Esta dissertação investiga os efeitos da racionalidade neoliberal sobre o trabalho docente nos programas de pós-graduação stricto sensu do Centro de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Piauí (CCHL/UFPI). Parte-se da compreensão do neoliberalismo não apenas como modelo econômico, mas uma racionalidade normativa que reconfigura instituições, práticas e subjetividades, instaurando a lógica produtivista no espaço acadêmico. Nesse contexto, o produtivismo acadêmico se manifesta na pressão por publicações constantes, na intensificação das jornadas e na naturalização da autoexploração docente, podendo comprometer a qualidade da produção intelectual e a saúde dos professores. O objetivo geral consistiu em analisar como o neoliberalismo e o produtivismo afetam a vida dos docentes da pós-graduação do CCHL/UFPI. Especificamente, buscou-se: identificar os impactos do neoliberalismo no trabalho acadêmico; compreender a percepção dos docentes quanto ao esforço, recompensa e reconhecimento institucional; examinar a existência de forças de resistência às lógicas produtivistas; e avaliar as condições oferecidas pelos programas de pós-graduação em relação às exigências de desempenho. A opção metodológica, trata-se de uma pesquisa quanti-qualitativa de caráter analítico, fundamentada em levantamento bibliográfico e documental, aplicação de questionários sociodemográficos e realização de entrevistas semiestruturadas com 05 docentes bolsistas CNPq vinculados aos programas de pós graduação de História, Letras, Filosofia e Políticas Públicas. Os dados obtidos foram tratados de forma integrada, articulando indicadores de produtividade acadêmica à análise das experiências docentes. Buscou-se ainda articular a dimensão empírica às contribuições teóricas contemporâneas. Os resultados evidenciam que o neoliberalismo atua como princípio estruturante do trabalho docente, promovendo a intensificação das atividades, a centralidade do desempenho mensurável e a internalização da lógica da performance. Tais processos produzem impactos na qualidade de vida e reforçam a ambivalência do produtivismo, simultaneamente percebido como imposição institucional e estratégia de reconhecimento. Conclui-se que essa racionalidade está reconfigurando o sentido do trabalho acadêmico, subordinando-o à lógica da mensuração. .