Dissertações/Teses

2022
Descrição
  • LINO DOS SANTOS VERAS
  • IDEAÇÃO SUICIDA: FATORES DE RISCO NO CONTEXTO DA PANDEMIA DO COVID- 19
  • Orientador : SANDRA ELISA DE ASSIS FREIRE
  • Data: 29/07/2022
  • Mostrar Resumo
  • page1image47625536

    Os acontecimentos envolvendo a COVID-19, como isolamento social, o aumento

    no consumo de álcool e o impacto na renda familiar, causaram forte pressão psicológica. Os sintomas mentais estão relacionados ao absenteísmo e disfunções exacerbadas, levando a severa incapacidade para o trabalho e um pesado fardo econômico para a sociedade. Devido à sobreposição de fatores de risco, os índices de ideação suicida têm aumentado. Esta dissertação objetiva avaliar os fatores risco de ideação suicida e o medo da covid-19 na pandemia. Para atender a este objetivo, a dissertação foi dividida em dois estudos, sendo o estudo 1 uma revisão sistemática de literatura que propôs investigar a ideação suicida e os fatores de risco durante a pandemia do COVID-19 em jovens adultos. No estudo 1, observou-se que a elevação da ideação suicida durante a COVID-19 sofreu influência de vários fatores, como uso e abuso de substâncias químicas e alcoólicas, estresse, perturbações do sono, entre outros. No Estudo 1 foram pré- selecionados 1416 estudos presentes nos bancos de dados Scielo, PubMed, Scopus, Psycinfo e PsycArticles. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 8 estudos presentes no banco de dado PubMed para obtenção dos resultados e discussão que demosntrou que, a tendência para a ideação suicida tende a se elevar durante a pandemia do COVID-19 e evidenciou os possíveis fatores que podem influenciar do desenvolvimento ou aumento desse fenômeno. No estudo 2 foi realizado uma pesquisa de campo para avaliar a ideação suicida e o medo da COVID-19, foram apliacadas 2 escalas, a escala Multi-atitudinal de Tendência ao Suicídio (EMTS) e a escala de medo da COVID-19 ( Fear of COVID-19 scale); 1 inventário: Frequence of Suicidal Ideation Inventory (FSII-Br) e um questionário sociodemográfico. Foi possível verificar que, apenas dois fatores do risco de tendência ao suicídio relacionam-se de forma positiva e significativa com medo da COVID-19 (p < 0,01, para todos os coeficientes), que são: repulsa de morte (r = 0,54) e repulsa de vida (r = 0,16). Também foi observado diferenças significativas em função do sexo, onde mulheres apresentaram níveis de medo da COVID-19 maiores e médias mais elevadas de frequência de ideação suicida.

  • CINTIA PINTO DO NASCIMENTO
  • A mulher sobre rodas: narrativas (auto) biográficas de mulheres com deficiência vivendo em uma “sociedade de alta performance”
  • Orientador : LANA VERAS DE CARVALHO
  • Data: 28/07/2022
  • Mostrar Resumo
  • Os modos com os quais a sociedade lida com pessoas com deficiência são marcados por avanços e retrocessos em vários contextos, como economia e política. A opressão vivenciada por esses indivíduos esteve relacionada à ausência de autonomia e liberdade individual. As concepções de deficiência foram se modificando ao longo do tempo, mas mesmo diante dos avanços, modelos ultrapassados com
    prerrogativas do capitalismo e capacitismo estão presentes na contemporaneidade. Discursos de superação, meritocracia, missão divina tensionam o tempo inteiro a luta para a afirmação do modelo social da deficiência, o qual foi fortalecido por mulheres deficientes. Porém, ainda assim, a
    sociedade paralisa e nega os lugares que essas mulheres ocupam a partir da exigência de padrões cada vez mais irrealísticos de “alta performance”. Nesse sentido, o objetivo geral da pesquisa é analisar narrativas (auto) biográficas de mulheres em cadeira-de-rodas na sociedade contemporânea. O
    estudo terá como objetivos específicos: reconhecer a experiência de como é ser mulher cadeirante na
    contemporaneidade; investigar implicações psicossociais do capacitismo na vida das mulheres com deficiência física; discutir modos de ser mulher cadeirante e as interseccionalidades de gênero, classe, raça, sexualidade, maternidade, educação e trabalho na sociedade capacitista; debater como o modelo neoliberal produz incapacidades, diante das expectativas ilusórias de perfeição, construindo uma sociedade capacitista. A escolha metodológica neste trabalho foi a abordagem qualitativa, por meio de uma narrativa (auto)biográfica da própria pesquisadora e reflexões de outras mulheres deficientes a partir de suas falas que tornaram públicas em meios de divulgação. As experiências serão narradas através de fotos, trechos de diários, memórias de cenas, etc. A análise foi realizada a partir das categorias de interseccionalidade e materiais que emergiram das narrativas, possibilitando fazer uma costura com conceitos teóricos e com as vivências de outras mulheres cadeirantes. Ancorado nestes referenciais foi enfatizado o experienciar da deficiência e sua articulação com gênero, raça, sexualidade. O estudo do capacitismo como instituição da mulher cadeirante aponta como resultados implicações psicossociais relacionadas com atravessamentos de sexualidade, maternidade, trabalho, família e precarização da vida, medo, angústia, incerteza, dor, sofrimento psíquico, desamparo e insegurança; além da coragem para assumir seus espaços e enfrentamento da militância por seus direitos, visibilidade e da sororidade.

  • ADRIA MIRANDA DE ABREU
  • Impactos da experiência universitária em mulheres de origem rural
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 28/07/2022
  • Mostrar Resumo
  •  

    Com base na concepção de educação como agente de transformação social, atrelada a um projeto societário voltado para emancipação humana, mesmo reconhecendo as contradições e os desafios impostos ao setor pelo modo de produção e sociabilidade capitalista, busco nesta pesquisa abordar os efeitos do processo de expansão do ensino superior no Brasil, tendo como foco as políticas afirmativas e políticas de assistência estudantil no acesso às populações rurais às universidades. Voltando o olhar para a particularidade da experiência quanto ao acesso e os desafios quanto à permanência de mulheres de origem rural no ensino superior, bem como explorar os impactos que a vida universitária suscita na formação pessoal e profissional dessas mulheres. Deste modo, a pesquisa define como objetivo geral: Investigar as formas de acesso, a permanência de mulheres de origem rural no ensino superior e os reposicionamentos subjetivos suscitados pela experiência universitária. E como objetivos específicos: a) conhecer as experiências de mulheres de origem rural do ponto de vista do ingresso e da permanência no ensino superior; b) identificar as respostas do ponto de vista acadêmico e da política de assistência estudantil às mulheres de origem rural no ensino superior; e c) compreender os impactos da experiência universitária nos projetos de vida dessas mulheres. Trata-se de um estudo qualitativo, participativo, com estudantes mulheres que possuem matrículas ativas em duas instituições públicas de ensino superior de um município localizado no sul do estado do Maranhão, no Brasil. Em relação a escolha das participantes, optamos pela técnica de snowball (bola de neve), técnica utilizada a partir das redes de referência entre os sujeitos como ferramenta de acesso aos grupos da pesquisa, em que uma entrevistada indica outra até se alcançar o número esperado de participantes. O estudo contou com 8 participantes e estabeleceu como instrumento para produção das informações as entrevistas narrativas em profundidade na modalidade semiestruturada e a roda de conversa. Quanto à técnica de análise dos dados, apoiamos o estudo na análise de conteúdo na categoria análise temática, que gerou quatro categorias: Acesso ao ensino superiorPermanência no ensino superiorFormação pessoal e profissional e por fim, Gênero. Os resultados apontam para a permanência dos desafios presentes para a efetivação do ingresso no ensino superior e a tímida atuação das políticas de acesso, além disso, ressalta-se a importância dos recursos destinados à permanência estudantil e a necessidade de ampliar sua atuação e divulgação, de modo a atender as reais necessidades das estudantes. Destaca-se ainda, o caráter transformador da experiência universitária na trajetória dessas mulheres de origem rural e a potência de proporcionar maior visibilidade à experiência de mulheres, suas lutas e superações,

    configurando-se como prática de enfrentamento ao modelo societário que predetermina modos de ser e existir, contribuindo assim, para a construção de novos modos de existência. Destarte, ressaltamos o aspecto transformador provocado pela vivência universitária e enfatizamos a necessidade de realizar novos estudos mais específicos com o recorte de gênero, para perceber mais detalhes envolvidos nesse diagrama mulher-rural-ensino e assim, contribuir para ampliar a discussão acerca deste tema.

  • MARIA TERESA RODRIGUES DE OLIVEIRA
  • O (re)conhecimento da mulher pescadora no enfrentamento dos conflitos socioambientais em comunidades pesqueiras.
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 20/07/2022
  • Mostrar Resumo
  • A pesca artesanal reúne uma série de saberes, elementos e práticas que conjugam vida social, com
    organizações política e ações de luta e re-existência para manutenção de suas tradições e
    enfrentamentos às ameaças do poder econômico, especulativo-financeiro-imobiliário, turístico e
    predatório aos territórios de comunidades tradicionais. Apesar da pesca ser relacionada a figura
    masculina, existe participação feminina em diversos processos produtivos da pesca, inclusive na
    defesa dos territórios diante dos conflitos socioambientais. O estudo possui como objetivo
    analisar a atuação sociopolítica da mulher pescadora na defesa de seus territórios frente aos
    conflitos socioambientais. Essa pesquisa trata-se de um estudo empírico de caráter qualitativo. A
    pesquisa ocorreu em dois momentos: a) etapa documental, realizada por meio das mídias sociais:
    Google, Instagram e Facebook, na perspectiva de alcançar uma visão ampla dos conflitos
    socioambientais em diferentes comunidades pesqueiras do país, tendo as mulheres pesqueiras no
    protagonismo na defesas dos seus territórios; b) etapa empírica com a compreensão dessa
    realidade com a especificidade do contexto do litoral piauiense, com a realização de entrevistas
    semiestruturadas com seis mulheres marisqueiras do município de Ilha Grande-PI, organizadas na
    Associação de Catadores de Mariscos. Os dados foram analisados com base no método de análise
    de conteúdo proposta por Minayo, a partir das categorias: Gênero; Políticas Públicas, Conflitos
    Socioambientais e Pesca Artesanal, cada categoria levanta discussões pouco presentes na
    sociedade e entre órgãos competentes na defesa e preservação do território e populações
    tradicionais. Durante a pesquisa foi possível compreender as singularidades nos modos de sentir e
    fazer das mulheres que vivem e sobrevivem da pesca, contribuindo para o reconhecimento delas
    nesse ambiente ainda associado a figura masculina. A existência e importância feminina no setor
    evidencia a necessidade de discussões sobre gênero, dando visibilidade a estas mulheres que
    sofrem com a precarização de serviços básicos, como saneamento básico, moradia e saúde, além
    de se tornarem agentes fundamentais na preservação dos recursos naturais e território frente a invasões e degradação ambiental causados por grandes empreendimentos. Nesse sentido, deseja-se despertar cada vez mais pesquisas que complementem essa problemática e fortaleça discussões que provoquem transformações na realidade de vulnerabilização de comunidades pesqueiras e de suas populações.

  • RAMNSÉS SILVA E ARAÚJO
  • EFEITOS DA NEUROESTIMULAÇÃO E TREINO COGNITIVO NA MEMÓRIA DE TRABALHO DE IDOSOS
  • Orientador : PALOMA CAVALCANTE BEZERRA DE MEDEIROS
  • Data: 29/04/2022
  • Mostrar Resumo
  • page1image55825664

    Com o processo de envelhecimento, o cérebro sofre mudanças complexas estruturais e funcionais,

    que podem influenciar no desempenho de habilidades cognitivas, afetando atividades da vida diária, independência e qualidade de vida global. Evidências recentes sugerem que intervenções que promovem plasticidade neural podem induzir ganhos cognitivos significativos, retardando o surgimento de déficits cognitivos característicos do processo de envelhecimento em idosos. O Treino cognitivo e a Estimulação Transcraniana por Corrente Contínua (ETCC) são técnicas que apresentam potencial para tal plasticidade em pessoas idosas, porém, o uso dessas técnicas juntas carece de mais evidências de ensaios clínicos randomizados para uma melhor compreensão de seus potenciais terapêuticos no declínio cognitivo natural da memória de trabalho durante o envelhecimento. Dessa forma, a presente dissertação propôs 3 estudos, sendo dois de natureza teórica e um empírico. O estudo I corresponde a uma revisão sistemática, que buscou responder à questão “Quais os efeitos da ETCC na memória de trabalho de idosos saudáveis?”, após o levantamento sistemático de artigos, foram rastreados 755 estudos, após aplicados os critérios de elegibilidade pré-estabelecidos restaram 15. De modo geral, os 15 estudos não foram conclusivos quanto aos efeitos sobre a memória de trabalho, entretanto, 10 desses estudos apresentaram melhorias no desempenho da habilidade investigada, enquanto os outros 5 não revelaram nenhum efeito significativo após as intervenções. Concluiu-se que a ETCC pode melhorar o desempenho da memória de trabalho, promovendo alterações neurofisiológicas, neurobiológicas e neuropsicológicas, porém, os achados ainda são inconclusivos quanto ao melhor protocolo a ser adotado para conseguir efeitos significativos em idosos cognitivamente saudáveis. O estudo II correspondeu a uma revisão de escopo que teve o interesse de responder a seguinte questão “Treinos cognitivos para memória de trabalho apresentam evidências de validade?”, após um rastreio de alta sensibilidade na literatura, foram identificados 1814 estudos, sendo selecionados 13 a partir dos critérios de elegibilidade estabelecidos antes da busca. Com exceção de dois estudos que utilizam treinos computadorizados, todos apresentaram melhorias no desempenho da habilidade treinada, memória de trabalho. Concluiu-se, a partir dos achados desta revisão, a existência de treinos que apresentam validade, seja ecológica, estrutural, de conteúdo ou convergente. O estudo III correspondeu a um ensaio clínico controlado aleatório com delineamento crossover, com o objetivo de investigar os efeitos de intervenções com ETCC e Treino Cognitivo na memória de trabalho de idosos cognitivamente saudáveis. O teste não paramétrico de Friedman não identificou diferenças significativas para os períodos T0, T1, e T2, de cada intervenção, assim como não houve diferença no desempenho da memória de trabalho quando comparadas as médias das diferenças entre T0 e T1 das quatro intervenções. Dessa forma, para esse grupo de idosos, a hipótese de que a ETCC quando associada a um treino cognitivo validado para memória de trabalho melhora o desempenho dessa habilidade, não pode ser suportada. Embora não tenham sido evidenciadas diferenças estatísticas, verifica-se a necessidade de ampliação da amostra para que seja possível verificar tamanhos de efeito mais conservadores.

  • IVANÚCIA VELOSO COSTA
  • Tradução, Adaptação e Validação da Escala de Depressão de Beck para a população surda: evidências psicométricas preliminares
  • Orientador : PALOMA CAVALCANTE BEZERRA DE MEDEIROS
  • Data: 29/04/2022
  • Mostrar Resumo
  •  

    O objetivo deste trabalho foi compreender e assistir a população surda com um instrumento adaptado à sua língua. Portanto, foram desenvolvidos dois estudos: o primeiro trata-se de uma revisão integrativa que objetivou investigar quais os instrumentos de Avaliação Psicológica estão traduzidos e adaptados para Língua de Sinais tanto a nível nacional como internacional. As buscas partiram de seis bases de dados, com os seguintes descritores: “sign language”; “deaf”; “deafness”; “scale adaptation”; “adaptation questionnaire”; “assessment tool” “psychological instrument"resultando em 670 publicações, após análise, a partir dos critérios de elegibilidade, restaram 12 estudos. Os resultados evidenciam validade e fidedignidade da tradução e adaptação dos instrumentos para a Língua de Sinais. O segundo estudo objetivou traduzir, adaptar e validar a escala de depressão de Beck (BDI) para a Língua Brasileira de Sinais- LIBRAS. Trata-se de um estudo quantitativo, de corte transversal. A amostra foi composta por 181 indivíduos, 50 surdos, que fazem uso da LIBRAS, com idade entre 18 a 55 anos (M = 34,49 anos; DP = 9,69), e 131 ouvintes, idade variando de 18 a 72 anos, (= 34,44; DP = 13,29). Os participantes responderam ao questionário BDI on line. Uma análise fatorial exploratória foi realizada e dos 21 itens um foi descartado (item 11) por não atingir a carga fatorial mínima. A carga fatorial dos 20 itens foi entre 0,36 (item 21) e 0,76 (item 05). A consistência interna foi satisfatória, com alfa de Cronbach (α) = (0,93). Os resultados do presente estudo embora sendo em caráter preliminar, respaldam a validade do BDI traduzido para a LIBRAS, servindo como parâmetro para novas pesquisas, e contribuindo para o exercício da prática psicológica voltada para a população surda.

     

  • LORENA MOTA REIS
  • Propriedades psicométricas das versões brasileiras das escalas de medo e ansiedade frente à Covid-19
  • Orientador : EMERSON DIÓGENES DE MEDEIROS
  • Data: 26/04/2022
  • Mostrar Resumo
  • A presente pesquisa objetivou reunir evidências psicométricas para o contexto
    brasileiro das medidas: Fear of COVID-19Scale (FCV-19S) e a Coronavirus
    Anxiety Scale (CAS). Para alcançar esse objetivo, esse trabalho compõe-se de
    três artigos. O Artigo 1 trata-se de uma revisão sistemática que investigou os
    instrumentos em formato de escala e questionários utilizados como medida para
    entender sobre o funcionamento dos construtos psicológicos durante a pandemia.
    Evidências sugerem que os instrumentos psicométricos que têm sido
    desenvolvidos visam os impactos psicológicos que a pandemia da Covid-19 tem
    suscitado como: medo, comportamento obsessivo, ansiedade, estresse, crenças e
    fobias. O Artigo 2 objetivou adaptar a medida FCV-19S para o contexto
    brasileiro. Foram realizados dois estudos. No Estudo 1 (N = 230) avaliamos a
    estrutura fatorial da medida por meio da análise fatorial exploratória, e os
    parâmetros dos itens usando o item teoria da resposta. No Estudo 2 (N = 302),
    avaliamos se a estrutura se replicaria em uma amostra independente e por meio
    de análise fatorial confirmatória, além de avaliar a validade convergente usando
    Modelagem de Equações Estruturais e propor uma versão da medida. As versões
    longa e curta apresentaram uma estrutura unidimensional confiável e padrões
    semelhantes de correlações com depressão, ansiedade e estresse. Por último, o
    Artigo 3 adaptou para o contexto brasileiro a Coronavirus Anxiety Scale (CAS).
    Dois estudos foram realizados, no Estudo 1 (N= 210) foi avaliada a estrutura
    interna além dos itens usando a Teoria de Resposta ao Item (GRM). O Estudo 2
    (N=302) avaliou o ajuste do modelo unidimensional, além de reunir evidências
    de validade convergente com varáveis externas (depressão, ansiedade e estresse).
    Por fim, os resultados mostraram que a CAS é uma ferramenta de triagem
    adequada para avaliar a ansiedade disfuncional relacionada ao coronavírus.

  • TATIANE MENESES DA SILVA
  • Os digitais influencer’s da direita brasileira: uma análise psicopolítica
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 25/03/2022
  • Mostrar Resumo
  • Uma onda conservadora se instaura e vem se consolidando no cenário mundial. Nos EUA, Donald Trump foi eleito em 2016. No cenário Latino-Americano, precisamente no Brasil, Jair Messias Bolsonaro é eleito em 2018. Diante desse cenário, investigamos os núcleos temáticos disseminadospelos influencer’s digitais de direita no Brasil em três momentos específicos da história recente brasileira (impeachment, eleições 2018, eleições 2020) e as linhas ideológicas sustentadas por eles, a partir dos conteúdos disseminados no YouTube e sua relação com os aparelhos privados de hegemonia para a conformação do campo político-ideológico da direita no Brasil. Tratou-se de um estudo de natureza qualitativa, tendo a análise de conteúdo como centralidade. Menciona-se que os operadores analíticos utilizados no estudo partem da lavra da teoria de Antônio Gramsci e dos trabalhos das historiadoras Virgínia Fontes (2010) e Sônia Regina de Mendonça (2014), e do cientista político Álvaro Bianchi (2008). Quanto ao corpus da pesquisa, nos debruçamos sobre os principais digitais influencer’s da direita no Brasil, precisamente os 4 mais influentes no YouTube. Quanto aos resultados foram identificadas 6 categorias analíticas: 1) capitalismo/libertarianismo; 2) eleições; 3) democracia; 4) corrupção; 5) anticomunismo/antipetismo e 6) conservadorismo. Ademais, constatou-se que os digitais influencer’s tem uma relação direta com os aparelhosprivados de hegemonia, assim como percebe-se tais digitais influencer’s enquanto espécies de intelectuais orgânicos do campo da direita, que apesar de heterogêneos, estão em constante fase de novos rearranjos e articulações na disputa por hegemonia no campo político brasileiro. Por fim, urge que os estudos acerca do campo da direita no Brasil alinhada com ideias e ações extremistas sejam continuados considerando que o desenvolvimento de pesquisas futuras é essencial para traçar estratégias de combate aos autoritarismos e a disputa por hegemonia na cena política brasileira contemporânea.

  • MAYARA GOMES FONTENELE
  • Violência sexual contra crianças e adolescentes nos currículos dos cursos de Psicologia: silêncios e silenciamentos na formação profissional
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 23/03/2022
  • Mostrar Resumo
  • A violência sexual contra crianças e adolescentes é uma problemática entendida como violação de direitos humanos, com impactos severos, principalmente por se inter-relacionar com diversas outras violências, arrastando silêncios que podem permear toda a vida desse público. Pensar a formação profissional nesse âmbito diz sobre destacá-la como uma ferramenta dentre as estratégias de enfretamento a essa violência, considerando a necessidade de estar em confluência com a gestão das políticas e garantia da letra da lei, enquanto proteção à vida de crianças e adolescentes. Nesse sentido, o presente estudo buscou investigar como os currículos de graduação em Psicologia do Brasil têm abordado a temática violência sexual contra crianças e adolescentes na formação. O silêncio e silenciamento estão neste trabalho como analisadores dessa difícil realidade enfrentada por muitas crianças e adolescentes no Brasil e no mundo, ou de jovens e adultos que passaram por tais violências em suas infâncias, mesmo tendo que dar seguimento às suas vidas sob essas difíceis marcas e cicatrizes encarnadas em seus corpos e subjetividades. Trata-se de uma pesquisa documental a partir dos Projetos Pedagógicos de Cursos (PPCs) de Psicologia do Brasil que localizou os currículos e procurou observar informações curriculares relacionados à temática de violência sexual contra crianças e adolescentes, bem como foi realizada a descrição dos descritores. Após essa fase, a centralidade do estudo deteve-se para as informações advindas das disciplinas. Para tratamento dos dados, foram submetidos à análise textual lexicográfica com o auxílio do software Interface de R pour Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionneires (IRAMUTEQ). Ressalta-se que a interpretação e análise dos dados partiram do referencial teórico da Análise Institucional (AI), com a intencionalidade de desvelar os silêncios que contribuem para a manutenção dos silenciamentos quanto a essa temática. Em suma, a discussão ressoa de forma muito tímida dentro dos currículos de Psicologia, por mais que alguns aspectos importantes sejam debatidos, o estudo faz ver a contínua reprodução do pacto de silenciamento que a sociedade tem tecido com relação a esse assunto, o que se mistura com as ideias hegemônicas de infância e adolescência num país colonizado, com uma cultura sexista profunda que se reverbera nas mais diversas relações sociais e com o distanciamento da Psicologia quanto às questões sociais. Assim, o trabalho parte da afirmação dessas fragilidades para que possamos avançar na produção de outras formas de inserção e atuação a essa problemática.

  • RAILAN BRUNO PEREIRA DA SILVA
  • Os direitos de Pessoas Trans no cenário internacional e brasileiro
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 22/03/2022
  • Mostrar Resumo
  • Pessoas Trans têm sofrido processos de precarização de suas vidas por meio da ausência sistemática dos seus direitos, como assistência à saúde e social, educação, moradia, emprego e renda. Porém, registra-se avanços no campo dos direitos no cenário internacional e brasileiro. Considerando a dispersão dessas informações, dificuldade de acesso em função do limite do idioma e invisibilização da temática no campo dos direitos, indicamos como objetivo geral: conhecer as legislações que resguardam os direitos da População Trans no cenário internacional e brasileiro. E como específicos: 1) Mapear países que apresentam legislações que resguardam esses direitos; 2) Identificar as áreas dos direitos e as garantias asseguradas nas legislações identificadas; 3) Indicar os avanços dos direitos no campo da saúde para essa população; 4) Problematizar a conformação desses direitos no Brasil em contraste com o encontrado no cenário internacional. O percurso metodológico compreendeu o esforço de realizar uma revisão integrativa de legislações e documentos relacionados aos direitos de Pessoas Trans. Como resultados, encontramos 47 documentos produzidos na Europa (n=24), América (n=16), Ásia (n=05), África (n=01) e Oceania (n=01), de 1982 até 2019. Estes foram classificados em cinco categorias: 1) documentos que resguardam o direito ao reconhecimento civil; 2) documentos que resguardam o direito à saúde; 3) documentos que resguardam o direito à segurança civil; 4) documentos que resguardam o direito ao trabalho; e 5) documentos que resguardam o direito à educação. A análise qualitativa das categorias apontou para necessidade do reconhecimento civil sem restrição ao diagnóstico; na saúde, promoção de acesso em saúde e combate à despatologização; no trabalho, estratégias para incluir e manter essas Pessoas no mercado de trabalho; na segurança civil, elaboração e aplicação de sanções às ações discriminatórias; e na educação, ações inclusivas do ensino básico ao superior. Por fim, considera-se como principais avanços nos documentos a autodeterminação, a despatologização, o combate a transfobia, e redução das iniquidades no mercado de trabalho e no campo educacional. Os principais desafios dizem respeito a permanência de violações de direitos principalmente nos países asiáticos e a falta de dados oficiais sobre violências sofridas, assim como ações de cuidado para segurança civil.

  • MARIANA MARINHO DE ABREU
  • Mulheres de bairros populares em Caxias-MA: vidas que (re)existem
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 21/03/2022
  • Mostrar Resumo
  • Nossa proposta com o presente estudo é contribuir com a visibilidade da heterogeneidade de situações de opressão, lutas e resistências das mulheres. Porém, propomos fazer de um outro lugar: o das experiências das mulheres nos bairros populares de uma cidade do interior do Maranhão, município de Caxias. Objetivamos assim, investigar as formas como as mulheres que vivem em bairros populares de Caxias-MA vivenciam as estruturas sociais de opressão, seus modos de vida e resistência em suas vivencias diárias. Trata-se de uma pesquisa qualitativa apoiada na proposta teórico-metodológica de produção de sentido no cotidiano que tem como base o construcionismo a partir da Psicologia Social. Participaram cinco mulheres de quatro bairros populares do município de Caxias-MA. Foi utilizado as seguintes técnicas metodológicas: a observação no cotidiano, conversas no cotidiano e entrevista semi-estruturada. Para a análise foi utilizado o mapa dialógico que originou dois eixos analíticos que tratam sobre: a) a história de vida das mulheres, recuperando suas origens, memórias e ensinamentos, bem como as opressões e dificuldades que atravessam suas vidas e b) a trajetória dessas mulheres a partir de seus bairros, suas formas de resistência, forjadas por suas ações sociais criativas, lutas cotidianas e suas contribuições. Em síntese, observou-se que as mulheres atuam enquanto sujeitas ativas em seus bairros buscando por melhores condições de vida, em prol de educação, infraestrutura, a partir da formação de uma rede feminina de sociabilidade e solidariedade a frente de clube de mães, associação de moradores e grupo de dança enquanto formas de resistência. Logo, entende-se que esse estudo pode contribuir com a literatura e discussões sobre mulheres de contextos periféricos de regiões não metropolitanas.

  • JONATHAN RUAN DE CASTRO SILVA
  • MOTIVAÇÃO NO TRABALHO, CONDIÇÕES LABORAIS E QUALIDADE SUBJETIVA DO SONO DE TRABALHADORES FEIRANTES NO CONTEXTO DAS FEIRAS LIVRES
  • Orientador : RAQUEL PEREIRA BELO
  • Data: 18/03/2022
  • Mostrar Resumo
  • O sono exerce uma função de reparação física, cognitiva e psíquica no organismo humano, portanto, o indivíduo que não desfruta de uma boa qualidade de sono estará sujeito a prejuízos em sua condição de saúde. Um dos grupos mais suscetíveis a estes danos são trabalhadores informais, que mantêm longas jornadas de trabalho: a exemplo dos feirantes, visto que trabalham por longas horas para manter o sustento básico e não gozam de direitos trabalhistas que lhes assegurem, minimamente, uma saúde ocupacional adequada. Neste contexto, entende-se que existem fatores motivacionais referentes à vivência na referida atividade, que podem ter interferência das condições de trabalho as quais os feirantes estão inseridos. A partir desta realidade, foi elaborado o objetivo do presente estudo – investigar a motivação no trabalho dos trabalhadores informais feirantes considerando suas condições de trabalho e qualidade subjetiva do sono em função de seus contextos laborais. Para tanto, a presente pesquisa localiza a problemática citada em dois momentos: o primeiro, discorrido nos capítulos da fundamentação teórica; o segundo, apresenta dois estudos: o primeiro deles é uma revisão sistemática da literatura a respeito das condições de trabalho e da qualidade do sono que apontou, em seus resultados, a existência de uma relação entre os transtornos do sono e as condições precárias de trabalho; o segundo, empírico, realizou uma pesquisa exploratória-descritiva de natureza qualitativa que abordou aspectos da condições de trabalho, motivação no trabalho e qualidade do sono no contexto dos trabalhadores feirantes. Em decorrência da situação atual de saúde pública e combate à pandemia de COVID-19, no momento da pesquisa contou-se com uma entrevista semiestruturada realizada por meio de ligação telefônica com trabalhadores feirantes de três cidades do norte do Piauí. Os discursos elaborados a partir das questões realizadas, foram transcritos e analisados por meio da Análise de Conteúdo temática. De forma geral, os resultados demonstraram que aspectos do cotidiano do trabalho na feira, como a longa jornada de trabalho e as condições estruturais do contexto do trabalho, assim como a necessidade do sustento familiar interferem, respectivamente, na qualidade do sono e na motivação dos trabalhadores feirantes. Percebeu-se também a necessidade de se pensar em estratégias que minimizem a exposição destes trabalhadores às condições precárias de trabalho, assim como desenvolver ações de prevenção e promoção de saúde ocupacional a este categoria de trabalhadores informais.

  • JOSÉ LUCAS SOARES DE ARAÚJO
  • Clínicas do testemunho: Processos de subjetivação e dessubjetivação no contexto do trabalho em saúde na Pandemia de COVID-19
  • Orientador : ANTONIO VLADIMIR FELIX DA SILVA
  • Data: 07/02/2022
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: A pandemia de Covid-19 inaugurou uma crise sanitária e epidemiológica que amplia a precarização da vida e revela uma vulnerabilidade que nos é constitutiva, ignorando qualquer predicação, motivo pelo qual construímos plataformas coletivas de mobilidade e sustentação da vida; estratégias como o uso de máscara, o isolamento social e a vacinação, além dos outros serviços ofertados pelo Sistema Único de Saúde que apesar dos boicotes que enfrenta tem se mostrado essencial para a construção de uma vida possível. Contudo, tais estratégias se revelaram insuficientes o que levou a uma alta taxa de mortalidade. Diante disso, nos perguntamos: quais processos de subjetivação forma/são mobilizados nas práticas clínicas de cuidado durante a Pandemia de Covid-19 no contexto hospitalar? Objetivos:Propomos como objetivo principal investigar formas de produção da clínica no trabalho hospitalar durante a pandemia de Covid-19, além de a) conhecer processos de enunciação e enunciados acerca do trabalho em saúde no contexto da pandemia; b) mapear as formas de produção da clínica nos processos de trabalho em saúde no contexto hospitalar; c) analisar processos de subjetivação e dessubjetivação da clínica no trabalho hospitalar durante a pandemia de Covid-19. Método: Utilizamos entrevistas abertas com 3 profissionais de saúde do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) e 2 usuários do mesmo hospital. Submetemos as informações produzidas à análise do discurso foucaultiana com inspiração na discussão de Giorgio Agamben sobre o testemunho, entendendo como este ganha força ao longo da história em cenários de catástrofes, bem como a função subjetiva desempenhado pelos sujeitos e a estrutura de narrativa. Resultados e Discussão: A Covid-19 e o hospital demostram o campo de concentração que caracteriza o Estado de exceção na contemporaneidade e nos fazem colocar em análise a governamentalidade na gestão da vida e da morte. O agravamento do quadro, já bastante precário, culminou com o desprezo das estratégias coletivas de contenção da epidemia do coronavírus; o trabalho em saúde no hospital alcançou o seu colapso. Os resultados da pesquisa mostram que foram tecidas alianças, bem como formas singulares de produção da clínica que coexistem com as formas segmentadas que caracterizam o paradigma biomédico de cuidado. O mapeamento dos quadros da precariedade no contexto hospitalar relevou os processos de saúde e doença além da produção de estratégias para combater os circuitos de produção desigual de vulnerabilidade entre os profissionais de saúde. As vidas destes foram submetidas a um devir-mercadoria sem força de implicação política, logo, não passíveis de luto. A produção da clínica médica se deu em alguns casos através da produção de uma sobrevivência vegetal do corpo, do abuso da vulnerabilidade dos usuários e da manutenção das relações de poder; contudo, esta vulnerabilidade agora compreendida de forma coletiva foi capaz de produzir políticas de cuidado mais horizontais desativando a clínica hierarquizada e centralizada na figura do médico, produzindo singularidades, um resto entre os médicos e os não-médicos. A clínica como um contradispositivo, compõe formas de ampliação do cuidado, sendo capaz de desativar os circuitos de produção de sobrevivências pobres de experiência, potencializando a criação de novas normatividades vitais.

     

  • LORENA ALVES DE JESUS
  • Representações sociais do autismo: um estudo comparativo entre mães e pais
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 31/01/2022
  • Mostrar Resumo
  • Estima-se que 1-2% das pessoas sejam diagnosticadas com autismo no mundo,
    aproximadamente, 52 milhões, sendo cerca de quatro vezes mais comum em pessoas do sexo
    masculino. No que tange a definição de autismo na atualidade, as referências são os manuais
    diagnósticos: o Manual Estatístico e Diagnóstico dos Transtornos Mentais, quinta edição
    (DSM-V) e a Classificação Internacional de Doenças, décima primeira edição (CID-11)
    (American Psychiatric Association – APA, 2013; Organização Mundial da Saúde – OMS,
    2019). Em linhas gerais os manais abordam déficits na interação social, linguagem e padrões
    restritos de interesses e comportamentos. Esta pesquisa tem como objetivo analisar e comparar
    as representações sociais do autismo entre mães e pais. Método: participaram desse estudo 62
    pessoas; 31 mães com idades entre 26 e 55 anos (M: 36,8; DP:6) e 31 pais com idades entre 25 e
    55 anos (M:38, DP:7,8). A coleta de dados foi realizada a partir dos seguintes instrumentos:
    questionário sociodemográfico, Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP) e roteiro de
    entrevista semiestruturada. Para análise, foram executadas a análise estatística descritiva com
    o uso do software SPSS 25.0 para o questionário sociodemográficos; Classificação Hierárquica
    Descendente (CHD) através do software Iramuteq para entrevista semiestruturada; análise
    prototípica através do software Iramuteq para a TALP. Resultados: As Representações Sociais
    desse estudo indicam que o autismo é ancorado e objetivado em lógicas biomédicas e
    capacitistas. Para mais, são discutidas diferenças relativas a questões de gênero que predispõe a
    mulher e ao homem um determinado lugar social e as possíveis implicações.

  • HIAGO VERAS GOMES
  • A criminalização da LGBTfobia no Brasil: As Representações Sociais de homens homossexuais e heterossexuais
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 12/01/2022
  • Mostrar Resumo
  • O Brasil é um país notavelmente LGBTfóbico, sendo líder no ranking mundial de assassinatos de LGBTs. Desde 2001 tenta-se implementar no país uma resposta jurídica-civil como tentativa de barrar tais crimes de ódio. Entretanto, apenas em 2019, com a intervenção do Supremo Tribunal Federal brasileiro, foi que a criminalização fora colocada em pauta e votada, equiparando a LGBTfobia aos crimes de racismo, com penas de prisão e/ou multa. A presente dissertação teve como escopo principal analisar as Representações Sociais de homens homossexuais e heterossexuais acerca da LGBTfobia e sua criminalização no contexto brasileiro. Além disso, o trabalho se propôs a investigar as constituições semânticas acerca das representações destes atores sociais acerca da referida criminalização, como também, compará-las entre si. Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e exploratório, com uso de dados transversais e contou com a participação de 288 homens brasileiros. Os instrumentos utilizados para a realização do estudo foram: procedimento de entrevista semiestruturada; questionário sociodemográfico; e a Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP). Espera-se com o trabalho contribuir com a literatura científica, ofertar visibilidade e promover reflexões acerca da população LGBT+ e da criminalização dos atos relacionados a este público. Por conseguinte, espera-se encorajar novas pesquisas sobre a temática e a elaboração de políticas e projetos que possam ofertar equidade civil e humana em relação a estes atores sociais.

2021
Descrição
  • JANAINA OLIVEIRA ROCHA
  • Atuação da Psicóloga Escolar e Educacional frente a demandas de perdas e luto
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 20/12/2021
  • Mostrar Resumo
  • O desenvolvimento da Psicologia Escolar no Brasil se apresenta alinhado às transformações sociais que constituem a história social, cultural, econômica e política do País. Assim como a Psicologia Escolar passou por transformações produzidas sob a influência dos modelos de sociedade, as percepções construídas acerca de processos de perdas e luto também tem se transformado conforme os moldes sociais são construídos e estabelecidos. Fala-se, pois de mortes e vidas (des)legitimadas socialmente, como as vidas da população LGBTQIA+, as vidas femininas, pretas e pobres. Tais processos de perdas produzidas socialmente são presentes no cotidiano educacional tanto como demandas que emergem no dia a dia da educação, quanto como processos produzidos pelo campo educacional. A crescente demanda relacionada a perdas e luto, sob a ótica da deslegitimação de existências leva para o campo do indefinido as formas de atuação profissional que sejam consoantes com uma perspectiva contextualizada, crítica e interrelacionada com os diversos aspectos de vidas e mortes. Assim, surgiu o anseio de investigar as práticas adotadas pela psicóloga escolar e educacional (PEE) brasileira diante das demandas de perdas e luto nos campos de trabalho educacionais na Educação Básica. A partir disso, objetivou-se, de modo geral, revelar as práticas adotadas pela PEE diante das demandas de morte e luto nos campos de trabalho educacionais. Especificamente, objetivou-se sistematizar as concepções teóricas que fundamentam as ações das PEEs, identificar as demandas sobre perdas e luto que chegam às profissionais e caracterizar as práticas adotadas pelas PEEs quando surgem demandas relacionadas a perdas e luto. Este estudo é de abordagem qualitativa, com base na Psicologia Histórico- Cultural. Ressalta-se que esta pesquisa obteve parecer favorável (3.945.795) do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) com seres humanos. Assim, realizou-se a apreensão da realidade pesquisada, que contou com a participação de 62 PEEs de diferentes regiões do Brasil. Os dados foram apreendidos via formulário eletrônico online do Google Docs. Todos os aspectos éticos da foram resguardados conforme as resoluções 466/12 e 510/16 do Conselho Nacional de Saúde. Os procedimentos analíticos dos dados foram realizados à luz da perspectiva Histórico-Cultural por meio da dialética singular- particular-universal. Como principais resultados, as psicólogas escolares revelaram que as demandas referentes a perdas e luto emergem de forma pontual e individualizada em contexto educacional. Estas são relacionadas às perdas de familiares de escolares, morte de agentes escolares e ao suicídio. As perspectivas adotadas pelas profissionais na mediação das demandas revelam abordagens clássicas da Psicologia, como TCC, Gestalt-terapia e Psicanálise e ainda, abordagens críticas em Psicologia Escolar, como a Teoria Histórico-Cultural e Socioconstrutivista. As psicólogas ainda revelaram adotarem aporte teórico de autoras e autores especializados na área das perdas, como Kübler-Ross, Parkes e Bowlby. Como práticas realizadas, as profissionais relatam desempenhar práticas interventivas individuais, coletivas e multiprofissionais. Ressalta-se a importância de discussões e reflexões críticas das práticas em Psicologia Escolar e Educacional voltadas para o diálogo e trabalho com as perdas e luto em contexto escolar por meio da necessária atuação de profissionais de psicologia na educação como forma de mediar processos mais respeitosos, sensíveis, éticos, críticos e democráticos acerca das vidas e mortes presentes nos contextos educacionais. Além disso, recomenda-se ações que ampliem as discussões de perdas e luto no currículo e calendário escolar, bem como ações de caráter intersetorial, sobretudo que dialoguem com as políticas de saúde e educação. Ademais, recomenda-se a realização de mais pesquisas que estabeleçam relação entre educação, perdas e luto a fim de promover uma reflexão crítica de tais fenômenos, inclusive que ressaltem o contexto de pandemia e pós-pandemia. Afirma-se ainda que os resultados apresentados neste trabalho não são passíveis de generalização, de modo que não se esgotam com o presente estudo.
  • DANIA MENDES RIBEIRO
  • Cartografia dos processos de subjetivação e enunciação dos movimentos das pessoas em situação de rua
  • Orientador : ANTONIO VLADIMIR FELIX DA SILVA
  • Data: 30/11/2021
  • Mostrar Resumo
  •  

    A população em situação de rua é constituída por uma heterogeneidade de contextos e sujeitos invisibilizados, com histórias e modos de vida singulares que por diversos vieses passaram a viver em espaços urbanos, onde, cotidianamente, sofrem violência e violações de direitos. Esta cartografia dos processos de subjetivação e enunciação dos movimentos das pessoas em situação de rua parte de inquietações geradas diante dessa realidade e dos atravessamentos macropolítico e micropolítico que marcam essa produção de subjetividade e as instituições estatais operadoras de mortificações de corpos. Construída a partir de uma experiência junto a essa população e da experimentação cartográfica objetivamos: a) cartografar processos de subjetivação e enunciação dos movimentos das pessoas em situação de rua e os agenciamentos dessa produção de subjetividade; b) mapear agenciamentos do desejo e da memória relacionados aos serviços de assistência e aos movimentos das pessoas em situação de rua em Parnaíba-PI; c) Conhecer modos de sujeição e resistência das pessoas em situação de rua relacionados aos seus movimentos na cidade de Parnaíba-PI; d) Analisar os processos de enunciação da população em situação de rua nos contextos da pandemia de Covid-19 e de atuação do Movimento Nacional da População de Rua nas redes sociais. Utilizamos como modo de fazer pesquisa-intervenção a

    cartografia, norteada pela esquizoanálise e algumas ferramentas-conceitos, cartografamos em oficinas e rodas de conversa realizadas a partir do Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua e de entrevistas cartográficas realizadas em espaços de ocupação em Parnaíba- PI e composição cartográfica em espaços das redes sociais (Facebook e Instagram) de atuação do Movimento Nacional da População de Rua (MNPR) durante o período de pandemia de Covid-19. Os resultados da cartografia demonstram que diante dos agenciamentos capitalísticos macropolíticos e micropolíticos, a população em situação de rua tem experimentado: a) modos de sujeição e resistência, ora considerando a vivência da condição de situação de rua como possibilidade de vida mais vivível diante dos processos de capturas das instituições familiares, tutelares, assistencialistas, policiais, religiosas e filantrópicas, ora submetendo-se ao serviço de assistência limitado a distribuição de alimento e a encaminhamento para abrigos filantrópicos ou para comunidades terapêuticas; b) modos de reinvenção da vida e enfrentamento das crises e dos impactos psicossociais produzidos pela pandemia, com o uso das redes sociais e outros canais de expressão, para denunciar a negligência do Estado e fortalecer a luta por condições de cidadania em meio à ausência de alojamentos, fechamento de vários equipamentos, disciplinarização dos corpos e ausência de vacinação. Conclui-se que os processos de subjetivação e enunciação cartografados apontam para a importância da organização coletiva das pessoas em situação de rua, exercida pelo MNPR que tem produzido um compromisso ético-político colocando-se como meio de resistência à sujeição colonial-capitalística.

  • GEOVANE DE SOUSA OLIVEIRA FILHO
  • Trajetórias escolares de piauienses cegos e suas lutas pelo Direito à Educação: Análises da Psicologia Escolar Crítica
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 29/11/2021
  • Mostrar Resumo
  • O objetivo da presente dissertação de mestrado foi de compreender as trajetórias de escolarização de pessoas cegas piauienses a partir de suas memórias sociais. Teve como objetivos específicos: Identificar nas memórias sociais das trajetórias de escolarização de pessoas cegas piauienses, situações consideradas negativas e positivas vivenciadas no espaço escolar; analisar a relação existente entre a busca por direitos sociais pelas pessoas cegas e ampliação progressiva de inserção delas no sistema formal de ensino piauiense; conhecer a partir das trajetórias escolares de pessoas cegas piauienses os diferentes elementos contribuintes e aspectos influenciadores para e inserção do mundo do trabalho. Tratou-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva, com a metodologia da História Oral, pelo viés das narrativas de trajetórias de vida escolar. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal do Piauí, sob o número do parecer: 4.021.118. Participaram da pesquisa 10 pessoas cegas que vivenciaram a escolarização básica no estado do Piauí, sendo seis do sexo feminino e quatro do sexo masculino, com idades entre 18 a 50 anos de idade. As entrevistas para narração dos depoimentos foram realizadas de maneira virtual por meio do aplicativo Google Meet. As análises foram feitas a partir da Análise de Conteúdo Temática e teoricamente a partir de pressupostos que embasam a Psicologia Escolar Crítica, com destaque à Psicologia Histórico-cultural e à Pedagogia Histórico-Crítica. A descrição empírica dos dados foi dividida em dois estudos, o primeiro intitulado – “Como foi ser aluno cego na escola?: Trajetórias da escolarização de piauienses cegos”, e o segundo estudo, intitulado: Escolarização de cegos piauienses: memórias sociais e lutas por direitos educacionais”. Entre os achados do primeiro estudo, destacam-se a dificuldade de mediação dos conhecimentos em sala de aula, sem o uso de instrumentos e meios adequados para a inclusão. Também foi identificada exclusão por parte dos colegas, exclusão essa que ora vinha de expressa de forma explícita (agressões físicas, agressões verbais, etc.), como de forma sutil (exclusão de trabalhos em grupo, evitação de diálogos, etc.). Já entre os aspectos positivos, destacam-se a importância da relação afetuosa e de convívio social com alguns colegas e trabalhadores da educação, que motivaram a permanência dessas pessoas na escola apesar das dificuldades enfrentadas. Vale destacar como importante fonte de apoio a Associação de Cegos do Piauí (ACEP), que foi elencada nos depoimentos enquanto uma instituição de apoio no processo de escolarização. Já o estudo 2, evidenciou as trajetórias de luta das pessoas cegas pelos direitos à escolarização, bem como do papel dessa instituição no processo de preparação para a vida social posterior à Educação Básica. O estudo revelou que nas trajetórias de escolarização das pessoas cegas no estado do Piauí, houve a necessidade de luta pelos direitos à escolarização ao longo do processo educacional da Educação Básica. Tais dificuldades encontram-se desde o direito negado de realização de matrículas, quanto no processo de ensino-aprendizagem na sala de aula com práticas excludentes. Tais lutas e dificuldades, serviram de motivação para a escolha profissional após a escolarização básica. Apontou-se, com os estudos, a necessidade de formação política das pessoas cegas do estado, bem como de suas famílias, a respeito dos seus direitos ligados à escolarização e cidadania, assim como a necessidade de uma maior comunicação entre as demandas educacionais das pessoas cegas, com o poder legislativo e as políticas públicas de formação de professores e de inclusão escolar.

  • BRUNA SARAIVA CANDEIRA
  • Diagnósticos de TDAH e medicalização da vida: estudos de caso em psicologia escolar com crianças no Piauí
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 25/11/2021
  • Mostrar Resumo
  • A presente pesquisa objetivou analisar a repercussão do diagnóstico de TDAH na vida de crianças diagnosticadas com o transtorno, através de quatro estudos de caso: Mateus de 7 anos e Rafael de 7 anos, estudantes de escolas públicas, e Renan de 10 anos e Caio de 12 anos, alunos de escolas particulares. Para a composição dos casos, foram realizadas entrevistas de modo virtual (em virtude da Pandemia da Covid-19) com professoras, familiares e com as próprias crianças participantes da pesquisa. Os casos foram analisados a partir da perspectiva da Psicologia Escolar Crítica. A partir desta pesquisa foi possível estabelecer que as reverberações do diagnóstico de TDAH ocorrem em um contexto social marcado pela Medicalização e pela visão da Corrente Organicista de explicação do TDAH. Assim, o diagnóstico gera impactos na vida da criança antes mesmo de concretizar-se: ainda no processo diagnóstico, quando a criança passa a frequentar especialistas da saúde no intuito de descobrirem o que há de errado com ela. As intervenções (medicamentosas e de demais terapias, sobretudo psicoterapia e terapia ocupacional) são as soluções prescritas para o problema encontrado: no caso, o TDAH. Percebe-se a importância de pensar intervenções para além das intervenções na própria criança, uma vez que projetos de intervenções e modificações nos fatores socioeducacionais tem potencial para promover novas possibilidades de comportamento para a criança, visto que tal comportamento se manifestada em determinados contextos. Isso demonstra a relevância do olhar da Corrente Histórico-Cultural, buscando uma compreensão ampliada de cada caso, considerando e buscando driblar as lentes colocadas pelo fenômeno da Medicalização, para propor novas alternativas de consideração ao fato TDAH. Com relação às realidade distintas das crianças matriculadas na rede pública de ensino e na rede particular de ensino da cidade de Parnaíba, percebeu-se que conforme o modo de ensino (dentro da realidade de ensino remoto) há divergências na motivação e no envolvimento da criança durante a aula, assim como que as condições financeiras da família interferem no acesso e na quantidade de tratamentos de saúde feitos pela criança após serem prescritos pelo neuropediatra.

  • THAIS DE JESUS AVELINO
  • Aprendizagem escolar com/na natureza: sentidos atribuídos por diferentes agentes de uma escola de Educação Infantil
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 10/11/2021
  • Mostrar Resumo
  • A presente dissertação possui como objetivo geral investigar os sentidos
    atribuídos ao aprendizado escolar em contato com a natureza por diferentes
    agentes mediadores (Projeto Político Pedagógico, professoras, mães e pais) de
    uma escola de Educação Infantil da planície litorânea piauiense. Utilizou-se o
    aporte teórico-metodológico da Psicologia Histórico-Cultural para apreender a
    processualidade e totalidade do fenômeno. A coleta de dados se deu a partir da
    análise do PPP da instituição, bem como da realização de entrevistas
    semiestruturadas com professoras, mães e pais. O contexto do estudo envolveu
    uma escola privada de Educação Infantil, cuja política-pedagógica é embasada na
    educação montessoriana, que defende em sua prática a integração da natureza no
    processo de aprendizagem. Ressalta-se que este trabalho foi desenvolvido no
    cenário de pandemia da COVID-19, em virtude disso, a coleta de dados se deu
    por meio da plataforma digital Google Meet, sendo cumpridas rigorosamente
    todas as normativas éticas em pesquisas com seres humanos, conforme o Ofício
    Circular No 2/2021/CONEP/SECNS/MS. Os resultados se desdobraram em dois
    estudos em formato de artigos científicos. O estudo I, proveniente da análise do
    PPP e sua relação dialética com a prática das professoras, teve como resultados
    quatro unidades de análise que apontam as potencialidades e possibilidades da
    construção do aprendizado escolar com/na natureza; o vínculo das crianças com
    o ambiente externo da sala de aula e o cuidado ambiental; bem como os
    (des)caminhos frente à pandemia da COVID-19. O estudo II, que emergiu a
    partir dos relatos de mães e pais da instituição de Educação Infantil, se desdobrou
    em dois eixos analíticos e quatro unidades de análise que apontam atividades
    práticas ao ar livre; aprendizados constituídos a partir dessas experiências com/na
    natureza; os desafios da pandemia para as famílias; bem como foram resgatadas
    reminiscências afetivas e concepções de natureza a partir dos sentidos atribuídos
    pelas participantes do estudo. Por meio desta dissertação, é defendido que o
    meio externo à sala de aula representa um espaço formativo constituído por
    possibilidades de aprendizagem escolar com/na natureza. Espera-se oportunizar
    reflexões e ações acerca de uma educação mais humanizada e emancipatória que
    aproxime a criança, a escola e a natureza.

  • MONICA DE ARAUJO DAMASCENO
  • Movimento estudantil e adversidades da/na escolarização: resistências e enfrentamentos
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 08/11/2021
  • Mostrar Resumo
  • O objetivo da presente dissertação de mestrado é compreender a expressão da
    resistência estudantil nas instituições de ensino superior do estado do Piauí, possui
    como questionamento inicial entender, de que maneiras a resistência estudantil
    emerge durante a trajetória educacional e auxilia no enfrentamento das
    adversidades enfrentadas durante o processo de escolarização? O estudo possui
    enquanto objetivo geral: Analisar a emergência da resistência estudantil no
    enfrentamento de adversidades na/da escolarização. E como objetivos
    específicos: Identificar as demandas de instituições de ensino trazidas por
    estudantes durante a trajetória educacional; Levantar as adversidades
    enfrentadas pelo movimento estudantil no cotidiano das instituições de ensino;
    Verificar as estratégias do movimento estudantil e as redes de proteção existentes
    nas instituições de ensino, a partir dos relatos dos estudantes. O presente projeto
    foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa - CEP da Universidade Federal do
    Piauí. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e descritiva. Contou com a participação
    de 12 militantes maiores de 18 anos que participam das entidades estudantis no
    estado do Piauí, no mínimo há um ano. A coleta dos dados se deu mediante

    entrevista semiestruturada. A análise dos dados se deu a partir do método histórico-
    cultural. Posteriormente deu-se início a descrição empírica dos dados, divididos

    em dois estudos, estudo 1 - Movimento estudantil no Piauí: demandas
    educacionais e adversidades vivenciadas na trajetória acadêmica, onde os
    resultados se dividiram em dois eixos centrais: demandas que chegam as entidades
    estudantis e dificuldades enfrentadas pelas entidades estudantis. O primeiro eixo
    apresentou quanto unidades analíticas (demandas acadêmicas, demandas
    assistenciais, demandas políticas e demandas devido a pandemia), o segundo
    apresentou cinco unidades analíticas (dificuldades estruturais, dificuldades
    referentes a precarização, dificuldades referentes as perseguições políticas,
    dificuldades referentes a falta de mobilização e dificuldades devido a pandemia).
    O estudo 2 - Resistência estudantil no Piauí, sob a perspectiva da Psicologia
    Escolar, apresentou resultados divididos em três eixos cada um deles com quatro
    unidades de análise. O primeiro eixo referente as estratégias de proteção utilizadas
    pelas entidades. O segundo, voltado a rede de proteção ofertada pela instituição. O
    terceiro eixo, sobre a expressão da resistência, como elas percebem a resistência
    estudantil. Por meio desta dissertação, apresenta-se uma análise acerca da
    resistência estudantil no Piauí diante das adversidades encontradas na trajetória
    escolar. Apreende-se a resistência como mobilizadora diante dos problemas
    encontrados, como o assédio, racismo, preconceitos, precarização do ensino, 

    exclusão social. Ela atua de modo a defender os estudantes, atua como rede de
    apoio, e está na essência das militantes, sendo fonte propulsora para a luta.
    Destaca-se que o estudo pode subsidiar políticas públicas voltadas à educação, e a
    criação de uma rede de apoio com todos que envolvem instituição e para além,
    pode articular enquanto possíveis colaboradores os sindicatos de professores,
    associações de pais, mães ou responsáveis, lideranças comunitárias, funcionando,
    assim, de forma cooperativa, para uma gestão democrática e preocupada com a
    qualidade do ensino. Pode-se pensar em uma educação para o movimento,
    garantida no Projeto Político Pedagógico das escolas; e nos Projetos Pedagógicos
    dos Cursos de graduação dentro das universidades. Sugere-se estudos em outros
    contextos, por exemplo durante a educação básica, estudos em outros estados, ou
    a nível norte/nordeste, de maneira a compreender como tem se estruturado o
    movimento nessa realidade.

  • CÁSSIO MARQUES RIBEIRO
  • Cartografia dos processos de subjetivação e enunciação dos movimentos sociais pesqueiros: ANP e MPP.
  • Orientador : ANTONIO VLADIMIR FELIX DA SILVA
  • Data: 31/08/2021
  • Mostrar Resumo
  • As comunidades tradicionais pesqueiras vêm travando uma luta em
    defesa da vida e pelo reconhecimento do território das águas. Na Área de
    Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba e em outros territórios do Brasil,
    pescadoras e pescadores artesanais que vivem do extrativismo da pesca e de
    outros extrativismos, ainda enfrentam, permanentemente, problemas
    socioambientais relacionados à necropolítica, ou seja, às políticas de morte ao
    território das águas e às políticas de supressão de direitos que afetam seus modos
    de vida. O objetivo deste estudo é cartografar processos de subjetivação e
    enunciação dos movimentos sociais de pescadoras e pescadores artesanais na luta
    pelo reconhecimento do território tradicional pesqueiro. Método: Trata-se de um
    estudo com o uso da cartografia como método e como modo de fazer pesquisa
    qualitativa em psicologia e na composição do Movimento dos Pescadores e
    Pescadoras artesanais - MPP a partir das cidades de Ilha Grande e Parnaíba,
    Piauí, e do VI Grito da Pesca, realizado em Luziânia-GO. Para a produção das
    informações realizamos participação observante em encontros, assembleia,
    audiências, vistorias, vigilância socioambiental, oficinas, incidências e reuniões,
    com registros em diários cartográficos; além de entrevistas com as lideranças dos
    movimentos para construção de narrativas, e análise documental. Partimos dos
    pressupostos teórico-metodológicos da cartografia para a esquizoanálise das
    informações produzidas no campo pesquisa. Resultados: Os resultados da
    cartografia e a esquizoanálise dos conflitos socioambientais mostram: a)
    limitação do acesso ao trabalho artesanal, comprometendo a vida, devido
    ameaças de perder moradia em função de grilagem de áreas aforadas e de
    projetos de urbanização, empreendimentos eólicos, turísticos e de
    resorts/hotéis/grandes pousadas; b) medo de instalação de offshore (parque eólico
    no leito marinho) e de projetos de perfuração de poços para exploração e extração
    de petróleo, que podem causar desastres ambientais, como o de derramamento de
    petróleo cru que ocorreu em 2019; c) disputas internas e tensionamento político e
    o papel da Articulação Nacional das Pescadoras, na ruptura com a estrutura
    patriarcal e de colonialidade, que marcam o surgimento do MPP; d) nas
    comunidades pesqueiras, as mulheres, pescadoras artesanais, protagonizam a luta
    a partir do próprio corpo-território-de-existência, luta por reconhecimento da
    identidade pescadora artesanal, paridade e relacionalidade de gênero nos
    processos instituídos por associações e sindicatos existentes e outras instituições;
    e) a construção compartilhada de projetos democráticos, populares e
    emancipadores em saúde de pescadoras e pescadores artesanais a partir da organização social em movimentos sociais pesqueiros como a ANP e MPP; f) uma aposta ecosófica na Demarcação do Território Pesqueiro através do Projeto de Lei 131/2021. Considerações Finais: No embate frente as investidas do capitalismo mundial integrado, as subjetividades de pescadores artesanais, ora sofrem agenciamentos aos modos de empreender sobre o uso da terra, do ar e das águas anunciados pela exploração das empresas estrangeiras, ora produzem resistências frente aos empreendimentos econômicos e energéticos – como corte de cercas acordos com guardas para trânsito no território cercado, organização de movimentos sócio-políticos, realização de audiências e incidências, dentre outros processos. As pescadoras e os pescadores artesanais operam, social e politicamente, no tensionamento dos movimentos sociais pesqueiros não só em prol de seus direitos, mas também em defesa da vida de humanos e não humanos no território das águas.

  • HIGOR DE SOUSA MOURA
  • DESENVOLVIMENTO E VALIDAÇÃO DA ESCALA DE INDICADORES EM SAÚDE MENTAL PARA ESTUDANTES DO ENSINO SUPERIOR
  • Orientador : EMERSON DIÓGENES DE MEDEIROS
  • Data: 31/08/2021
  • Mostrar Resumo
  • Resumo: Os instrumentos de mensuração ocupam papel fundamental na pesquisa e na fundamentação de iniciativas que visam abordar o tema ao qual se direcionam a medir. No contexto da saúde mental dos estudantes universitários, tais instrumentos podem fornecer evidências que permitem aos personagens deste panorama a atuação sobre as variáveis determinantes no processo de promoção da saúde mental, sendo imprescindível, portanto, que tais medidas ofereçam evidências da qualidade das propriedades psicométricas avaliadas. Visando atender tais finalidades, foi construída a Escala de Indicadores em Saúde Mental para Estudantes do Ensino Superior (EISM-EES), cuja base conceitual sobre saúde mental reside na perspectiva positiva, pautada na superação da dicotomia saúde e doença. Objetivo Geral: Elaborar a Escala de Indicadores em Saúde Mental para Estudantes do Ensino Superior (EISM-EES). Método: Construída a partir de etapas sequenciais, inicialmente participaram 40 estudantes universitários que responderam a questões que fundamentaram a elaboração dos itens preliminares que, em seguida, foram submetidos à avaliação de cinco juízes e à validação semântica. As evidências psicométricas e estrutura fatorial foram exploradas por meio de um segundo estudo, iniciado pelo refinamento dos itens da escala via TRI e Modelo de Resposta Graduada de Samejima. Utilizou-se para tal uma amostra de 201 estudantes de graduação, empregando-se Análise Fatorial Exploratória para análise dos dados. A confirmação da estrutura fatorial foi verificada a partir de uma amostra independente de 186 estudantes de graduação e análise via Análise Fatorial Confirmatória. Resultados: A etapa de validação de conteúdo revelou adequabilidade segundo o referencial adotado e apresentou 4 dimensões para a EISM-EES que posteriormente foram reduzidas a 3 (suporte social, autoeficácia e produtivismo acadêmico), resultando em um instrumento final, tridimensional, composto por 16 itens e com indicadores de ajuste adequados. Conclusão: A EISM-EES é um instrumento com propriedades psicométricas satisfatórias para o rastreio de indicadores em saúde mental junto à população de estudantes universitários, cuja utilização poderá fomentar iniciativas de promoção de saúde, prevenção de agravos e estratégias de intervenção pelas IES.

  • RACHEL RODRIGUES MACHADO BARROS
  • GUARDA COMPARTILHADA, DIVÓRCIO E PSICOLOGIA: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA.
  • Orientador : SANDRA ELISA DE ASSIS FREIRE
  • Data: 31/08/2021
  • Mostrar Resumo
  •  

    A guarda compartilhada é a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que deixaram de ser um casal.No Brasil a legislação passou a determinar como regime preferencial a guarda compartilhada, que deve ser aplicada como regra quando se dissolve o vinculo conjugal. A sociedade passou por transformações estruturais, atualmente, o divórcio é algo bastante frequente. Assim, as discussões judiciais acerca da guarda em sido bastante recorrente. A escolha da legislação brasileira pela guarda compartilhada alicerça seu fundamento no principio do melhor interesse da criança.Contudo, pouco e mencionado sobre os reais impactos desse regime jurídico nos menores. Nesse sentido,esta pesquisa buscou contribuir sanando esta lacuna, já que teve como objetivo central reunir as principais publicações científicas sobre o tema. Para isso, realizou-se duas revisões sistemáticas. Inicialmente, o primeiro estudo utilizou as bases Scielo, Pepsic, BVS e Portal Capem de Periódicos e incluiu artigos disponibilizados na íntegra em idiomas português e inglês, publicados no período de 2010 a 2020.A busca foi realizada através da Comunidade Acadêmica Federada (CAFE), que permitia acesso ao sítio eletrônico das próprias bases, utilizando-se os descritores:shared parenting” AND “divorce” e “guarda compartilhada” AND “divórcio”, foram encontrados 386 estudos, sendo 10 selecionados para análise. Os resultados permitiram a compreensão do divórcio e guarda compartilhada.Em seguida,a nova pesquisa foi realizada através da

    Comunidade Acadêmica Federada (CAFE), que permitia acesso ao sítio eletrônico das próprias bases, a partir dos seguintes descritores e operadores booleanos: “psychology” AND “shared parenting” e “psicologia” AND “guarda compartilhada” utilizando as bases Scielo, Pepsic, BVS e Portal Capem de Periódicos e incluiu artigos disponibilizados na íntegra em idiomas português e inglês, publicados no período de 2010 a 2020.A partir das estratégias de busca, foram encontrados 543 estudos, sendo 07 selecionados para análise. Os resultados permitiram a compreensão do que a psicologia tem estudado  sobre guarda compartilhada. Ao final,dos dois estudos, foi possível verificar que não obstante o considerável número de produções cientifica encontradas mediante a busca com os descritores os artigos que de fato abordavam acerca da guarda compartilhada são escassos.

  • DÉBORA FERREIRA MOURA
  • ESCALA FEAR OF MISSING OUT (FoMO) NO CONTEXTO DO TRABALHO BRASILEIRO: ELABORAÇÃO E PARÂMETROS PSICOMÉTRICOS
  • Orientador : EMERSON DIÓGENES DE MEDEIROS
  • Data: 30/08/2021
  • Mostrar Resumo
  • Introdução. Fear of Missing Out - FoMO consiste na apreensão de que outras pessoas podem estar tendo experiências satisfatórias, em que você está ausente, culminando no desejo de permanecer conectado continuamente com o que outras pessoas estão fazendo. Este constructo vem sendo abordado por pesquisadores em associação ao uso de mídias sociais. No que diz respeito a sua operacionalização, existem algumas medidas para tal fenômeno, no entanto, no Brasil, nenhuma até o momento foi desenvolvida ou adaptada para o contexto organizacional. Com isso, este trabalho busca contribuir cobrindo esta lacuna. Objetivo. Elaborar a Escala Fear of Missing Out (FoMO) no Contexto do Trabalho Brasileiro - EFCT, buscando conhecer evidências de sua validade e precisão. Método. Foram projetados dois estudos independentes: O Estudo 1 teve como objetivo a elaboração e verificação da validade de conteúdo da EFCT, com uma amostra de 42 colaboradores de empresas e instituições brasileiras, que responderam um questionário sociodemográfico e questões sobre comportamentos e situações de FoMO no contexto do trabalho, tais respostas fundamentaram a elaboração dos itens que compuseram a versão preliminar da medida. Seguidamente, a EFCT foi submetida a análise de juízes e validação semântica, os resultados apontaram valores de CVC satisfatórios. Os dados foram analisados através dos softwares IRAMUTEQ, e SPSS. No Estudo 2 realizou- se a exploração das evidências de validade e precisão da escala, como também a adequação da estrutura fatorial. Participaram deste estudo 216 colaboradores, idade variando de 18 a 56 anos (= 32,78; DP = 8,014), sendo a maioria (53,7%) do sexo feminino, que responderam um questionário sociodemográfico e a versão preliminar da EFCT. Para afirmar a unidimensionalidade da medida, contou-se com a Teoria de Resposta ao Item, levando em consideração a natureza ordinal da medida. Ainda foi realizada a análise dos parâmetros dos item, por meio do Modelo de Respostas Graduada de Samejima e por fim, uma Análise Fatorial Exploratória – AFE, para a verificação da estrutura fatorial e consistência interna da medida. Resultados. Os resultados demonstraram parâmetros psicométricos adequados na amostra estudada nas duas versões propostas da escala (completa com 15 itens e a versão reduzida com 05 itens). É um instrumento curto e que facilmente pode ser aplicado, possibilitando o seu uso em pesquisas que objetivam investigar o FoMO no trabalho, como também na prática de profissionais de gestão de pessoas como uma ferramenta que trará informações pertinentes sobre tal fenômeno dentro das organizações, possibilitando a elaboração de planos estratégicos para trabalhar tal fenômeno no cotidiano de seus colaboradores.

  • ANDREIA DE MEDEIROS CUNHA
  • ELABORAÇÃO E EVIDÊNCIAS PSICOMÉTRICAS DA ESCALA GLOBAL DE BULLYING – AGRESSOR E VÍTIMA (EGB - AV)
  • Orientador : EMERSON DIÓGENES DE MEDEIROS
  • Data: 30/08/2021
  • Mostrar Resumo
  • bullying é uma forma de agressão intencional (física, verbal ou psicológica) e repetitiva sobre um indivíduo, com desequilíbrio de poder ou força entre vítima e agressor e incapacidade de defesa por parte da vítima. No Brasil existem medidas nacionais ou adaptadas que mensuram o bullying, mas nenhuma avalia, de forma global (agressores e vítimas) na perspectiva multidimensional, com 4 dimensões ou formas de manifestações (Bullying verbal, físico, relacional e cyberbullying). Nesse sentido, esta pesquisa buscou contribuir sanando esta lacuna, já que teve como principal objetivo elaborar, reunindo evidências psicométricas, a Escala Global de Bullying – Agressor e Vítima (EGB - AV). Apesar de escalas internacionais recentes avaliarem o construto sob perspectiva semelhante, optou-se por elaborar uma medida nacional mais condizente com as peculiaridades culturais do nosso país. Para isso, realizou-se um estudo divido em duas etapas. Inicialmente foram examinadas evidências iniciais de validade e precisão da EGB – AV [oriunda das versões preliminares da ECB (Medeiros et al., 2015) e da EVB (Gomes, 2020)], cuja versão preliminar (60 itens) foi analisada, via Teoria de Resposta ao Item (TRI), selecionando-se os melhores itens para compor a versão final (24 itens). Em seguida, avaliou-se a estrutura do modelo hierárquico Tetrafatorial proposto para a EGB – AV, comparando-o com os modelos alternativos (Bifactor e Unifatorial) para as subescalas EGB – A e EGB – V. Uma amostra de 639 estudantes (entre 10 e 17 anos) de escolas públicas e privadas do Estado do Piauí responderam aos itens da escala preliminar, juntamente com questões sociodemográficas. As coletas foram realizadas individualmente em salas de aula, após autorizações legais necessárias, e os dados foram analisados pelos softwares IBM SPSSFactor e R (pacotes PsychMirtLavaanSemToolsSemPlot Ggplot2). Os resultados demonstraram um modelo hierárquico tetrafatorial mais ajustado (χ2 = 349,47; gl = 243, CFI = 0,99, TLI = 0,99; RMSEA = 0,03, IC+/- 90% = 0,02/0,03), cujos índices confirmaram unidimensionalidade para cada uma das dimensões de bullying, consequentemente, indicando soluções fatoráveis para suas matrizes. A estrutura fatorial consiste em dois fatores de segunda ordem (EGB_V e EGB_A) cada um explicando quatro fatores de primeira ordem (bullying físico, verbal, relacional e cyber), cada qual, por sua vez, saturando três itens com cargas fatoriais todas acima de 0,35. Além disso, a maioria dos indicadores de precisão estão acima de 0,80, para intervalos de confiança de 95%, e itens altamente discriminantes, informativos e com maior capacidade de avaliar sujeitos com magnitudes médias e altas de theta (θ). Ao final, obteve-se uma medida curta, simples, abrangente acessível e psicometricamente adequada e confiável, que poderá ser utilizada para pesquisar antecedentes e consequentes das diversas formas de manifestações do bullying, a fim de propor estratégias de enfrentamento desse fenômeno tão grave, complexo e adoecedor.

  • RISLAY CAROLINNE SILVA BRITO
  • Estresse frente à COVID-19 e a agressão psicológica nas relações amorosas
  • Orientador : SANDRA ELISA DE ASSIS FREIRE
  • Data: 30/08/2021
  • Mostrar Resumo
  • No Brasil, o primeiro caso de COVID-19 foi confirmado em 26 de fevereiro de 2020, sendo com isso declarada Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) pelo Ministério da Saúde. Diante da necessidade de mitigar a propagação do vírus, foram tomadas medidas de controle contra a sua propagação, como quarentenas e isolamento social. Essas medidas afetaram muitos aspectos da vida das pessoas, gerando sérias ameaças à sua saúde e desencadeando vários tipos de problemas. Dentre estes observou-se um risco relevante do aumento potencial da violência por parceiro íntimo (VPI). Relatórios em diversos países mostram um aumento significativo na VPI durante o período da pandemia por COVID-19. Com isso, a presente dissertação propõe investigar a relação entre o estresse frente a COVID-19 e a agressão psicológica em relacionamentos amorosos. A ênfase a esse tipo específico de violência se dá pelo fato de ser uma forma de VPI que se apresenta de forma mais sutil, muitas vezes sendo naturalizada e não reconhecida como violência. Para tanto, foram realizados estudos divididos em três artigos. O primeiro artigo trata-se da adaptação da COVID-19 Stress Scales (CSS), reunindo evidências psicométricas. O segundo artigo trata-se da adaptação e validação da Psychological Aggression Scale (PAS). Por fim, o último artigo propõe conhecer em que medida o estresse frente a COVID-19 explica o comportamento de perpetração da agressão psicológica, controlando os efeitos de idade e sexo. No artigo 1 foram realizados dois estudos com participantes de diferentes estados brasileiros. No primeiro (= 423) a análise fatorial exploratória sugeriu uma estrutura pentafatorial. No segundo (n= 300) executou-se uma análise fatorial confirmatória testando modelo pentafatorial. Realizou-se a correlação de Pearson (r) que evidenciou relações positivas e estatisticamente significativas entre ansiedade e o estresse frente a COVID, indicando validade convergente. No artigo 2 também foram realizados dois estudos com participantes de diferentes estados brasileiros. No primeiro estudo contou-se com uma amostra de 200 participantes, e através do Factor (versão 10.5) foi realizada a análise fatorial exploratória, que sugeriu uma estrutura unifatorial tanto para a escala de vitimização quanto para a escala de perpetração, com cargas fatoriais que variaram de 0,490 a 0,895 para a primeira e 0,374 a 0,904 para a segunda. Neste estudo, os índices de consistência interna apresentaram-se adequados para ambas as escalas (Vitimização: (α) 0.87 e (Ω) 0.88; Perpetração: (α) 0.8e (Ω) 0.85). No segundo estudo contou-se com uma nova amostra de 207 participantes, e através do R 3.3.3 (R Core Team, 2017) executou-se uma análise fatorial confirmatória, confirmando a estrutura unidimensional das EAP, que apresentou indicadores que atestam o ajuste do modelo aos dados, apresentando indicadores de precisão acima do recomendado (Vitimização: (α) 0,87 e (Ω) 0,88; Perpetração: (α) 0,86 e (Ω) 0,86). No artigo 3, participaram 264 pessoas. Os resultados deste estudo, por meio de correlações e regressões hierárquicas, demonstraram que os fatores xenofobia (r= 0,18; p<0,001) e estresse pós-traumático (r= 0,16; p<0,001) da medida de estresse da COVID-19 explicaram o comportamento de perpetração da agressão psicológica entre parceiros íntimos [R = 0,26, R2Ajustado = 0,04; F (7,258) = 2,623, p < 0,01]. Esses achados ampliam a discussão sobre a agressão psicológica e o estresse gerado pela pandemia da COVID-19.

  • IARA SAMPAIO CERQUEIRA
  • Efeitos de Treinos de Habilidades Sociais em bullying e saúde mental de crianças e adolescentes: revisão sistemática com metanálise
  • Orientador : PALOMA CAVALCANTE BEZERRA DE MEDEIROS
  • Data: 21/08/2021
  • Mostrar Resumo
  • O bullying escolar, violência que ocorre entre pares no contexto escolar, repetitivamente, a partir de desigualdade de poder, e com capacidade de gerar sofrimento, pode prejudicar a saúde mental de crianças e adolescentes. Pensar estratégias de prevenção de violência, controle/prevenção de psicopatologias, e promoção de saúde se fazem necessário frente a grande ocorrência desse fenômeno, e as Habilidades Sociais tem sido exploradas com esse fim. Reunir evidências sobre a relação desses fenômenos é importante para prática clínica, e contexto escolar, assim o objetivo desta dissertação foi apresentar os efeitos do Treino de Habilidades Sociais em bullying escolar e saúde mental de crianças e adolescentes. Para tanto, foi realizada uma revisão sistemática com metanálise. O método contemplou buscas nas bases de dados: Embase, Pubmed, Cinahl, PsycoINFOCochrane, Scielo, e Lilacs. Considerando todos os estudos publicados, a seleção foi feita utilizando o Covidence, a partir de critérios de inclusão e exclusão, que se basearam na estratégia PICOT. A análise de dados foi realizada através de formulário de extração de dados Cochrane e metanálise com o software Review Menager. Os resultados dos dois estudos incluídos indicaram eficiência do Treino de Habilidades Sociais, apesar de as metanálises inferirem efeito nulo, e muito baixa recomendação em relação à bullying -0.01 [-0.11, 0.09], e a saúde mental 1.06 [1.03, 3.14]. Há necessidade de novas pesquisas empíricas que verifiquem os efeitos do THS, com intuito de maximizar sua eficácia, e assim agregar contribuições na vida de crianças e adolescentes.

  • FRANCISCO MARCOS GOMES DE BRITO
  • Terreiro adentro, terreiro afora: Cartografia da produção de subjetividade de sacerdotes de religiões afro-brasileiras na cidade de Parnaíba-PI
  • Orientador : ANTONIO VLADIMIR FELIX DA SILVA
  • Data: 27/07/2021
  • Mostrar Resumo
  • As religiões afro-brasileiras foram formadas a partir das matrizes filosófico-espirituais dos povos indígenas de Abya Yala (América) e dos povos nativos de África que foram trazidos ao Brasil como escravizados. Desde seu surgimento, essas religiões se colocaram como dispositivos de resistência frente às violências do regime colonial-capitalístico, que tratou e trata de destruir todas as formas de subjetivação, sobretudo aquelas vivenciadas a partir das noções de coletividade e comunalidade com todas as formas de vida (humanas e não-humanas, visíveis e invisíveis). Sacerdotisas e sacerdotes dessas religiões, produziram, então, não apenas atuações dentro dos terreiros, mas também insurgências micropolíticas que se propagaram para fora deles. Partindo dessa premissa, realizamos uma pesquisa acerca de como se constituem os processos de subjetivação e enunciação de sacerdotisas e sacerdotes de Candomblé e Umbanda na cidade de Parnaíba/Piauí. Objetivos: a) analisar os modos de subjetivação, sujeição e resistência de sacerdotisas/sacerdotes de Candomblé e Umbanda no seu quefazer religioso e político; b) acompanhar, nos espaços terreiro adentro-terreiro afora a itinerância do fazer-se sacerdotisa/sacerdote; c) mapear narrativas e produção de si mesmas/mesmos de sacerdotisas/sacerdotes umbandistas e candomblecistas. Método: Adotamos a cartografia não só como método, mas também como modo de fazer pesquisa-intervenção, em encruzilhada com a epistemologia decolonial do Quilombismo e as filosofias-espirituais afro-indígenas, que denominamos de Ecosofia de Terreiro. A análise dos processos de subjetivação e enunciação cartografados foi feita a partir da Esquizoanálise, tendo a Ecosofia de Terreiro como transversalidade. A cartografia foi composta a partir de três terreiros de Umbanda e dois de Candomblé, com a participação de duas sacerdotisas e três sacerdotes, os acompanhando nos fazeres internos dos terreiros, mas também em seu trânsito, vivência e exercício político em outros espaços, como rodas de conversa e eventos na cidade e nos próprios terreiros, e, durante a pandemia de COVID-19, em atividades que passaram a acontecer de modo remoto em redes sociais. Partimos da participação observante de suas produções e nos utilizamos do diário cartográfico e de entrevistas cartográficas realizadas de forma remota via plataforma de chamada de vídeo Zoom. Os resultados demonstram que sacerdotisas e sacerdotes produzem a partir das ecosofias de terreiro: a) micropolíticas decoloniais em diferentes âmbitos e espaços, que vão desde a produção de cuidado com os outros e cuidado de si – que perpassa um processo de afirmação de sua produção subjetiva pelas religiões de terreiro, um processo que é sempre coletivo – até a construção de alianças, além de estratégias de levar o terreiro para fora de seus limites físicos (vídeo para YouTube) e levar a comunidade para dentro do terreiro (construção de escolinha); b) uma ética de si, o que foi demonstrado ainda quanto à identidade de gênero e à orientação sexual, uma vez que elas/eles, bem como seus filhos e filhas performam gêneros e sexualidades minoritárias, e para além disso também abrem seus terreiros aos tensionamentos que pessoas trans trazem à estrutura binária do Candomblé; c) lives, reuniões virtuais com sacerdotisas e sacerdotes de todo o Piauí, realizadas durante a pandemia para debater a situação dos terreiros e traçar estratégias mútuas de ajuda. Assim, os modos de subjetivação e os processos de enunciação cartografados apontam para o papel de organização coletiva exercido por sacerdotisas e sacerdotes de Candomblé e Umbanda a partir de um devir minoritário que se produz também como um devir-grupo, devir-comum, através de um fazer ético, estético e político que se coloca como meio de resistência à sujeição colonial- capitalística.

  • HOSANIRA RIOS COSTA
  • Cartografia de Processos de Subjetivação em Contextos de Vida Precária e de Perda por Suicídio
  • Orientador : ANTONIO VLADIMIR FELIX DA SILVA
  • Data: 27/07/2021
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: Vivemos em um permanente estado de exceção que caracteriza o capitalismo e a produção de subjetividade na contemporaneidade. Um dos efeitos disso é a produção de modos de vidas precárias, vidas que estão na linha tênue do humano e inumano e que acabam sendo reduzidas à sobrevivência. Nesse contexto, a produção de subjetividade capitalística e o Estado articulam políticas de controle da vida e políticas de morte, agenciando processos de subjetivação segmentados em regimes de sujeição que podem levar, entre outras saídas, a suicídios. Diante disso, como se constituem os modos de subjetivação e intervenção de profissionais junto a pessoas em situação de vulnerabilidade e
    violência auto infligida e a familiares que vivenciam luto relacionado à perda por suicídio? Como se produz vida diante da violência auto infligida e diante da perda por suicídio? Objetivos: a) Cartografar processos de subjetivação e intervenção de profissionais em contextos de vida precária e de perda por suicídio; especificamente: b) Conhecer processos de subjetivação e intervenção em contextos de perdas; c) Caracterizar processos de subjetivação e intervenção de profissionais em contextos de vida precária e de perdas por suicídio; e d) Analisar processos de subjetivação e intervenção de profissionais em contextos de perdas. Método: utilizamos a Cartografia como método de pesquisa qualitativa em psicologia e a Esquizoanálise como dispositivo de análise dos processos de subjetivação e intervenção cartografados, ou seja, para análise dos lineamentos molares, maleáveis e de fuga que se interconectam simultaneamente e formam linhas da vida. Dessa forma, utilizamos ferramentas-conceitos, dentre
    as quais: processos de subjetivação, vida precária, luto, vida nua, sofrimento ético-político. Participaram da pesquisa oito profissionais que trabalham com políticas públicas e em diferentes setores nos territórios da cidade de Parnaíba-PI. Os dispositivos de produção de informações da cartografia foram oficinas virtuais realizadas pela plataforma Google Meet, durante os meses de agosto e setembro do ano de 2020, por meio dos seguintes objetos relacionais da arte: poesia e prosa, texto em cena e esquizodrama com intervenções em cena. Resultados e discussão: das narrativas dos profissionais emergiram três analisadores: culpabilização da mulher diante da morte por suicídio; mulher com sofrimento psíquico e usuária de psicotrópico chegando sozinha ao serviço de atenção psicossocial; violência contra a mulher, silenciamento e falta de apoio social. Todas as análises partiram de mulheres que estavam em sofrimento e desejo de não viver ou em processo de luto por suicídio. A precarização da vida dessas mulheres incluiu: violência de gênero, no âmbito doméstico-familiar, silenciamento, além da sobrecarga de cuidar de tudo sozinha. As mulheres são mais culpabilizadas quando perdem alguém por suicídio, o que dificulta a vivência saudável do luto e a criação de linhas de cuidados. A masculinidade hegemônica, afirmadas por homens e mulheres, as instituições das violências, a negligência do Estado e as necrobiopolíticas deixam morrer, fazem matar e agenciam a morte por suicídio. Conclui-se, diante das análises dos processos de subjetivação e enunciação, que as intervenções dos profissionais ora reproduzem práticas instituídas na rede de atenção psicossocial, ora se reinventam instituindo processos inventivos e criativos.

  • RUTH DE SOUSA SILVA E SILVA
  • Análise Psicossocial do Envelhecimento no Sistema Prisional: Suas Representações Sociais
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 22/07/2021
  • Mostrar Resumo
  • O envelhecimento não se trata apenas de temporalização da vida, nem se refere
    exclusivamente ao declínio da capacidade funcional, mas também de um acordo entre
    responsabilidade social e capacidade psicológica individual. Diante disso, torna-se pertinente
    investigar esse processo no âmbito prisional por se tratar de uma população invisível, cercada por
    muros, longe da sociedade e afastada de políticas públicas que promovam a dignidade humana.
    Segundo o Levantamento Nacional de Informação Penitenciária, o Brasil possui cerca de 748.
    009 pessoas em privação de liberdade, dentre as quais, 4. 443 pessoas estão no Piauí. A
    relevância social e acadêmica evidencia-se por contemplar espaços de manifestação do processo
    de exclusão social e vulnerabilidades psicossociais. Em consonância com essa proposta ressalta-
    se a perspectiva life-span, paradigma de desenvolvimento ao longo da vida que servirá de
    embasamento teórico do objeto. Para compreensão dos fenômenos estudados adotou-se também
    na Teoria das Representações Sociais – TRS de Moscovici, delineamento teórico pertinente à
    temática proposta. Objetivo: Analisar as representações sociais sobre envelhecimento e privação
    de liberdade entre homens e mulheres do sistema prisional. Método: Trata-se de uma pesquisa
    qualitativa-descritiva e exploratória com dados transversais. O locus desta dissertação é a
    Penitenciária Mista Juiz Fontes Ibiapina em Parnaíba-PI. Participaram 20 homens e 20 mulheres a
    mais de seis meses de reclusão, com capacidades cognitivas preservadas, em idade superior a 18
    anos. Para levantamento de dados utilizou-se um questionário sociodemográfico, Teste de
    Associação Livre de Palavras (TALP), com duas palavras indutoras: envelhecimento e privação
    de liberdade e Entrevista Semiestruturada, abordando suas percepções e significados sobre o
    envelhecimento; A presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa - CEP da
    Universidade Federal do Piauí – UFPI, conforme número do parecer: 3.305.207; Todos os
    trâmites legais e regimentais foram observados para o desenvolvimento da pesquisa. Os dados
    obtidos através da aplicação do questionário sociodemográfico foram analisados por meio do
    software SPSS for Windows na versão 24. Os dados colhidos através do TALP foram analisados
    a partir do software IRAMUTEQ. As respostas da entrevista semiestruturada tratadas mediante
    análise de conteúdo de Bardin. A dissertação será organizada em dois estudos, intercambiando os
    instrumentos originados a partir dos resultados encontrados. Resultados: O estudo 1 evidencia
    que as palavras mais evocadas pelos participantes foram Deus e tempo. Os homens compreendem
    o envelhecimento pela ótica da religião e as mulheres lhe atribuíram valor cronológico de acordo
    com a análise prototípica. Quanto aos resultados do material textual as subcategorias cronológico
    e perdas se destacaram atrelados ao aspecto psicossocial. O Estudo 2 Verificou-se entre os
    homens representações sobre saudade, sofrimento, angústia, e a fé. Já entre as mulheres, significa
    dor pela falta dos filhos, sentimento de tristeza e solidão. Portanto, se constata que os grupos
    compartilharam representações semelhantes sobre a privação de liberdade, destacando aspectos
    emocionais e psicológicos, se sobressaindo a saudade da família.

  • GRAZIELA DE MORAES RUBIM FILGUEIRAS
  • Avaliando alienação parental: Identificando práticas paternas através de uma nova medida
  • Orientador : EMERSON DIÓGENES DE MEDEIROS
  • Data: 15/07/2021
  • Mostrar Resumo
  • Esta pesquisa objetivou elaborar a Escala de Práticas Alienantes Paternas (EPA-P), reunindo evidências quanto a estrutura interna do instrumento. Contou-se com uma amostra não probabilística (acidental) de 172 homens que passaram por uma situação de separação/ divórcio. Estes tinham idades entre 19 a 71 anos (M = 39; DP = 39,98), estando em processos de separação amigável (54,3%) e que apenas a mãe detém a guarda dos filhos (50,6%). Estes responderam a versão preliminar da Escala de Prática Alienantes Paternas (EPA-P), composta por 30 itens respondidos numa escala tipo Likert de 5 pontos, variando de 0 (Nunca) a 4 (Sempre). Além de perguntas de caráter demográfico [e.g., sexo, idade, estado civil, tipo de separação, escolaridade, renda, etc]. Inicialmente, considerados os sete diferentes incisos do art 2º, da lei 12.318/10 (Lei de alienação parental), foram realizadas análises fatoriais exploratórias (AFE), por meio do estimador DWLS, para verificar a unidimensionalidade de cada um dos incisos. O método Hull sugeriu a adequação de uma estrutura unifatorial, para cada uma das sete características. Posteriormente, tendo em conta os sete incisos, analisou-se a dificuldade, discriminação e a informação psicométrica dos itens em cada subescala. Destaca-se que a maioria dos itens apresentaram parâmetro de discriminação (a) maiores que 2. Optou-se por escolher um item de cada um dos sete incisos com níveis mais elevados de theta (θ); portanto, sendo os que requeriam níveis mais elevados de práticas alienantes para serem endossados completamente. A avaliação gráfica das curvas de informação dos itens para cada um dos incisos possibilitou classificar os itens 02, 04, 21, 23, 24, 26 e 28 como os mais informativos e, portanto, mais representativos das práticas alienantes. Assim, foi realizada uma nova análise fatorial exploratória, que se encontrou uma estrutura unidimensional, sendo eliminado um item. Dessa forma, foi realizada uma nova AFE com seis itens restantes, que corroborou a estrutura unidimensional {[KMO = 0,89 (IC95% = 0,90 – 0,91) e χ2 Bartlett (21) = 1.828,6 e p < 0,001]; Eigenvalue = 2,59; HullGFI = 0,97}, que apresentaram saturações fatoriais que variaram de 0,52 [itens 21, “Invento que meu (minha) filho (a) está doente para que ele não volte para a casa da mãe.”] a 0,94 [item 26, “Não permito a mãe do meu (minha) filho (a) ir buscá-lo em minha residência para que ela não saiba onde estou morando”]. Os índices de consistência interna da medida (precisão), foram considerados adequados (α de Cronbach = 0,85; e ômega de McDonald = 0,89). Os resultados demonstraram parâmetros psicométricos adequados da EPA-P na amostra considerada, sendo um instrumento curto e de fácil aplicação, que pode ser usado em pesquisas que visem identificar as práticas alienantes paternas, possibilitando a elaboração de planos estratégico para a mitigação desta conduta prejudicial bem como uma aplicação mais segura da lei nº 12.318/2010 por parte dos profissionais que atuam no Poder Judiciário.

  • ROBINSON SOUZA DE FRANÇA
  • “As pessoas não veem o músico como alguém que tá fazendo um trabalho, pensam que é uma brincadeira”: modelos de carreira profissional e significados do trabalho para os músicos
  • Orientador : RAQUEL PEREIRA BELO
  • Data: 12/07/2021
  • Mostrar Resumo
  • A precarização atinge número cada vez maior de profissões, impondo obstáculos aos trabalhadores no desenvolvimento de suas carreiras profissionais e nos significados que atribuem às suas atividades laborais. O setor de trabalho na música, que já vinha sendo afetado por esta dinâmica, atualmente, devido à pandemia do COVID-19 passou a experimentar de forma mais intensa os entraves limitadores para o seu prosseguimento. Diante desta realidade a presente pesquisa teve como objetivo analisar os modelos de carreira desenvolvidos e seus desdobramentos nos significados atribuídos por parte dos músicos ao trabalho que executam, mais especificamente, buscou conhecer seus perfis profissionais, identificar suas percepções atribuídas ao trabalho com a música, caracterizar os modelos de carreira desenvolvidos, descrever os significados atribuídos ao trabalho e compreender as relações entre os modelos de carreira dos profissionais dessa área e os significados atribuídos ao trabalho. Para isso, os participantes colaboraram com a pesquisa respondendo a um questionário sociodemográfico, ao Teste de Associação Livre de Palavras e a um roteiro de entrevista semiestruturada com perguntas relativas aos temas pesquisados. O estudo seguiu as normas e procedimentos éticos conforme a Resolução nº. 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Os participantes foram abordados virtualmente em seus perfis de divulgação profissional e, quando de acordo, tiveram acesso ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, contendo informações detalhadas sobre a pesquisa, no qual registraram o consentimento em participar. A análise dos dados foi feita através da Técnica de Análise de Conteúdo, modelo proposto por Bardin. Os resultados apontam para a compreensão da carreira profissional no seu sentido financeiro, de provimento de renda, bem como para o gostar do que faz. Os profissionais autônomos se reconhecem no modelo de carreira empreendedora, enquanto os profissionais de instituições no modelo de âncoras de carreira. Os participantes atribuíram importância ao trabalho que desenvolvem, discorrendo que ele significa “tudo” em suas vidas, em primeiro plano quando avaliado frente a outras dimensões de suas vidas. De forma geral, foi possível concluir que os trabalhadores estão enfrentando a intensificação de precariedades no trabalho com a música neste momento de pandemia, criando estratégias para superar as dificuldades, buscando atividades paralelas à música para se manterem e continuarem trabalhando como músicos.

  • JHÉSSICA PAULA DE BRITO
  • Modelos de Carreira e Aprendizagem no Trabalho: um Estudo com Profissionais de Tecnologia da Informação em Tempos de Indústria 4.0
  • Orientador : RAQUEL PEREIRA BELO
  • Data: 06/07/2021
  • Mostrar Resumo
  • Assim como o campo do trabalho, as trajetórias de carreira e aprendizagem sofreram impactos pelas transformações sociais, econômicas, políticas e culturais no mundo e, diante do cenário de crescente desenvolvimento tecnológico caracterizado hoje pela iminência da indústria 4.0, destaca-se o setor de Tecnologia da Informação. Neste sentido, a presente pesquisa teve como objetivo geral investigar o processo de construção dos modelos de carreira adotados por profissionais de Tecnologia da Informação (TI) na atualidade e identificar quais as estratégias de aprendizagem envolvidas neste processo. A partir deste intento, buscou-se ainda aprofundar aspectos referentes às dimensões da carreira e da aprendizagem no trabalho no contexto da Indústria 4.0. O estudo, em um desenho qualitativo, foi realizado com nove profissionais de TI que trabalham em empresas das cidades de Teresina e Parnaíba; a coleta de dados foi realizada através do questionário sócio demográfico, do Teste de Associação Livre de Palavras – TALP e de um roteiro de entrevista semiestruturado, construídos a partir dos temas abordados. A análise dos dados foi realizada por meio da análise de conteúdo, segundo Bardin, a qual gerou três eixos temáticos para o resultado da TALP e 11 eixos temáticos para os resultados da entrevista. De forma geral, os resultados demonstraram que o processo de desenvolvimento de carreira e aprendizagem dos profissionais de TI é pautado na dinâmica da própria área de atuação e guiados pela necessidade de atualização, sendo observadas características marcantes dos modelos portifólio e craftcareer; quanto ao processo de aprendizagem no trabalho, foi relatado uma maior frequência da aprendizagem informal e uso da estratégia comportamental de aplicação prática. Por meio dos dados levantados foi possível concluir que a dinâmica da área, bem como o crescimento tecnológico influencia na construção dos processos de carreira e aprendizagem dos profissionais acessados.

  • THAMYRIS TABOSA DE SOUSA
  • Representações Sociais da Qualidade de Vida entre pessoas vivendo com HIV
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 30/06/2021
  • Mostrar Resumo
  • O HIV e a aids são epidemias atualmente controladas que receberam muitos investimentos ao longo da história, alcançando inclusive o caráter crônico. As pessoas vivendo com HIV (PVHIV) com boa adesão ao tratamento podem conviver melhor com a doença e com isso, melhorar a qualidade de vida. Por isso, estratégias para reforçar a adesão ao tratamento através grupos de apoio tem sido utilizadas. Contudo, a doença ainda impacta negativamente em aspectos psicossociais das PVHIV, o que pode influenciar na percepção que estas possuem sobre a Qualidade de vida (QV). Objetivo: Apreender e comparar as representações sociais sobre HIV, aids e qualidade de vida entre as PVHIV que participam do Grupo de Adesão (ao tratamento) e que não participam. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva, com corte transversal, amostra não probabilística e por conveniência. Submetida e aceita em Comitê de Ética e Pesquisa, contou com 22 pessoas adultas vivendo com HIV, de ambos os sexos, divididas em dois grupos: participantes do Grupo Adesão (41%) e não participantes do grupo (59%), as quais responderam aos seguintes instrumentos: questionário sociodemográfico, entrevista semiestruturada e Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP). Que foram analisados respectivamente através de estatística descritiva; Classificação Hierárquica Descendente (CHD) por meio do software Iramuteq; e análise de Redes Semânticas. Resultados: os resultados do Estudo 01 evidenciam que as representações sobre o HIV estão associadas à mudanças e adaptações, ao sigilo da condição sorológica, ao impacto da estigmatização social e uso de enfrentamentos positivos e negativos. As representações da aids estão associadas à vulnerabilidade e necessidade de tratamento. A diferença nas representações dos participantes e não participantes do grupo adesão foi principalmente o enfrentamento positivo do primeiro grupo em relação ao segundo. O Estudo 2 demonstra representações sociais da QV positivas, relacionada diretamente ao tratamento e seus efeitos e semelhantes entre os dois grupos estudados.

  • ANA GABRIELA AGUIAR TREVIA SALGADO
  • Análise Psicossocial da velhice LGBT: um estudo das Representações Sociais entre transexuais e travestis
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 28/06/2021
  • Mostrar Resumo
  • Introdução: Estima-se que no Brasil, no ano de 2019, mais de 32 milhões de habitantes tinham idade igual ou superior a 60 anos. Com o aumento da expectativa de vida, a proporção de idosos na população brasileira aumenta significativamente, ilustrando o fenômeno que ocorre mundialmente, de envelhecimento da população. Envelhecer é um processo natural, que faz parte do ciclo de vida de todos os organismos vivos. Carregada de particularidades, a velhice segue como uma fase da vida humana carregada de estereótipos e concepções negativas. Por esse motivo, abordar determinados assuntos, como diferentes orientações sexuais e identidades de gênero na velhice, ainda é um tabu. A partir do entendimento de que a população idosa, principalmente os idosos LGBT, necessita de maior atenção e cuidados, tem-se desenvolvido um maior número de pesquisas sobre o tema, a fim de contribuir com mais conhecimento que possa proporcionar maior qualidade de vida e bem-estar para essa população. Objetivos: Apreender e analisar as representações sociais que são formadas pelas pessoas transexuais e travestis acerca da velhice LGBT e da sexualidade. Método:Participaram deste estudo 34 pessoas adultas brasileiras – sendo 16 travestis, 7 mulheres-trans e 11 homens-trans – com idades entre 18 e 57 anos (M = 26,6 anos; DP = 8,4 anos). A maioria declarou-se com estado civil solteiro (79,4%), com renda mensal de até 1 salário-mínimo (47,1%), nível médio de escolaridade (32,4%) e residentes do estado do Piauí (35,3%). A coleta de dados foi realizada a partir dos seguintes instrumentos: questionário sociodemográfico, Técnica de Associação Livre de Palavras (TALP) e roteiro de entrevista semiestruturada. Para análise, foram utilizados: análise estatística descritiva com o uso do software SPSS 25.0 para o questionário sociodemográficos; Classificação Hierárquica Descendente (CHD) através do software Iramuteq para entrevista semiestruturada; análise prototípica através do software Iramuteq para a TALP. Resultados: As representações sociais identificadas neste estudo evidenciam quatro conteúdos sobre a velhice LGBT: a morte pela transfobia como um obstáculo para atingir a velhice, a esperança associada à incerteza de conseguir uma velhice tranquila, o desejo de uma velhice tranquila pela expectativa da garantia de uma aposentadoria e de um lar para viver, e o medo do preconceito que cria barreiras para as pessoas LGBT jovens e, mais ainda, para as idosas. Em relação à sexualidade, as representações sociais verificadas evidenciam a vivência da sexualidade a partir do ato sexual.

  • DÉBORAH LIMA DE CARVALHO
  • A saúde mental na política de assistência estudantil do Instituto Federal do Piauí
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 10/05/2021
  • Mostrar Resumo
  • Essa dissertação propõe uma pesquisa sobre a saúde mental no contexto da assistência estudantil do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI). O Decreto nº 7.234, de 19 de julho de 2010, que dispõe sobre o Programa Nacional de Assistência Estudantil (PNAES) consolidou a assistência estudantil como direito social e orienta a implantação da Assistência Estudantil (AE) nas Instituições Federais de Ensino Superior. O IFPI regulamenta, através da Resolução n.º 14/2014, a Política de Assistência Estudantil (POLAE) objetivando diminuir as desigualdades educacionais e propiciar a formação integral. A assistência à saúde do estudante faz parte dessas ações, incluindo, o cuidado em saúde mental. Portanto, a POLAE pode configurar-se como um potente dispositivo de promoção da saúde mental. Nesse sentido, buscouse analisar a concepção, planejamento e o desenvolvimento da saúde mental na assistência estudantil do IFPI e suas implicações para o alcance dos objetivos da POLAE. Metodologicamente, o estudo define-se como uma pesquisa qualitativa, sob o enfoque das práticas discursivas a partir do construcionismo social, e com caráter interventista. Escolhemos como instrumentos para produção das informações de pesquisa: a) a análise de documentos institucionais, b) entrevistas semiestruturadas e c) roda de conversa, no formato de reunião virtual, com caráter interventivo. Participaram da pesquisa dois grupos distintos de servidores, sendo 03 gestores (servidores que participaram da construção do documento de normatização da POLAE) e 09 executores (servidores que compõem a comissão de AE no IFPI Campus Oeiras). Os dados foram analisados com base na técnica do mapa dialógico organizados em duas categorias: 1) Trajetória da Assistência Estudantil no IFPI e 2) Saúde mental na Política de Assistência Estudantil do IFPI. Em resumo, em termos institucional, percebe-se um esforço por parte do IFPI em oferecer uma educação integral, de modo a universalizar a AE abrangendo as áreas propostas pela PNAES. Muito embora as práticas discursivas levantadas apontem contradições em função das ações viabilizadas pela AE privilegiarem aspectos socioeconômicos. Entende-se que, no caminho de construção de uma política universal, o(a) estudante deve ser assistido(a) na saúde de forma integral, incluindo a saúde mental. Porém, ocorre que as concepções que fundamentam tal construção não atendem a integralidade como preconizada pela atenção psicossocial e termina por oferecer um cuidado em saúde mental fragmentado. Em termos interventivos, ao oportunizar aos(as) executores(as) da POLAE, no campus investigado, uma aproximação com a perspectiva da determinação social da saúde, percebemos um movimento de ampliação da compreensão sobre a produção social da saúde e o reconhecimento de dispositivos institucionais potentes para a promoção da saúde mental. Ademais, foi problematizado acerca dos desafios em apreender elementos do processo cuidado-saúde-doença a partir de uma concepção de saúde ampliada, a partir dos marcadores sociais expressos no perfil que caracteriza o corpo discente do IFPI, de modo a superar práticas encarnadas pelo modelo privativo e individualizante de pensar a saúde mental, o que fragiliza o alcance dos objetivos da AE no âmbito dos Institutos Federais.

  • LAURENTINO GONÇALO FERREIRA FILHO
  • Contribuições comportamentais e nutricionais da dieta sem glúten e caseína em criança com Transtorno do Espectro Autista
  • Orientador : ANA RAQUEL DE OLIVEIRA
  • Data: 29/04/2021
  • Mostrar Resumo
  • A dieta livre de caseína e glúten (SGSC) tem sido fonte de pesquisas como terapia alternativa para melhoria dos sintomas comportamentais e gastrointestinais no Transtorno do Espectro Autista (TEA), no entanto, os resultados têm apontado divergências. Assim, o presente estudo tem como objetivo investigar se a restrição de caseína e glúten melhora os sintomas comportamentais e gastrointestinais do TEA. Realizou-se um estudo de caso que consistiu em uma intervenção SGSC durante dois meses, com um mês de seguimento. Participou uma criança de cinco anos de idade, sexo masculino, com diagnóstico médico para TEA. Os instrumentos utilizados foram: 1) triagem: questionário sociodemográfico, avaliação do estado nutricional, formulário de registro alimentar - Recordatório alimentar de 24 horas, 2) questionário de sintomas gastrointestinais ROMA III versão QPGS-RIII (Adaptado do Questionnaire on Pediatric Gastrointestinal Symptoms), 3) avaliação dos sintomas comportamentais através da Childhood Autism Rating Scale – CARS-BR, além disso, técnicas da Análise do Comportamento como a psicoeducação parental e a economia de fichas foram utilizadas para facilitar a cooperação da criança na realização da dieta e se esta produziria mudanças nos padrões sintomatológicos gastroinstestinais e comportamentais, tendo em vista o eixo intestino-cérebro. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do Piauí (CAAE: 20305519.6.0000.5214). Os resultados evidenciam uma redução da manifestação e frequência dos seguintes sintomas gastrointestinais: diarreia, dores abdominais, distensão abdominal, flatulências e seletividade alimentar. Constipação, fezes anormais e escape houve redução a curto prazo, se estabilizou, e volta a aparecer no follow up. Oito domínios da CARS-BR evidenciaram evolução: resposta emocional, expressão corporal, uso do objeto, uso do olhar, uso da audição, uso do paladar, olfato e tato, medo ou nervosismo e atividade; seis mantiveram-se estáveis: relação interpessoal, imitação, comunicação verbal, comunicação não verbal, grau e consistência das respostas da inteligência e impressão geral; um apresentou declínio: adaptação à mudança. Demonstrou-se que a Psicologia pode contribuir no manejo da dieta, mas outras pesquisas necessitam ser realizadas para testar a efetividade de um protocolo de intervenção dietética com restrição de glúten e caseína para crianças com TEA em conjunto com intervenções psicológicas.

  • IARA DO NASCIMENTO TEIXEIRA
  • Phubbing, Dependência da Internet e Dependência do Smartphone: O Impacto Tecnológico Digital no Compromisso Com o Relacionamento Amoroso
  • Orientador : SANDRA ELISA DE ASSIS FREIRE
  • Data: 29/04/2021
  • Mostrar Resumo
  • A tecnologia de comunicação móvel, em especial o smartphone, tem exercido um papel cada vez maior na vida das pessoas. Apesar do seu comprovado impacto benéfico ao facilitar tarefas do dia a dia e conectar pessoas independente da distância, há uma crescente de estudos que se preocupam com os danos que estas tecnologias podem causar às relações humanas. A presente dissertação se propõe a investigar os efeitos da dependência do smartphone, da dependência da internet e do phubbing no compromisso com as relações amorosas. Para atender a este objetivo, a dissertação foi dividida em quatro artigos, sendo o artigo 1 uma revisão sistemática de literatura acerca das relações entre o phubbing e dependências tecnológicas; o artigo 2 uma revisão sistemática com meta-análise sobre o uso do modelo de investimento, escolhido para estudar o compromisso; o artigo 3 a validação da escala do modelo de investimento; o artigo 4 apresenta o estudo correlacional dos construtos estudados. No artigo 1 foram analisados 14 artigos, provenientes das bases de dados Scielo, PubMed, PsycInfo, Scopus e Web os Sciente entre os anos de 2016 e 2020. O resultado realçou uma tendência de aumento dos estudos que relacionam o phubbing com dependências tecnológicas, apontando que a dependência da internet e a dependência do smartphone são as que possuem maior influência. No artigo 2 foram incluídos 16 artigos dos últimos 5 anos que correlacionavam os fatores da escala do modelo de investimento, permitindo estudar o poder de efeito de cada fator no compromisso. As bases de dados utilizadas foram PsycInfo, Scopus, Web of Science e PubMed e, condizentes com a literatura, a satisfação apresentou o maior poder de efeito (r=0,66), seguido do investimento (r=0,51) e alternativas (r=-0,41). No artigo 3 participaram 406 pessoas (71,9% mulheres e 28,1% homens), com média de idade de 27 anos (min. 18; máx. 61; dp=7,02). Todos estavam em algum relacionamento amoroso, sendo: 60,6% namorando, 29,6% casados, 9,1% noivos e 0,7% recasados. A duração média das relações foi de 5 anos (min. 6 meses; máx. 42,5 anos; dp= 72,17). Foi realizado uma análise fatorial confirmatória da estrutura do modelo de investimento. Tanto a versão com 22 itens, quanto a reduzida com 13 atingiram bons índices de ajustamento e alfa de Cronbach adequados. No artigo 4 os resultados apontam para a existência de uma correlação negativa entre fatores da dependência da internet e dependência do smartphone com o compromisso. Espera-se que resultados obtidos contribuam para a discussão acadêmica dos efeitos da tecnologia na vida amorosa dos sujeitos e possam ser utilizados para melhoria da qualidade de vida dos casais.

  • JOSÉ VICTOR DE OLIVEIRA SANTOS
  • Representações sociais do envelhecimento masculino, idoso gay e homofobia entre gays idosos
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 28/04/2021
  • Mostrar Resumo
  • Mesmo diante da homofobia, tendo em vista que os idosos gays da atualidade vivenciaram a ditadura militar, este público tem alcançado a velhice. Estudos com idosos gays discutem sobre homofobia internalizada, invisibilidade, solidão, duplo preconceito, dificuldades no acesso à saúde e suporte psicossocial. Visto isso, torna-se relevante social e academicamente pesquisar o envelhecimento deste público. O envelhecimento, ser idoso gay e a homofobia são aspectos que permeiam a vida destes idosos, a forma com que eles são experienciados, com seus obstáculos, superações e vivências, motivou a condução de um estudo com idosos gays cuja análise se embasa no paradigma das representações sociais. Objetivo: Apreender e analisar as representações
    sociais de idosos gays acerca do envelhecimento masculino, idoso gay e homofobia. Método: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, descritiva-exploratória de corte transversal, de forma que a amostra será não-probabilística e por conveniência. Participaram 20 homens gays idosos com idades entre 60 e 75 anos, média de 63,25 (DP=3,58). Para apreensão dos dados, realizou-se uma entrevista semiestruturada sobre envelhecimento masculino, idoso gay e homofobia que foram analisadas mediante o programa IRAMUTEQ, que realiza a classificação hierárquica descendente e análise prototípica. Resultados: Sobre o envelhecimento masculino esta análise dividiu as representações sociais dos participantes em classes de proximidade lexical, que resultaram em quatro classes: mudanças biopsicossociais, negação da velhice, aceitação das mudanças e cuidar para ter saúde. No estudo sobre idosos gays, as representações sociais foram divididas em cinco classes. A primeira expressa o preconceito da sociedade. A segunda e terceira ancoram numa nova fase da vida e que ser idoso gay é diverso, depende do que cada um construiu. A quarta e quinta focalizam no gostar de homens e nas particularidades de ser gay. O estudo sobre as representações sociais da homofobia obteve três classes. A primeira aborda imagens de preconceito existentes na sociedade. A segunda apresenta representações sociais envolvendo relatos de homofobia internalizada e vivência do preconceito. E a terceira, apresenta representações sociais sobre as violações físicas e identitárias. No estudo quatro, a estruturação das representações sociais evidenciou que o envelhecimento masculino é ancorado em aspectos da velhice e masculinidades. A objetivação do idoso gay nas especificidades e estereótipos de ser gay na velhice e sobre a homofobia a identificação das vulnerabilidades, manifestações das violações e desconhecimento da sociedade sobre a vida de homens gays. Evidenciou-se preocupação com questões de saúde, solidão e características da prática sexual. Percebe-se que a homofobia internalizada está presente em suas representações sociais e que este estigma moldou o estilo de vida destes idosos. Os idosos que envelheceram em cidades pequenas relatam maior frustração com a sexualidade. Espera-se que este estudo subsidie discussões sobre o tema em diferentes contextos.

  • CARLOS EDUARDO SOARES REIS
  • Sofrimento infantil contemporâneo: concepções de estudantes de Psicologia
  • Orientador : LANA VERAS DE CARVALHO
  • Data: 12/04/2021
  • Mostrar Resumo
  • A infância tem sido marcada pelas transformações do mundo contemporâneo. Numa sociedade guiada pela lógica capitalista na qual o consumismo, a alta performance, a medicalização e a busca por identidades padronizadas são aspectos marcantes, as formas de sofrer das crianças estão perpassadas por problematizações sobre as demandas por produtividade, o uso das telas, a influência da publicidade, a patologização etc. Assim, tendo em vista a proximidade do tema sofrimento com a atuação da psicologia, a presente pesquisa objetiva compreender as concepções dos estudantes de psicologia sobre o sofrimento infantil na contemporaneidade. Por meio de um delineamento qualitativo, foram realizadas cinco entrevistas online com estudantes de psicologia (2 homens e 3 mulheres) do oitavo ao décimo período da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPAR) por meio do aplicativo Whatsapp partindo da pergunta “o que você acha que faz as crianças sofrerem hoje?”. Utilizou-se a proposta de Bardin para a análise de conteúdo das falas dos entrevistados. Tal análise deu origem a dois eixos de interpretação: “Eixo I – Macrosofrimento infantil: a culpa é do sistema?” e “Eixo II - Microsofrimento infantil: a culpa é da família?”. No primeiro eixo, as categorias envolvem uma concepção de sofrimento ligada a questões amplas como o sistema econômico, a cultura do consumo e a patologização da infância. No segundo eixo a perspectiva de sofrimento foca no papel da família e na insatisfação dos estudantes com as discussões sobre esse tema na graduação. Dessa forma, pode-se constatar que as concepções são marcadas por um embate entre perspectivas sociais e individuais que ora se explicam, ora se confundem com as ênfases curriculares; por experiências pessoais e familiares para embasar seus argumentos e pela carência de discussões na graduação.

  • AUREA SOUZA AGUIAR SANTOS
  • INFÂNCIA E SOFRIMENTO: É UM TRANSTORNO SOFRER NA CONTEMPORANEIDADE
  • Orientador : LANA VERAS DE CARVALHO
  • Data: 09/04/2021
  • Mostrar Resumo
  •  

    Na contemporaneidade, a infância tem sido marcada por um cerceamento e modelagem das características presentes nas crianças. E essa é a fase considerada

    ideal para serem feitos os investimentos visando a hiperqualificação, como projeto para um adulto de sucesso. Por isso, quando se trata do sofrimento na

    infância, os caminhos parecem convergir para um processo de patologização e medicalização do sofrer, pois numa sociedade marcada pela busca incessante de ser feliz, sofrer pode parecer fracasso. E a criança que sofre pode sinalizar, então, o fracasso da família ou da instituição de ensino. Dessa forma, temos visto que o sofrimento na infância acaba sendo explicado, medicado, interditado, porque a criança representa a “esperança”, o futuro da nação e precisa “dar certo”. Diante desse contexto, discutimos as questões emergentes acerca da infância e os modos dela lidar com o sofrimento na contemporaneidade. Para isso, buscamos conhecer o que é o sofrimento para as crianças e como elas lidam com essas experiências. Pesquisar acerca dos processos de subjetivação na infância, diante do sofrimento na contemporaneidade, convocou-nos para uma pesquisa de abordagem qualitativa, por meio de narrativas (auto)biográficas com 08 (oito) crianças, com

    idades entre 07 (sete) a 11(onze) anos. Todas estudam em uma escola privada no município de Parnaíba-Piauí e para a produção das suas narrativas, elas assistiram a um vídeo-estímulo com cenas do filme “Divertida Mente”. Em seguida, narraram suas experiências através de desenhos; de áudios e por meio de

    vídeo-chamada em uma plataforma de vídeo conferência. A análise das narrativas foi realizada a partir das reflexões teórico-críticas ancoradas em pensadores da Escola de Frankfurt e em teóricos contemporâneos. Das 08 (oito) crianças que participaram do estudo, apenas 01 (uma) não realiza atividades de aula ou terapia fora do contexto escolar, mas já fez durante um período, sinalizando o atravessamento da infância pelos imperativos contemporâneos de felicidade, de sucesso e de bem-estar. Para elas, o sofrimento está relacionado a algo negativo, ruim e difícil de ser vivido; por isso, logo buscam estratégias para mudar o pensamento e, assim, restabelecer a felicidade. Elas relataram que as perdas, reais ou simbólicas, são experiências tristes que as fazem sofrer. Verificamos nas narrativas dessas crianças que a medicalização e a patologização de seus modos de ser são, para elas, experiências de sofrimento. Como a pesquisa

    foi realizada em meio à pandemia da COVID-19, esta foi presente para todas as crianças, como uma vivência sofrida, tanto pelo fechamento das escolas e isolamento social imposto, quanto pelo medo constante do contágio e da morte.

    Observamos durante a pesquisa as artimanhas do capitalismo, que ora considera a criança potencial consumidora de suas mercadorias; ora ele consome a infância e a imagem das crianças para vender seus produtos e serviços. E identificamos como o consumo tem sido a estratégia usada pelas crianças para lidarem com suas experiências de sofrimento. Em suma, compreendemos que as vivências de sofrimento das crianças na contemporaneidade têm sido atravessadas pelos discursos capitalistas para interdição do sofrimento via mercantilização da vida.


  • YAMILA LARISSE GOMES DE SOUSA
  • Saúde-adoecimento-cuidado do professor da rede pública de ensino do Piauí: contribuições da Psicologia Histórico-Cultural
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 12/02/2021
  • Mostrar Resumo
  • O conceito de saúde tem se ampliado ao longo do tempo, faz-se necessário uma discussão que considere aspectos políticos, sociais e culturais que nela interferem. Esse fato deve ser considerado quando se trata da saúde do professor, pois além do equilíbrio individual é importante o bem-estar social. A profissão docente é considerada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como uma das mais estressantes. A atividade de ensinar gera consequências na saúde física e mental dos professores, ensinar tornou-se desgastante o que impacta no desempenho profissional. Na atividade docente estão presentes múltiplos fatores psicossociais que podem estar relacionados com a especificidade de suas funções, e ou contexto institucional e social onde a função é exercida. A profissão docente atravessa significativos desafios, advindos das constantes mudanças ocorridas no mundo do trabalho. As condições ruins que são provenientes deste cenário, as exigências em relação ao papel do professor e sua desvalorização, cada vez mais estão associadas ao adoecimento físico e mental destes profissionais. Em razão disso, há o questionamento: Quais fatores psicossociais interferem na saúde do professor do ensino básico na rede pública no contexto piauiense? Com o intuito de responder esse questionamento a presente pesquisa objetiva analisar fatores psicossociais que interferem na saúde do professor da educação básica na rede pública de ensino no Piauí. Além de realizar uma revisão sistemática da literatura sobre o adoecimento docente na rede pública de ensino; associar as demandas ligadas à saúde com o trabalho docente; relacionar as vulnerabilidades dos professores e a sua vinculação com a saúde; caracterizar as ações de cuidados relacionadas à saúde dos docentes. Essa pesquisa foi aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa - CEP da Universidade Federal do Piauí, conforme número do parecer: 3.502.776. Trata-se de um estudo do tipo documental, os documentos analisados foram do banco de dados da Unidade de Gestão e Inspeção Escolar/UGIE da Secretaria do Estado de Educação/SEDUC. Foram analisados os 5141 documentos de registro das 21 Gerências Regionais de Educação/GRE do estado do Piauí. Para a coleta de dados foi realizada a autorização Institucional e Termo de Compromisso de Utilização de Dados – TCUD. Após a coleta, os dados serão analisados por meio do pacote estatístico Statistical Package for the Social Sciences(SPSS) versão 25, fez-se uso da análise descritiva e do teste qui-quadrado, que foram organizados em tabelas e gráficos. Posteriormente, os dados foram analisados teoricamente a partir da Psicologia Escolar crítica e Histórico-cultural. Espera-se que os resultados desta pesquisa possam auxiliar a promoção de saúde, na promoção de práticas conjugadas com políticas públicas intersetoriais, reflexões sobre a necessidade de maiores articulações entre a educação e a saúde, entre a escola, a comunidade e os dispositivos de saúde e assistência, independentes e além de políticas especificas para esta finalidade, de modo a superar a lógica da individualização e não responsabilizar ou culpabilizar professores. À vista disso, os benefícios do cuidado com a saúde dos professores também podem colaborar para que as escolas possam cumprir seu papel na transmissão do conhecimento e humanização do cidadão.

  • ELLERY HENRIQUE BARROS DA SILVA
  • Violência nas escolas públicas do Piauí na perspectiva dos estudantes: uma análise a partir da Psicologia Histórico-Cultural
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 12/02/2021
  • Mostrar Resumo
  • As discussões acerca da violência nas escolas têm se ampliado ao longo dos tempos, tal fenômeno necessita uma maior contextualização dos acontecimentos em torno dos campos sociais, para compreender como ela é produzida e reproduzida dentro do espaço educacional. Entende-se por violência escolar como uma manifestação histórico-cultural que age de forma multifacetada, nela estão associados os elementos culturais e sociais praticadas pelos membros pertencentes ao meio escolar (docente, discente, servidores, comunidade). Dentre tais ações, podem-se inferir as brigas, as discussões, os danos ao patrimônio público, as relações de conflitos interpessoais, as agressões físicas, psicológicas, virtuais, e a violência simbólica. Nessa perspectiva, as mudanças socioeconômicas e socioculturais ocorridas na sociedade têm sido um condicionante para as modificações no entorno da escola. Em razão disso, emerge o questionamento: qual a frequência da violência nas escolas públicas do Piauí a partir da perspectiva dos estudantes em relação a família, os professores, os funcionários e a estrutura física? Com o intuito de responder esse questionamento a presente pesquisa objetiva investigar a relação da frequência de violência nas escolas públicas do Piauí com a perspectiva dos estudantes e em relação com a família, os professores, os funcionários e a estrutura física. Além de: realizar uma revisão sistemática da literatura sobre a violência escolar no cenário brasileiro; verificar evidências psicométricas de validade e precisão dos itens que mensuram violência nas escolas públicas do Piauí; identificar a prevalência da violência dos estudantes nas escolas públicas do Piauí relacionada com os professores; averiguar a relação entre a presença e orientação das famílias dos estudantes com as situações de conflitos em decorrência da violência no ambiente escolar; e analisar a relação da prevalência de violência dos estudantes com a satisfação dos funcionários e com a estrutura física nas escolas públicas do Piauí. Essa pesquisa foi aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa - CEP da Universidade Federal do Piauí, conforme número do parecer: 3.502.770. Trata-se de um estudo do tipo documental, que analisou os documentos do banco de dados da Unidade de Gestão e Inspeção Escolar/UGIE da Secretaria do Estado de Educação/SEDUC. Foram analisados os 57.906 documentos de registros das 21 Gerências Regionais de Educação/GRE do estado do Piauí. Após a coleta, os dados foram organizados em planilhas e posteriormente, analisados por meio do pacote estatístico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 21, através deste, foram realizadas as análises descritivas, seguida de uma análise fatorial exploratória e foi verificada a consistência interna por meio do índice de alfa de Cronbach, também foi realizado um teste t e correlações. Os resultados seguem apresentados por meio de estudos. No Estudo 1, por meio da revisão sistemática acerca da violência nas escolas, revelou-se que o maior número de pesquisas se concentra em estados das regiões Sul e Sudeste do Brasil, além de uma ampla variedade de pesquisas quanto às abordagens (qualitativos, quantitativos e métodos mistos) e diversidade de procedimentos e instrumentos de investigação (entrevistas, aplicação de escalas, questionários, observação) sobre o objeto de estudo. O Estudo 2, uma pesquisa com documentos, analisou-se que dentre as violências mais frequentes estão: a verbal, a moral, a material e a social. Quanto ao gênero dos participantes, os estudantes do sexo masculino pontuam mais (propensos a serem agressores e vítimas) se comparado às estudantes do sexo feminino. Já o Estudo 3 pretende trazer reflexões acerca da violência escolar sob a perspectiva dos estudantes piauienses, sobretudo relacionando-se com os professores, com as famílias, com os funcionários e com a estrutura física. À vista disso, acredita-se que a presente investigação poderá subsidiar programas e políticas públicas educacionais voltadas para a segurança, bem-estar dos atores e atrizes sociais da escola, formação continuada de educadores, promoção de cultura de paz na escola e na família. A fim de que possam colaborar para o desenvolvimento de uma escola mais segura, democrática e potencialmente transformadora.

  • DALILIAN CARLA SOARES DE ALENCAR TRINDADE
  • Trabalho emocional e autorregulação emocional: um estudo sobre as condições de trabalho informal das diaristas em atividade doméstica
  • Orientador : RAQUEL PEREIRA BELO
  • Data: 03/02/2021
  • Mostrar Resumo
  • O reconhecimento das emoções como um fenômeno intrínseco ao ser humano desperta, há cerca de três décadas, o interesse na compreensão dos comportamentos das pessoas em contextos sociais relacionados à afetividade no trabalho. Neste cenário, surge o conceito de trabalho emocional para se referir ao processo no qual as pessoas tomam como referência um padrão de sentimento ideal construído na interação social e o manejam para atender às regras de expressão emocional da organização ou ocupação. No entanto, na literatura nacional, os estudos sobre esse fenômeno são incipientes, especialmente na ocupação de trabalhadoras domésticas diaristas, o que gerou o seguinte questionamento: Como as condições de trabalho dessas trabalhadoras repercutem em seu estado afetivo-emocional? Foram adotadas estratégias metodológicas de natureza qualitativa e, sob o olhar da psicossociologia do trabalho – que possibilita analisar o contexto social da participante – o presente estudo investigou o quanto as condições de trabalho da diarista podem influenciar as demandas de trabalho emocional e as estratégias de autorregulação emocional vivenciadas por parte desta categoria laboral em seu contexto de trabalho. Trata-se de pesquisa social qualitativa descritiva, cujo o aporte teórico esteve pautado no modelo de autorregulação emocional desenvolvido por Grandey, tendo como base o conceito de trabalho emocional elaborado por Hochschild e o desenvolvimento teórico sobre regulação emocional de Gross. Participaram da pesquisa sete contratantes de serviços domésticos em diárias e sete trabalhadoras domésticas diaristas, todos do sexo feminino, residentes em um município do estado do Piauí. Para apreensão dos dados realizou-se questionários sociodemográficos e entrevistas semiestruturadas que foram categorizados por meio da Técnica da Análise de Conteúdo. Os resultados obtidos sugerem que o contexto de trabalho das trabalhadoras domésticas diaristas é permeado por relações hierárquicas, vínculos laborais frágeis e condições de trabalho precárias que ensejam da parte delas um esforço constante para concretização do trabalho emocional. Foram identificadas diversas demandas oriundas do contexto de trabalho vivenciado pelas trabalhadoras que, ora despertavam emoções positivas causando sentimento de satisfação e reconhecimento pelo trabalho realizado, ora despertavam emoções negativas, fazendo-as se sentirem humilhadas e desvalorizadas demandando das trabalhadoras autocontrole emocional. Conclui-se que algumas trabalhadoras se mostraram ativas no uso de estratégias de autorregulação emocional adotando posturas que as preservassem de experimentar a dissonância emocional – como selecionar a situação que não quer mais vivenciar por lhe causar sofrimento, mas a maioria delas optava pela supressão emocional, que pode estar relacionada ao contexto de vulnerabilidade social e trabalhista em que estão inseridas. 

2020
Descrição
  • MARINALVA DE ARAUJO LUSTOSA
  • O intensivista diante da morte: o tema “a morte e o morrer” na formação do residente em Terapia Intensiva
  • Orientador : LANA VERAS DE CARVALHO
  • Data: 19/08/2020
  • Mostrar Resumo
  • Este estudo se propôs a investigar a formação na Residência em Medicina Intensiva (RMI) no
    tocante aos modos de lidar com a morte e o morrer na UTI. Para tanto, realizou-se uma pesquisa
    qualitativa, descritiva e exploratória, que se desenvolveu em duas etapas: a primeira, pesquisa
    documental e a segunda, pesquisa de campo. A coleta dos dados utilizou como fonte o Projeto
    Pedagógico Curricular (PPC) da RMI e os dados obtidos da entrevista com residentes e
    preceptores do programa. A análise dos dados foi feita em duas etapas: a primeira, análise
    documental do PPC por meio de averiguação dos componentes curriculares e contextos em que
    aparece a inserção da temática morte, a segunda, análise das entrevistas por meio do mapa
    dialógico de Spink (2013). O resultado obtido evidenciou que a temática da morte ainda não está
    inserida na estrutura curricular da RMI e, portanto, não se faz obrigatória na prática de ensino,
    mas aparece na discussão de alguns casos clínicos e quando o residente apresenta dúvida sobre o
    tema. Por meio das entrevistas, foi possível depreender diversas produções de sentidos e
    significados dos médicos intensivistas diante da morte - como rotina, natural, inimiga - e uma
    gradação de qual é mais ou menos aceita. Não há um consenso acerca da temática, o que pode
    ocasionar dúvida nos residentes no momento de tomada de decisões que envolvem o final da
    vida. Preceptores e residentes avaliam o ensino frente à morte e ao morrer como insuficiente e
    sugerem, como melhoria, que haja disciplinas com aulas teóricas e práticas, com simulações
    realísticas e discussões mais aprofundadas. Ademais, a maioria dos preceptores também não
    tiveram formação adequada sobre o tema, o que repercute na prática formativa dos residentes e no
    cuidado aos pacientes e seus familiares.

  • GISLY MACÊDO DE SOUSA
  • Contribuições da Neuromodulação para Sintomas, Neurocognição e Funcionamento Social de Pacientes com Esquizofrenia: Estudos de Revisão Sistemática e Metanálise
  • Orientador : PALOMA CAVALCANTE BEZERRA DE MEDEIROS
  • Data: 09/07/2020
  • Mostrar Resumo
  • A esquizofrenia é um transtorno que engloba uma série de sintomas classificados em positivos, negativos, e desorganização cognitiva. Estes sintomas levam a prejuízos na interação social do indivíduo. A principal forma de intervenção na esquizofrenia é medicamentosa, no entanto, os antipsicóticos provocam diversos efeitos colaterais, e não agem de forma eficiente nos diferentes tipos de sintomas. Portanto, pesquisadores têm buscado outras ferramentas para intervenção neste transtorno. A estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) é uma técnica de neuromodulação não invasiva com capacidade de estimular e/ou inibir áreas cerebrais. Diante das características neurofisiologicas da esquizofrenia, a ETCC pode ser uma ferramenta promissora para o tratamento do referido transtorno. Neste sentido, esta dissertação tem como objetivo geral apresentar os efeitos da ETCC sobre os sintomas, neurocognição e funcionamento social em pacientes com esquizofrenia. Foi desenvolvido dois estudos teóricos. O primeiro, contemplou uma revisão sistemática de estudos de revisão, que busca responder à seguinte pergunta: Quais as contribuições das intervenções da ETCC nos sintomas da esquizofrenia, neurocognição e funcionamento social? Uma busca abrangente dos artigos foi realizada nas seguintes bases de dados: Cochrane, Lilacs, PsycInfo, Pepsic, Scielo, PubMed Central (PMC), Scorpus, Springer Link e Web of Science, e contemplou os artigos publicados do ano de 2012 a março de 2019. O seguinte descritor foi utilizado nas línguas inglesa, portuguesa e espanhola: “transcranial direct current stimulation AND schizophrenia”, e os critérios de elegibilidade e análise dos dados foram estabelecidos de modo que 1416 artigos foram encontrados e elegidos 9 para análise da qualidade e inclusão na revisão por meio desta foi possível levantar as seguintes considerações: (1) Ainda não é possível evidenciar um direcionamento único sobre os efeitos do tratamento com ETCC na patologia geral da esquizofrenia, sintomas positivos, negativos, neurocognição e funcionamento social. Contudo, análises de subgrupos indicam que: (a) as alucinações auditivas são reduzidas significativamente com ETCC, na ocasião do eletrodo posicionado na rede fronto-parietal (Ânodo: entre F3-Fp1, Cátodo: entre T3-P3), sendo duas sessões por dia, durante cinco dias consecutivos, intensidade de corrente de 2mA e 20 min cada sessão. (b) Os sintomas negativos podem ser minimizados com ETCC no córtex pré-frontal dorsolateral, entretanto, não foi possível definir qual o melhor posicionamento dos eletrodos, ainda que, sessões repetidas de ETCC em intervalos curtos podem ser mais efetivas do que as sessões mais espaçadas; (c) Foram encontrados efeitos significativos nos seguintes domínios: atenção, memória de trabalho, memória e capacidade cognitiva. (2) As variáveis demográficas influenciam na eficácia. (3) Ensaios Clínicos Randomizados bem delineados, multicêntricos, em larga escala, com protocolos que já demonstraram efeitos positivos, e novos estudos para testar outros parâmetros e montagem de elétrodos, com amostras homogêneas são necessários para compreender a ação da ETCC e provar a eficácia no tratamento da esquizofrenia. O segundo estudo, uma revisão sistemática com metanálise, buscou responder ao seguinte problema de pesquisa: A ETCC melhorou os sintomas, neurocognição e o funcionamento social de pacientes com esquizofrenia que receberam estimulação ativa? Foi estabelecido um protocolo de estudo que incluiu as bases de dados: Cochrane, Lilacs, PsycInfo, Pepsic, Scielo, PubMed Central (PMC), Scorpus, Springer Link e Web of Science de dados; artigos publicados do ano de 2012 a março de 2019; além de serem estabelecidos: descritores, critérios de elegibilidade, análise da qualidade dos estudos, procedimento e análise dos dados. A metanálise foi realizada utilizando as médias e desvios padrões dos grupos ativos e controle pós intervenção, e calculado o seu efeito, os dados foram lançados no software Jasp 0.11.0.1. A busca retornou 1416 artigos, destes, 11 foram integrados na síntese qualitativa e na metanálise. Foram realizadas seis metanálises que avaliaram os sintomas gerais, sintomas positivos, sintomas negativos, neurocognição, cognição social e funcionamento social. Os resultados apontam ser a ETCC uma ferramenta promissora para redução de sintomas gerais e negativos, e melhorar a neurocognição. Efeitos nulos foram encontrados nos sintomas positivos, funcionamento social, neurocognição e cognição social. Esta pesquisa contribui com um aporte teórico sistemático do estado do conhecimento da aplicação da ETCC na esquizofrenia, fornecendo subsídios para apontar um protocolo eficaz a ser replicado para intervenções nesse transtorno.

     


  • JORGE FERNANDO DE CARVALHO LEITE BARROS
  • Análise epidemiológica da mortalidade por suicídio no Piauí: Desafios para uma sociedade contemporânea
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 20/03/2020
  • Mostrar Resumo
  • O fenômeno do suicídio vem sendo discutido em diferentes épocas, a partir de perspectivas
    diversas que reúnem cada vez mais novos elementos no objetivo de ampliar o entendimento que
    temos sobre o tema. O presente trabalho tem como objetivos:1) Caracterizar o perfil dos casos de
    mortalidade por suicídio no Piauí; 2) Analisar a tendência temporal e distribuição espacial das
    taxas de mortalidade por suicídio no estado 3) Relacionar a mortalidade por suicídio com os
    indicadores socioeconômicos e de oferta dos serviços de saúde no Piauí.Trata-se de um estudo
    ecológico do tipo exploratório, Para caracterizar o perfil de casos de suicídio foi feita a análise
    descritiva de cada variável trabalhada no banco extraído do DATASUS. Para verificar a tendência
    temporal e distribuição dos casos de suicídio no Piauí foi usada a regressão linear, já a
    distribuição espacial feita através da construção de mapas temáticos usando a ferramenta
    estatística (R). Para concretização do terceiro objetivo, usou o teste de correção de Spearman para
    verificar a relação entre as variáveis analisadas. 1) Os resultados indicam o crescimento
    preocupante de óbitos por suicídio no Piauí principalmente nos últimos anos, com destaque para a
    população masculina, solteira, parda, entre 20 a 39 anos, 2) elevação das taxas de suicídio no
    estado, e na população masculina e feminina, com grande incidência de mortes nos idosos. 3) As
    taxas de suicídio mais elevadas foram encontras em municípios mais desenvolvidos, com relação
    a oferta de saúde, sugeriram que em locais com boa cobertura da atenção primária e com a
    presença do médico psiquiatra, os índices foram menores. Faz-se necessário promover estratégias
    de prevenção, vigilância e oferta de cuidados de forma integral e regionalizada, envolvendo as
    redes de serviços em saúde para fortalecer o acesso e a gestão do cuidado dos casos de saúde
    mental.

  • ANDRESSA LÍLIA SOUSA DOS SANTOS
  • Afetividade e Acolhimento Institucional com Adolescentes: Cenário e Exercício para a Hospitalidade
  • Orientador : DENIS BARROS DE CARVALHO
  • Data: 21/02/2020
  • Mostrar Resumo
  • A institucionalização de adolescentes em Acolhimento Institucional é uma realidade cada
    vez mais presente no Brasil, fruto do abandono, negligência e violência ocasionados pelos
    próprios pais ou responsáveis. Portanto, os adolescentes são marcados pelos vínculos
    fragilizados e a permanência na instituição é a única forma de garantir seus direitos até que
    a haja a reintegração ou reinserção familiar. Desse modo, a dimensão relacional e espacial
    pode ser identificada como elemento fundamental na vivência institucional do adolescente
    que, deve visar entre os seus objetivos, a ressignificação da sua vida e a projeção para o
    futuro. Assim, há também uma reconstrução afetiva constante que pode ser beneficiada por
    uma acolhida hospitaleira que possibilite a quebra do sentimento de abandono e a
    recuperação da autoestima, em razão de ter alguém e um espaço que acolham com afeto e
    cuidado. Entende-se que essa vivência pode proporcionar vinculação afetiva ao lugar,
    apego, desenvolvimento de vínculos interpessoais, construção de referenciais identificatórios
    e um cuidado emancipatório ofertado através da hospitalidade. No sentido de aprofundar-se
    acerca da temática, o objetivo desta pesquisa foi compreender a relação entre a
    temporalidade do acolhimento institucional e a projeção para o futuro do acolhido e,
    especificamente, perceber se as práticas de hospitalidade contribuem para o
    desenvolvimento sócioafetivo dos adolescentes na Casa de Acolhimento Infanto-Juvenil;
    discutir a relação entre afetividade, espaço acolhedor e hospitalidade; identificar como se dá
    o exercício de hospitalidade no acolhimento institucional. Tendo como abordagem
    metodológica a pesquisa qualitativa descritiva, utilizamos como recursos a entrevista em
    profundidade individual, a observação participante e os mapas afetivos adaptados de
    Bomfim; e, como método, a análise categorial temática a partir de Minayo. No que se refere
    a apresentação e análise dos resultados, seis movimentos foram enfatizados: 1) A
    Necessidade de Hospitalidade, apresentando quais as necessidades evidenciadas pelos
    adolescentes em sua trajetória; 2) O Lugar da Hospitalidade, expõe como este lugar é
    sentido pelo acolhidos; 3) Os Recursos da Hospitalidade, ressaltando como se dava a
    hospitalidade na Casa de Acolhimento em forma de ações, palavras ou sentimentos; 4) A
    Hostipitalidade, demostrando que ainda é possível encontrar nesses espaços fragmentos de
    hostilidade; 5) O Fim da Hospitalidade e a Continuação da Jornada, apresenta o fim da estadia na Casa de Acolhimento e o início de uma nova jornada por caminhos já trilhados
    ou nunca trilhados; 6) Sobre Lugar Nenhum; exibe o que não propusemos pesquisar, porém
    apresenta-se como marcas vivas nos participantes da pesquisa. Notamos que a
    singularidade da vivência desses sujeitos é marcada por processos pessoais de
    amadurecimento, assim como são atravessados por relações de afetividade, hospitalidade e
    hostipitalidade. Sendo a Casa de Acolhimento um lugar propício para a hospitalidade
    (in)condiconal, embora que ainda possa sentir a presença da hostilidade em alguns cenários.

  • ERNANDES BARBOSA GOMES
  • Elaboração e evidências de validade e precisão da Escala de Vitimização de Bullying (EVB)
  • Orientador : EMERSON DIÓGENES DE MEDEIROS
  • Data: 20/02/2020
  • Mostrar Resumo
  • Esta pesquisa teve como objetivo a elaboração da Escala de Vitimização de Bullying (EVB) e a exploração de evidências iniciais de validade e precisão. Dois estudos foram conduzidos. No Estudo 1 participaram 223 estudantes de escolas públicas de Luís Correia-PI com idade média 12,76 anos que responderam a EVB preliminar com 30 itens. Com análise fatorial exploratória categórica (AFEC) usando os métodos Análise Paralela e Hull, a unidimensionalidade foi indicada para as dimensões: Bullying físico, Bullying verbal, Bullying relacional e Cyberbullying. Com a TRI, usando o modelo de resposta graduada, foram selecionados os 4 itens mais informativos de cada dimensão para compor a EVB com 16 itens. No Estudo 2 participaram 345 estudantes (idade M = 11,13). Por meio de Análise Fatorial Confirmatória Categórica (AFCC) comprovou-se a existência da estrutura tetrafatorial com bons indicadores de ajuste [CFI = 0,98, TLI = 0,98, RMSEA (IC90%) = 0,032 (0,015 – 0,045)] com alfa de Cronbach de 0,92 e ômega de McDonald de 0,65. Portanto, a EVB reúne evidências favoráveis de validade e consistência interna, podendo ser usada por pesquisadores e profissionais interessados na temática.

  • CAROLINE CABRAL NUNES
  • “Corpos Encaliçados de Prisão”: mulheres e subjetividades em exceção
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 17/02/2020
  • Mostrar Resumo
  • Nas últimas décadas, a crise do sistema penitenciário tem demonstrado sua ineficiência e
    realidade mais cruel indicando a prisão como um local de exclusão e de morte. São
    recorrentes as situações de precariedade, insegurança e violência existentes, decorrentes do
    grande encarceramento e da superlotação. Na composição do sistema prisional brasileiro
    diversas são as práticas que interseccionam os poderes disciplinar, biopolítico e
    necropolitico, práticas que conformam a prisão em um território de suspenção de direitos,
    um Estado de Exceção permanente. Dentre estes corpos colocados a exceção na prisão, as
    mulheres são alvos principais da incidência incessante dos poderes que encarnam seus
    corpos e suas subjetividades. Tomando a prisão como um diagrama de forças, esse trabalho
    é uma pesquisa de base qualitativa e trata-se de uma analítica foucaultiana de poderes.
    Desta forma, teve como objetivo geral: analisar as memórias, as narrativas e os encontros
    de uma psicóloga-pesquisadora com mulheres em situação de cárcere, a partir das relações
    de poder que incidem sobre os corpos femininos na prisão. O local de pesquisa foi a
    Penitenciária Mista de Parnaíba – PI, e utilizou-se o registro em diários de campo e
    entrevistas coletivas. O diagrama de poderes na prisão é composto por linhas de
    disciplinarização das mulheres, com o esquadrinhamento de seus espaços, do controle das
    atividades, da punição de comportamentos transgressores e uma vigilância permanente; por
    linhas de controle biopolítico dos corpos, como a limitação de suas sexualidades e
    ineficiência dos serviços específicos para a saúde da mulher; e por linhas que operam pela
    lógica necropolítica, como a precária alimentação fornecida, ociosidade, além do abandono
    ou esquecimento a que muitas são submetidas no cárcere. Constatou-se que o sistema penal
    opera por meio de práticas machistas, classistas e racistas, prolongamento da estruturação
    social, excludente e discriminatória, concedendo às mulheres presas uma dupla penalização.
    Mas também há resistência, como a organização e solidariedade do grupo, as transgressões
    de normas e a construção de amizades, além das expressões feministas próprias aos modos
    de vida das mulheres encarceradas, o que indica a necessidade de estudos interseccionais e
    que considerem suas particularidades e formas de militância. P or fim, o encontro com
    mulheres presas também interpela o corpo de mulher-psicóloga-pesquisadora, produz
    dessubjetivações e novos territórios, tensionando suas representações acerca de sua
    condição de mulher branca, acadêmica, seus ideais feministas e também sua condição de
    liberdade.

  • FERNANDA PINTO DA SILVA
  • Cartografia dos processos de subjetivação em saúde de pessoas com sofrimento psíquico
  • Orientador : ANTONIO VLADIMIR FELIX DA SILVA
  • Data: 17/02/2020
  • Mostrar Resumo
  • No terrítório de abrangência da Unidade Básica de Saúde - UBD, da Ilha Grande de Santa Isabel/Parnaiba-PI, que possui duas equipes Estratégia Saúde Familiar - ESF, uma equipe do Núcleo de Apoio à Saúde da Família - NASF e uma equipe do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família - PRMSF, a gestão do trabalho dessas equipes deveria ampliar o apoio matricial em saúde mental para organização de acções de saúde na Atenção Básica - AB. Apesar dessa diretriz, - a assistência à saúde do(a) usuário(a) com sofrimento psíquico, nese contexto da psquisa que gerou este estudo, ainda é marcada por uma redução à psiquiatria, independente do problema de saúde-doença do(a) usuário(a). Isso acontece, ora pela dificuldade de imprimir atenção psicossocial de base comunitária, dada a falta de articulação dos dispositivos das Redes de Atenção à Saúde - RAS; ora por dificuldade de trabalho e gestão, dada a falta de estratégia de Educação Permanente em Saúde - EPS; ora pelas experiências de matriciamento não resultarem em Projeto Terap~eutico Singular - PTS. Diante disso, ealizamos uma pesquisa-intervenção acerca de como se configuram os processos desubjetivação em saúde e assistência às pessoas com sofrimento psíquico na Ilha Frande de Santa Isabel, objetivando cartografar processos de subjetivação em saúde de pessoas com sofrimento psíquico e a determinação social da saúde dessas pessoas a partir do olhar de usuários(as), profissionais e familiares. Tomamos a cartografia como método e modo de fazer pesquisa-intervenção; assim, para a produção das informações, as estratégias metodológicas foram tecidas por meio 03 trançados: Trançado 1- Ecomapas dos dispositivos existentes no território; Trançado 2 - Intinerários terapêuticos e de concivência dos usuários-atores da pesquisa:  Trançado 3 - Fluxograma do cuidado em saúde e projeto terapêutico singular relacionado ao matriciamento. Para composição dos trançados, foram realizados 06 encontros com os profissionais da ESF, módulo 2 e 03 encontros com os profissionais da ESF, em média 40 encontros com o usuário no domicílio, 06 acompanhamentos em consultas, 01 acompanhamento em exame, acompanhamentos em demandas sócio assistenciais e jurídicas. a pesquisa contou com 25 participantes, entre profissionais da saúde, usuários com sofrimento psíquico e familiares. Para registro dessa experiência, usamos diário cartográfico e para análise dos resultados recorreremos a alguns passos da socioclínica e a ferramentas-conceitos da esquizoanálise relacionadas à produção de subjetividade e à coexistência de çinhas duras, leves-duras e leves que compõem os trançados e os processos de subjetivação. Nos resulados e discussões, ressaltamos: a) a exixt~encia do Grupo de Escuta e Acolhimento - GEA, dentre os dispositivos de atenção psicossocial de base comunitária, que atua no terrítório, ora com práticas instituintes na perspectiva do devir comum grupaliade, ora com prátricas instituídas pela ESF; b) a presença do psiquiatra na UBS, durante muito tempo, e a psiquiatrização das ações de saúde nos dispositivos da RAS potencializam a medicalização da existência; c) a análise dos processos de subjetivação cartografados a partir dos trançados e as narrativas de Flor de Cacto, Angèlica, Girassol e Estrelícia, mostram analisdores da instituição saúde e os dispositivos classe, raça e gêneto que emergem, apontando, ora para linhas leves como apoio familiar e amizade, ora para linhas leves-duras como ações de ACS e ora para linhas-duras como procedimentos clínicos de profissionais da saúde atravessados pela lógica biomédica e pelos jogos de sber e poder psiquiátricos

  • MALENA ARAÚJO ALVES DE LIMA
  • Poética das Minas Phb: Cartografia dos modos de sujeição e resistência de mulheres às violências de gênero
  • Orientador : ANTONIO VLADIMIR FELIX DA SILVA
  • Data: 14/02/2020
  • Mostrar Resumo
  • A violência contra a mulher foi se constituindo um dispositivo complexo,
    historicamente, marcado por processos de violência simbólica e modos de ser que
    são produtos de milênios de dominação masculina, não sem movimentos de
    resistência. Na contemporaneidade, – mesmo com o avanço do movimento
    feminista, nos anos 50 e 60 do século XX, no que se refere à luta contra a
    discriminação sexual e a naturalização da reprodução da vida, a violência de
    gênero continua afetando a vida das mulheres, tanto que se tornou um grave
    problema de saúde pública, haja vista as evidências de que é uma das principais
    causas de mortalidade de mulheres em todo mundo. No Brasil, desde a década de
    70, o feminino e os feminismos vêm sendo recriados, social, cultural e
    historicamente e as mulheres vêm inventando outros modos de existir e resistir às
    violências: “artes de fazer” no cotidiano e modos de pensar as relações corporais,
    subjetivas, amorosas e sexuais, introduzindo outras maneiras de organizar o
    espaço, produzir conhecimento e formular politicas públicas. Assim, a produção
    das subjetividades masculinas e femininas e os modos de sujeição e resistência à
    violência de gênero estão em circulação nos conjuntos sociais, entre instâncias
    individuais e coletivas, agenciamento do desejo com diferentes entradas e
    múltiplas saídas, sendo a violência física e psicológica as entradas que afetam,
    diariamente, as mulheres em seus territórios existenciais e que, às vezes, encontra
    na arte uma saída. Diante dessa problemática, nos perguntamos: como se
    configuram os processos de subjetivação de mulheres acerca da produção dos
    modos de sujeição e resistência em violência de gênero? Neste estudo, traçamos
    um plano do comum entre o corpo em campo da mulher pesquisadora e as
    performances das mulheres do movimento Slam das Minas Phb, compondo com
    elas paisagens psicossociais da cidade de Parnaíba-PI. Slam das Minas é um
    movimento feminista de poesia falada, em espaços públicos, sobre temas que
    permeiam a vida da mulher. Nosso objetivo foi cartografar processos de
    subjetivação de mulheres acerca da produção dos modos de sujeição e resistência
    em violência de gênero. Os registros foram feitos através do diário cartográfico e
    para produção das informações, utilizamos como método a cartografia, um modo
    de fazer pesquisa-intervenção que se constitui como metodologia do encontro e
    experimentação de territórios existenciais. Além da composição do movimento,
    acompanhando as apresentações nas ruas e praças, realizamos quatro encontros
    com as Minas, bem como encontros solicitados por elas ao decorrer da pesquisa.
    Participaram deste estudo, 9 mulheres de 18 anos ou mais que já sofreram
    violências por parte do parceiro(a) íntimo(a) e/ou assédio na rua pela condição de ser mulher. A análise, através das narrativas de si durante nossos encontros foram
    feitas por meio de ferramentas-conceitos da esquizoanálise e de autoras
    feministas contemporâneas. O resultado da pesquisa mapeia como as instituições
    se apropriam do corpo feminino tentando subjugá-los e o feminismo surge como
    uma teoria crítica e ético-política desestabilizando um estado de normalizações
    impostas, bem como, esse corpo que é objetificado, sexualizado no cotidiano e
    nas mídias é o mesmo corpo utópico que se produz em espaços heterotópicos
    como forma de resistir às violações. O cuidado de si e a política de amizade
    também está reterritoralizando essas mulheres e singularizando suas
    subjetividades a partir da arte e poesia com suas escritas de si e estética da
    existência que consiste na reinvenção de novos modos de existir através da
    relação consigo mesmas e com os outros, pela vontade de mudar as coisas, de
    criar novas relações mais favoráveis às mulheres e reconstruir suas histórias.

  • TACYANNA MARIA DE AZEVEDO CARVALHO
  • Preceptoria em Psicologia: análise de um Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade na perspectiva institucionalista.
  • Orientador : ANA KALLINY DE SOUSA SEVERO
  • Data: 05/02/2020
  • Mostrar Resumo

  • A formação em saúde vem passando por transformações ao longo dos anos. Mediante as dificuldades das diversas categorias profissionais, incluindo a psicologia, em atuar de acordo com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) especialmente na Estratégia de Saúde da Família, temos o surgimento das residências multiprofissionais. Estas são programas orientados pelos princípios e diretrizes do SUS e consideradas um modelo de formação em serviço, proporcionando a qualificação dos profissionais de saúde, visando atuação de forma integral, interdisciplinar e em conformidade com as necessidades e realidades locais e regionais. Apesar de um histórico dedicado as populações elitistas, a psicologia consolidou-se, no campo das políticas públicas, atuando em equipes multiprofissionais, no final da década de 1980, com o deslocamento cada vez mais significativo do psicólogo da condição de profissional liberal para trabalhador nas políticas de saúde. Devido a carência de estudos que abordem a preceptoria em psicologia na atenção básica, surge a questão: como ocorre a preceptoria em psicologia no âmbito da atenção básica? Os seguintes objetivos que norteiam a pesquisa: o objetivo geral de mapear como acontece a preceptoria na formação dos profissionais residentes psicólogos em um Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família e Comunidade em uma cidade do interior do Piauí-PI. E como objetivos específicos: perceber as dificuldades e contribuições vivenciadas pelos preceptores; discutir quais os atravessamentos dificultam a prática profissional em psicologia no contexto da residência; e, refletir sobre as possibilidades no processo de educação permanente na formação de profissionais para o fortalecimento SUS. O percurso metodológico: pesquisa de caráter qualitativo, onde a pesquisa-intervenção teve base na Análise Institucional, que deu suporte para problematizar as implicações, como também levantar os discursos e as normas produzidos no coletivo pesquisado. Foram realizadas duas rodas de conversas em momentos diferentes, a primeira onde foi facilitada a Tenda do Conto com as três preceptoras e quatro residentes das seis que fazem parte deste núcleo. No segundo momento, apenas com as preceptoras, construiu-se a linha do tempo, com a intenção de refletir sobre o processo de formação das preceptoras e suas vivências entendendo os caminhos trilhados desde a graduação até o momento de realização da pesquisa. Em um terceiro momento ocorreram entrevistas abertas e semiestruturadas com temas relacionados aos objetivos deste estudo. Toda inserção da pesquisadora entrou em análise, por meio dos diários de pesquisa, ferramenta base para as anotações relevantes observadas em campo. Entre as discussões produzidas e resultados, os analisadores (as análises de implicações das preceptoras, gestão do trabalho e gestão de formação) que foram suscitados deram visibilidade aos processos vivenciados. Cabe aqui ressaltar que as implicações das profissionais estiveram presentes, foram consideradas e analisadas. Considerações finais: este estudo buscou contribuir para a atuação da preceptoria em psicologia, auxiliando os profissionais envolvidos a refletir sobre os modos de vida locais; e como os residentes psicólogos podem proporcionar práticas de cuidado em saúde integrais e interdisciplinares no campo das políticas públicas, atuando em equipes multiprofissionais.

  • BRISANA ÍNDIO DO BRASIL DE MACÊDO SILVA
  • A luta que (re)existe: indianidades dos Tabajaras no Piauí. Oca indígena
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 18/01/2020
  • Mostrar Resumo
  • Nas últimas quatro décadas, no Brasil, um maior número de grupos indígenas passaram a se
    autodeclarar e a reivindicar o reconhecimento de sua condição étnica e de seus direitos
    constitucionais. No Piauí, destacamos os grupos indígenas da etnia Tabajara que se organizam
    politicamente através da Associação Indígena Itacoatiara de Piripiri, da Associação Organizada

    dos Indígenas do Canto da Várzea e da Associação dos Povos Indígenas Tabajara-Tapuio-
    Itamaraty, inaugurando um novo capítulo na história indígena piauiense, visto que, por muito

    tempo, a presença indígena no estado foi invisibilizada e silenciada. Nesse bojo, o presente estudo
    buscou analisar o processo de indianização dos grupos indígenas da etnia Tabajara no Piauí,
    tomando por base o resgate da sua história, o seu processo de organização política e as suas
    indianidades. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, com base nos estudos sobre produção de
    sentido no cotidiano. O estudo ocorreu nos municípios de Piripiri/PI e de Lagoa de São
    Francisco/PI. Participaram 20 lideranças indígenas, mediante os seguintes recursos metodológico:
    a) observação no cotidiano; b) conversa no cotidiano; c) entrevista semi-estruturada individuais
    ou grupais. A análise, com base na técnica do mapa de associação de ideias, resultou nos
    seguintes capítulos de resultados que versam sobre: a) a trajetória dos grupos indígenas Tabajara
    no Piauí; b) a luta por reconhecimento e por garantia de direitos dos Tabajaras no Piauí e, por fim,
    c) os campos de sentidos atribuídos pelos Tabajaras aos seus processos de indianidades. Em
    suma, observamos que à medida que os grupos indígenas Tabajara foram (re)elaborando sua
    identidade étnica e coletiva em torno de um vínculo ancestral, de parentesco e de território
    comum, esses foram mudando o olhar sobre si e foram colocando em análise aspectos
    constitutivos de um discurso colonial sobre o “ser indígena”. De modo que, passaram a (re)criar
    práticas discursivas em torno de suas histórias de vida e de suas indianidades, assumindo-as
    enquanto estratégia de luta, de resistência e de (re)existência, no intuito de contrapor os discursos
    dominantes e totalizantes sobre o ser indígena e as relações de colonialidade do poder, saber e ser
    postas no cotidiano da vida.


  • KELLEM DIAS DE SOUSA
  • Os sentidos atribuídos à morte pelos headbangers de Parnaíba-PI
  • Orientador : LANA VERAS DE CARVALHO
  • Data: 13/01/2020
  • Mostrar Resumo
  • Esta pesquisa pretendeu compreender os sentidos atribuídos à morte pelos headbangers de Parnaíba-Piauí. Para tal percorremos três caminhos: 1)Discutimos sobre os modos contemporâneos de lidar com a morte; 2)Investigamos como a temática morte é apresentada no heavy metal; 3)Realizamos entrevistas fenomenológicas e observação participante. Para sua produção adotamos o método fenomenológico crítico (ou mundano). Os participantes deste estudo foram 09 headbangers, do sexo masculino, de idade entre 20 e 27 anos. A observação participante decorreu em 06 shows de heavy metal ocorridos na cidade de Parnaíba-PI. O conceito de morte apresentado pelos colaboradores convergiu para a noção de último estágio da vida. Entretanto, a concordância na definição não se estendeu a outros aspectos, pois logo, esteve conectada ao pós-morte e assim abriu para diferentes compreensões. Os entrevistados relataram preparar a si e a outros sobre a morte, alertas sobre a impossibilidade de realizar-se assumiram o projeto de aproveitar a vida por entender sua finitude, assim, retomando o carpe diem originário. A morte foi apresentada como dolorosa por demarcar uma ruptura com o mundo do outro e as estratégias utilizadas para enfrentá-la foram: o heavy metal, lembrar de momentos agradáveis e a espiritualidade. Os participantes apresentaram a morte como o difícil de ser falado devido às perdas eafirmaram a importância do diálogo sobre o tema. No heavy metal, a morte encontrou um território para expressão. Desta forma, o metal proporcionou conhecimento, modos de compreender a morte e diálogo entre headbangers. Os símbolos que o metal comporta são desconhecidos e causam ojeriza entre os não fãs. Por fim, é possível destacar que as compreensões acerca da morte e os modos de ser headbanger encontrados nesta pesquisa foram plurais.

  • JEFFERSON LUIZ DE CERQUEIRA CASTRO
  • Representações Sociais do Envelhecimento e da Qualidade de Vida na Velhice entre Idosos Ribeirinhos do Nordeste Brasileiro
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 10/01/2020
  • Mostrar Resumo
  • Esta dissertação teve como objetivo geral analisar as Representações Sociais do envelhecimento e da qualidade de vida na velhice entre idosos ribeirinhos do Nordeste brasileiro. Como objetivos específicos: (a) descrever o perfil socioeconômico e sociodemográfico de idosos ribeirinhos (b) apreender as representações sociais do envelhecimento entre ribeirinhos com 60 anos ou mais; (c) identificar as representações sociais da qualidade de vida na velhice para esses idosos. Para atender aos objetivos, foram realizados dois estudos empíricos. De maneira geral, os dois estudos evidenciaram representações sociais heterogêneas tanto do envelhecimento quanto da qualidade de vida (QV) na velhice, o que reitera com a literatura. Todavia, em face a realidade ribeirinha observou-se algumas singularidades, como o destaque para a relação entre o envelhecimento e a funcionalidade, e em como esta implica na vivência do processo de envelhecimento. Além do mais, evidenciou-se a relação entre a QV e funcionalidade, sendo um importante determinante de satisfação com a vida para os idosos, assim como a percepção do estado saúde, de modo que ambas possuem implicações nos estados psicoemocionais dos idosos, contribuindo em dimensões valorativas da QV (positivas ou negativas), e refletindo no bem-estar subjetivo desses idosos. Espera-se que as evidências encontradas possam subsidiar a reflexão sobre políticas de atenção à população idosa voltadas especificamente para o contexto ribeirinho, ao se considerar suas particularidades e necessidades, primando por uma vivência plena do processo de envelhecimento e uma maior QV de velhice para esses idosos.

2019
Descrição
  • IRIANE DO NASCIMENTO ROSA
  • Personalidade e saúde mental em estudantes universitários: o papel mediador da Iniciativa de Crescimento Pessoal
  • Orientador : EMERSON DIÓGENES DE MEDEIROS
  • Data: 13/12/2019
  • Mostrar Resumo
  • De acordo com o levantamento realizado pelo Fórum Nacional de Pró-reitores de
    Assuntos Comunitários e Estudantis em suas pesquisas realizadas em 2003,
    2011 e 2014 e 2018 estresse, ansiedade e depressão estiveram presentes na
    população universitária. Ademais a literatura a ponta que tais sintomas são
    recorrentes, afetando de forma consistente a saúde mental dos alunos. A
    vulnerabilidade pode ser explicada por diversas variáveis a qual expõe os alunos
    a condições de risco, dentre as variáveis mencionadas estão questões
    relacionadas a personalidade bem como fatores ambientais. Recentemente
    Iniciativa de Crescimento Pessoal vem sendo foco de diversas pesquisas,
    incluído a população universitária. Este construto tem se revelado como um
    fator de impacto, pois há evidências associando tal construto como preditor
    em saúde mental. Neste sentido, o objetivo da pesquisa consistiu em verificar o
    papel mediador de Iniciativa de Crescimentos Pessoal nas variáveis
    personalidade e saúde mental em estudantes universitários que moram longe do
    seu núcleo afetivo. Para alcançar os objetivos proposto, foram realizados três
    estudos, a saber: dois estudos de cunho psicométrico, o primeiro (N= 232)
    objetivou -se verificar evidências preliminares de validade e precisão da ICP II
    para o contexto do estudo. Para isto, realizou-se Análise Fatorial Exploratória
    (AFE). Os resultados apresentados pelo método de Hull indicaram a presença de
    um fator. Os índices indicaram ajuste adequado Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) =
    0,89 e teste de esfericidade de Bartlett (120) = 1621,6 e p = 0,001. As evidências
    de precisão para a medida foram: alfa de Cronbach de 0,92 e ômega de
    McDonald de 0,91. Para o segundo estudo (N= 239) objetivou-se averiguar a
    adequação da estrutura fatorial e sua invariância quanto ao sexo dos
    participantes. Utilizou – se Análises Fatoriais Confirmatórias Categóricas
    (AFCC), análise de invariância e consistência interna. Os índices de ajustes
    indicaram bom ajuste do modelo aos dados {CFI = 0,99; TLI = 0,98 e RMSEA =
    0,032 [(IC90%) = 0,015 – 0,052; p = 0,928)}. As análises de invariância da
    estrutura da ICP II indicaram que a estrutura é estável não havendo vieses de
    respostas ao instrumento para ambos os sexos. Quanto a precisão apresentou
    resultados satisfatório com alfa de Cronbach 0,91 e ômega de McDonald 0,78.
    O terceiro estudo (N=426) objetivou verificar o papel mediador da Iniciativa de
    crescimento pessoal nas variáveis personalidade (traço de personalidade, Big
    Five) e saúde mental (ansiedade, estresse e depressão) em estudantes
    universitários residentes em localidades distantes do seu núcleo afetivo. Para este
    estudo os estudantes responderam o livreto contendo a escala de Iniciativa de crescimento Pessoal EICP II, DASS – 21, depressão, ansiedade e estresse e
    Inventário dos Cinco Grandes Fatores da Personalidade (ICGFP) e questões
    sociodemográficas. Para este estudo as análises indicaram que ICP medeia a
    relação entre a variável neuroticismo e saúde mental de forma parcial.

  • MARCUS VINÍCIUS DE SOUSA DA SILVA
  • Pressão econômica e prática parental: influência do conflito conjugal, da positividade e do otimismo
  • Orientador : SANDRA ELISA DE ASSIS FREIRE
  • Data: 10/12/2019
  • Mostrar Resumo
  • A presente dissertação tem como objetivo conhecer o efeito do conflito conjugal, da positividade
    e otimismo dos pais no exercício das práticas parentais. Dessa forma, a pressão econômica é
    entendida como um fator ambiental que provocada por situações adversas como, desemprego,
    aumento das dívidas, diminuição da renda familiar, afetando sofrimento dos membros da família
    que ocasiona no surgimento das tensões diárias na vida econômica familiar. A pressão econômica
    influência o estresse emocional marital e as práticas parentais causando impacto no
    desenvolvimento dos filhos e no desempenho escolar; além de aumentar a ansiedade e depressão
    nos sujeitos. Mesmo que os problemas financeiros levem a problemas emocionais e
    comportamentais, tem-se observado que certos indivíduos possuem a capacidade de lidar com as
    adversidades econômicas de forma não prejudicial. Por exemplo, estudos demonstram que,
    características individuais como otimismo e positividade podem reduzir os efeitos prejudiciais da
    pressão econômica na adaptação individual e familiar diante desse cenário. A positividade tem
    sido compreendida como uma perspectiva que a pessoa possui sobre a vida e o futuro, é também
    considerada como um fator importante para o ótimo funcionamento das relações diárias. O
    otimismo é considerado como uma tendência relativamente estável e generalizada de indivíduos
    para esperar resultados positivos na vida. Para atingir o objetivo foi proposto dois estudos
    desenvolvidos a partir de revisões sistemáticas com meta-análise e um estudo empírico. Para
    realização das análises dos estudos teóricos se deu por meio do software Comprehensive Meta-
    Analysis. No primeiro estudo se investigou o efeito da pressão econômica sob o conflito conjugal
    e nas práticas parentais, foi realizada uma revisão sistemática com uso da meta-análise, logo
    observou a partir das revisões sistemáticas que os estudos primários se observa um poder
    explicativo entre a pressão econômica e conflito conjugal o odds ratio (OR) foram significativos,
    e apresentou uma heterogeneidade alta (I² = 87%); os tamanhos de efeitos da Pressão Econômica
    e sua influência no Conflito Conjugal foram positivos [r Meta-análise = 0,210 (IC 95% = 0,18 –
    0,24); p &lt; 0,001)]. Para correlação entre pressão econômica e parentalidade, a heterogeneidade
    foi alta (I² = 97%). Esse resultado pode estar associado as variações que podem influenciar
    diretamente nos resultados, as quais podem ser devidas as diferenças amostrais, o pequeno
    número de estudo que utiliza correlações entre os dois construtos. O resultado demonstrou que a
    pressão econômica exerce uma influência negativa sobre a parentalidade [r Meta-análise = 0,432
    (IC 95% = 0,40 – 0,45); p &lt; 0,001)]. No segundo artigo discute-se os recursos protetivos
    individuais, positividade e otimismo, que atuam na proteção contra os impactos da pressão
    econômica no contexto familiar. A partir do resultado, se observou associação entre a
    positividade e parentalidade, onde os resultados foram significativos. Mesmo apresentado
    heterogeneidade alta (I² = 93%) o tamanho de efeito se mostrou positivo [r Meta-análise = 0,288
    (IC 95% = 0,11 – 0,44); p &lt; 0,001)] apontando que a positividade exercer efeito positivo sobre a
    parentalidade. Já os resultados entre otimismo e parentalidade indicaram uma heterogeneidade
    alta (I² = 85%) sendo significativos e apresentando o poder de efeito explicativos entre os estudos
    [r Meta-análise = 0,247 (IC 95% = 0,21 – 0,28); p &lt; 0,001)], a partir dos resultados da meta-
    análise é possível entender o otimismo dos pais tem um efeito positivo nas práticas parentais, o
    que reduz os efeitos causados pela adversidades econômica no ambiente familiar. No terceiro
    estudo analisou as características individuais positivas e o otimismo dos pais atuam como fatores
    de proteção no enfrentamento da pressão econômica no contexto familiar. o terceiro Tratou-se de
    um estudo correlacional, de natureza ex post facto. Participaram da pesquisa 240 pessoas, sendo53,3% do sexo masculino e 46,7% do sexo feminino, com média de idade de 36,4 (Min 18, Max
    62). Os participantes responderam os seguintes instrumentos: Escala de Pressão Econômica;
    Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS-21); Escala de Positividade; The Life
    Orientation Revised Test; Escala O’Leary-Porter Scale – OPS e o Questionário sócio
    demográfico. Este projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da
    Universidade Federal do Piauí. Para as análises foram empregados o programa IBM SPSS versão
    25 para as análises de dados e o IBM AMOS versão 21. Dessa forma, os resultados apontam que a
    pressão econômica se relaciona com os sintomas psicológicos dos pais Em geral, aqueles que
    experimentaram maiores dificuldades econômicas, consequentemente, apresentaram níveis mais
    altos dos sintomas psicológicos, como também os conflitos conjugais foram mais frequentes na
    presença dos filhos. Assim como otimismo e a positividade se mostraram negativamente
    correlacionada com a pressão econômica. Ainda, a positividade se mostrou como variável
    mediadora na relação entre pressão econômica e conflito conjugal. Os estudos meta-analíticos
    demonstraram que a pressão econômica imprime um efeito negativo sobre o conflito conjugal e a
    parentalidade negativa, tal como, o otimismo e a positividade na parentalidade positiva frente a
    famílias que enfrentam problemas financeiros decorrentes dos períodos de crise econômica.
    Portanto, os achados sobre as características individuais propõem que os sujeitos que adotam uma
    orientação positiva aparentemente lidam melhor com os estressores como, a pressão econômica,
    conflito conjugal e os desafios da parentalidade.

  • SINARA FONSECA FÉLIX DE ARAÚJO
  • Escala de pressão econômica: elaboração e validação de uma medida
  • Orientador : SANDRA ELISA DE ASSIS FREIRE
  • Data: 10/12/2019
  • Mostrar Resumo
  • A presente dissertação teve por objetivo realizar a elaboração da Escala de
    Pressão Econômica (EPE), bem como verificar as evidências de validade
    baseadas no conteúdo e na estrutura interna. Pesquisadores da temática propõem
    que a pressão econômica provoca estresse emocional nos membros da família,
    levando ao impacto no bem-estar individual e na dinâmica familiar, e consideram
    que essa pressão econômica envolve três dimensões teóricas, a saber: perda de
    renda, trabalho instável, e alta carga de endividamento, que diz respeito à
    incapacidade de pagar as contas, a suprir as necessidades básicas e a evitar cortes
    nos gastos. Para tanto, foram realizados três estudos empíricos em formato de
    artigo. O Estudo I objetivou a realização de uma revisão sistemática da literatura
    sobre medidas referentes à mensuração da pressão econômica ou crise financeira.
    A partir das etapas de seleção, análise e sintetização dos estudos, 10 foram
    relevantes para ser avaliados. O Estudo II diz respeito ao processo de elaboração
    e busca de evidências de validade psicométrica da EPE. A etapa de elaboração
    dos itens teve por base os indicadores de pressão econômica propostos por
    Conger e Elder, o qual foram elaborados itens para as três dimensões teóricas.
    Em seguida realizou-se a validade de conteúdo com a avaliação de oito juízes,
    que julgaram os itens em três aspectos: adequação, relevância e clareza. O
    Coeficiente de Validade de Conteúdo foi utilizado para avaliar os itens a partir
    dos escores dos juízes. Dentre os 33 itens, oito não se mantiveram acima do
    critério de 0,80, sendo excluídos e a escala ficou composta por 25 itens.
    Posteriormente procurou-se obter evidências de validade de construto por meio
    de uma Análise Fatorial Exploratória. Nesta etapa participaram 369 pessoas
    casadas (M=36,5; DP = 9,24) que responderam à EPE, o Questionário de manejo
    do dinheiro no casal e as informações sociodemográficas de forma presencial e
    via internet. Foi empregado o programa SPSS (versão 22), com a utilização de
    estatísticas descritivas a fim de caracterizar os participantes. Para a análise
    exploratória utilizou-se o Factor 10.9.02, empregando-se rotação Promim, a
    análise paralela para reter os fatores, e o método de extração Unweighted Least
    Squares (ULS). A Análise Fatorial Exploratória (AFE) indicou uma solução de
    dois fatores, com os respectivos índices de ajuste: χ²(251)=230,9, p &lt; 0,01), CFI
    = 0,98, TLI=0,97 e RMSEA = 0,05, fair = 0,99 (IC 90% = 0,047 - 0,051). Após a
    exclusão de três itens a escala ficou composta por 22 itens, onde o primeiro fator
    explicou 40,6% da variância total (α= 0,92). No Estudo III, que visou verificar
    evidências de validade convergente para a EPE com a DASS-21 (escala de
    depressão, ansiedade e estresse) e a Escala O´Leary- Porter (conflito conjugal).
    Fizeram parte da pesquisa 240 homens e mulheres com média de idade de 36,4 anos (DP=8,9), a maioria do sexo masculino (53,3%). Os resultados
    demonstraram índices satisfatórios de correlação significativa e positiva entre
    dimensões das escalas, apresentando correlações de intensidade fracas e
    moderadas, mas que representam uma direção teórica coerente. Os
    resultados demonstram que a EPE apresenta propriedades psicométricas
    adequadas, sugerindo ser uma medida útil para a avaliação das dificuldades
    financeiras nas famílias, bem como a relação com outros construtos quanto aos
    quesitos da validade convergente.

  • JOSIANE ALVES MORAES RABELLO
  • Aspectos ergonômicos do cotidiano de trabalho nas atividades dos garis de capina e varrição em uma organização de limpeza urbana.
  • Orientador : RAQUEL PEREIRA BELO
  • Data: 02/12/2019
  • Mostrar Resumo
  • O trabalho ocupa um lugar estruturante na vida do ser humano, sendo vital para a
    sobrevivência. Com a evolução tecnológica, muitas transformações ocorreram na
    concepção de trabalho. Neste cenário, surge a Ergonomia considerando as
    capacidades e limitações do operário. O objetivo principal desta pesquisa foi
    realizar uma análise dos aspectos ergonômicos na atividade dos trabalhadores
    garis de capina e varrição de avenidas e praças, em uma instituição de limpeza
    urbana situada em um município do estado do Piauí. Para isso, a metodologia
    empregada teve como base a Análise Ergonômica do Trabalho – AET, que
    propõe produzir conhecimentos na promoção da saúde do trabalhador,
    aumentando sua eficácia produtiva na instituição. A pesquisa contou com um
    total de dezenove garis analisados em um estudo que se decompôs em duas
    partes: dezessete garis de capina e varrição de ruas e avenidas e dois garis
    responsáveis pela limpeza de praças, em um município do estado do Piauí.
    Quanto aos instrumentos consistiram observações sistemáticas que, transcritas
    em diários de campo, guiaram a elaboração do roteiro de entrevista
    semiestruturado. Os dados obtidos foram categorizados por meio da Análise de
    Conteúdo e analisados através da AET, que implica sistematizar a investigação
    da situação real do ambiente de trabalho, levantando a diferença entre trabalho
    prescrito e trabalho real e seus principais efeitos na saúde dos trabalhadores. Os
    resultados sugerem que o gari utiliza estratégias pessoais diante da variabilidade
    das tarefas realizadas e prescrições que exigem sua atividade de trabalho. Na
    análise, foi possível identificar elementos que caracterizam as reais condições de
    trabalho destes operários, bem como, principais riscos ergonômicos que a
    atividade comporta para as quais foram determinadas recomendações de
    melhorias e prevenção que abrangem: conscientização do uso dos Equipamentos
    de Proteção Individual – EPI`s, ênfase no trabalho em equipe e capacitação em
    cuidados básicos na manutenção da saúde. De forma geral, conclui-se que o
    trabalho do gari, por ser desenvolvido em espaço público aberto, está exposto a
    intempéries: sol intenso, chuvas e outras situações adversas ocasionadas pelo
    próprio espaço de trabalho. No entanto eles criam maneiras próprias de adaptação
    às condições desfavoráveis, cooperando uns com os outros, o que possibilita
    ultrapassarem diariamente as metas que lhes são atribuídas pela instituição.:

  • CAROLINA MARTINS MORAES
  • Formação e atuação em Psicologia Escolar para a EJA: contribuições de professoras-pesquisadoras da ANPEPP
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 30/11/2019
  • Mostrar Resumo
  • A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é constituída na atualidade, como uma
    modalidade de ensino que atende alunos que nunca obtiveram escolarização, que
    estão passando pelo analfabetismo funcional, escolarização incompleta ou mesmo
    em situação de defasagem educacional. A partir do referencial-teórico da
    Psicologia Histórico-Cultural, é preciso pensar sobre o perfil do profissional de
    Psicologia para esse contexto educativo e que ações formativas vêm sendo
    desenvolvidas para subsidiar sua atuação junto às políticas educacionais voltadas
    para essa modalidade. Destarte, este estudo tem por objetivo analisar a formação e
    atuação em Psicologia Escolar frente às Políticas Educacionais voltadas para a
    Educação de Jovens e de Adultos (EJA). Como objetivos específicos: caracterizar
    o perfil docente e as ações formativas desenvolvidas no que se refere à interface
    Psicologia Escolar e Educacional e EJA no Brasil; apreender como a EJA é
    compreendida na visão de professores-pesquisadores do Brasil; analisar como a
    Psicologia Escolar e Educacional pode contribuir para formação e atuação de

    Psicólogos na EJA. Este estudo utiliza o método de pesquisa materialista histórico-
    dialético. Tem por cenário a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em

    Psicologia (ANPEPP) e como participantes: doze professores-pesquisadores de
    diversas regiões do país, que vêm desempenhando um papel formativo, político e

    de produção de conhecimento, nos âmbitos do Ensino Superior e/ou Pós-
    Graduação, no que diz respeito aos temas Psicologia, Educação, e Políticas

    Públicas Educacionais. Os instrumentos utilizados foram: 1) questionário de dados
    sócio demográficos e profissionais, para a caracterização do perfil docente e as
    práticas formativas voltadas para EJA por eles desenvolvidas, e também, 2) roteiro
    de entrevista semiestruturada, com vista a apreensão de como a EJA é
    compreendida no cenário brasileiro, e análise de como a Psicologia Escolar e
    Educacional pode contribuir para formação e atuação de Psicólogos na EJA.
    Análise dos dados ocorreu através da constituição de eixos de análise, a partir da
    perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural, seguindo as seguintes etapas: i)
    apreensão do real imediato; ii) descrição empírica; iii) descrição teórica; iv)
    estabelecimento da unidade de análise central do objeto de pesquisa, e por fim, o
    v) retorno à realidade dos dados para explicá-los, com isso, pretende-se superar a
    descrição e explicar o fenômeno a partir do movimento singular, particular e
    universal. Esse estudo foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa da
    Universidade Federal do Piauí (UFPI), com número de parecer 2.708.259. Para
    análise dos dados obteve-se os seguintes eixos analíticos: a) Perfil docente e
    currículo em Psicologia Escolar e Educacional; b) A prática formativa em
    Psicologia Escolar e Educacional voltadas para EJA; c) A EJA na compreensão dos professores de Psicologia Escolar e Educacional, que evidenciam os processos
    de fracasso escolar; d) Psicologia e EJA: perspectiva para formação e atuação
    profissional, que aponta para os processos de aprendizagem e desenvolvimento na
    perspectiva da Psicologia Histórico-Cultural. Os resultados revelam que no campo
    da Psicologia Escolar e Educacional há uma predominância de professoras com
    ampla formação e experiência docente. As ações formativas voltadas para EJA
    vem ocorrendo através da ensino, pesquisa e extensão, mas principalmente no
    âmbito da pesquisa. A EJA é compreendida por meio do fenômeno do fracasso
    escolar e entende-se que contribuições da Psicologia Escolar, tanto para formação
    quanto para atuação junto a EJA, ocorrem pela mediação de processos de
    aprendizagem que promovem desenvolvimento em consonância com o que
    defende a Psicologia Histórico-Cultural. Conclui-se com isso que o presente
    estudo propicia a análise da formação e atuação do psicólogo escolar junto a EJA,
    expondo as ações formativas e perspectivas de atuação. Evidencia também, como
    a Psicologia Escolar pode contribuir com os processos educativos na EJA tendo
    em vista os diversos atores escolares. Este estudo fornece, portanto, subsídios para
    o fomento de políticas públicas específicas para EJA e inserção do psicólogo
    escolar nesta modalidade, e corrobora também, para pesquisas posteriores sobre a
    temática, principalmente, no que diz respeito a interface Psicologia e EJA.

  • LUDMARA MOURA MIRANDA
  • Cultura Organizacional e o Comprometimento dos Trabalhadores em uma Empresa Pública
  • Orientador : RAQUEL PEREIRA BELO
  • Data: 25/11/2019
  • Mostrar Resumo
  • Na Psicologia a cultura organizacional pode ser considerada como uma variável -
    algo que a organização tem ou uma metáfora - algo que a organização é. No
    presente estudo foi considerado a cultura como uma variável utilizando o modelo
    de Schein, que propõe analisar o funcionamento da dinâmica de forças culturais
    em nível mais profundo do que a realidade manifesta. Também foi estudado o
    comprometimento, sendo este um vínculo existente entre empregados e empresa
    influenciando no desempenho, produtividade e qualidade de vida dos
    trabalhadores. Adotou-se nessa pesquisa o modelo de comprometimento
    organizacional desenvolvido por Meyer e Allen que propõe uma distinção entre
    comprometimento afetivo, normativo e instrumental. Com o objetivo de conhecer
    a possível influência da cultura organizacional no comprometimento no trabalho
    em uma organização pública situada no estado do Piauí, buscou-se identificar os
    elementos desta cultura e compreender seus desdobramentos nos componentes do
    comprometimento dos funcionários considerando seu modelo de gestão com o
    intuito de responder ao questionamento: Quais os elementos da cultura
    organizacional existentes na presente instituição e como estes interferem na
    estruturação do comprometimento dos funcionários? Trata-se de uma pesquisa
    social exploratória-descritiva, que utilizou abordagens quantitativa e qualitativa
    implicando triangulação metodológica. Os critérios de inclusão para participar da
    pesquisa foram: residir em Teresina ou Parnaíba, trabalhar na empresa há pelo
    menos seis meses, estar ativo na filial. Dos 271 empregados, 95 responderam ao
    questionário e 15 responderam à entrevista semiestruturada. Ambos os
    instrumentos foram elaborados pelas autoras de acordo com a teoria que embasa
    a presente pesquisa. O questionário foi analisado por meio do software SPSS. E a
    entrevista foi analisada por meio do software IRAMUTEQ. Os resultados obtidos
    apontam para a existência de um modelo de gestão burocrático e também
    gerencial que influencia na organização da empresa e das relações apresentando
    característica de uma cultura marcada pelo apego à normas e regras, hierarquia,
    relações competitivas, e com valorização do trabalho realizado como importante
    para a sociedade, o que traz como consequências um vínculo marcado pelo
    comprometimento normativo e afetivo, com características também instrumental.
    Foi possível concluir que a cultura e o comprometimento organizacional
    encontram-se relacionados de forma que um interfere na construção e
    manutenção do outro.

  • LEILANIR DE SOUSA CARVALHO
  • Psicologia Escolar na rede pública de ensino do Piauí: mapeamento, caracterização e modelos de atuação em políticas públicas educacionais.
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 25/11/2019
  • Mostrar Resumo
  • A atuação do psicólogo na rede pública de ensino do Piauí está em pleno desenvolvimento, resultado do movimento brasileiro de discussão sobre a concepção do trabalho do psicólogo escolar, e suas novas alternativas de atuação, por entender que as demandas produzidas na escola são multifatoriais e multideterminantes. Entende-se que a sua atuação deve considerar todos os atores escolares, suas trajetórias, o ambiente em que estão inseridas, suas experiências anteriores, o seu lugar na escola, suas opiniões, e a disposição para a transformação. O psicólogo deve apresentar uma postura crítica, e uma visão de mundo e de homem que ultrapasse os limites de saber único, e saberes dedicados as questões do homem como ser individual ou social. Promovendo a ampliação da capacidade de reflexão diante dos fenômenos e tornando-os mais conscientes de suas limitações e de suas potencialidades. Diante do exposto, questiona-se: como é a atuação do psicólogo na rede pública de educação frente à demanda escolar no estado do Piauí? Mais precisamente na educação básica das instituições de ensino no âmbito estadual e municipal do Estado do Piauí. Para contemplar o problema em questão, o objetivo geral da pesquisa foi investigar a atuação do psicólogo na rede pública de educação frente à demanda escolar no estado do Piauí. E os objetivos específicos foram: identificar os psicólogos escolares que atuam nas esferas municipais e estaduais da educação básica do estado do estado do Piauí; elencar as demandas escolares atendidas pelos psicólogos escolares junto à rede pública de ensino do Piauí; verificar como ocorre o processo de atendimento às demandas educacionais, considerando a operacionalização de políticas públicas de educação; e caracterizar as práticas de intervenção dos psicólogos escolares do Piauí mediante as demandas educacionais e o contexto de atuação profissional. Para a consecução desse trabalho, optou-se pela pesquisa qualitativa e os dados coletados foram analisados pela técnica de análise de conteúdo. A pesquisa foi realizada no âmbito estadual e municipal a fim de contemplar todos os psicólogos que atuam no estado do Piauí. Nesse caso dois órgãos apresentam em seu quadro de funcionários o psicólogo escolar, sendo eles respectivamente, Secretaria Estadual de Educação do Piauí – SEDUC e Secretarias Municipais de Educação – SEMEC. Os participantes do estudo foram 42 psicólogos (número de psicólogos mapeados nos doze territórios em desenvolvimento do estado e que atendem aos critérios de inclusão). E os instrumentos utilizados foram: 1) questionário de dados sócio demográfico e profissionais, 2) formulário de identificação de políticas públicas de atuação do psicólogo escolar, e 3) roteiro de entrevista semiestruturada. A coleta de dados ocorreu por meio de Autorização Institucional e de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE, respectivamente. Para analisar os dados coletados foram criados cinco eixos que distinguem o perfil de atuação do psicólogo na educação do Piauí: a) caracterização e mapeamento dos profissionais, b) as políticas públicas educacionais em que atuam, c) as demandas educacionais e os modelos de atuação, d) atuação em gestão de políticas públicas educacionais, e) avaliação de políticas públicas educacionais. Os resultados mostram que o maior número de psicólogos escolares está distribuído no território Entre Rios, no qual a capital Teresina faz parte. Atuando em políticas públicas responsáveis por programas e projetos educacionais que são executados como medidas de melhoria ao atendimento das demandas escolares em prol de resultados satisfatórios ao desenvolvimento dos alunos. Os profissionais seguem a prática conjugada dos modelos clínico e institucional, tendo como demanda mais incidente aquela relacionada às questões de saúde mental e emocional. Nos aspectos relacionados à gestão os psicólogos distribuem-se entre três perfis: aqueles que não se identificam como gestores, os que desempenham gestão de maneira compartilhada e aqueles que se reconhecem como gestores principais. E dentro das suas práticas a maioria realiza avaliação de políticas públicas após sua implementação a fim de analisar sua eficácia. Portanto, conclui-se que o estudo aqui proposto fornece contribuições para a psicologia escolar na rede pública de ensino no Piauí, promovendo a reflexão sobre o contexto em que está inserido, o público-alvo de sua atuação e suas demandas escolares. O estudo também corrobora com a discussão e compreensão sobre as potencialidades do psicólogo escolar no estado. Além de subsidiar as práticas dos psicólogos escolares com a ampliação de pesquisas na área, principalmente, sobre as concepções, posicionamento e práticas específicas dos psicólogos que atuam nos espaços de educação básica frente às políticas públicas educacionais.

  • LANA CARINE SOARES DIAS CAMELO
  • Mulheres idosas e suas concepções psicossociais da depressão: um estudo das representações sociais
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 22/11/2019
  • Mostrar Resumo
  • A presente dissertação teve como objetivo apreender as representações sociais da depressão a partir da perspectiva de mulheres idosas comparando dois grupos: um composto por mulheres idosas que frequentam grupos de convivência, e outro composto por mulheres que não participam de grupos. O estudo teve respaldo no aporte teórico das Representações Sociais, a partir da abordagem de Moscovici. Participaram da pesquisa 64 mulheres com idade média de 68,6 anos. Para atender os objetivos específicos, foram realizados quatro estudos. Os instrumentos utilizados foram um questionário sociodemográfico; o teste de associação livre de palavras (TALP); um roteiro de entrevista semiestruturada; um roteiro de grupo; e o desenho-estória com tema. De modo geral, os resultados apontaram para representações de envelhecimento heterogêneas entre os dois grupos, tendo o grupo de idosas participantes de GCI apresentado RS positivas enquanto o grupo subsequente mostrou representações negativas ligadas a doença e morte. Referente a depressão, houveram representações convergentes e divergentes, havendo consenso apenas na relação entre depressão e tristeza ou algo ruim e no temor com a doença. Porém, as idosas de GCI apresentaram representações com conhecimentos mais abrangentes, destacando dimensões cognitivas e comportamentais da depressão. Da mesma forma, estas idosas apresentaram percepções mais amplas sobre o tratamento, com representações que englobam vários aspectos para além do uso de medicamentos. Espera-se que os resultados desta pesquisa contribuam de alguma forma para o desenvolvimento de estratégias de educação em saúde voltadas para mulheres idosas assim como a reflexão sobre a importância de políticas públicas que visem a prevenção da depressão e a ampliação do seu conhecimento.

  • FERNANDA MARIA DE OLIVEIRA
  • Psicologia Escolar e Educacional no Ensino Superior: atuação do psicólogo no atendimento à queixa escolar da UFPI
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 29/03/2019
  • Mostrar Resumo
  • O atendimento à queixa escolar do ensino superior pelo psicólogo exige, dos profissionais,
    novas práticas de atuação e uma visão crítica acerca desse fenômeno. Nesse sentido, deve-se
    conhecer a queixa escolar do universitário a partir do processo de escolarização característico
    da educação superior. Esta pesquisa discutiu esse fenômeno através da psicologia escolar
    crítica. Dessa forma, objetivou revelar a atuação do psicólogo no atendimento à queixa
    escolar do ensino superior na Universidade Federal do Piauí (UFPI). O materialismo
    histórico-dialético subsidiou esta pesquisa teoricamente e metodologicamente. Nove
    psicólogos (técnico-administrativos) participaram desse estudo. Realizaram-se análise
    documental e trabalho de campo. A análise dos dados consistiu em descrição empírica e
    teórica, estabelecimento da unidade de análise e explicação após retorno à realidade. Os eixos
    analíticos são quatro: o Perfil profissional do psicólogo mostrou prevalência do sexo
    feminino, média de idade de 34 anos, inserção recente na UFPI, maioria formada em
    instituição pública, profissionais com pós-graduação
    Lato Sensu e/ou Stricto Sensu em
    diversas áreas; a Caracterização das queixas escolares evidenciou uma queixa escolar ampla,
    complexa, multideterminada e específica no ensino superior; o Atendimento à queixa escolar
    tornou claros os desafios e as limitações para o psicólogo atender à queixa escolar, do ensino
    superior, e as características, habilidades e conhecimentos necessários ao atendimento; os
    Modelos de atuação no ensino superior consistiram em três: clínico, institucional e psicologia
    escolar e educacional. Os resultados revelaram uma queixa escolar que é específica do ensino
    superior. Portanto, produzida em virtude dos fatores relacionados a esse ambiente que envolve
    processo de ensino-aprendizagem e desenvolvimento humano diferenciados de outro nível ou
    modalidades de ensino. Diante disso, na UFPI, as práticas dos psicólogos ocorrem no âmbito
    do atendimento individual e institucional e envolvem diversos atores da comunidade
    acadêmica. Conclui-se que essa atuação desafia os profissionais quanto a sua incipiência e
    escassez de estudos.

  • FRANCISCA MAIRA SILVA DE SOUSA
  • Educação permanente em saúde e trabalho em equipe em um serviço de atenção psicossocial no contexto da interiorização da RAPS
  • Orientador : ANA KALLINY DE SOUSA SEVERO
  • Data: 25/03/2019
  • Mostrar Resumo
  • A interiorização dos serviços que compõem a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) ganhou impulso através da descentralização e regionalização dos serviços de saúde, que favoreceu a articulação de redes regionais de saúde em regiões compostas por municípios com menos de quinze mil habitantes, neste cenário, destaca-se a importância da educação permanente e das equipes interprofissionais para a construção de redes de cuidado contextualizada com os territórios que estão inseridos. Este trabalho buscou investigar como ocorrem os processos de educação permanente e trabalho interprofissional em uma equipe do CAPS I em municípios de pequeno porte no Piauí para produzirem cuidado e analisar as demandas de saúde mental. Utilizou-se dos pressupostos teóricos e metodológicos da análise institucional, conforme apontam Lourau (1993) e Baremblitt (2002). A socioclínica institucional foi utilizada como estratégia metodológica para realizar a pesquisa-intervenção. Os dispositivos para a construção dos dados da pesquisa foram três rodas de conversa com os profissionais do CAPS I, participação observante com registro em diários de pesquisa e restituição. Os dados apontaram a educação interprofissional e educação permanente como estratégias de formação profissional no processo de trabalho, possibilitando reflexões e ações no cenário de prática voltadas para além da intervenção psiquiátrica e da prescrição de medicamentos. Ressalta-se a importância do estudo para o cenário da atenção psicossocial e do campo da saúde mental coletiva no Sistema Único de Saúde (SUS), em relação ao processo de interiorização e produção de saúde em diferente contexto. Sugerimos a necessidade de mais estudos sobre a implantação e construção de dispositivos que chegam nos diversos contexto da interiorização da RAPS para a construção de conhecimentos capazes de qualificar a atenção em saúde mental nos diferentes cenários brasileiros.

  • PEDRO VICTOR MODESTO BATISTA
  • Comunidade Terapêutica e Hospitalidade: a questão do estrangeiro
  • Orientador : DENIS BARROS DE CARVALHO
  • Data: 19/03/2019
  • Mostrar Resumo
  • A hospitalidade pode ser condicionada ou absoluta, nos faz adentrar em normas, pactos e leis ou nas relações de (re)conhecimento da alteridade, bem como, hostilidade e percepção do outro como inimigo. A hospitalidade está na organização básica da vinculação humana e da cultura, nos apresenta a relação com o outro, a relação para com o estrangeiro. Assim, problematizou-se como a hospitalidade se apresenta nas estratégias de acolhimento de uma Comunidade Terapêutica na cidade de Parnaíba-PI. Objetivamos cartografar as práticas de hospitalidade na rotina de uma comunidade terapêutica; caracterizar as articulações com a RAPS; analisar os processos de institucionalização e de hospitalidade vivenciados nesses serviços; refletir sobre a hospitalidade e o acolhimento em saúde mental à luz da filosofia da diferença e do pensamento da desconstrução. Utilizamos da triangulação metodológica entre o modo de fazer pesquisa cartográfica, a observação participante e a mobilização de um grupo como dispositivo na produção de informações, analisamos por meio da analise de discurso e das implicações os encontros entre o cartógrafo e os estrangeiros. Três movimentos foram ressaltados: 1) o movimento de chegada, apresentando tanto os estrangeiros acolhidos como os modos de organização e institucionalização da CT, as suas normas e rotinas; 2) o movimento de reciprocidade, ressaltando as produções de subjetividade que acontecem e os desdobramentos para a oferta da hospitalidade na CT e os pontos de conexão com a RAPS; 3) o movimento de saída, que foca nos os sonhos, desejos e construções de vínculos de amizade produzindo durante os encontros e que podem potencializar o acolhimento em saúde. Notamos que tanto a CT como a RAPS na oferta de uma hospitalidade que reconheça as diferenças, fortaleça a construção de vínculos duráveis, superem os estranhamentos aos estrangeiros, ou seja, que desenvolvam uma prática de cuidado, acolhimento e hospitalidade, ainda, deixa muito a desejar.

  • THALITA PACHÊCO CORNÉLIO
  • Suicídio e produção de subjetividade na contemporaneidade: Uma cartografia de discursos em redes sociais
  • Orientador : LANA VERAS DE CARVALHO
  • Data: 11/03/2019
  • Mostrar Resumo
  • Segundo a Organização Mundial de Saúde em 2012 ocorreram cerca de 804.000 suicídios no mundo, um a cada 45 segundos (OMS, 2014). No Brasil, foram notificados 55.649 suicídios de 2011 a 2015 (Brasil, 2017). Isto deixa claro a relevância da temática e os discursos sobre a mesma têm se ampliado, sendo preciso compreendê-los. Busca-se aqui esclarecer quais linhas de força atravessam os discursos sobre suicídio em uma rede social mediada pela tecnologia. O objetivo é cartografar os discursos sobre suicídio de usuários de redes sociais mediadas pela tecnologia, intenção que se desdobrou em: apreender as percepções dos usuários de páginas virtuais sobre a temática; caracterizar afetações acerca do suicídio nos discursos em páginas virtuais; e analisar os discursos acerca do tema em sua relação com os processos de produção de subjetividade contemporâneos. Foi traçada uma Cartografia (Deleuze & Guattari, 1995) dos discursos sobre suicídio no Facebook em comentários de publicações abertas ao público. Seguindo as pistas do método cartográfico (Passos, Kastrup & Escócia, 2015), realizamos uma busca ativa com a palavra “suicídio”. Dispensamos páginas religiosas, publicações anteriores a 2016, e postagens com menos de cem comentários. Os comentários “mais relevantes” foram selecionadas pela própria ferramenta. Reunimos 364 arquivos, que contribuíram para a construção de sete analisadores: Eixo 1 - discute o suicídio como um desafio ao tabu da morte; a morte autoprovocada sendo percebida como doença, fraqueza e covardia; e a defesa da mesma como um direito; Eixo 2 - possibilita pensar o suicídio como um resultado de pressões sociais; e como uma reação ao preconceito; Eixo das Resistências – observa a formação no território de grupos de apoio e trabalho. Percebemos os discursos sobre suicídio compondo um rizoma complexo, bem como a importância da realização de mais pesquisas nesse território e sua apropriação para se pensar em prevenir o suicídio.


2018
Descrição
  • ARIANE VIANA MARTINS PORTELA
  • Pressão Econômica e Conjugalidade: apreciação do(a) parceiro(a) e manejo do dinheiro como explicadores da dinâmica conjugal
  • Orientador : SANDRA ELISA DE ASSIS FREIRE
  • Data: 14/12/2018
  • Mostrar Resumo
  • O estudo objetivou analisar se a expressão de apreciação e o manejo do dinheiro predizem a forma como os casais enfrentam a pressão econômica no contexto da crise financeira. Para tanto, participaram da pesquisa 337 pessoas casadas da população geral, sendo a maioria do sexo feminino (61,4%), com média de idade de 36,4 anos (com amplitude de 18 a 71 anos; DP = 10,4). Destes, 97,6% assumiram uma identidade heterossexual, com ensino superior completo e pós-graduação (54,9%). Quanto ao tempo de relacionamento, apresentaram uma média de 143,2 meses (DP = 118,9) de união conjugal. Participaram pessoas de 13 estados brasileiros, com a maior parte delas do Piauí (84,3%) por conta da aplicação dos questionários de forma presencial, seguido do Maranhão (7,1%). Sobre a renda familiar, 66% declarou que a família se mantém com até cinco salários mínimos, sendo que 13,1% desses vivem com até um salário. Do total, 60,5% trabalha e 5,3% estão desempregados. A amostra foi de conveniência, não probabilística. Os participantes responderam aos seguintes instrumentos: Escala de Apreciação nos Relacionamentos; Questionário sobre o Manejo do Dinheiro; Questionário sobre a Pressão Econômica e Questionário Sócio demográfico. Os dados foram tabulados e analisados no software SPSS para Windows, versão 23, onde foram calculadas as estatísticas descritivas (medidas de tendência central e dispersão, distribuição de frequências) para caracterizar a amostra, além das análises de Correlação r de Pearson e Regressão. Os resultados indicaram que a maioria das pessoas casadas utilizam o sistema de gestão compartilhada do dinheiro (51,6%), priorizam os gastos com alimentação (54%) e adotam como última prioridade as despesas com a saúde (6,2%). Houve correlação entre as variáveis sócio demográficas e as dimensões da pressão econômica, apontando que a classe social e a escolaridade podem influenciar no enfrentamento da crise financeira. A infidelidade financeira foi declarada por 56,1%, afirmando que já esconderam seus gastos do cônjuge. Observaram-se correlações entre as dimensões da pressão econômica tanto com as de manejo do dinheiro quanto com as de apreciação em relacionamentos. Os resultados apontaram ainda que a apreciação, e principalmente, o manejo do dinheiro explicam a pressão econômica enfrentada pelos casais no contexto da crise financeira e, por isso, pode-se sugerir que se constituem como protetivos para o relacionamento. Desta forma, ressalta-se a relevância de ampliar a compreensão dos fatores que podem predizer a pressão econômica nos relacionamentos e auxiliar os casais a lidarem de modo satisfatório com as formas protetivas para a relação ao vivenciarem o contexto da crise financeira.

  • MATHEUS BARBOSA DA ROCHA
  • Nos batuques dos quintais: as interfaces do cuidado em saúde entre religiões de terreiros e equipes de saúde da família
  • Orientador : ANA KALLINY DE SOUSA SEVERO
  • Data: 26/11/2018
  • Mostrar Resumo
  • A criação do Sistema Único de Saúde (SUS) levou a mudanças de perspectivas que resultaram em críticas ao modelo hospitalocêntrico e maior enfoque na Atenção Primária à Saúde (APS). Na realidade brasileira, esse nível é operacionalizado principalmente pela Estratégia de Saúde da Família (ESF). Às ESF’s é incumbido que os mesmos interajam com os espaços sociais da comunidade e promovam cuidados em saúde através de relações democráticas, equânimes e horizontais. Interações da ESF com as práticas de cuidado em saúde promovidas pelos terreiros mostram-se necessárias. O objetivo desse estudo consistiu em investigar os processos de interações entre religiões de terreiros e ESF’s nas ofertas de cuidado em saúde aos territórios em que estão inseridos e aos adeptos/consulentes das religiões afro-brasileiras. Para isso, utilizamos o referencial da Análise Institucional “no Papel”. Os sujeitos foram divididos em três grupos: no primeiro tivemos três líderes de centros religiosos afro-brasileiros; no segundo, praticantes/consulentes desses estabelecimentos religiosos; e no terceiro, os profissionais das três ESF que cobriam os respectivos
    terreiros investigados. Como instrumentos, utilizamos entrevistas semi-estruturadas com os líderes religiosos; observação participante das cerimônias espirituais; conversas informais com os consulentes; e uma roda de conversa com cada ESF. Promover saúde nesses espaços expressa perspectivas de cuidado em saúde que se contrapõem às racionalidades biomédicas, positivistas e cartesianas, fazendo referência a terapêuticas como: uso de plantas com finalidades terapêuticas; recebimento de rezas e passes; consultas com cartomantes, com seus jogos de búzios e incorporações; atendimentos com as divindades por meio de jogos de búzios e incorporações; e desenvolvimento de projetos sociais e comunitários. As ESF’s terminam funcionando num viés curativo-preventivista, o que desemboca na premissa de que seriam os profissionais da saúde os detentores “oficiais” das práticas de cuidado. Dentre as possibilidades de dialogias, conseguimos identificar as seguintes: ausência de atividades conjuntas; reconhecimento mútuo sobre a eficácia e a importância do cuidado em saúde promovido tanto pelos terreiros como pelos serviços de saúde; desenvolvimento de ações conjuntas por iniciativa das ESF’s; e atividades promovidas pelos povos de terreiros em decorrência das suas articulações políticas, sendo esse último caminho deveras enriquecedor para se pensar as interfaces serviços-terreiros.

  • ANNE CAROLINE GOMES MOURA
  • Medidas de sexting: evidencias de validade e precisão em contexto brasileiro
  • Orientador : EMERSON DIÓGENES DE MEDEIROS
  • Data: 26/11/2018
  • Mostrar Resumo
  • A presente dissertação objetivou adaptar e avaliar as propriedades psicométricas, especificamente de validade e precisão das seguintes medidas de sexting: Sexting Motivations Questionnaire (SMQ) e Sexting Attitude Scale (SAS), além de avaliar o parâmetro de discriminação e dificuldade dos itens via Teoria de Resposta ao Item (TRI), a precisão pelo coeficiente alfa de Cronbach (a) com correlações policóricas e por fim reunir evidências adicionais acerca da validade mediante a verificação da validade convergente entre as medidas. Participaram da pesquisa 603 pessoas com idades de 18 a 66 anos, (M = 22,93, DP = 5,91). Para a análise dos dados utilizou-se os programas IBM SPSS e R (versão 21 e R versão 3.4.4), com o primeiro calculou-se as análises descritivas, que serviram para caracterizar os participantes, enquanto que o segundo fora empregado para efetuar as Análises Fatoriais Confirmatórias (AFC), além de se avaliar os parâmetros dos itens através da Teoria de Resposta ao Item (TRI), considerando o Modelo de Resposta Graduada utilizando-se, para tanto os pacotes Lavaan, Psych, SemTools e Mirt, respectivamente. Na Análise Fatorial Confirmatória, se atestou a estrutura trifatorial da SQM e da SAS. Os fatores da SQM apresentaram consistência interna (alfa de Cronbach) de 0,90, 0,91 e 0,94 (com correlações policóricas) e os fatores da SAS apresentaram o alfa de Cronbach de 0,81, 0,75 e 0,76, apresentando também indicadores satisfatórios, da SQM e da SAS, respectivamente: CFI = 0,99; TLI = 0,99 e RMSEA (IC90%) = 0,047 (0,037– 0,057) e CFI = 0,92; TLI = 0,91; χ²/gl = 116/54 e RMSEA (IC90%) = 0,074 (0,067 – 0,081). Portanto, as análises de TRI foram realizadas, verificando-se que os itens dos dois instrumentos discriminaram adequadamente os participantes, quanto ao parâmetro de dificuldade dos itens, em relação a SQM, o fator Propósito Sexual foram os que exigiram menor quantidade de theta para serem endossados, os itens do fator Reforço da Imagem Corporal exigiram dificuldade média de theta para ser a opção de representação dos respondentes, e por fim os itens referentes ao fator razões instrumentais/agravadas exigiram a maior quantidade de traço latente para serem endossados. Na SAS foi observado que os itens relativos ao fator Risco percebido foram os mais facilmente endossados, exigindo um valor mais baixo do traço latente para concordância total acerca do conteúdo do item. O fator Divertido e despreocupado exigiu dificuldade mediana de theta para ser a opção de representação dos respondentes e os itens referentes ao fator Expectativa relacional apresentou-se como o mais difícil, exigindo maior quantidade de traço latente para serem endossados. Foi observado também que alguns itens contribuíram muito pouco para os fatores, como item 15 (fator 1); item 16 (Fator 2) e os itens, 5 e 13 (Fator 3) da SAS.  Então, realizou-se nova (AFC) e a análise de TRI (modelos de respostas graduadas), excluindo os itens que não apresentaram informações psicométrica significativa. O modelo com quantidade menor de itens, apresentou indicadores que atestam sua adequação psicométrica: CFI = 0,95; TLI = 0,94, χ²/gl = 236/62 e RMSEA (IC90%) = 0,084 (0,075 – 0,093), os alfas de Cronbach referentes aos fatores apresentaram respectivamente (α = 0,83; α = 0,81; α = 0,82). Então, sugere-se uma versão reduzida da medida, apresentando 13 itens. No que tange a validade convergente, as evidências apontaram que maioria os fatores da SQM e SAS se correlacionaram, com exceção do fator Razões Instrumentais Agravadas da SQM com o fator Risco Percebido da SAS, que não apresentaram correlação. Estima-se que os objetivos do estudo foram alcançados, conhecendo evidências das medidas a partir da TRI, referendando seu uso em contexto brasileiro.

  • KAIRON PEREIRA DE ARAUJO SOUSA
  • O consumo de álcool por universitários: uma explicação a partir da religiosidade e da busca de sensações.
  • Orientador : EMERSON DIÓGENES DE MEDEIROS
  • Data: 26/11/2018
  • Mostrar Resumo
  • Esta pesquisa objetivou verificar em que medida a religiosidade e a busca de sensações explicam o consumo de álcool. Foram desenvolvidos dois estudos. O estudo 1  avaliou a validade e precisão do Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT) no contexto Piauiense. Participaram 406 estudantes universitários, com idade média de 23,31 anos (DP = 5,73), a maioria do sexo feminino (68,2%), que responderam o AUDIT e questões sociodemográficas. Realizou-se análises descritivas, Análises Fatoriais Confirmatórias (AFC) e de consistência interna. Os resultados indicaram adequação do modelo trifatorial com índices de ajustes (χ2(32) = 0,89, p<0,001; TLI = 0,99; CFI = 0,99; RSMEA = 0,036 (IC90%=0,012 – 0,056); ECVI= 0,30) e consistência interna (α = 0.85; Ω = 0, 89). O estudo 2 objetivou: testar a estrutura do AUDIT obtida no estudo 1; avaliar as correlações entre consumo de álcool, religiosidade e busca de sensações; e conhecer o poder preditivo destes no consumo de álcool. Participaram 210 universitários, com idade média de 21,29 anos (DP = 4,39), a maioria mulheres (53,3%), que responderam os instrumentos do estudo 1 acrescidos da Escala de Atitudes Religiosas (EAR-20) e do Inventário de Arnett de Busca de Sensações (AISS). Além das análises citadas no estudo 1, realizou-se correlação r de Pearson e regressão linear múltipla. O resultado da AFC apontou bons índices de ajuste do AUDIT (CFI = 0,99, TLI = 0,99, RMSEA = 0,039), confirmando sua estrutura trifatorial. Identificou-se relações negativas e significativas entre os fatores da EAR-20 e os do AUDIT, e correlação positiva e significativa entre as dimensões do AISS e as do AUDIT.  Observou-se também que o fator comportamento religioso (EAR-20) explicou o AUDIT total (β = - 0,32, t = - 2,55, p < 0,01), e o fator consumo de álcool (β = - 0,37, t = - 2,99, p < 0,003).

     

  • THALITA PACHÊCO CORNÉLIO
  • Suicídio e produção de subjetividade na contemporaneidade: Uma cartografia de discursos em redes sociais
  • Orientador : LANA VERAS DE CARVALHO
  • Data: 16/11/2018
  • Mostrar Resumo
  • Segundo a Organização Mundial de Saúde em 2012 ocorreram cerca de 804.000 suicídios no mundo, de modo que a cada 45 segundos alguém tira a própria vida, um total de mais de duas mil pessoas
    diariamente. No Brasil, foram 11.821 suicídios registrados oficialmente em 2012, uma média de 32 mortes por dia (OMS, 2014). De acordo com os casos registrados de 2011 a 2015 pelo Ministério da Saúde, foram notificados 55.649 suicídios no país neste período, o que leva a uma taxa de 5,5 óbitos para 100 mil habitantes, que cresceu de 5,3 em 2011 a 5, 7 em 2015 (Brasil, 2017). Isto deixa claro a relevância de se pensar a temática e os discursos sobre a mesma têm se ampliado, tanto no âmbito acadêmico e científico, como fora dele. Deste modo, é preciso compreender tais falas e sua produção na contemporaneidade. Inicialmente, diferentes territórios foram habitados, sendo possível observar os discursos sobre suicídio em variados espaços, o que possibilitou a percepção da internet como lócus propício à investigação do tema. Busca-se com esta pesquisa esclarecer o seguinte questionamento: quais linhas de força atravessam os discursos sobre suicídio em uma rede social mediada pela tecnologia? Seu objetivo é cartografar os discursos sobre suicídio de usuários de redes sociais mediadas pela tecnologia, intenção que se desdobrou de modo a apreender as percepções dos usuários de páginas virtuais sobre a temática; Caracterizar afetações acerca do suicídio nos discursos em páginas virtuais; e analisar os discursos acerca do tema em sua relação com os processos de produção de subjetividade contemporâneos. O método da cartografia foi utilizado nesta pesquisa segundo a perspectiva de Deleuze e Guattari (1995). Ele exige uma construção contínua, um acompanhamento de processos de subjetivação e produção de subjetividades (Barros & Kastrup, 2015;
    Kastrup, 2008). Foi, então, traçada uma Cartografia dos discursos que atravessam a temática do suicídio em uma rede social mediada pela tecnologia, o Facebook. Este território foi explorado, seguindo os passos da pesquisa cartográfica, através de um recorte dos discursos expostos em comentários postados em publicações relacionadas ao tema e abertas ao público, estando o trabalho de acordo com a Resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde que autoriza a pesquisa que utiliza informações de acesso e/ou domínio público. Seguindo as pistas sobre o método cartográfico reunidas por Passos, Kastrup e Escócia (2015), realizamos uma busca ativa por discursos públicos utilizando a barra de pesquisa da rede social com a palavra
    “suicídio”. Como critérios de exclusão, dispensamos páginas de figuras e instituições religiosas, publicações realizadas antes de 2016, e postagens que contassem com menos de cem comentários.
    Utilizamos uma ferramenta da rede para selecionar os comentários que a mesma considera “mais relevantes”. Para a realização da pesquisa, reunimos 364 prints e arquivos em P.D.F. Posteriormente,
    todos foram novamente lidos e estudados para a construção dos analisadores. Os resultados estão divididos em dois eixos: 1) explora a compreensão dos discursos cartografados sobre o que é o suicídio; e 2) evidencia causas para o suicídio hoje, segundo os discursos no território. Os eixos evidenciam questões que serviram como analisadoras dos discursos sobre o tema, de modo que o eixo 1 discute o suicídio como um desafio ao tabu da morte; a morte autoprovocada sendo percebida como doença, fraqueza e covardia; e a defesa da mesma como um direito. O eixo 2 possibilita pensar a morte por suicídio como um resultado de pressões sociais; e como uma reação ao preconceito. Também foram percebidos na pesquisa movimentos de resistência a esses processos.

  • FRANCISCA MAIRA SILVA DE SOUSA
  • “Psicologia, saúde coletiva e processos de subjetivação”
  • Orientador : ANA KALLINY DE SOUSA SEVERO
  • Data: 16/11/2018
  • Mostrar Resumo
  • Os avanços conquistados através da Reforma Psiquiátrica instituíram através da Atenção Psicossocial uma rede de serviços substitutivos de base comunitária e territorial, que ganhou impulso através da descentralização e regionalização dos serviços de saúde. Esse cenário favoreceu a articulação de redes regionais de saúde em regiões compostas por municípios com menos de quinze mil habitantes. A criação desses dispositivos demanda uma nova forma de cuidado que geram desafios a serem enfrentados pelas equipes multiprofissionais, pois exige a construção de práticas que superem modelos instituídos de cuidados centrados no trabalho individualizado, fragmentado, mecanizado, que acarreta na especialização; assim como mudanças na formação dos profissionais que são majoritariamente feitas em serviços asilares e em cidades de médio e grande porte. Há uma aposta na Educação Permanente em Saúde (EPS) e trabalho interprofissional para superar esse modelo hegemônico e produzir um cuidado mais integral, construído a partir das práticas concretas dos profissionais, junto aos sujeitos. Assim, problematiza-se a implantação de serviços substitutivos de saúde metal que ocorrem através da articulação de redes de saúde em regiões interioranas, que tem como peculiaridade ser de uma realidade diferente da proposta da Política de Saúde Mental, que limita que os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) sejam implantados em territórios com mais de 15 mil habitantes. Esta pesquisa apresenta como objetivo geral investigar como ocorrem os processos de educação permanente e trabalho interprofissional em uma equipe do CAPS I em municípios de pequeno porte no Piauí para produzirem cuidado e responderem as demandas de saúde mental. E objetivos específicos identificar como os profissionais reconhecem espaços e estratégias de educação permanente em saúde para a gestão de um processo de trabalho interprofissional; conhecer quais os saberes acerca do cuidado que foram produzidos pelos profissionais a partir da sua inserção neste equipamento e compreender os desafios dos profissionais para realizar trabalho em saúde mental nestas cidades. Este estudo utilizou-se dos pressupostos teóricos e metodológicos da análise institucional, conforme apontam Lourau (1993) e Baremblitt (2002). Trata-se de pesquisa intervenção, com uma perspectiva teórica qualitativa. Para a realização da pesquisa foi utilizada a socioclínica institucional (Monceau, 2013). Foi desenvolvida com base na à Resolução 466/12 e a Resolução 510 de 2016, após aprovação pelo Comitê de Ética da UFPI. Para a construção dos dados foram realizadas três rodas de conversa com os profissionais do CAPS I; a participação observante com registro em diários de pesquisa foi outro dispositivo utilizado, para descrever formas de cuidado grupal da equipe. Através das rodas percebeu-se que a equipe foi construindo modos de cuidado a partir das suas experiências no cotidiano. Alguns desafios iniciais foram apontados pela descrença da população em relação ao trabalho dos profissionais por advirem das cidades de onde eles trabalham, além da expectativa da população por um serviço pautado no paradigma asilar. O apoio entre os profissionais foi relatado como forma de melhorar os cuidados desenvolvidos. Modelos instituídos e instituintes de cuidado em situação de crise coexistem, sendo o cuidado integral fragilizado devido aos poucos dispositivos existentes em uma cidade pequena. O cuidado grupal foi identificado como potencializador para a EPS, por possibilitar conversas entre profissionais de diferentes áreas. As dificuldades com a gestão municipal foram apontadas como dificuldades que fragiliza as relações com a rede de atenção do município. A reflexão da construção de dispositivos que chegam a territórios através da regionalização permitiu compreender aproximações e distanciamentos de modos instituídos nos grandes centros, apontando para a necessidade de aprofundar os estudos sobre estes territórios.  

  • PEDRO VICTOR MODESTO BATISTA
  • Comunidade Terapêutica e Hospitalidade: a questão do estrangeiro
  • Orientador : DENIS BARROS DE CARVALHO
  • Data: 15/11/2018
  • Mostrar Resumo
  • A hospitalidade é o ato de receber e acolher bem o hóspede, de ser amistoso e hospitaleiro, abrigar e oferecer ao outro cuidado, compreendida como uma lei, norma e tradição essa se caracteriza como uma hospitalidade condicionada e condicionante, reguladora dos vínculos e da sociabilidade. A hospitalidade absoluta apresentase como uma abertura ao outro, ao estrangeiro, esse ser estranho e não habitual, muitas vezes, estigmatizado e excluído por sua condição de diferença e nomadismo, ele exige a abertura à alteridade e ao exercício da hospitalidade absoluta, pois essa não exige condições para o acolhimento ou a entrada em um pacto, ela burla as leis da hospitalidade e as perverte. Dessa forma, é um impossível e um paradoxo que nos posiciona a pensar nas condições de reciprocidade e vínculo que construímos para com o outro. Todas essas elaborações, apoiadas na filosofia da diferença e no pensamento da desconstrução desenvolvida nas reflexões de Jacques Derrida visa ampliar o debate sobre a hospitalidade como prática ética de acolhimento. Esse estudo
    cartografou a hospitalidade apresentada em uma instituição que se ocupa de abrigar, receber, acolher e cuidar de pessoas em situação de vulnerabilidade, desabrigadas, em situação de rua e/ou em sofrimento psíquico decorrentes do uso ou não de drogas (os estrangeiros), uma comunidade terapêutica na cidade de Parnaiba-PI. Essa instituição funciona como uma moradia que oferece suporte e abrigo àqueles que a buscam ou são encaminhados para as suas “terapêuticas” e “serviços”. Desse modo, com os objetivos de produzir visibilidade e
    dizibilidade aos modos como a hospitalidade acontece nesse serviço; como ela se organiza e se articula com as redes de cuidado; como os moradores dessa comunidade terapêutica vivenciam seus processos de institucionalização e hospitalidade. O pesquisador valendo-se do método da cartografia participou do cotidiano, negociou a formação de um grupo com os residentes dessa instituição e desenvolveu oficinas para produzir informações, implicações e analisadores sobre as experiências da hospitalidade. Essa experiência registrada em diário cartográfico, bem como, os materiais e produções decorrentes das oficinas foram filmados e fotografados. Portanto, esses materiais cultivados durante o percurso cartográfico estão sendo analisados por meio da análise do discurso com a finalidade de produzir problematizações, interpretações e desdobramentos sobre as práticas de hospitalidade vivenciadas no decorrer dessa pesquisa. Podemos identificar o rito da hospitalidade através dos movimentos do
    cartógrafo e dos estrangeiros nessa instituição: o primeiro movimento, o de chegada ou encontro com a instituição, apresenta a experiência do pesquisador ao adentrar os espaços da casa, seu encontro com os estrangeiros, a caracterização da rotina; os estrangeiros, por sua vez, se apresentam e se identificam compartilham de suas historias de vida, memórias e lembranças, esclarecem qual a articulação entre a casa e outros serviços; em um segundo movimento, o da reciprocidade, as trocas entre o cartógrafo e os estrangeiros se fizeram no jogo da
    hospitalidade do dar-receber-retribuir, ou seja, para todos que adentram essa instituição as trocas e a reciprocidade produz subjetividades que os transformam de acolhidos em cuidadores; e no terceiro movimento o de saída da instituição é apresentada a esperança e suas expectativas de transformação, o desejo de mudança, a solicitação do reconhecimento das diferenças que mobilizem relações de amizade e acolhimento. Assim sendo, esse estudo nos aproximou de atravessamentos: de um lado relações de cuidado entre os participantes que acolhem as diferenças, produzem afetos alegres e positivos, constroem laços de amizade e reconhecimento que podem efetivamente transformar as suas perspectivas de vida e produzir mudanças, de outro lado, o poder disciplinar e pastoral, as normas da instituição, a desarticulação da rede de cuidados, o tratamento moral e os vieses de uma instituição total apontam para o fracasso da comunidade terapêutica como serviço suplementar para a Rede de Atenção Psicossocial. Essa mesma rede desarticulada e com falhas dá vazão a esses serviços substitutivos que oferecem, em parte, as necessidades de acolhimento como: a amizade, moradia, abrigo, alimento e espiritualidade. Logo, a hospitalidade absoluta e o reconhecimento das diferenças e da alteridade ampliam a permanência dos estrangeiros e produzem desejos de mudança de modos de vida enquanto as burocracias, o foco na medicalização, a carência de atividades de socialização e articulação com a sociedade, produzem a exclusão e a marginalização das diferenças.

  • FERNANDA MARIA DE OLIVEIRA
  • A atuação do psicólogo no atendimento às queixas escolares do Ensino Superior
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 15/11/2018
  • Mostrar Resumo
  • A Educação Superior tem sido apontada como um cenário ainda pouco explorado pelo psicólogo, por isso, bastante favorável e desafiador para sua inserção e atuação, principalmente, pela necessidade de rompimento com práticas tradicionais de atendimento e de uma visão crítica sobre o processo de escolarização e os problemas escolares que culminam na queixa escolar, produzida nesse nível de ensino, assim como em outros espaços educacionais. A forma de atuar diante desse fenômeno foi discutida nesta pesquisa sob a perspectiva da Psicologia Escolar crítica. O presente estudo buscou compreender a atuação do psicólogo no atendimento à queixa escolar do Ensino Superior, na Universidade Federal do Piauí. Apresentou como objetivos específicos: elaborar o perfil do psicólogo desta instituição, considerando sua formação e sua atuação no Ensino Superior; caracterizar as queixas escolares de universitários; identificar, no conjunto de práticas dos psicólogos da instituição,
    aproximações e distanciamentos da área da Psicologia Escolar e Educacional no Ensino Superior; e, investigar as estratégias desenvolvidas pelos psicólogos na Educação Superior no atendimento à queixa escolar. Utilizou-se o materialismo histórico-dialético que fundamenta a psicologia histórico-cultural, fornecendo subsídios essenciais como base teórica e método para a realização deste estudo. Esta pesquisa, de abordagem qualitativa e exploratório-explicativa, foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Piauí (CEP UFPI) com Parecer de nº 2.164.820 e contou com a participação de 09 psicólogos que atuam no Serviço Escola de Psicologia e nos Núcleos de Assistência Estudantil, em cinco campi desta instituição. Foi estruturada da seguinte maneira: análise documental e trabalho de campo. A partir de levantamento e análise
    de documentos nacionais, institucionais e dos serviços (Decretos Federais, Resoluções, Portarias, Estatutos, Regimentos, Plano de Desenvolvimento Institucional/PDI, Regulamentos, Manuais Operacionais, Relatórios dos Serviços, Editais de concurso da UFPI, ficha funcional da instituição) foi possível elaborar uma linha histórica sobre a inserção dos psicólogos na UFPI e identificar onde atuam, conhecer as queixas atendidas e as práticas que desenvolvem. O trabalho de campo realizou-se com dois procedimentos: questionários sociodemográficos e entrevistas semiestruturadas. A análise de conteúdo possibilitou organizar as informações obtidas nos questionários em dois eixos analíticos. No primeiro eixo, perfil profissional do psicólogo, verificou-se entre os participantes a predominância de psicólogos do sexo feminino, em sua maioria formada em instituição pública, possuindo pós-graduação em diversas áreas, tanto em níveis lato-sensu quanto em stricto-sensu, com inserção na UFPI a partir de 2008, em sua maioria atuando nesta instituição na Política de Assistência Estudantil. No segundo eixo, caracterização das queixas escolares no Ensino Superior, apresentaram-se as demandas de atuação do psicólogo na UFPI alicerçadas nas categorias: processo ensino-aprendizagem; relações sociais; comportamento do estudante; enfrentamento de processos de exclusão social; política de inclusão; política de permanência; e saúde mental dos universitários. Em seguida, foi discutida a caracterização da queixa escolar da UFPI por campus, conforme Relatórios dos Serviços. Para finalizar esse eixo, as queixas escolares por campus da UFPI, embora sejam produzidas de forma integrada, foram agrupadas em fatores relacionados à instituição e ao indivíduo. Os dados coletados com a entrevista, ainda em processo de análise, possibilitarão desenvolver o eixo analítico 03, que discutirá o atendimento à queixa escolar no Ensino Superior a partir das práticas e das estratégias desenvolvidas pelos profissionais na instituição. A partir desse estudo, pretende-se contribuir com uma visão crítica sobre a atuação do psicólogo no atendimento às queixas escolares do Ensino Superior.


     

  • FRANCISCO BRUNO PAZ SOARES
  • A formação em psicologia: interface com a saúde coletiva
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 11/10/2018
  • Mostrar Resumo
  •  

    Mais do que a inserção em diferentes espaços institucionais de saúde e ampliação dos cenários de atuação profissional, a entrada do psicólogo na Saúde aproximou a profissão do campo de debates da Saúde Coletiva, exigindo um modo diferenciado de estar nos serviços e pensar o universo das políticas. Partindo disso, indagamos: Como a Saúde Coletiva tem sido discutida na formação em Psicologia no Brasil tanto em termos oficiais por meio dos Projetos Pedagógicos dos Cursos, quanto em relação ao currículo vivido? Como objetivo geral propomos: investigar os fundamentos epistemológicos, metodológicos e ético-políticos da Saúde Coletiva que orientam os processos formativos em Psicologia no Brasil desde a resolução Nº 8, de 7 de Maio de 2004, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para os cursos de graduação em Psicologia. Como específicos: a) identificar os fundamentos epistemológicos acerca da Saúde Coletiva presentes nos currículos de psicologia; b) analisar as dimensões teórico-metodológicas e técnico-operativas desenvolvidas no decorrer da formação em Psicologia para atuar no campo da Saúde Coletiva; e c) conhecer a forma com que os estudantes de Psicologia do Piauí vivenciam e se implicam com os processos formativos para atuar na Saúde Coletiva. Metodologicamente, trata-se de um estudo de cunho descritivo, com abordagem qualitativa, estruturado em duas etapas. A primeira com base no delineamento documental, utilizou como fonte de produção dos dados os Projetos Pedagógicos dos Cursos de Psicologia (PPC) no Brasil, disponíveis em domínio público (n=30). A análise, apoiada no software IRAMUTEQ, contemplou três componentes: Disciplinas (n=727), Ementas (n=727); e Referências Bibliográficas (n=428). A segunda contemplou uma pesquisa de campo com graduandos dos cursos de Psicologia de Instituições de Ensino Superior das cidades de Parnaíba/PI e Teresina/PI (n=16). Como instrumentos para produção de dados nessa etapa, utilizamos a técnica de entrevista grupal. Tais entrevistas foram analisadas, com base no processo de análise das práticas discursivas, por meio da técnica dos Mapas de Associação de Ideias. Os dados de ambas as etapas do estudo foram
    organizados nas seguintes categorias de análise: 1) Modelo Biomédico; 2) Modelo de Saúde Pública e 3) Modelo de Saúde Coletiva. Conclui-se que apesar do nítido avanço na formação em Psicologia no que tange ao âmbito curricular de conteúdos e práticas alicerçadas ao modelo de Saúde Coletiva e da Reforma Sanitária, tais concepções precisam ser urgentemente ampliadas, principalmente em relação ao currículo vivenciado no cenário piauiense.

  • THAISA DA SILVA FONSECA
  • O psicólogo escolar na educação profissional e tecnológica: práticas, desafios e perspectivas
  • Orientador : FAUSTON NEGREIROS
  • Data: 22/09/2018
  • Mostrar Resumo
  • Esse estudo objetivou analisar as práticas desenvolvidas pelos psicólogos escolares e educacionais nos IFPIs. Utilizou-se o referencial teórico-metodológico da psicologia histórico-cultural e o estudo foi delineado em duas fases: 1) Correspondeu à caracterização do contexto de trabalho e à identificação do perfil dos psicólogos que atuavam nos IFPIs, sendo que 15 psicólogos responderam ao roteiro de caracterização institucional e ao questionário de dados sócio demográfico e profissionais, permitindo conhecer os psicólogos que atuavam na área da PEE, selecionados como participantes da próxima fase; 2) Representou a revelação da concepção de PEE entre os psicólogos atuantes nessa área junto aos IFPIs e à apresentação das práticas que eles desenvolviam, sendo que 10 psicólogos escolares foram entrevistados. A análise dos dados procedeu-se na realização de descrição empírica e teórica, no estabelecimento de unidades de análise e no retorno à realidade dos dados para explicá-los. Na primeira fase, os resultados indicaram que: os Campi locais de pesquisa abrangeram as quatro mesorregiões piauienses; os psicólogos escolares eram predominantemente mulheres, piauienses, casadas e de faixa-etária jovem, em meio que se percebeu um protagonismo da PEE enquanto área de atuação nos IFPIs. Na segunda fase, da qual participaram apenas os psicólogos escolares, averiguou-se que: havia uma variedade de concepções de PEE; as práticas desenvolvidas pelos psicólogos escolares abrangeram ações com foco individual e coletivo junto aos variados atores sociais da instituição e diante dos diversos níveis e/ou modalidades educacionais; coexistiam formas de atuação tradicionais e emergentes, um pleno movimento de transformação das práticas desenvolvidas, superando o modelo clínico-terapêutico e alcançando um modelo de atuação institucional, com evidentes indícios de criticidade em PEE. Espera-se que os resultados contribuam para subsidiar reflexões sobre as práticas desenvolvidas pelos psicólogos escolares nos IFPIs, principalmente com um olhar de potência frente às ações contextualizadas construídas nesse recente lócus de práticas profissionais.

  • ÁDILO LAGES VIEIRA PASSOS
  • Representações sociais, hanseníase e envelhecimento: um estudo com os moradores do Hospital Colônia no Piauí
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 14/09/2018
  • Mostrar Resumo
  • A hanseníase é uma doença infectocontagiosa que possui uma história milenar, mas que somente há poucas décadas tornou-se curável. Neste sentido, ainda é possível encontrar muitas pessoas que foram diagnosticadas com a doença numa época em que o tratamento era baseado na exclusão e no isolamento, sendo os hospitais-colônia uma das principais referências deste paradigma terapêutico. Em vista disso, uma parcela dos pacientes internados nos hospitais-colônia tiveram seus vínculos familiares e comunitários rompidos e/ou fragilizados, o que os fez permanecer nestas instituições, mesmo após a descoberta da cura da hanseníase, fenômeno que também é observado no Hospital Colônia do Carpina (HCC) em Parnaíba-PI. Nesta acepção, esta pesquisa tem como objetivo geral analisar as representações sociais da hanseníase e do envelhecimento entre os moradores do Hospital Colônia do Carpina da cidade de Parnaíba-PI. Como objetivos específicos: realizar uma revisão sistemática dos estudos científicos sobre as representações sociais da hanseníase; apreender as representações sociais da hanseníase entre moradores do Hospital Colônia do Carpina; apreender as representações sociais da hanseníase entre moradores do Hospital Colônia do Carpina; e, ainda, verificar as representações sociais do Hospital Colônia do Carpina entre seus moradores. Para atender aos objetivos, foram realizados três estudos, sendo um teórico (Estudo 1) e dois empíricos (Estudos 2 e 3). De forma geral, os estudos indicaram que as representações sociais da hanseníase apresentam ideias antagônicas, pois embora evidenciem elementos ancorados no conhecimento científico e que representam a hanseníase como qualquer outra doença curável, a prevalência do significante preconceito demonstra que esta representação ainda guarda elementos da lepra. Por sua vez,a representação social do envelhecimento se ancorou num esquema conceitual associado à fase da velhice e objetivado na figura do velho. Além disso, esta representação evidencia elementos positivos e negativos. De forma positiva, a velhice foi concebida quantitativamente como sinônimo de uma vida longa. Negativamente, os entrevistados associaram esta etapa a perdas funcionais, à dependência e a conflitos. Por fim, os participantes representaram o HCC de forma positiva, ressaltando uma adequada estrutura institucional e o bom relacionamento entre moradores e funcionários. Apesar disso, esta representação também apresenta pontos de tensão, pois, para alguns moradores, viver no HCC se deve à falta de recursos físicos e materiais. Já para outros, permanecer no HCC decorre de razões subjetivas, como o apego à instituição. Estas representações refletem, sobretudo, a trajetória de um grupo de pessoas que tiveram suas vidas marcadas pelo isolamento e preconceito decorrentes do adoecimento por hanseníase e que, atualmente, já se encontram em avançado estágio de envelhecimento –75% tem 60 anos ou mais. Espera-se que os resultados desta pesquisa contribuam para o desenvolvimento de estratégias que promovam mudanças capazes de alterar os elementos negativos que estruturam as representações sociais da hanseníase e do envelhecimento, bem como que se reconheça a importância do HCC para seus moradores, haja vista a vivência de grande parte de suas vidas no interior desta instituição.

  • ANA AMABILE GABRIELLE RODRIGUES LEITE
  • Representações Sociais da Robótica Educacional: estudo comparativo entre professores de escolas da rede de ensino privada
  • Orientador : LUDGLEYDSON FERNANDES DE ARAUJO
  • Data: 10/09/2018
  • Mostrar Resumo
  • A integração das novas tecnologias no contexto educacional surge como uma proposta de complemento ao processo de ensino e aprendizagem no atual contexto tecnológico em que se encontra a educação brasileira. De acordo com o Guia de Tecnologias Educacionais, desenvolvido pelo Ministério da Educação, surge, no contexto educacional, a inserção de robótica como uma ferramenta para o ensino. Diante disso, torna-se preciso atentar para as representações que os professores, indivíduos inseridos em sala de aula e em sociedade, possuem desta inserção, Desta forma, essa dissertação objetiva analisar, com caráter, as representações sociais da robótica educacional entre os professores de duas escolas da rede de ensino privada, que possui a robótica educacional e outra escola que não a possui a robótica educacional em seu contexto escolar. Para respaldar teórico-metodologicamente este estudo, utilizou-se o referencial da Teoria das Representações Sociais proposta por Moscovici em 1961. Participaram da pesquisa 40 professores da rede de ensino privada da cidade de Parnaíba, 20 que possuem a robótica educacional em seu contexto e 20 que não possuem a robótica. Para o levantamento de dados, utilizou-se o Teste de Associação Livre de Palavras com a palavra, entrevista semiestrutura e o questionário sociodemográfico. Para realização da análise de dados, utilizou-se a análise de redes semânticas e análise de conteúdo temática de Bardin. A estrutura desta dissertação se organiza em torno de três estudos, que investigam respectivamente as representações sociais da robótica educacional, das novas tecnologias e aprendizagem no cenário educacional atual. Os dados levantados nos estudos demostram que o grupo que possui robótica educacional em seu contexto, representa a robótica educacional e as novas tecnologias com termos voltados para sua aplicabilidade prática, atribuindo a estas, representações de transformação, aprendizagem e avanço. Enquanto que os professores que não a possuem em seu contexto, atribuem a estas, representações veiculadas pela mídia e pelos insumos tecnológicos presente em sua realidade diária. Além disso, as representações destes professores sobre aprendizagem remetem ao ensino em duas abordagens, os professores que possuem robótica educacional a representam por um viés das abordagens construtivistas e os professores que não possuem robótica educacional em seu contexto, por um viés das abordagens instrucionistas. Apesar das diferentes representações em seus núcleos de rede. Os professores de ambos os grupos representam a robótica educacional e as novas tecnologias como uma ferramenta que auxilia no processo de ensino e aprendizagem, representando a aprendizagem enquanto um processo de ação contínua que necessita de estimulação e interação mediada para ocorrer. Espera-se que este estudo possa contribuir para a formação de futuros professores mediante a integração das novas tecnologias no contexto escolar.

  • ANDRESSA VERAS DE CARVALHO
  • “É coco, é coco, cocá, o melhor do coco é quebrar!”: os processos de subjetivação de mulheres quebradeiras de coco no Piauí
  • Orientador : JOAO PAULO SALES MACEDO
  • Data: 04/09/2018
  • Mostrar Resumo
  • Este estudo teve como objetivo cartografar processos de subjetivação de mulheres quebradeiras de coco babaçu piauienses em seu modo de vida e de luta junto ao Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, orientada pela perspectiva ético-estético-política da Cartografia, operando com concepções da caixa de ferramentas-conceitos da Filosofia da Diferença. O estudo foi realizado a partir da imersão em três comunidades rurais do município de Esperantina, onde está localizada a sede regional do MIQCB no Piauí, e que conta com grupos de mulheres quebradeiras de coco. Além do acompanhamento das atividades cotidianas, utilizamos como recursos a produção de narrativas e de fotografias, de autoria das próprias mulheres quebradeiras de coco, que se conectassem aos seus modos de vida. As fotos, posteriormente, foram utilizadas como elementos analíticos em conversas coletivas com as participantes da pesquisa. A análise gerou três eixos: o primeiro recupera as trajetórias de vida das mulheres e o contexto de opressão e violências no qual viviam, assim como também seus movimentos de resistência, fazendo emergir as condições de criação do MIQCB; no segundo, traçamos algumas problematizações em torno da identidade “quebradeira de coco”, forjada no jogo político de reivindicação de direitos; e o terceiro versa sobre os efeitos subjetivos produzidos pela ação política junto ao MIQCB. Este último desdobra-se em três blocos de discussão, sendo o primeiro relacionado aos tensionamentos na lógica normativa que define os lugares socialmente ocupados pelas mulheres; o segundo recupera a amizade em seu potencial político de resistir e produzir contracondutas; e o terceiro que versa sobre as ressonâncias do modo de subjetivação “empresário de si” nos modos de vida das mulheres e os desafios e resistências atuais. Por fim, apostamos na potência do comum e nas lutas transversais enquanto resistência das mulheres quebradeiras junto ao MIQCB, sinalizando para uma abertura de aproximação com outros movimentos sociais, a fim de tentar escapar à racionalidade neoliberal.

SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - STI/UFPI - (86) 3215-1124 | © UFRN | sigjb04.ufpi.br.instancia1 14/08/2022 15:12