Esta dissertação analisa a construção das políticas institucionais de enfrentamento à violência de gênero na Universidade Federal do Piauí (UFPI), buscando compreender de que forma as normativas institucionais produzidas pela universidade incorporam concepções de direitos, proteção institucional e igualdade de gênero. A pesquisa parte da compreensão da violência de gênero como um fenômeno social e estrutural, constituído historicamente por relações desiguais de poder e atravessado por marcadores de gênero, raça, classe e sexualidade. O referencial teórico articula as contribuições de Heleieth Saffioti, Joan Scott e Michel Foucault, especialmente para compreender as relações entre gênero, patriarcado, violência, poder, discursos e processos de institucionalização, dialogando também com Pierre Bourdieu, Rita Laura Segato, María Lugones e Carla Akotirene. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza documental, desenvolvida a partir do levantamento e da análise de documentos institucionais e normativos da UFPI, tais como o Plano de Desenvolvimento Institucional, regimentos, resoluções, cartilhas, planos e documentos relacionados às ações de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência de gênero. A análise documental é articulada à análise de conteúdo, tendo como categorias analíticas violência de gênero, prevenção, acolhimento, responsabilização, direitos humanos, igualdade de gênero e interseccionalidade, complementada pela perspectiva foucaultiana para compreender os discursos e relações de poder presentes nos documentos institucionais. O levantamento do estado da arte sobre a produção acerca da violência de gênero nas universidades públicas, realizado como etapa de mapeamento e contextualização da pesquisa, contribuiu para identificar debates, lacunas e desafios que fundamentam a análise do caso da UFPI. Os resultados evidenciam um processo de ampliação do reconhecimento institucional da violência de gênero e de construção de mecanismos normativos voltados à prevenção, proteção e responsabilização. Ao mesmo tempo, a análise permite perceber que a institucionalização das políticas não se reduz à produção de normas, uma vez que sua efetividade depende da capacidade institucional de transformar diretrizes em práticas de acolhimento, prevenção, responsabilização e garantia de direitos. Nesse sentido, a pesquisa contribui para compreender a universidade como espaço de produção de saberes, relações de poder e práticas institucionais, evidenciando a necessidade de que o enfrentamento à violência de gênero seja incorporado de maneira transversal à política universitária. A investigação também busca contribuir para o fortalecimento do debate sobre políticas institucionais de gênero no ensino superior e para a construção de ambientes universitários comprometidos com a igualdade, a proteção e os direitos humanos.