A Imaginação é um tema recorrente na obra do filósofo estadunidense Richard Rorty. Ela está presente nas obras A Filosofia e o Espelho da Natureza (1994), Contingência Ironia e Solidariedade (1989), Objetivismo, Relativismo e Verdade (1995) e em diversos ensaios do filósofo. Tendo em vista a meta de desconstruir os ideais tradicionais de objetividade, verdade, universalidade e da metafísica tradicional, a imaginação pode consistir numa ferramenta fecunda, sendo importante como cumpridora do papel de proporcionar a linguagem como redescrição, a possibilidade de construção identitária e moral em cultura mais comunitária e solidária, além de contribuir com a rejeição ao realismo representacionista, tão presente na história da Filosofia. O objetivo de nossa investigação é analisar a crítica de Rorty à ideia de razão fundamentadora dos conhecimentos e das práticas para propor uma filosofia terapêutica, fundada em novas redescrições cujos temas se amparam na capacidade imaginativa humana que tem como finalidade a solidariedade, a esperança social e autocriação. A proposta de Rorty ao afirmar o paradigma neopragmático da linguagem, sugere uma concepção de filosofia em que os diversos vocabulários alternativos sejam considerados não como quebra-cabeças, mas como instrumentos que serviriam aos reais propósitos humanos. Além de explorar as visões de Rorty acerca da Imaginação, faremos um diálogo entre as suas ideias e as posições de alguns autores contemporâneos, tais como, Lionel Trilling David de Le Breton e Northrop Frye, que também contribuíram com a discussão sobre o tema. A partir desse diálogo, espera-se a produção de uma síntese que possa mostrar a partir de Rorty como ficam as coisas quando abandonamos a exigência de uma teoria unificadora da realidade e como podemos nos concentrar nas demandas da solidariedade e da autocriação. Por fim, será dado um maior enfoque ao papel que a imaginação possui para o cultivo da solidariedade. Esse recurso redescritivo é favorecido a partir da noção de empatia, sendo a imaginação fundamental para que esse estado afetivo possa emergir.