A presente pesquisa analisa a atuação da imprensa assembleiana na construção de narrativas político-religiosas
no Brasil contemporâneo, tendo como objeto o jornal Mensageiro da Paz, órgão oficial das Assembleias de
Deus, no período de 2010 a 2016, partindo do contexto de reconfiguração do campo religioso brasileiro,
marcado pelo crescimento expressivo da população evangélica e pela ampliação de sua presença institucional,
social e política. Nesse cenário, busca-se compreender de que maneira o periódico interpreta acontecimentos
políticos relevantes, especialmente as eleições de 2010, as manifestações de junho de 2013 e a crise
institucional. Tais fatos fundamentam-se na documentação constituída pelas edições do Mensageiro da Paz
publicadas entre 2010 e 2016, complementadas por editoriais, colunas de lideranças e materiais institucionais
da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD). O estudo investiga como categorias como moralidade,
autoridade, disciplina, corrupção, defesa da família e batalha espiritual foram mobilizadas na interpretação das
crises políticas e sociais do período, a pesquisa também dialoga com estudos sobre pentecostalismo, religião e
política, imprensa religiosa e cultura política conforme os estudos de Mariano (1999), Almeida (2016) e Burity
(2015). Sustenta-se, como hipótese, que o Mensageiro da Paz participa ativamente da disputa pela produção de
sentidos sobre a política brasileira, contribuindo para a construção de interpretações críticas aos governos
progressistas e para a legitimação de uma agenda político-religiosa de caráter conservador. Desse modo, a
investigação pretende contribuir para a compreensão das relações entre pentecostalismo, mídia, cultura política
e transformações da esfera pública brasileira, especialmente no contexto de ascensão da direita e da extrema-
direita.