Esta dissertação analisa a experiência laboral de mulheres com fibromialgia inseridas no trabalho administrativo, buscando compreender como a organização do trabalho e as relações de gênero atravessam a vivência da dor invisível e a construção de estratégias para a permanência profissional. Parte-se do entendimento de que a fibromialgia não se reduz à dimensão clínica, pois a experiência do adoecimento se forma na intersecção entre corpo, trabalho, relações sociais e reconhecimento. A pesquisa tem como questão norteadora: como a organização do trabalho administrativo e as relações de gênero interferem na experiência laboral dessas mulheres? O objetivo geral é analisar narrativas de mulheres, relacionando o adoecimento, organização do trabalho e gênero na elaboração de estratégias para manter a atividade profissional. Como objetivos específicos: identificar como a dor crônica, restrições funcionais e efeitos emocionais da fibromialgia permeiam suas trajetórias; examinar a estrutura do trabalho administrativo e como o gênero molda tarefas, hierarquias e expectativas; e interpretar as medidas adotadas para administrar a dor, permanecer no trabalho e atender às exigências de desempenho. Trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, por meio de estudo de casos múltiplos com mulheres com fibromialgia que exercem ou exerceram atividades administrativas formais em instituições públicas e privadas. Os instrumentos são formulário inicial e entrevistas semiestruturadas, com análise de conteúdo segundo Bardin. O referencial teórico reúne contribuições da Sociologia do Trabalho, Sociologia da Saúde, Estudos de Gênero e Antropologia do Corpo, com base em autores como Marx, Braverman, Antunes, Dejours, Saffioti, Scott, Le Breton e Csordas. Dados preliminares com quatro participantes indicam rotinas intensas e cansativas, com exigências físicas, cognitivas e emocionais. Como resultados iniciais as mulheres relatam a existência de dor difusa, fadiga, distúrbios do sono, ansiedade, dificuldades de memória e concentração sintomas que prejudicam diretamente o trabalho. Também enfrentaram demora no diagnóstico, descrédito e dificuldade de reconhecimento dos sintomas. Nesse contexto, a categoria gestão da dor invisível ajuda a compreender o conjunto de práticas e esforços com que administram limites corporais, reorganizam atividades, negociam reconhecimento de sua condição e buscam manter a produtividade, portanto a permanência no trabalho não significa ausência de sofrimento, mas depende de negociação contínua entre corpo, trabalho e relações sociais.