A busca por novos biomateriais tem impulsionado o desenvolvimento de hidrogéis magnéticos baseados em polissacarídeos e ferritas. Neste trabalho, foram produzidos hidrogéis magnéticos a partir de goma de angico branco (Anadenanthera colubrina) e ferrita de magnésio (MgFe₂O₄), visando sua aplicação como matriz para carreamento e liberação controlada de fármacos, utilizando o tioconazol como molécula modelo. Os hidrogéis foram obtidos por método de emulsão, seguidos da incorporação da ferrita e, em formulações específicas, do fármaco. As propriedades físico‑químicas, morfológicas e funcionais foram avaliadas por FTIR, Raman, DRX, TG/DTG, DSC, potencial zeta, medidas magnéticas, MEV/MET, ensaios de intumescimento e testes biológicos (atividade antifúngica, toxicidade em Artemia salina e hemólise). A ferrita apresentou comportamento superparamagnético à temperatura ambiente, enquanto os hidrogéis magnéticos mantiveram resposta magnética reduzida devido ao efeito diluente da matriz polimérica. As análises microestruturais revelaram partículas nanométricas com morfologias heterogêneas. Em DRX, ferrita e hidrogéis magnéticos exibiram caráter cristalino, ao passo que o hidrogel sem fase inorgânica mostrou perfil predominantemente amorfo. Os hidrogéis apresentaram alta afinidade por água, com o hidrogel magnético exibindo intumescimento final ligeiramente menor e mais gradual, compatível com restrições estruturais impostas pela fase particulada. Nos ensaios biológicos, hidrogel, hidrogel magnético e ferrita mostraram atividade antifúngica moderada, enquanto o hidrogel magnético contendo tioconazol apresentou maior eficácia contra Candida albicans. Não houve toxicidade aguda nas condições avaliadas, e apenas tioconazol e ferrita apresentaram halos hemolíticos, indicando redução do potencial hemolítico quando incorporados à matriz. A liberação in vitro de tioconazol foi globalmente baixa, e a presença de campo magnético reduziu ainda mais a liberação, sugerindo que o magneto atua como modulador do transporte, possivelmente por alterações microestruturais que aumentam a resistência difusional. Os resultados demonstram o potencial dos hidrogéis magnéticos como sistemas de liberação controlada de fármacos.