A tuberculose (Tb) é uma doença infecciosa grave, causada pelo Mycobacterium tuberculosis (Mtb). O trato respiratório é a principal via de acesso da tuberculose ao corpo humano, comprometendo geralmente o pulmão e causando a TB pulmonar. Por se tratar de uma bactéria intracelular, capaz de infectar células do sistema imune inato, especialmente os macrófagos, o diagnóstico da tuberculose torna-se bastante desafiador. Além disso, a semelhança dos sintomas com outras doenças respiratórias e a dificuldade de detecção do bacilo em alguns pacientes contribuem para a complexidade diagnóstica, exigindo a associação de métodos clínicos, laboratoriais e moleculares para confirmação da doença, o que eleva os custos com diagnóstico e dificultam o acesso rápido ao tratamento. O desenvolvimento e a utilização de biossensores eletroquímicos, emergem com grande potencial para contribuir de forma significativa com os problemas oriundos do diagnóstico caro e tardio de tuberculose. Por conter atributos que os tornam ideais para uso em beira de leito ou ponto de atendimento (Point-of-Care: PoC), e por não requerer conhecimento laboratorial ou médico especializado para operacionalização. Nesta perspectiva o desenvolvimento de um dispositivo imunossensor impedimétrico torna-se uma alternativa como método destinado ao diagnóstico da tuberculose, causado pelo Mycobacterium tuberculosis. Sendo assim, neste trabalho foi desenvolvido um dispositivo eletroquímico por meio da interação específica entre o anticorpo Anti-CFP10 e o analito, a proteína CFP-10, que está presente na corrente sanguínea de pacientes com tuberculose ativa. A técnica de espectroscopia de impedância eletroquímica (EIS) foi adotada para acompanhar as etapas de modificação das camadas de adsorção do eletrodo, bem como do processo de detecção final da proteína CFP10 nas amostras usando concentrações equimolares de [Fe(CN)6] 3−/4− totalizando 5 mM e cloreto de potássio (KCl) 100 mM solubilizados em PBS 10 mM com o pH final ajustado para 7.4 e estabilização do potencial de circuito aberto (open circuit potential, OCP) em 600s. Os dados gerados pelo Software Pstrace do potenciostato portátil (Palmsens modelo Sensit/smarttm) foram ajustados usando o circuito equivalente de Randles. O diagrama de Nyqusit foi empregado para avaliar o diâmetro do semicírculo da impedância real (Rct), em cada uma das fases de caracterização das etapas de imobilização dos componentes de fabricação do imunossensor como também da etapa de detecção da proteína CFP10. A primeira etapa de caracterização foi a da concentração do glutaraldeído (GA), que foi sucedida pela caracterização da concentração de Anti-CFP10, tempo de imobilização do Anti-CFP10 e tempo de detecção da proteína CFP10. A concentração de GA 2,5% (Rct: 6,3% ± 1,56) obteve a melhor resposta de detecção do CFP10 em relação a concentrações de GA12,5% (Rct: 27,97 ± 4,39) e GA25% (Rct: 52,26 ±0,08). Já a caracterização do Anti-CFP10 a concentração de 1μg/ml (Rct: 12,94 ±1,64) teve melhor resultado de detecção em relação as concentrações de 12,5μg/ml (Rct: 15,47 ±4,02) e 25μg/ml (Rct: 51,83 ±4,24). Com relação ao tempo de imobilização do Anti-Cfp10, 45min foi quem obteve a melhor resposta, entretanto o tempo de detecção do CFP10 não teve diferenças significativas nos tempos de 45, 30 e 15min. O imunossensor apresentou LOD de 5,45 pg·mL−1 e LOQ de 18,1 pg·mL−1, evidenciando elevada sensibilidade analítica para a detecção da proteína CFP10. Esses resultados evidenciam o potencial do dispositivo para uso no diagnóstico da tuberculose, sobretudo ao se considerar a faixa de concentração detectável do biomarcador investigado neste estudo, em comparação com outros imunossensores que também utilizaram o analito CFP10 como alvo.