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Banca de QUALIFICAÇÃO: GABRIEL CLYSMAN VIANNA PEREIRA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: GABRIEL CLYSMAN VIANNA PEREIRA
DATA: 24/09/2026
HORA: 14:00
LOCAL: AMBIENTE VIRTUAL
TÍTULO: CONTRADIÇÕES DO DESENVOLVIMENTO EM ILHA GRANDE DO PIAUÍ: perspectivas de jovens filhos de pescadores entre tradição e novos vetores econômicos. APORTES PRELIMINARES.
PALAVRAS-CHAVES: 1. Juventudes 2. Contradições do Desenvolvimento 3. Pesca Artesanal 4. Trajetórias Laborais
PÁGINAS: 75
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Sociologia
RESUMO:

A dissertação "Contradições do Desenvolvimento em Ilha Grande do Piauí: perspectivas de jovens filhos de pescadores entre tradição e novos vetores econômicos" analisa as reconfigurações socioterritoriais na planície litorânea piauiense decorrentes do avanço do capital globalizado. O estudo problematiza o choque estrutural entre o modo de vida tradicional extrativista, centrado historicamente na pesca artesanal e na catação de caranguejo, e a imposição de novos vetores econômicos, notadamente o turismo de massas ("Rota das Emoções"), a especulação imobiliária, a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e os complexos de energia eólica. O problema central investiga se esse modelo vertical promove emancipação socioeconômica ou se atua como uma engrenagem que aprofunda as contradições, a precarização do trabalho e a expropriação territorial. Diante disso, a pesquisa objetiva compreender de que forma as juventudes locais percebem essas coerções mercadológicas e constroem suas trajetórias laborais.Teoricamente, o trabalho fundamenta-se na Sociologia da Juventude, mobilizando o aporte de autores como José Machado Pais, Juarez Dayrell e Pierre Bourdieu. Os jovens são compreendidos como sujeitos sociais ativos que não possuem transições lineares para a vida adulta. Inseridos no que Pais denomina "labirintos de vida", desenham "trajetórias ioiô" marcadas pela instabilidade e pela sobrevivência baseada em arranjos e "biscates" num mercado de trabalho flexível. Aliado a isso, adota-se uma perspectiva decolonial para desconstruir o discurso hegemônico do progresso, evidenciando seu caráter predatório sobre os territórios comunitários. Metodologicamente, a investigação segue uma abordagem qualitativa etnossociológica fundamentada em Daniel Bertaux, utilizando observação participante e entrevistas semiestruturadas com jovens de 18 a 29 anos para coletar "relatos de práticas em situação".Os resultados parciais demonstram que as trajetórias laborais da juventude se estruturam em três lógicas de ação. A lógica de continuidade baseia-se na permanência nas águas como ato consciente de resistência; conscientes da exclusão do sistema escolar formal, encontram no "saber-fazer" pesqueiro a garantia de autonomia frente à subordinação imposta pelo turismo. A lógica de ruptura compreende indivíduos que abandonam a tradição extrativista devido aos riscos físicos e à instabilidade financeira, migrando para o setor de serviços na tentativa de suprir anseios alimentados pela cultura de consumo global. Por fim, a lógica híbrida atua como uma estratégia pluriativa essencial. Afetados pela sazonalidade e desemprego, transitam entre as demandas do turismo e o retorno pontual à pesca, utilizando a herança familiar como âncora de segurança. Conclui-se que as juventudes ilhagrandenses não são passivas, elas manipulam táticas diárias para resistir à marginalização e demarcam ativamente seu protagonismo na defesa de seus territórios.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2174595 - LILA CRISTINA XAVIER LUZ
Interno - 1162245 - MARILIA PASSOS APOLIANO GOMES
Externo ao Programa - 1756788 - SAMUEL PIRES MELO
Notícia cadastrada em: 03/09/2026 11:20
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