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RAIMUNDO PEREIRA DE SOUSA
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O CONCEITO DE MUNDO DA VIDA EM HUSSERL: UMA ANÁLISE A PARTIR DA KRISIS
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Orientador : GUSTAVO SILVANO BATISTA
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Data: 03/07/2026
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Esta pesquisa tem como objetivo principal discutir o conceito de mundo da vida (Lebenswelt) na fenomenologia de Husserl, especificamente na sua obra A Crise das Ciências Européias e a Fenomenologia Transcendental (1936). A conceituação de mundo da vida invoca, em Husserl, diversas possibilidades e, por isso, o problema do mundo, especialmente do mundo da vida, é um dos mais complicados que se delineia do ponto de vista de interpretação fenomenológica. Mesmo sendo o mundo da vida um tema presente permanentemente na filosofia de Husserl, é na Krisis que o conceito mundo da vida aparece de modo central. Refletiremos no primeiro momento, o conceito de mundo da vida nas conferências de Husserl (Paris, Viena e Praga). No segundo momento, iremos analisar o desenvolvimento do conceito de mundo da vida na Krisis, nas suas considerações: ontológica e transcendental. E no terceiro momento, refletiremos a tematização do mundo da vida e sua estrutura universal. A pesquisa é de cunho bibliográfico e a nossa base argumentativa será apoiada nas obras de Husserl, As Conferências de Paris (1929), As Conferências de Viena (1935), As Conferências de Praga (1935), A Crise das Ciências Européias e a Fenomenologia Transcendental (1936) e nas obras dos seguintes comentadores: David Carr (1974, 1987); Fausto Castilho (1974); Fernando Montero (1992, 1994); Dan Zahavi (2003); James Dodd (2005) e Dermot Moran (2012).
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FRANCIDILSO SILVA DO NASCIMENTO
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O PAPEL DA LINGUAGEM NO PROGRESSO CIENTÍFICO: uma abordagem linguística-epistemológica fuzzyficada da filosofia da ciência de Thomas Kuhn
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Orientador : HELDER BUENOS AIRES DE CARVALHO
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Data: 03/07/2026
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Essa tese propõe o estudo do papel da linguagem no progresso científico a partir de uma abordagem linguística-epistemológica fuzzyficada da filosofia da ciência de Thomas Kuhn. Essa temática centra-se na questão da imagem da ciência disseminada ao longo dos tempos pelos filosóficos racionalista, empiristas e os pertencentes ao Círculo de Viena, de uma ciência cujo estatuto é a precisão e o alcance absoluto da verdade, pois partem dos fatos observacionais, sendo o conhecimento isento de toda dúvida ou imprecisão, na busca da verdade ou da proximidade da verdade. Essa visão acompanhou a ciência até o século XIX, sendo questionada fortemente com a publicação da obra de Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas (1962), na qual a ciência se torna um empreendimento como todos os outros, sujeitos a influência da cultura, da sociologia, e de tudo que compõem a atividade da vida humana o que causa uma incomensurabilidade entre as discrições realizadas pelas ciências. Todo o trajeto percorrido pela ciência, leva-nos a seguinte indagação: considerando o peso dado a linguagem no trabalho de Thomas Kuhn e, consequentemente, a percepção da realidade, não levaria a compreender o seu papel da linguagem enquanto historicamente variável a partir da aplicação da lógica fuzzy aos seus termos? Para responder à questão, I) será apresenta como foi desenvolvido o conceito de progresso científico, enquanto sucesso alcançado pela comunidade científca; II) Explicaremos como a virada filosófica apresentada por Kuhn, tendo como pano de fundo às teorias clássicas do significado, destacando que Kuhn passou a desenvolver uma teoria geral dos Termos de Tipo; III) Desenvolver a teoria de termos de tipo de Kuhn através de uma abordagem fuzzyficada da filosofia de Thomas Kuhn.
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HÉLIO ALVES NASCIMENTO
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ARTE E IMAGEM: A FOTOGRAFIA NO PENSAMENTO DE VILÉM FLUSSER
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Data: 10/06/2026
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Esta pesquisa tem como objetivo analisar de que modo a fotografia nos ajuda a corroborar a tese do filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser (1920-1991) de que há uma reaproximação entre ciência e arte na contemporaneidade. Na primeira parte da pesquisa investigamos a relação entre arte e imagem. Começamos por apresentar uma noção tradicional de arte para, em seguida analisamos como a divisão deste conceito na modernidade em duas artes, uma no sentido geral e outra em sentido estrito, tornou-se uma ideia equivocada desde o surgimento da câmera fotográfica. Arte em sentido estrito ou tradicionalrefere-se às Belas-Artes e engloba manifestações específicas como a pintura, a escultura, a música, a dança, a arquitetura, a literatura, o teatro, etc. Por outro lado, a arte em sentido amplo refere-se ao antigo conceito grego de techné, uma noção de atividade artística que não se separa da técnica, do ofício, do fazer objetivo. Após o exame destes conceitos será possível investigar como a divisão do termo techné, ocorrido na modernidade, se mostra prejudicial por descredenciar o trabalho dos artistas que lidam com técnicas oriundas da ciência. Este fato é melhor compreendido através do que Flusser denomina “a crise” na arte, o que nos leva ao próximo capítulo. Em seguida, examinamos o que é a crise na arte e como ela está relacionada a uma “crise” do objeto tradicional, representado aqui pela imagem tradicional. Imagens tradicionais são produzidas por meio de técnicas humanas, diferentemente das imagens técnicas que são produzidas por aparelhos, ou seja, por técnicas oriundas da ciência moderna. Esta discrepância nos permitirá não apenas diferenciar uma imagem da outra mas também identificar o contexto do surgimento das imagens fotográficas para enfim constatarmos a tese flusseriana da convergência entre ciência e arte na contemporaneidade. Ainda neste capítulo usamos a câmera como modelo mais simples de aparelho e a fotografia como modelo mais elementar de imagem técnica. A relação entre ambos nos leva à última parte da pesquisa, na qual corroboramos a reaproximação entre ciência e arte na contemporaneidade através da foto. Depois de analisarmos a divisão do conceito de arte e sua “crise” na modernidade poderemos, enfim, propormos uma análise da superação desta crise (ou seja, a reunificação do conceito de techné) através da prática fotográfica. Para isso comparamos a fotografia documental (imagem interpretada como exata e objetiva, conceituada pelas teorias essencialistas modernas) e a “fotografia-expressão”, termo cunhado pelo historiador André Rouillé para referir-se às fotografias que questionam a objetividade da imagem através de uma expressividade. Esta tensão entre documento e expressão será identificada nos trabalhos da fotógrafa naturalizada brasileira, Cláudia Andujar. Através de uma pesquisa do experimentalismo, recurso técnico típico da contemporaneidade e presente na obra de Andujar, constatamos uma tentativa da artista de jogar contra a funcionalidade do aparelho científico para criar arte, pois suas imagens buscam, antes de tudo, manifestar a dimensão humana da intersubjetividade. Esta análise nos permite pensar imagens que transitam entre o documento científico e a expressão, isto é, elas representam o retorno da techné integral, onde ciência e arte são quase indistinguíveis.
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SÉRGIO LUÍS BARROSO DE CARVALHO
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O CAMINHO DA EPISTEMOLOGIA ANTISSORTE À EPISTEMOLOGIA ANTIRRISCO NA OBRA DE DUNCAN PRITCHARD
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Orientador : GUSTAVO SILVANO BATISTA
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Data: 14/05/2026
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A partir da década de 1960, após a publicação de um breve artigo acadêmico por Edmund Gettier, os requisitos para aquisição de conhecimento voltaram a motivar calorosos debates em Epistemologia. Uma contundente conclusão das discussões que daí brotaram foi a afirmação de que não basta, para que um sujeito epistêmico tenha conhecimento, que ele tenha crença verdadeira e justificada. Isso levou à formação de numerosas propostas que buscam combater os vícios detectados por Gettier, geralmente partindo da construção de uma linha argumentativa baseada no clássico formato de “crença verdadeira e justificada”, mas com a inclusão de mais alguma condição. Entre tais perspectivas, dá-se destaque, neste trabalho, àquelas que permitem entrever a influência negativa do que pode ser descrito como “sorte”, ou “acidentalidade”. Um dos mais proeminentes filósofos a se dedicar a esse tema é Duncan Pritchard, criador da abordagem conhecida como “epistemologia antissorte”. Ele levou adiante uma proposta bastante similar a outras do formato “crença verdadeira e justificada mais algo”, mas partindo da constatação de que a interferência da sorte sobre o processo de aquisição de conhecimento foi tratada como uma platitude durante a maior parte da história da Filosofia. E, conforme a descrição de Pritchard, os célebres contraexemplos apresentados por Gettier em seu artigo são, eles mesmos, casos de sorte epistêmica: há neles um elemento que vincula a verdade da crença objeto a um fator inesperado. Diante dessa constatação, Pritchard lançou mão de um relato modal para caracterizar situações semelhantes: ocorre sorte epistêmica quando o sujeito de conhecimento tem crença verdadeira e justificada no mundo real, mas não tem na maior parte dos mundos possíveis próximos. Essa caracterização seria suficiente para identificar e evitar a interferência negativa da sorte epistêmica em grande parte das hipóteses calculáveis, mas não em todos os tipos de sorte – uma dificuldade especialmente grave diante daquilo que ele chamou de “sorte epistêmica reflexiva”. Anos depois do estabelecimento dessa teoria, Pritchard passou a defender a transição de uma epistemologia antissorte para uma epistemologia antirrisco. A noção de risco epistêmico, considerada por ele como mais fundamental que aquela da sorte epistêmica, tornou-se o novo foco das suas reflexões. Embora semelhantes, as duas noções diferem de forma fundamental: o próprio significado do termo “risco”, segundo Pritchard, subentende a superveniência de uma possibilidade indesejável para o agente epistêmico – a possibilidade de que ele não tenha conhecimento afinal de contas. A vantagem dessa caracterização sobre aquela da epistemologia antissorte estaria no maior escopo da solução de possíveis casos extraordinários – a epistemologia antirrisco seria capaz, segundo Pritchard, de afastar não apenas os casos em que o agente epistêmico falha em ter crença verdadeira e justificada no mundo real, mas também os casos em que ele sequer tem alguma crença. Cabe questionar, no entanto, se a caracterização oferecida por Pritchard em sua obra é suficiente para descrever a complexidade da noção de risco e de sua relação com a aquisição de conhecimento. Possíveis hipóteses de solução para esse questionamento – e que serão objeto de produção futura – se escoram nas interfaces entre a Filosofia e outros ramos de conhecimento, como a Estatística e a Probabilidade.
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MAYCON SILVA SANTOS
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CIÊNCIA, LINGUAGEM E TEOLOGIA: ELEMENTOS DE UMA EPISTEMOLOGIA DAS CIÊNCIAS EM JEAN LADRIÈRE
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Orientador : GUSTAVO SILVANO BATISTA
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Data: 06/05/2026
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Esta tese de doutorado investiga a articulação entre ciência, linguagem e teologia a partir do pensamento do filósofo belga Jean Ladrière, estabelecendo um diálogo histórico e epistemológico com as matrizes de René Descartes e Edmund Husserl. O objetivo principal é compreender como a racionalidade científica moderna, marcada por um viés operatório e formalista, pode ser reconciliada com a profundidade da experiência existencial, culminando na dimensão teológica. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem teórico-bibliográfica, estruturando-se em três eixos centrais. Primeiramente, analisa-se a separação histórica entre filosofia e ciência promovida por Descartes, com ênfase na mathesis universalis e na matematização da natureza, que reduziu a compreensão do mundo à extensão e ao movimento. Em seguida, examina-se a fenomenologia de Husserl como uma crítica rigorosa ao positivismo e à formalização excessiva da ciência, resgatando a intencionalidade da consciência e o mundo da vida (Lebenswelt) como solos originários do sentido. Por fim, o estudo aprofunda-se na filosofia de Ladrière, que supera o reducionismo ao categorizar as ciências em formais, empírico-formais e hermenêuticas. Demonstra-se que, para o autor, a linguagem atua como mediadora indispensável na construção do conhecimento, não havendo acesso direto ao real sem a estruturação simbólica de signos e conceitos. Os resultados apontam que a racionalidade é plural e que a ciência, embora autônoma e eficaz em sua operatividade, não esgota a totalidade do sentido humano. A tese conclui que a teologia, na perspectiva ladrièreana, não se opõe à razão científica, mas opera em uma esfera existencial distinta, onde a linguagem da fé — de caráter performativo e autoimplicativo — oferece um horizonte último de significância, integrando a criatividade técnica humana à acolhida do absoluto.
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THALYTA CRISTINE ARRAIS FURTADO ARAÚJO DE OLIVEIRA
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A DIMENSÃO POLÍTICA DO RECONHECIMENTO EM PAUL RICOEUR: O COMPROMISSO COMO FIGURA HERMENÊUTICO-FENOMENOLÓGICA
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Orientador : JOSE VANDERLEI CARNEIRO
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Data: 27/04/2026
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Propomos uma reflexão sobre o reconhecimento e o que este promove a si, ao outro e à dimensão ético-política, visto que entendemos que essa abertura ao outro e às suas possibilidades de compreensão, nos ajudam a ter acesso e a construir o mundo no qual vivemos e alargar os modos de ser. Refletimos sobre o reconhecimento enquanto uma problemática intersubjetiva que mobiliza processos e estruturas mediadoras no campo político (das instituições e organizações sociais) e opera num horizonte que vise a convivência pacífica, numa lógica dialética do consensual-conflitual. Partimos da premissa de que o contexto contemporâneo que experimentamos está fortemente marcado não por um problema de reconhecimento, mas por sua total negação, onde cada um de nós tomado como corpo político forma um mosaico complexo em que a incompreensão se torna evidente. Por isso, encaramos o desafio de ir com e além do trabalho fenomenológico-hermenêutico de Paul Ricoeur (1991;2006a), numa perspectiva pluralista, percebendo que a responsabilidade em torno de um projeto de reconhecimento se dá não apenas em relações horizontais de pessoa a pessoa (eu-tu), mas com raízes profundas no mundo compartilhado. Propomos a figura do compromisso como um reforço sintomático da responsabilidade política e da ampliação das dimensões imaginativas e afetivas, à prova da realidade, como possibilidade de reordenamento da práxis. Encontrar em sua filosofia uma dimensão política do reconhecimento não deve ser encarado como uma redução do fenômeno a seu estrito significado político, mas ampliar e enriquecer o sentido diante de um poder de agir. É um sinal da tarefa e não de resultados diante de pessoas e relações e de um mundo, autônomo, vulnerável e responsável.
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MARCO ANTONIO CONCEIÇÃO
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A METAFILOSOFIA SOLIDARISTA DE RICHARD RORTY: A EFETIVIDADE DA NARRATIVA DOCUDRAMÁTICA
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Orientador : EDNA MARIA MAGALHAES DO NASCIMENTO
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Data: 16/04/2026
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A tese A metafilosofia solidarista de Richard Rorty: a efetividade da narrativa docudramática, apresenta como tema o papel efetivo do poder redescritivo do docudrama enquanto demanda da autocriação, presente na metafilosofia solidarista de Richard Rorty. A conexão da filosofia de Rorty, amparada em novos vocabulários que indicam as redescrições e o solidarismo, com a estratégia fílmica do docudrama, será abordada a partir das seguintes questões: Qual o sentido e significado de uma metafilosofia solidarista? Como as categorias rortyanas denominadas por “narrativas”, “conversação”, “redescrição”, “ironista liberal” e “solidariedade” corroboram com uma filosofia cujo vocabulário inovador privilegia a “contingência da linguagem” e propõe um projeto denominado por “utopia liberal”? Comparada com outras formas narrativas, quais as peculiaridades dos vínculos entre realidade e recriação de uma redescrição docudramática para agradar, convencer e comover o espectador? Até que ponto o docudrama, como recurso retórico de expressão fílmica da realidade, distinto da sofisticação teórica da linguagem técnica da filosofia, pode atingir os fins do solidarismo proposto pela filosofia neopragmatista de Richard Rorty? A partir dos problemas acima elencados, defendemos a seguinte tese: o docudrama cinematográfico, como forma narrativa baseada em fatos, acessível ao público em geral e de reconhecido poder persuasivo é um instrumento de redescrição capaz de contribuir para os fins do solidarismo conforme o pensamento de Richard Rorty. O objetivo geral da tese é investigar a narrativa docudramática como redescrição capaz de contribuir com o solidarismo almejado no projeto de “utopia liberal” proposto na metafilosofia de Richard Rorty. Rorty abordou em sua obra o papel estratégico das narrativas literárias romanescas, entretanto, não houve tempo suficiente em sua vida para dar continuidade ao referido projeto e abordar outras formas narrativas, tais como o cinema e o docudrama, que também foram citadas como exemplos, na obra Contingency, Irony, and Solidarity ou Contingência, ironia e solidariedade (1989), a obra da “virada narrativa”. Assim, a originalidade da presente tese consiste em adentrar a filosofia rortyana para compreender a estratégia docudramática como um recurso pragmático capaz de oferecer melhores e mais adequadas formas de falar de nós mesmos, das artes e do mundo. A pesquisa tem como referencial teórico as principais obras de Rorty, sobretudo, a sua obra seminal Philosophy and the Mirror of Nature ou A filosofia e o espelho da natureza (1979) e a obra Contingência, ironia e solidariedade (1989), além de escritos específicos da área de estudiosos sobre o docudrama.
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NILO LIMA SAMPAIO
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A existência de Riobaldo a partir do conceito de vida autêntica: confluências entre as veredas de Guimarães Rosa e o pensamento de Martin Heidegger
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Orientador : JOSE RICARDO BARBOSA DIAS
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Data: 08/04/2026
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O presente trabalho objetiva analisar filosoficamente diversos níveis e camadas pelos
quais a linguagem se apresenta em Grande Sertão: Veredas de Guimarães Rosa (1908-
1967). Apoiamos nossa análise na filosofia heideggeriana, mais especificamente na sua
segunda fase, caracterizada pela viragem para o poético (Kehre), onde a poesia passa a
ter lugar de destaque. Nessa fase de seu pensamento, Heidegger reforça que o ser é “dar
se como presença”, como aparição (alethéa), e a linguagem (lógos) é que possui o poder
de trazer para a presença o não-presente, ou seja: o “ser-aparição” dar-se por força da
linguagem e na linguagem. Ora, se a linguagem compreende todos os eventos e as
possíveis relações entre eles, do mesmo modo que compreende a consciência que o
homem tem de si e do mundo, interessa-nos descortinar o modo de existir que é
presentificado em Grandes Sertão: Veredas. A linguagem que Rosa construiu para
compor sua obra, mostra que a coerência da linguagem mantém coerência do próprio
mundo. Porém, assumimos que o mundo não possui uma essência universalmente
homogênea, cuja materialidade subsiste por si mesma. Antes, o mundo é um conjunto
não-quantificável, uma sucessiva série de fenómenos que se presentificam, que vem-a
ser, por meio da linguagem. É a partir deste escopo, que o trabalho investiga as maneiras
como a linguagem se dá principalmente no desenrolar da saga do jagunço Riobaldo,
procurando demonstrar que através do conceito heideggeriano de acontecimento
apropriativo (Ereignis), há um movimento de apropriação de si como resultante do pacto
de Riobaldo com o diabo. Notamos que esse foi um pacto com a liberdade da linguagem,
e que tanto seu viés linguístico quanto sua busca estão evidenciados em determinados de
Grande Sertão: Veredas, como a coragem que falta a Riobaldo; o poder simbólico e
ontológico presente em alguns elementos, como no conceito de vereda; os relatos de
Riobaldo sobre as travessias dos rios, e a própria concepção dele de vida como travessia.
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RUAN PEDRO GONÇALVES MORAES
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TECNOLOGIAS E MOVIMENTOS SOCIAIS: POR UMA TEORIA DAS ORGANIZAÇÕES POLÍTICO-TÉCNICAS NA FILOSOFIA DE ANDREW FEENBERG
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Orientador : HELDER BUENOS AIRES DE CARVALHO
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Data: 01/04/2026
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A presente tese tem por objetivo analisar os movimentos de protestos em termos de expressão de uma forma determinada em que sujeitos coletivos se engajam criticamente no sistema técnico, tendo como objetivo a democratização da estrutura tecnocrática e reificante. Defendo que uma identificação clara dos pressupostos de formação dos coletivos e dos indivíduos com consciência política-técnica pode nos fornecer uma estrutura de compreensão imanente aos sujeitos que se organizam em resistências. Minha proposta parte da perspectiva desenvolvida por Andrew Feenberg de que movimentos, a partir de baixo, possuem a capacidade de inserir valores amplamente mais coerentes com a sociedade no sistema técnico atual. Sua conceituação de tecnologias com características bidimensionais nos fornece as bases para identificarmos essas possibilidades. Buscarei, no entanto, apontar caminhos para superar as insuficiências de Feenberg diante do problema da percepção pública e da formação dos coletivos, que retoma seu lugar no conflito entre grupos dominantes e grupos dominados e suas condições de organização no âmbito dos sistemas técnicos. Entendo que a proposta de Feenberg necessita não apenas de apontamento das possibilidades de transformação por meio de resistência, mas explicitar suas chances de efetivação como estruturas organizacionais com objetivos determinados. Nesse sentido, a compreensão da formação dos coletivos de resistência tem, por mérito, encaminhar-nos para as bases da construção dos protestos e intervenções democratizantes para identificar a necessidade das suas diversas formas e níveis na lógica de sua conformação e adequação aos fins almejados. A partir disso, podemos nos orientar racionalmente quanto a quais são as condições de possibilidade das relações coletivas que permitem que sujeitos coletivos se apercebam de suas relações políticas com a realidade e se engajem em movimentos por mudança do tecnossistema.
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FELIPE AUGUSTO ALVES SOARES
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A BIOTECNOLOGIA E OS HORIZONTES CONTEMPORÂNEOS DO BIOPODER
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Orientador : MAURICIO FERNANDES DA SILVA
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Data: 30/03/2026
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Para o autor Michel Foucault, o poder se apresenta nas relações sociais, sendo ele mesmo uma relação. Ao longo da história diferentes tecnologias sociais se apropriaram do corpo, este imerso num campo de relações de poder. A partir dos séculos XVII e XVIII o filósofo observa o aparecimento de um novo arranjo nas relações de poder no ocidente, um fenômeno político da apreensão do corpo como entidade biológica, sujeito aos fenômenos de população descritos na biologia. A partir daí uma série de tecnologias de controle do corpo passam a ser implementadas, visando majorar suas potências, aumentar sua utilidade e docilidade. Entretanto, com os desenvolvimentos recentes da biotecnologia, que se apropria do organismo como máquina (como na anátomo-política do biopoder), as tecnologias sociais de controle do biopoder parecem alcançar possibilidades de assenhorar-se do corpo em escala que Foucault não testemunhou. É necessária uma investigação que tome a biotecnologia nos termos do biopoder. Este projeto de dissertação, de caráter teórico, construído a partir de pesquisa bibliográfica, pretende tematizar a possibilidade de interpretar os eventos recentes do desenvolvimento da biotecnologia como um acirramento das tecnologias do biopoder, no sentido de representar um refinamento e aprofundamento de sua agência, expondo a escala dos processos biomoleculares do corpo aos mais diversos interesses políticos e econômicos. A partir deste acirramento, pretende-se refletir acerca das possibilidades e perigos de tal cenário de intervenção, levando a indagar as novas tecnologias sociais de controle ensejadas pelo desenvolvimento da tecnologia científica, especificamente da biotecnologia moderna
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GABRIELA INACIO DE CARVALHO CASTRO
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PARA ALÉM DA RAZÃO: UMA ABORDAGEM DA IMAGINAÇÃO EM RICHARD RORTY
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Orientador : EDNA MARIA MAGALHAES DO NASCIMENTO
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Data: 20/03/2026
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A Imaginação é um tema recorrente na obra do filósofo estadunidense Richard Rorty. Ela está presente nas obras A Filosofia e o Espelho da Natureza (1994), Contingência Ironia e Solidariedade (1989), Objetivismo, Relativismo e Verdade (1995) e em diversos ensaios do filósofo. Tendo em vista a meta de desconstruir os ideais tradicionais de objetividade, verdade, universalidade e da metafísica tradicional, a imaginação pode consistir numa ferramenta fecunda, sendo importante como cumpridora do papel de proporcionar a linguagem como redescrição, a possibilidade de construção identitária e moral em cultura mais comunitária e solidária, além de contribuir com a rejeição ao realismo representacionista, tão presente na história da Filosofia. O objetivo de nossa investigação é analisar a crítica de Rorty à ideia de razão fundamentadora dos conhecimentos e das práticas para propor uma filosofia terapêutica, fundada em novas redescrições cujos temas se amparam na capacidade imaginativa humana que tem como finalidade a solidariedade, a esperança social e autocriação. A proposta de Rorty ao afirmar o paradigma neopragmático da linguagem, sugere uma concepção de filosofia em que os diversos vocabulários alternativos sejam considerados não como quebra-cabeças, mas como instrumentos que serviriam aos reais propósitos humanos. Além de explorar as visões de Rorty acerca da Imaginação, faremos um diálogo entre as suas ideias e as posições de alguns autores contemporâneos, tais como, Lionel Trilling David de Le Breton e Northrop Frye, que também contribuíram com a discussão sobre o tema. A partir desse diálogo, espera-se a produção de uma síntese que possa mostrar a partir de Rorty como ficam as coisas quando abandonamos a exigência de uma teoria unificadora da realidade e como podemos nos concentrar nas demandas da solidariedade e da autocriação. Por fim, será dado um maior enfoque ao papel que a imaginação possui para o cultivo da solidariedade. Esse recurso redescritivo é favorecido a partir da noção de empatia, sendo a imaginação fundamental para que esse estado afetivo possa emergir.
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ALUIZIO OLIVEIRA DE SOUZA
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Paul Ricoeur: A noção de sabedoria trágica
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Orientador : JOSE VANDERLEI CARNEIRO
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Data: 13/03/2026
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Esta pesquisa apresenta como tese ‘A noção de sabedoria trágica’ a partir da filosofia de Paul Ricoeur (1913-2005), mais especificamente, segundo a transfiguração, elaborada pelo filósofo francês, da “sabedoria prática”, a qual teve seu início, na Grécia Antiga, com a filosofia de Aristóteles. A problemática da pesquisa consiste, na “pequena ética” e no conceito de sabedoria prática reelaborado por Ricoeur, nos seguintes questionamentos: i) Quais implicações remete a filosofia da noção? ii) Como se constitui os limites da sabedoria prática na perspectiva de Paul Ricoeur? iii) O que é noção de sabedoria trágica e quais são suas contribuições para a filosofia? Justifica-se que esses problemas, apresentam-se como necessários, tendo em vista a insuficiência do conceito de sabedoria prática, elaborado por Aristóteles e mesmo depois sendo reconfigurado pela reflexão filosófica de Ricoeur, ainda assim, torna-se insuficiente para a mediação dos casos trágicos. Assim, apropriando-se, fundamentalmente, da leitura e da interpretação das obras: Le conflit des interprétations. Essais d'herméneutique I (1969), Du texte à l'action. Essais d'herméneutique II (1986), Soi-même comme un autre (1990), Le juste II (2001), cabe apresentar a noção de sabedoria trágica. Portanto, a noção de sabedoria trágica, formulada nessa pesquisa, tem por objetivo mediar, indagar e refletir sobre as situações trágicas da vida humana, ou seja, busca nos momentos conflitivos, da vivência humana, estabelecer condições de reflexão para uma boa (menos agressiva e menos prejudicial) deliberação.
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EDUARDO FELIPE SOUSA E SILVA DE ALMEIDA
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O MITO DO DADO DE SELLARS: NEGAÇÃO DO CONHECIMENTO IMEDIATO E IMPLICAÇÕES PRAGMATISTAS.
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Orientador : EDNA MARIA MAGALHAES DO NASCIMENTO
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Data: 06/03/2026
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O “Mito do Dado” é uma crítica feita pelo filósofo estadunidense Wilfrid Sellars (1912-1989) à noção de conhecimento imediato presente no cânone da epistemologia tradicional, segundo o qual, o dado (given) constitui o fundamento do conhecimento com valor epistêmico intrínseco que é apreendido diretamente pelo sujeito. Para esse filósofo, não existe algo como o conhecimento imediato através dos dados puros da experiência, tais como as manchas de cores, luzes da visão ou as ondas sonoras provenientes da audição. O "Mito do Dado", desenvolvido no texto Empirismo e Filosofia da Mente, consiste em supor que algo pode possuir um valor epistêmico mesmo sem depender de nada e independentemente do modo como venha a ser adquirido pelo sujeito. Ainda que este conhecimento seja aparentemente imediato e supostamente dado de forma pura, na verdade contém alguma forma de mediação, oriunda da linguagem e dos nossos esquemas conceituais. Sem esses instrumentos de classificação e comunicação, os dados dos sentidos seriam desprovidos de qualquer valor epistêmico. O objetivo desse trabalho é fazer uma análise do conjunto de argumentos que sustentam o “Mito do Dado” para inferir sobre a sua pertinência ou não. Com isso, busca-se, demonstrar a partir de Sellars que os dados dos sentidos não podem servir de substrato para a construção de uma teoria do conhecimento dotada das características de infalibilidade e racionalidade completamente objetivas, isolada dos esquemas conceituais e dos vieses da humanidade. Partindo do pressuposto de que a rejeição sellarsiana aos dados dos sentidos é correta, discutiremos as implicações pragmatistas que a crítica de Sellars possui, especialmente no que concerne à rejeição ao fundacionismo, aos diversos tipos de dualidade, e a consequente adoção de um holismo intelectual que rejeita todo tipo de pretensão à universalidade ou fundamento último das coisas.
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EDSON SA DOS REIS
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MITO E TEOLOGIA: A CONSTRUÇÃO DA FILOSOFIA POLÍTICA DE WALTER BENJAMIN.
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Orientador : HERALDO APARECIDO SILVA
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Data: 04/03/2026
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Esta tese trata da filosofia de Walter Benjamin propondo uma interpretação para o conceito de mito, bem como de sua ruptura a partir da crítica benjaminiana da realidade. A tese central é que uma das formas possíveis de ler a obra de Benjamin se dá na contraposição entre os domínios do mito e da teologia. Desta maneira, mobilizamos os primeiros escritos de Benjamin, delimitando nossa pesquisa entre os anos de 1910 à 1926 e explorando as consequências que os pensamentos dessa época tiveram sobre as futuras produções do filósofo, as da década de 30. Tendo estabelecido, acompanhamos como essa contraposição foi sendo colocada na obra e como ela culmina na necessidade revolucionária de superação do tempo mítico, pois o mito se constitui, como posto no decorrer do trabalho, como diagnóstico histórico-filosófico-político do tempo e como ele gesta negativamente a promessa de redenção. Tendo esse direcionamento em frente, procuramos mobilizar a fortuna crítica para compreensão de nossa proposta e como ela se diferencia das produções atuais. Desta feita, objetivamos demonstrar como a contradição articulada pela teologia pode fazer frente às formas míticas de existência: o tempo, o espaço e a mera vida no homem. É partir da descrição do mito onde podemos nos lançar nas sendas teológicas de Benjamin e seu judaísmo disruptivo. Nesse sentido, retomando a discussão sobre o estatuto da teologia no pensamento benjaminiano, chegamos às fontes da mística judaica e como ela se relaciona com o pensamento de nosso autor. Ademais, procuramos articular a teologia negativa como fundamento do método de crítica imanente de Walter Benjamin. Esperamos contribuir para o debate necessário de uma política revolucionária de caráter participativo intermitente no reconhecimento da dissolução das formas míticas que se apresentam como naturais. É essa última visão que procuramos destruir, para abrir o espaço de jogo necessário que aponte para uma outra política aberta e ininterrupta que concretize a felicidade no atendimento das necessidades da criação.
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GUSTAVO WELLYSSON SOUSA BRITO
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MEDIAÇÃO TECNOLÓGICA NO MUNDO DA VIDA: UMA ANÁLISE FILOSÓFICA A PARTIR DA PÓS-FENOMENOLOGIA DE DON IHDE
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Orientador : HELDER BUENOS AIRES DE CARVALHO
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Data: 27/02/2026
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A pesquisa tem por objetivo compreender os conceitos de ‘mediação’ e ‘incorporação’ tecnológica proposto pelo filósofo da tecnologia Don Ihde. Seu método de análise ajudar-nosá a compreender a conexão íntima que os seres humanos têm tido com todos os meios técnicos presentes em suas vidas, e como estes mudam o que somos e a definição do que significa ser um humano. A pesquisa terá como eixo norteador os estudos de Ihde sobre a integração dos artefatos técnicos à ação e ao corpo humano. Buscaremos compreender a concepção pós-fenomenológica provida por Ihde acerca das interações cotidianas entre humanos e artefatos tecnológicos. A pesquisa será, portanto, conceitual, onde iremos analisar as questões que se encontram nos capítulos iniciais da obra Tecnologia e o mundo da vida: do jardim à terra (2017), especificamente no capítulo três (Mundo da Vida: práxis e percepção) em que Ihde apresenta seus estudos que envolvem fenomenologia clássica e filosofia da tecnologia, e, posteriormente, buscaremos analisar o capítulo cinco (Programa Um: A Fenomenologia da Técnica), que consiste na investigação desenvolvida pelo autor que revela como tecnologias são incorporadas ao humano e como elas afetam a forma como nos relacionamos com o mundo. Serão nesses capítulos que buscaremos compreender, a partir da argumentação de Ihde: a) como as tecnologias atuam como mediadoras entre os seres humanos e o mundo; b) as tecnologias não são apenas ferramentas neutras, mas moldam nossa percepção e relação com a realidade; c) como elas influenciam como percebemos, experimentamos e nos relacionamos com o ambiente ao nosso redor; d) como os seres humanos internalizam e se adaptam às tecnologias em suas vidas; e) como, ao longo do tempo, as tecnologias se tornam parte de nossa experiência cotidiana a ponto de serem "invisíveis" ou naturalizadas.
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DENIS OQUELI VILCHE AMADOR
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MOVIMIENTO DE LA ECOLOGÍA PROFUNDA DE ARNE NAES: ¿UNA ÉTICA AMBIENTAL ECOCENTRISTA O BIOCENTRISTA?
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Orientador : HELDER BUENOS AIRES DE CARVALHO
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Data: 10/02/2026
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La ecología profunda es un movimiento teórico y práctico que tiene como su mayor representante a Arne Naess. Esta es una perspectiva ecofilosófica que reflexiona y actúa en torno a lo que atañe la crisis ambiental desde su concepción hasta sus manifestaciones materiales. La problemática ambiental como una cuestión filosófica dentro de este movimiento se extiende a una crisis axiológica en nuestra relación con el entorno, es por eso que dentro de su plataforma encontramos ocho postulados con fines éticos. En este escrito se tiene como objetivo mostrar una lucha anti-antropocentrista en la constitución de una ética ambiental, exigiendo un abordaje ontológico del concepto mismo del ambiente. La idea de una ética ambiental no antropocéntrica nos lleva a la crítica de ontologías tradicionales especialmente aquellas que desvinculan a las entidades de una condición relacional. Como metodología elemental es necesario asumir una visión holística o integral capaz de percibir los contenidos concretos del mundo desjerarquizadamente. Ese igualitarismo biosférico nos obliga al trabajo de la resignificación del concepto de vida, a la reconstitución del yo, a la comprensión de los seres del ambiente contenidos por un valor intrínseco, y a la materialización de una sabiduría ecológica en un estilo de vida. Este recorrido va a tener como resultado la esquematización de una ética ambiental normativa personal en donde se va a evidenciar una relación derivativa entre principios, hipótesis, y normas. Esa derivación ética será el reflejo del derecho de despliegue de la diversidad de formas de vida manifestado en el principio de la autorrealización. En conclusión, este pasaje de lo ontológico a lo ético, y viceversa, no es otra cosa más que el acto identitario entre el saber, el vivir, y el hacer, es decir, una ecosofía.
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ISRAEL SIMPLICIO TORRES
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TÉCNICA E CRISE DOS DESEJOS: UMA ANÁLISE DO CONCEITO DE MASSIFICAÇÃO EM JOSÉ ORTEGA Y GASSET
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Orientador : MAURICIO FERNANDES DA SILVA
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Data: 09/02/2026
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Este trabalho investiga o problema da técnica e sua relação com a sociedade de massas a
partir da perspectiva de José Ortega y Gasset. O filósofo espanhol diagnostica uma crise
dos desejos advinda da obsessão humana com a técnica instrumental, que nos afasta da
busca por uma vida autêntica entendida como a realização da própria vocação e a resposta
a um chamado interior dotado de sentido. A hipótese central discute as implicações
dramáticas do avanço tecnológico: embora prometa liberdade e criatividade, a técnica
também favorece a emergência do homem-massa, caracterizado pela homogeneização,
limitação intelectual, empobrecimento espiritual e infantilização. Em obras como Meditação
da Técnica, O Homem e os Outros e A Rebelião das Massas, Ortega y Gasset alerta para
o perigo da desumanização quando a técnica, concebida como instrumento para a
construção da vida, é tomada como finalidade última da existência, negligenciando-se o
projeto vital originário. Este estudo não pretende desvalorizar a técnica, mas sublinhar sua
íntima conexão com o destino humano e com a formação do eu, incentivando o debate
filosófico atual acerca do seu uso, esboçando também o conceito original de
tecnomassificação. Ao recuperar as reflexões de Ortega y Gasset sobre o que constitui uma
vida valiosa, destaca-se a importância do ensimesmamento e da consciência da realidade
radical da vida como forma de compreender e preservar o eu e a circunstância, sobretudo
diante dos desafios tecnológicos das sociedades contemporâneas.
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MARCUS GABRIEL COUTINHO SILVA
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A EMERGÊNCIA DO DISCURSO SOBRE A PESSOA COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA): UMA INVESTIGAÇÃO A PARTIR DE MICHEL FOUCAULT
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Orientador : HERALDO APARECIDO SILVA
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Data: 05/02/2026
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A presente pesquisa tem como objetivo geral investigar a emergência do discurso sobre a pessoa com Transtorno do Espectro Autista, a partir do aporte teórico de Michel Foucault. O que se pretende é delinear a constituição histórica do discurso sobre o autismo à luz das ferramentas foucaultianas de arqueologia e genealogia. A inquietação inicial surge da afirmação de Leo Kanner de que o autismo “sempre esteve aí”, o que suscita a questão sobre como eram compreendidos, identificados ou classificados sujeitos hoje considerados autistas antes da consolidação do diagnóstico psiquiátrico na década de 1940. Para enfrentar esse problema, recorre-se ao pensamento foucaultiano, que permite investigar não a origem de um fenômeno, mas as condições históricas que tornam possível sua formulação como objeto de saber e de intervenção. Assim como Foucault analisou a emergência do discurso sobre a loucura desde o final do século XV, a pesquisa propõe compreender quais práticas, saberes e relações de poder possibilitaram o surgimento do autismo como entidade nosográfica no século XX. Esse percurso envolve a revisão do papel da medicina psiquiátrica, da institucionalização moderna e da progressiva normalização das diferenças comportamentais. A formalização do autismo por Kanner, em 1943, é entendida como um momento chave, mas não isolado, dentro dessa rede discursiva. Por fim, o estudo sugere estratégias presentes em obras de autores autistas, nos levando a entender que através das autobiografias autistas são possíveis formas de insubmissão dentro da rede de saberes e poderes constituídos por uma emergência discursiva sobre o autismo. Esta pesquisa é de cunho bibliográfico e se baseia filosoficamente na obra de Michel Foucault, com importantes contribuições de autores autistas como Josenei Medeiros, Naoki Higashida e Temple Grandin.
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