Esta dissertação analisa a política de inserção de jovens qualificados no mercado de trabalho definida no Plano Estadual de Juventude do Piauí (PEJ-PI), instituído pela Lei nº 8.552/2024, com delimitação no Eixo 3 – Profissionalização, Trabalho e Renda. A presente pesquisa tem como objetivo compreender como o referido plano estrutura estratégias, ações e instrumentos destinados à inserção de jovens qualificados no mercado de trabalho formal. A análise fundamenta-se nas formulações de Marx (2008; 2010; 2013), Engels (2012) e Lukács (2013) sobre Estado e trabalho; Anderson (1995), Behring e Boschetti (2017) e Dardot e Laval (2016) acerca do neoliberalismo e das políticas sociais; de Foracchi (1972; 1982), Bourdieu (1983), Abramo (2007) e Groppo (2017) sobre juventude; Antunes (2005; 2009; 2019; 2023) e Alves (2007) a respeito das transformações contemporâneas no mundo do trabalho e de Dubar (1998) e Santana e Ramalho (2004) sobre qualificação profissional. Metodologicamente, desenvolve-se uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, baseada em revisão bibliográfica e análise documental. O levantamento bibliográfico foi realizado na Scientific Electronic Library Online (SciELO) e no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), mediante os descritores juventude, trabalho e políticas públicas. A base documental é constituída pela Lei Estadual nº 8.552/2024, especificamente pelo conteúdo normativo do Eixo 3, examinado por meio da análise de conteúdo categorial. Os resultados parciais indicam que o PEJ-PI concentra suas estratégias na qualificação profissional e no estímulo ao empreendedorismo, ao passo que apresenta lacunas na definição de instrumentos de intermediação direta entre os jovens qualificados e o mercado de trabalho formal. A análise realizada até o momento encaminha-se para a confirmação da hipótese de que a centralidade atribuída à formação profissional não é acompanhada, na mesma proporção, por mecanismos normativos de acesso ao trabalho formal. Conclui-se, provisoriamente, que a qualificação profissional, embora relevante, não assegura a inserção laboral, cuja efetivação também depende das condições estruturais do mercado de trabalho e da existência de ações estatais de intermediação. A pesquisa restringe-se à dimensão normativa do PEJ-PI, não abrangendo sua implementação nem as experiências dos jovens destinatários da política.