O presente trabalho analisa criticamente como os deputados federais Erika
Hilton e Nikolas Ferreira utilizam o TikTok como ferramenta estratégica de
comunicação política e disseminação de informação/desinformação, especialmente
voltada à Geração Z. Parte-se da seguinte problemática: de que modo os conteúdos
produzidos por influenciadores políticos no TikTok contribuem para a difusão de
narrativas enganosas que reforçam polarizações e moldam a percepção pública de
forma distorcida? Como objetivo principal, busca-se compreender as estratégias
narrativas, performativas e estéticas adotadas pelos dois parlamentares na plataforma,
observando como essas construções se articulam com o funcionamento do algoritmo e
com as dinâmicas de engajamento típicas da lógica digital. A pesquisa adota como
referencial metodológico a Hermenêutica de Profundidade, proposta por John B.
Thompson (2011), articulada em três etapas: análise sócio-histórica, análise formal e
interpretação/reinterpretação. Na primeira fase, realiza-se um levantamento contextual
amplo, que contempla o surgimento e a consolidação do TikTok como uma das
plataformas centrais no ecossistema da informação digital, analisando sua lógica
algorítmica, seu modelo de personalização e viralização de conteúdos, bem como sua
apropriação crescente por atores políticos. Essa etapa também inclui a
contextualização da Geração Z como público-alvo prioritário e sensível à lógica
performática da plataforma, além de refletir sobre a ascensão de uma nova geopolítica
da desinformação, marcada pela circulação acelerada de conteúdos simbólicos. A
segunda etapa incorpora a Análise de Conteúdo, conforme Bardin (1977), com o
intuito de organizar e categorizar os vídeos analisados, observando elementos como
narrativas, estratégias de engajamento, recursos simbólicos e apelos emocionais. Por
fim, a terceira fase interpreta criticamente como esses conteúdos produzidos por
Nikolas Ferreira e Erika Hilton no TikTok articulam formas simbólicas que reforçam
ideologias, mobilizam afetos e moldam percepções políticas entre os jovens da
Geração Z. O corpus é composto por três vídeos virais de cada parlamentar, entre
2024 e 2025. Com a presente pesquisa, visa-se compreender como o TikTok funciona
como um ambiente estratégico para a disseminação da desinformação política,
especialmente entre a Geração Z. Observa-se que, embora Erika Hilton e Nikolas
Ferreira ocupem espectros ideológicos opostos, ambos operam dentro da mesma
lógica algorítmica, adotando estratégias convergentes de simplificação discursiva,
personalização e espetacularização. A dissertação destaca o TikTok como um espaço
fértil para a circulação de conteúdos enganosos, configurando-se como um campo
decisivo na disputa simbólica por corações, mentes e cliques. Dessa forma, esta
pesquisa contribui para a compreensão do papel das plataformas digitais na reconfiguração do debate público e na amplificação da desinformação em um contexto marcado pela crise da verdade.