Esta pesquisa investiga a violência sexual contra as mulheres, particularmente o estupro, centrando-o como um fenômeno de poder baseado no gênero. O estudo desvela a produção social do crime ao confrontar a alarmante hegemonia masculina no polo agressor e a prevalência de violências perpetradas no núcleo familiar. Trata-se de um estudo documental baseado em uma amostragem de processos de segunda instância do ano de 2023 do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), respaldado em interrogatórios de condenados por estupros e depoimentos das vítimas. Parte-se do entendimento de que a concepção normativa do crime no Brasil aproxima-se de uma visão positivista, na qual o estupro é percebido como um fenômeno individual e patológico, em contraposição à denúncia das teorias feministas sobre as relações de poder e dominação originadas nas desigualdades de gênero. Retomam-se, assim, os estudos sociológicos de gênero e da criminologia crítica no sentido de explicar os comportamentos sexualmente violentos masculinos por meio de um contexto mobilizado por relações e negociações de poder entremeadas pela relação entre punitividade e impunidade, compreendendo o estupro como um fenômeno social permeado pelo gênero.