vistas a agricultura ou pecuária, ou ainda pela expansão das áreas urbanas. O trabalho tem como objetivo a descrição da fauna flebotomínica da comunidade Manga, analisando a ocorrência de espécies potencialmente vetoras de Leishmania sp.; avaliando os cenários de modificação da cobertura vegetal da localidade estudada e discutir com apoio na literatura como isto impacta sobre a dinâmica populacional dos flebotomíneos. A pesquisa foi conduzida no povoado Manga, que está localizado em uma área interestadual (Piauí e Maranhão), que cresceu às margens do Rio Parnaíba e está inserido entre municípios endêmicos para leishmanioses. Coletas de flebotomíneos foram realizadas em três pontos distintos, distribuídos linearmente, através de armadilhas luminosas, das 18h às 6h, trimestralmente, no período de 2022 a 2025. Em cada ponto, armadilhas luminosas foram instaladas em três ambientes distintos (intradomiciliar, peridomiciliar e extradomiciliar). Os espécimes coletados foram triados e identificados a nível taxonômico, enquanto as fêmeas foram submetidas a Reação em Cadeia de Polimerase para a análise da ocorrência de fêmeas com DNA de Leishmania sp. Dados epidemiológicos sobre a notificação de casos de leishmanioses foram coletados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) no Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) e da Secretaria Municipal de Saúde de Barão de Grajaú no período de 2016 a 2024. Em 972 horas de esforço de coleta foram coletados 133 flebotomíneos, distribuídos em 12 taxa, dos quais, a espécie predominante e ecologicamente mais constante foi Lutzomyia longipalpis Lutz e Neiva (1912), sobretudo no ambiente peridomiciliar. A razão sexual entre machos e fêmeas foi de 1,18, embora o teste estatístico não tenha demonstrado diferença significativa estatisticamente na proporção entre machos e fêmeas. Não foi detectada diferença significativa entre a proporção de machos e fêmeas e nem entre as campanhas de coleta. Em nenhuma amostra de fêmea de L. longipalpis foi detectado DNA de Leishmania sp. Os nossos achados demonstram a necessidade de manutenção da vigilância entomológica na comunidade em estudo, sobretudo em razão da ocorrência da principal espécie vetora de Leishmania infantum. A manutenção das campanhas de coleta à longo prazo, são importantes para avaliar futuramente, a existência ou não de impactos das modificações no ambiente sobre as populações de L. longipalpis.
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LAEL LEVY DA SILVA SANTANA SENE
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Influência espaço-temporal da disponibilidade de água na fauna de Ichneumonoidea (Hymenoptera) no Parque Municipal da Lagoa azul, São Desidério, Bahia, Brasil
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Data: 16/03/2026
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Cerrado é um bioma marcado por estações de chuva e seca distintas, e possui uma rica biodiversidade, incluindo cerca de 40% dos insetos. Hymenoptera, a segunda maior ordem com aproximadamente 250.000 espécies, inclui as famílias Ichneumonidae, com 1.059 espécies no Brasil e 102 registros na Bahia, e Braconidae, com 1.062 espécies no Brasil e 81 na Bahia. Este estudo avaliou a influência espaço-temporal da disponibilidade de água na fauna de Braconidae e Ichneumonidae no Parque Municipal da Lagoa Azul, São Desidério, Bahia. Entre 2023 e 2024, foram realizadas oito coletas em dois períodos (seco e chuvoso), em duas áreas: uma próxima à lagoa, com vegetação perene, e outra distante da lagoa, que seca durante a estiagem. Três armadilhas Malaise foram instaladas em cada área, totalizando 48 amostras. As análises foram realizadas em linguagem de programação R, no software RStudio, com os pacotes iNEXT e vegan, para avaliar a riqueza e abundância dessas famílias. Curvas de rarefação e extrapolação permitiram comparar a riqueza entre áreas, enquanto a PERMANOVA, associada ao PERMDISP, avaliou diferenças na composição de comunidades entre áreas e períodos. Durante as coletas, foram registrados 1.094 indivíduos de Ichneumonidae, distribuídos em 23 subfamílias. Cryptinae destacou-se como a mais abundante (36,5%), seguida por Pimplinae (14,7%), Anomaloninae (8,2%), Ichneumoninae (7,4%), Banchinae (7,2%), que juntas representaram a maior parte da comunidade. Subfamílias menos frequentes, como Diplazontinae (0,1%) e Rhyssinae (0,1%), ocorreram em baixa abundância. Para Braconidae, foram registrados 544 indivíduos distribuídos em 22 subfamílias. Doryctinae foi a mais abundante (30,51%), seguida por Microgastrinae (13,60%), Cheloninae (11,21%) e Agathidinae (8,09%), que juntas somaram mais de 63% dos exemplares. Subfamílias raras, como Proteropinae (0,18%), Pambolinae (0,37%) e Exothecinae (0,18%), foram representadas por apenas um indivíduo cada, evidenciando uma comunidade composta tanto por grupos dominantes quanto por táxons de ocorrência esporádica. Em síntese, os resultados demonstram que a disponibilidade de água influencia a composição da fauna, mas não de forma uniforme entre os grupos, evidenciando a necessidade de conservar a heterogeneidade ambiental para manter a diversidade de parasitoides.
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LETÍCIA VIEIRA MOURA
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Anuros do semiárido (Floriano, Piauí- Brasil): biodiversidade entre ciclos de estiagem e precipitação
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Orientador : MAURO SERGIO CRUZ SOUZA LIMA
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Data: 13/03/2026
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A região Nordeste apresenta uma diversidade de ecossistemas (Cerrado, Caatinga, Floresta Amazônica e Mata Atlântica), como também áreas de transição, sendo essa região composta por grande diversidade biológica. O estado do Piauí possui uma vasta área ecotonal, entre o Cerrado e a Caatinga, localizada no semiárido nordestino e rica em biodiversidade, formando gradientes ecológicos sensíveis às mudanças ambientais. Torna-se, portanto, uma área importante para estudos ecológicos e de conservação. No entanto, pouco se sabe sobre atividade das espécies presentes no semiárido piauiense durante o período de estiagem, dificultando a compreensão das atividades das espécies que vivem nessas condições. É necessário estudo para conhecer sobre as espécies ativas no semiárido durante o período de estiagem. Considerando que, que no semiárido os recursos hídricos são limitados e a disponibilidade de água varia ao longo do ano, os ambientes com corpos d’águas temporárias desempenham um papel fundamental na manutenção e sobrevivência de diferentes organismos. Esta dissertação tem por objetivo fornecer conhecimento sobre as espécies que ocorrem no semiárido e que se mantêm em atividade no período de seca (1º Capítulo), bem como compreender como as poças temporárias influenciam a distribuição da anurofauna durante o período chuvoso (2º Capítulo). Com relação ao delineamento amostral, a fim de verificar a presença de anuros no local, foram realizadas visitas quinzenais às áreas propensas à inundação (Busca ativa) no período das 17h00 às 23h00, em ambos os períodos. Também foram instalados gravadores de voz Ditafone MP3, modelo Henniu 8GB Mini USB Digital, ativados por vocalização, tanto no período de estiagem quanto no chuvoso. No período de estiagem, foram instaladas armadilhas de queda do tipo “pitfall trap” no solo, do tipo garrafas PET de 2L, garrafas PET de 5L e baldes de 18L enterrados no solo. A fim de verificar a abundância de espécies foi calculada a abundância relativa (AR) dos indivíduos nos meses de estudo, cálculo da dominância das espécies os valores absolutos de espécimes e espécies e a frequência de ocorrência das espécies durante o período de estiagem e chuvoso. Mesmo diante das condições adversas da estiagem, foram registrados 297 indivíduos de anuros, evidenciando a capacidade de adaptação dessas espécies a ambientes com baixa disponibilidade de água. Durante período chuvoso, foram registrados 228 indivíduos e os resultados obtidos neste estudo demonstraram que mesmo quando o recurso (água) está disponível, não é suficiente para manter a presença, distribuição ou riqueza das espécies e que outros fatores podem influenciar a ocupação do ambiente pelos anuros.
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FLÁVIA MARQUES DE SOUSA
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Determinantes ecológicos da diversidade da vegetação lenhosa e do estoque de Carbono em áreas de ecótono entre Cerrado e Caatinga no Nordeste Brasileiro
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Data: 13/03/2026
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A vegetação é fundamental para o ciclo global do carbono, e mudanças em sua composição e estrutura podem comprometer serviços ecossistêmicos essenciais, como o armazenamento de carbono, contribuindo para o agravamento das mudanças climáticas em escalas locais e globais. Diante do exposto, a dissertação está organizada em dois capítulos. Este estudo foi realizado em áreas de ecótono de Cerrado e Caatinga, especificamente em áreas submetidas a diferentes tipos de manejos em uma região com maior influência da vegetação de Cerrado. No capítulo 1, intitulado “Avaliação do efeito do cultivo itinerante na diversidade da vegetação lenhosa e do estoque de carbono em área de ecótono de Cerrado e Caatinga do Nordeste brasileiro”, tivemos como objetivo investigar o efeito da diversidade taxonômica, funcional e filogenética, bem como a contribuição das espécies anemocóricas, autocóricas e zoocóricas no estoque de carbono da comunidade arbórea e arbustiva em diferentes tempos de pousio. De forma mais específica acreditamos que: (i) O estoque de carbono aumente com o avanço da regeneração; (ii) Ocorrerá o incremento na diversidade taxonômica, funcional e filogenética ao longo da regeneração; (iii) As métricas de diversidade taxonômica, funcional e filogenética são boas preditoras para prever o estoque de carbono; e (iv) Espécies zoocóricas contribuem mais para o estoque de carbono em comparação com espécies anemocóricas e autocóricas. Verificamos que um período de regeneração de 35 anos após a interrupção da agricultura itinerante é suficiente para que os estoques de carbono se tornem semelhantes aos observados em áreas sem manejo. Constatamos que 18 anos de regeneração em áreas anteriormente submetidas à agricultura itinerante já são suficientes para restaurar os níveis de riqueza de espécies, bem como a diversidade funcional e filogenética da vegetação arbórea-arbustiva. Concluímos também que, tanto a riqueza taxonômica, quanto a diversidade filogenética apresentam bom desempenho como indicadores da estocagem de carbono ao longo da regeneração. As síndromes de anemocoria e zoocoria se mostram igualmente importantes, pois ambas contribuem para o acúmulo de carbono em áreas de Cerrado pós-agricultura itinerante. No capítulo 2, intitulado “Influência das palmeiras e das estratégias dispersão da vegetação lenhosa no estoque de carbono em áreas de murundus em um ecótono Caatinga–Cerrado”, avaliamos como a presença de Copernicia prunifera (Mill.) HEMoore (carnaúba) e Astrocaryum vulgare Mart. (tucum) nos murundus influenciam o estoque de carbono em uma região ecotonal entre Cerrado e Caatinga. Nesta pesquisa acreditamos que: (i) Murundus com presença de palmeiras apresentam maior estoque de carbono em comparação aos murundus sem palmeiras; (ii) A presença de palmeiras aumenta a riqueza de espécies zoocóricas em relação às espécies anemocóricas e autocóricas; (iii) Espécies zoocóricas apresentam maior área basal e maior densidade da madeira quando comparadas às espécies anemocóricas e autocóricas; (iv) Em murundus com presença de palmeiras, as espécies zoocóricas contribuem mais para o estoque de carbono do que espécies anemocóricas e autocóricas. Evidenciamos que a presença de C. prunifera e A. vulgare não se refletiu em diferenças no estoque de carbono nos murundus. Em contrapartida, esses ambientes apresentaram maior representatividade de espécies zoocóricas, as quais se caracterizaram por maiores valores de diâmetro e maior estoque de carbono. Em conjunto, esses resultados indicam que os murundus funcionam como ilhas de vegetação associadas à fauna dispersora, evidenciando sua relevância ecológica e a necessidade de que esses ambientes sejam considerados em estratégias de conservação e em políticas de proteção.
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NOELMA SILVA RIBEIRO
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Diversidade funcional da comunidade arbórea e arbustiva em áreas de ecótono entre Cerrado e Caatinga no Nordeste do Brasil
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Data: 12/03/2026
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As respostas das espécies às alterações nas condições ambientais podem ser investigadas por meio dos traços funcionais, os quais, ao revelar estratégias específicas de sobrevivência e uso de recursos, permitem integrar as interações bióticas e abióticas que conduzem a estruturação das comunidades vegetais. Realizamos esta pesquisa em duas áreas de ecótono de cerrado e caatinga e, para melhor apresentação dos resultados, dividimos a dissertação em dois capítulos. No primeiro capítulo, intitulado “efeito da agricultura itinerante na diversidade funcional da vegetação arbórea e arbustiva no Cerrado nordestino”, avaliamos o efeito do cultivo itinerante e das variáveis do solo na diversidade funcional (FD) da comunidade arbórea e arbustiva em três tempos de pousio (18, 35 e < 60 anos) em áreas de Cerrado. Hipostenizamos que: Em curto tempo de pousio os descritores funcionais serão menores, com o solo atuando um fator limitante; A variação intraespecífica (ITV) dos traços funcionais será maior em tempos de pousio mais curtos, refletindo maior plasticidade fenotípica; A ITV ponderada pela abundância das espécies entre os diferentes tempos de pousio diminui com o aumento do tempo de pousio; A ITV será explicada pelas variáveis do solo. Evidenciamos que áreas há 18 anos de pousio apresentam descritores funcionais semelhantes às de áreas sem histórico de uso agrícola, indicando que a prática realizada, por não envolver mecanização e uso de agrotóxicos, favorece a rápida recuperação da FD. Para a maioria dos traços funcionais a variação interespecífica predominou, evidenciando as divergências morfológicas entre espécies como estratégia de evitar os efeitos da competição. Embora a ITV seja baixa, ela não deve ser ignorada, pois é uma importante estratégia de regulação do tamanho populacional. Assim, esses achados evidenciam rápida recuperação da FD em áreas de cerrado após a agricultura itinerante. No capítulo 2, intitulado “efeito das palmeiras na diversidade funcional da vegetação lenhosa em murundus em áreas de ecótono Cerrado-Caatinga”, investigamos como a presença de palmeiras (Copernicia prunifera (Mill.) H.E. Moore e Astrocaryum vulgare Mart.) influenciam a FD da comunidade lenhosa em murundus em áreas de ecótono Cerrado e Caatinga. Postulamos que: A variação nos descritores funcionais é explicada pela presença de palmeiras e pelo tamanho da área dos murundus; Murundus com presença de palmeiras apresentam maior relação entre riqueza funcional e riqueza de espécies; Na presença de palmeiras, a variação interespecífica é maior que a variação intraespecífica. Evidenciamos que a estrutura funcional da vegetação lenhosa nos murundus não é diretamente influenciada pela presença de palmeiras entretanto, o tamanho das áreas dos murundus afetou a riqueza funcional e apresentou relação positiva com a riqueza de espécies, especialmente nos murundus com palmeiras. A predominância da variação interespecífica pode ser explicada pelas mudanças na composição de espécies entre os murundus. Além disso, a inclusão da abundância relativa das espécies aumentou a ITV, evidenciando seu papel como um mecanismo relevante na compreensão da formação das comunidades e na regulação do tamanho populacional, uma vez que sua desconsideração pode obscurecer resultados e levar a interpretações imprecisas.
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MARISETE DOS SANTOS CARVALHO
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Prioridades de conservação de espécies medicinais lenhosas em ecótono Cerrado-Caatinga no Maranhão: Abordagem etnobotânica, ecológica e socioeconômica
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Orientador : JULIO MARCELINO MONTEIRO
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Data: 11/03/2026
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O índice de prioridade de conservação (IPC) constitui uma ferramenta quantitativa, utilizada para identificar espécies vegetais locais que demandam de atenção em estratégias de manejo e conservação. Este estudo teve como objetivo identificar espécies medicinais lenhosas prioritárias para conservação em um ecótono Cerrado–Caatinga, localizado na comunidade Ausente, município de Barão de Grajaú, Maranhão, integrando abordagens etnobotânicas, ecológicas e socioeconômicas. Foram aplicadas entrevistas semiestruturadas com 107 moradores, sendo 54 mulheres e 53 homens, com idades entre 18 e 85 anos, registrando-se as espécies citadas, suas finalidades terapêuticas e o modo de uso. Paralelamente, foi realizado um levantamento fitossociológico em uma área de vegetação nativa, no qual os dados foram obtidos por meio do método de parcelas, em uma área de estudo de 10.000m² (100x100 m), subdivididos em quatro parcelas de 2.500m² (50x50 m). Com posterior cálculo do Índice de Prioridade de Conservação (IPC), considerando o escore biológico e o risco de utilização. As variáveis socioeconômicas foram analisadas por meio de modelos lineares generalizados (GLM), a fim de avaliar sua influência sobre o conhecimento local acerca das espécies medicinais citadas. Foram registradas oito espécies com alta prioridade para a conservação local. Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne, Lafoensia replicata Pohl, Anacardium humile A.St.-Hil., Plathymenia reticulata Benth, Machaerium acutifolium Vogel, Psidium sp, Terminalia glabrescens Mart e Pterodon emarginatus Vogel. Além disso observou-se efeito estatisticamente significativo das variáveis idade, renda e escolaridade sobre o número de espécies conhecidas, evidenciando que fatores socioculturais influenciam a distribuição do conhecimento tradicional. O gênero, por sua vez, não apresentou diferenças significativas.
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AGNAILDO SOUSA SAMPAIO
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Padrões multiescala de ocorrência e atividade de borboletas-estaladeiras, Hamadryas Hübner, 1823 em paisagens urbanas
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Orientador : MURILO GUIMARAES RODRIGUES
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Data: 05/03/2026
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A fragmentação do habitat impulsionada pela urbanização remodela a distribuição das espécies, mas os mecanismos que conectam a estrutura da paisagem à biodiversidade são dependentes da escala e ainda permanecem pouco compreendidos. Embora a ocorrência de espécies seja amplamente utilizada como indicador da qualidade do habitat, ainda há pouca atenção ao papel da estrutura da paisagem, em múltiplas escalas espaciais, na determinação dessa ocorrência. A carência de informação se acentua ainda mais quando viéses amostrais advindos do erro de detecção das espécies em campo é considerado. Neste estudo, avaliamos os efeitos da estrutura do habitat sobre os padrões de ocorrência de borboletas-estaladeiras do gênero Hamadryas em diferentes escalas espaciais, dentro de uma paisagem urbana no nordeste do Brasil. As espécies foram amostradas ao longo de um gradiente de urbanização, que variou desde áreas inseridas em um fragmento florestal urbano até pequenas manchas verdes isoladas na matriz. Nossos resultados revelam que as borboletas do gênero Hamadryas, em especial H. februa e H. feronia, respondem à densidade de borda e cobertura vegetal principalmente através de variações na atividade, por meio da probabilidade de detecção. Por outro lado, a probabilidade de ocupação mostrou um padrão relativamente consistente entre as espécies e as escalas espaciais avaliadas. A dissociação entre ocupação e detectabilidade sugere que as espécies de Hamadryas apresentam ampla tolerância a ambientes urbanos heterogêneos e perturbados, enquanto seus níveis de atividade e o uso de microhabitats são fortemente modulados por atributos estruturais locais, especialmente a cobertura vegetal e a disponibilidade de habitats de borda. Avaliar padrões de atividade em múltiplas escalas por meio da probabilidade de detecção pode, portanto, fornecer pistas ecológicas fundamentais sobre as relações espécie–habitat que permaneceriam ocultas caso apenas a ocorrência das espécies fosse considerada.
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LUCAS ARIEL DE SOUSA AGUIAR
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Diversidade funcional dos moluscos límnicos da bacia hidrográfica do Rio Parnaíba, Piauí: influência de variáveis ambientais e de padrões espaciais
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Data: 20/01/2026
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As bacias hidrográficas são sistemas integrados que conectam ambientes terrestres e aquáticos, desempenhando papel fundamental na manutenção da biodiversidade e no funcionamento dos ecossistemas. A Teoria do Rio Contínuo prevê gradientes longitudinais nos rios, mas, em regiões semiáridas como a bacia do Rio Parnaíba, a elevada variabilidade hidrológica e a fragmentação natural podem gerar padrões distintos dos previstos. Nesse contexto, destacam-se os moluscos límnicos, organismos fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas aquáticos, mas que apresentam capacidade limitada de dispersão e forte dependência das condições locais. Apesar de sua relevância ecológica, o conhecimento sobre a diversidade desses organismos ainda é escasso, evidenciando uma lacuna raukieriana. Diante desse cenário, a abordagem funcional surge como uma ferramenta robusta para superar as limitações das métricas taxonômicas tradicionais, permitindo avaliar como os atributos funcionais das espécies respondem às variações ambientais. Este estudo buscou investigar como variam os índices de diversidade funcional — riqueza, dispersão e uniformidade — ao longo dos gradientes longitudinais dos rios da bacia do Parnaíba, bem como identificar quais variáveis ambientais atuam como principais determinantes desses padrões. As coletas foram realizadas nas estações secas de 2022 e 2023, em oito rios, com três pontos por rio, acompanhadas do registro de variáveis físico-químicas da água. A análise funcional foi realizada com base em uma matriz de atributos ecológicos, morfológicos e fisiológicos, extraídos da literatura. As métricas funcionais foram calculadas com base em dendrogramas gerados pela distância de Gower, considerando a riqueza funcional (FRic), a dispersão funcional (FDis) e a uniformidade funcional (FEve). Modelos lineares mistos foram utilizados para avaliar os efeitos da distância da foz dos rios e das variáveis ambientais sobre os índices funcionais. Foram registrados 5.938 indivíduos, pertencentes a 22 espécies de moluscos (14 gastrópodes e 8 bivalves). A FRic foi maior próximo às fozes e menor a montante. A FDis e a FEve não apresentaram variação significativa entre as distâncias da foz. Dentre as variáveis ambientais, a condutividade foi o principal fator que influenciou positivamente a FRic, indicando que áreas com maior condutividade abrigam comunidades funcionalmente mais diversas. Já a FEve foi negativamente influenciada pela concentração de oxigênio dissolvido, indicando menor uniformidade funcional em ambientes mais oxigenados.
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