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Banca de DEFESA: MARIA XAVIER ROMEIRO NETA

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MARIA XAVIER ROMEIRO NETA
DATA: 20/05/2026
HORA: 10:00
LOCAL: Ambiente Remoto (online)
TÍTULO: TAMBÉM MORRE QUEM ATIRA: facções, homicídios e governançacriminal no Piauí
PALAVRAS-CHAVES: Homicídios; Facções criminais; Governança criminal; Segurança pública; Dinâmicas criminais.ig
PÁGINAS: 167
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Sociologia
RESUMO:

Esta dissertação de mestrado nasceu de mais de uma década de cobertura policial em  redações jornalísticas do Piauí, durante a qual foram registradas centenas de reportagens sobre o recrudescimento da criminalidade e a escalada de homicídios envolvendo jovens: os que matavam logo também eram assassinados. Um ciclo de vinganças que deixa um rastro de corpos subjugados (Ferreira da Silva, 2024), famílias dilaceradas e comunidades cada vez mais vulneráveis não apenas pela violência e pobreza, mas pelos estigmas que as encerram (Goffman, 1988; Misse, 2011). O trabalho analisa os homicídios ocorridos no Piauí, com foco nas cidades de Teresina e Parnaíba, e como esses crimes refletem a dinâmica das facções criminais a partir da década de 2010. O objetivo central é identificar e compreender as motivações das facções para matar e o nível de instrumentalização (Wikström e Treiber, 2009) dos assassinatos no estado, bem como examinar a governança criminal (Lessing, 2020) que emerge dessa dinâmica. As lacunas que esta pesquisa tenta preencher surgem porque as autoridades em segurança pública negaram até 2012 a presença de facções no estado, ao tempo em que passaram a atribuir a eles a autoria da quase totalidade dos crimes, por vezes a partir da criação de sujeitos hiper-reais (Baudrillard, 1991). A retórica estatal de controle territorial coexiste com a espetacularização da violência, criando o pânico que autoriza a agressividade policial e ações midiatizadas (Bauman, 2009). Essa lógica fomenta ganhos político-partidários sem, de fato, garantir paz às comunidades. A metodologia combina análise quali-quantitativa de sentenças judiciais com reportagens jornalísticas sob o método indiciário (Ginzburg, 1987), a partir de 62 casos de homicídios faccionais ocorridos de 2015 a 2024. Os processos foram obtidos junto ao Painel de Estatísticas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), totalizando 280 processos lidos nas varas do Tribunal do Júri de Teresina e da Vara Criminal de Parnaíba, após criteriosa seleção. A pesquisa identificou que 22% dos processos analisados correspondiam a homicídios faccionais; contudo, esse percentual subestima o fenômeno real. Em Teresina, em média 65% dos réus em casos faccionais foram impronunciados, evidenciando severa limitação da ação investigativa e judicial. A pesquisa apresenta ainda debate teórico sobre as mortes violentas intencionais e sua característica de contágio (Girard, 2015; Manso, 2012) desde os anos 1980 e 1990 no Brasil, simultâneas ao surgimento e fortalecimento das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), e a Pax Monopolista (Biderman et al., 2019) derivada da governança criminal. Entre os achados centrais estão a divergência entre as dinâmicas homicidas de Teresina; o papel do potencial logístico das cidades no redesenho territorial do crime; a invisibilização judicial das vítimas em processos públicos; e a correlação entre o superencarceramento e o  fortalecimento, e não o enfraquecimento, das facções. A dissertação também incorpora mapas interativos dos micro contextos dos homicídios faccionais em ambas as cidades, tornando os dados acessíveis além do ambiente acadêmico. Ao confrontar as motivações catalogadas com os enquadramentos jurídicos de "motivos torpes ou fúteis", o trabalho propõe uma releitura das razões que conduzem jovens a matar e morrer, articulando os conceitos de sujeição criminal (Misse, 2010), necropolítica (Mbembe, 2018) e subjugação (Ferreira da Silva, 2024).


MEMBROS DA BANCA:
Interno - 1412198 - GABRIEL EIDELWEIN SILVEIRA
Externo à Instituição - 205.***.***-00 - GEOVANI JACO DEFREITAS - UECE
Externo ao Programa - 1248724 - LARISSA SOUSA MENDES
Presidente - 945.***.***-68 - MARCONDES BRITO DA COSTA - IFPI
Notícia cadastrada em: 14/05/2026 09:02
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