Esta tese investiga os impactos da Primeira Guerra Mundial nos estados do Piauí e Maranhão entre 1914 e 1918, buscando compreender como regiões distantes do front europeu foram afetadas política, econômica e socialmente pelo conflito. Parte-se da problemática de que boa parte da historiografia brasileira privilegia os grandes centros, em especial, o eixo Sul-Sudeste como atuantes ou impactados nos anos da Primeira Guerra Mundial, seja na cobertura midiática, economia, envolvimento político e intelectual ou no front de guerra, relegando espaços considerados periféricos a um papel secundário. O estudo propõe, portanto, analisar esses estados como territórios transformados pela guerra, indo além da dimensão meramente noticiosa e explorando seus desdobramentos concretos. Ancoramo-nos em análise documental e bibliográfica, articulando autores como Celso Castro (2004), no âmbito da Nova História Militar Brasileira, e em plano internacional, Lawrence Sondhaus (2013), David Stevenson (2016) e Martin Gilbert (2017), para compreensão do contexto e desenvolvimento do conflito. Para analisar a participação do Brasil e o papel da imprensa, dialoga com Carlos Daróz (2019), Johny Santana de Araújo (2012; 2014; 2022) e Sidney Garambone (2003). No campo econômico de Piauí e Maranhão, apoia-se em Teresinha Queiroz (1994). A reflexão teórica mobiliza ainda Eric Hobsbawm (1990), sobre nacionalismo e elementos cívicos, e Carl Von Clausewitz (1984), acerca da guerra como continuação da política. A pesquisa utiliza fontes hemerográficas e oficiais, como jornais, conferências e relatórios de governo. Sua relevância reside em demonstrar como o contexto internacional e brasileiro moldou o posicionamento da imprensa piauiense e maranhense no início do conflito e após a entrada do Brasil na guerra em 1917, evidenciando também os impactos da guerra na estrutura militar e na economia dos estados, analisando reorganizações do Exército e as crises de exportações e financeiras. Destacamos ainda a atuação como Adido Naval de José Maria Magalhães de Almeida e as mobilizações cívicas pró-guerra no Piauí e Maranhão, assim como o papel das Academias de Letras na formulação de discursos nacionalistas, por meio de conferências e na criação de ligas em consonância com as nacionais em apoio à causa aliada e brasileira na guerra.