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Banca de QUALIFICAÇÃO: ROSAMARIA DE SOUSA FÉ BARBOSA
Uma banca de QUALIFICAÇÃO de DOUTORADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: ROSAMARIA DE SOUSA FÉ BARBOSA
DATA: 30/10/2026
HORA: 09:00
LOCAL: Sala do Mestrado
TÍTULO: “É UM MULATO”: FABRICAÇÃO, DISPUTA E RACIALIZAÇÃO DA AUTORIDADE SACERDOTAL NA TRAJETÓRIA DE FREI COSME DAMIÃO DA COSTA MEDEIROS
PALAVRAS-CHAVES: Inquisição portuguesa; clero colonial; racialização; autoridade sacerdotal; Piauí colonial.
PÁGINAS: 192
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: História
SUBÁREA: História do Brasil
RESUMO:

Esta tese analisa como a identidade e a autoridade sacerdotal eram fabricadas, reconhecidas, disputadas e racializadas no cotidiano colonial, tomando a trajetória de Frei Cosme Damião da Costa Medeiros como estudo de caso privilegiado. O percurso entre Vila Rica, Lisboa, o Atlântico, São Luís e Oeiras, na segunda metade do século XVIII, é reconstituído por meio do processo instaurado pela Inquisição de Lisboa entre 1791 e 1794, de peças genealógicas e honoríficas produzidas em 1787, de registros paroquiais e de documentação ultramarina que alcança os conflitos de 1802 a 1804. A pesquisa articula micro-história e jogos de escala, história atlântica, perspectiva interseccional e crítica paleográfica e diplomática, tratando cada documento como resultado de procedimentos, relações de força e estratégias de produção de crédito. A análise demonstra que a autoridade clerical não decorria exclusivamente da ordenação ou do pertencimento institucional, mas dependia de títulos, reputações, alianças, performances, classificações de cor e qualidade e formas situadas de reconhecimento. O naufrágio, a circulação pelos sertões, a inserção em Oeiras e os conflitos locais revelam uma mobilidade que ampliava possibilidades de atuação e, ao mesmo tempo, tornava o sacerdote dependente de redes sociais. A acusação de ser “mulato”, a sentença de habilitação para tomar hábito numa das Três Ordens e as qualificações de cavaleiro professo da Ordem de Avis e fidalgo capelão da Casa Real evidenciam a instabilidade das linguagens de honra e distinção; quanto às duas últimas posições, a documentação registra as qualificações, mas não foram localizados seus atos constitutivos específicos. No processo inquisitorial, denúncias de solicitação, violação do sigilo e vida escandalosa foram convertidas em matéria probatória. Embora consideradas insuficientemente demonstradas, a causa terminou sem que Frei Cosme fosse absoluto da instância e com sua repreensão pelo uso indevido do título de comissário. A microanálise mostra, assim, que a posição sacerdotal adquiria ou perdia crédito por mecanismos relacionais e documentais e que o Santo Ofício participava da produção processual da pessoa e de sua autoridade, convertendo circulação, fama, corpo, cor, intimidade e conflito em suspeita, correção e segredo.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2174309 - PEDRO VILARINHO CASTELO BRANCO
Interno - 747.***.***-00 - MARCELO DE SOUSA NETO - UESPI
Interno - 3014383 - RAFAEL RICARTE DA SILVA
Interno - 1316530 - TALYTA MARJORIE LIRA SOUSA

Cadastrada em: 09/10/2026
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