Mouriri guianensis Aubl. é uma espécie nativa do Brasil que permanece pouco explorada do ponto de vista fitoquímico. Este estudo tem como objetivo realizar a primeira caracterização detalhada de seus frutos e uma avaliação de suas propriedades biológicas. A composição centesimal e os parâmetros físico-químicos foram determinados para caracterizar o perfil nutricional e a estabilidade biológica do fruto. O perfil químico foi determinado por cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas (CG-EM) e Espectrometria de Massas com Ionização por Eletrospray por Infusão Direta (DI-ESI-EM), seguida da quantificação do teor de fenólicos totais e da capacidade antioxidante pelo ensaio DPPH. A toxicidade aguda preliminar foi avaliada utilizando o bioensaio com Artemia salina. A composição proximal do fruto apresentou 80,09% de carboidratos, 9,01% de umidade, 3,98% de cinzas, 3,51% de lipídios e 3,42% de proteínas, com pH 5,17, acidez de 2,44, 2,5 °Brix e Aw de 0,43. No total, foram identificados 38 compostos: 14 terpenoides, 7 ácidos graxos e 14 compostos fenólicos. A fração saponificável apresentou predominância de ácidos graxos saturados (71,10%), principalmente ácido palmítico (50,79%), enquanto a fração insaponificável foi caracterizada por alta concentração de lupeol e α-amirina (632,33 ng/mg). Notavelmente, o uvaol e o eritrodiol são relatados pela primeira vez na família Melastomataceae. O extrato etanólico apresentou o maior teor de fenólicos (14,26 mg EAG/g) e capacidade antioxidante superior (CE50 = 156,02 µg/mL). A fração insaponificável também apresentou atividade relevante (CE50 = 380,66 µg/mL). Todas as amostras foram classificadas como não tóxicas (CL50 > 1000 µg/mL), não apresentando diferença estatística em comparação com o controle negativo. Em conclusão, M. guianensis é uma fonte segura e promissora de triterpenoides e antioxidantes naturais, com um perfil químico que valida seu potencial nutricional e farmacêutico.