O presente trabalho tem como principal objetivo analisar como os usos do passado medieval
pela extrema-direita brasileira contemporânea operam como mecanismo de legitimação de
um projeto político-ideológico reacionário, inserindo-se no contexto mais amplo da ascensão
desse segmento político no Brasil (2016-2022). A metodologia empregada configura-se
como uma pesquisa de cunho qualitativo, concentrando-se na análise crítica dos conteúdos
que se manifestam na forma de neomedievalismos propagados pela extrema-direita. No que
se refere ao corpo documental da pesquisa, nos dedicamos a examinar séries documentais
como A Última Cruzada (2017) e Pátria Educadora (2020), produzidas pela empresa Brasil
Paralelo, entrevistas presentes em fontes hemerográficas, fontes imagéticas e textuais
produzidas pelos grupos da extrema direita contemporânea brasileira vinculados às
plataformas digitais. A pesquisa é teoricamente amparada na história do tempo presente e na
história digital, partindo dos trabalhos de autores e autoras como Gramsci (1999), Ricoeur
(2008), Hartog (2013), Pachá (2019), Santos (2021), Nicolazzi (2023), entre outros.