Essa dissertação apresenta uma análise da revista Anauê! no período de 1935 a 1937, buscando compreender como ela foi utilizada enquanto instrumento de propaganda, de doutrinação e de arregimentação. Vinculada à Ação Integralista Brasileira (AIB), a revista marcou uma nova fase do movimento, que passou a adotar a estrutura de um partido político. Ilustrada e com a proposta de circulação mensal, a publicação rompeu com o padrão de imprensa integralista, até então voltado exclusivamente aos jornais. Tendo isso em vista, o objetivo geral dessa dissertação consiste em analisar a revista Anauê! e a sua utilização enquanto instrumento político para moldar e fortalecer a cultura política do integralismo no Brasil. Como objetivos específicos, pretende-se identificar a estrutura da revista, quais os conteúdos veiculados e os mecanismos e estratégias simbólicas empregados no periódico. Também se investiga como a Anauê! se tornou um dos principais impressos da AIB e que fatores possibilitaram sua ascensão dentro do conjunto de periódicos do movimento. Por fim, analisam-se as estratégias e técnicas de propaganda (doutrinária e partidária) empregadas pela Anauê!. Do ponto de vista metodológico, adotou-se a Análise de Conteúdo, conforme proposta por Bardin (1977) e Franco (2005). O corpus documental da dissertação é constituído pelas vinte e duas edições da revista Anauê!, publicadas entre 1935 e 1937, bem como por livros e regulamentos produzidos pela organização nesse mesmo período. Quanto ao referencial teórico, fundamenta-se nos conceitos de Cultura Política, desenvolvido por Motta (1996, 2014), Berstein (1998), Remond (2003), de Poder e Capital Simbólico, em Bourdieu (1989), de Teatrocracia, em Balandier (1982), de Paixões Políticas, em Ansart (2019) e de Sacralização da Política, em Lenharo (1986).