A presente pesquisa dedica-se à problemática sociológica da relação entre a inserção das mulheres no mercado de trabalho e o papel de mãe socialmente determinado, o qual essencializa o ser mulher vinculado à maternidade. Com tal enfoque, esse estudo se justifica a partir da compreensão da importância social de desmistificar a maternidade e desnaturalizar os papéis socialmente atribuídos às mulheres. A noção de maternidade compulsória, que alicerça essa pesquisa, diz respeito à imposição social da maternidade como condição essencial do ser mulher, que naturaliza o dom da maternidade como algo instintivo, como se todas as mulheres desejassem essa experiência. Diante disso, esta pesquisa tem como objetivo geral compreender as experiências das mulheres que tiveram de conciliar maternidade e inserção no mercado de trabalho frente ao repertório da maternidade essencializada. Para tanto, a metodologia aplicada neste estudo parte de uma abordagem qualitativa interseccional, que reconhece a importância das imbricações multidimensionais do fenômeno analisado e a diversidade de experiências das mulheres na maternidade e no mercado de trabalho. A execução se dá, assim, com a aplicação da técnica de entrevista semiestruturada, sendo selecionadas mulheres inseridas em diferentes posições sociais para alcançar a diversidade de classe na análise do fenômeno com o intuito de observar os encontros e distanciamentos entre diferentes vivências.