O estudo investiga o registro fóssil da preguiça-gigante Eremotherium laurillardi no Piauí, destacando o achado incomum no centro-norte do estado, no município de Arraial. A pesquisa teve como foco caracterizar morfologicamente e cronologicamente o material, reconstruir aspectos paleoecológicos relacionados à dieta e ao clima, além de avaliar a distribuição potencial da espécie por meio de modelagem de nicho ecológico. Para isso, foram realizadas análises morfológicas comparativas detalhadas, que confirmaram a atribuição taxonômica ao gênero Eremotherium. A cronologia foi estabelecida por datação radiocarbônica (¹⁴C) utilizando espectrometria de massas com aceleradores (AMS), resultando em um intervalo de 32.265–33.212 cal yr BP, inserindo o fóssil no Pleistoceno Tardio. As análises isotópicas de δ13C e δ18O, forneceram evidências paleoecológicas, indicando hábitos alimentares associados a plantas de ambientes abertos e campestres, bem como condições ambientais mais frias e secas do que as atuais.
Desse modo, foi desenvolvida a modelagem de nicho ecológico com base em 97 pontos de ocorrência de E. laurillardi, dos quais 37 possuem datação absoluta. As variáveis ambientais utilizadas foram extraídas da base de dados WorldClim, contemplando parâmetros climáticos essenciais como temperatura e precipitação. A modelagem foi conduzida no algoritmo Maxent, com calibração multitemporal, de modo a correlacionar as idades fósseis disponíveis com as respectivas camadas paleoclimáticas, assegurando maior robustez às projeções. Essa abordagem permitiu não apenas reconstruir a distribuição potencial da espécie ao longo do Pleistoceno Tardio, mas também avaliar o impacto do novo registro de Arraial na compreensão de sua paleodistribuição.