Esta tese de doutorado investiga a articulação entre ciência, linguagem e teologia a partir do pensamento do filósofo belga Jean Ladrière, estabelecendo um diálogo histórico e epistemológico com as matrizes de René Descartes e Edmund Husserl. O objetivo principal é compreender como a racionalidade científica moderna, marcada por um viés operatório e formalista, pode ser reconciliada com a profundidade da experiência existencial, culminando na dimensão teológica. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem teórico-bibliográfica, estruturando-se em três eixos centrais. Primeiramente, analisa-se a separação histórica entre filosofia e ciência promovida por Descartes, com ênfase na mathesis universalis e na matematização da natureza, que reduziu a compreensão do mundo à extensão e ao movimento. Em seguida, examina-se a fenomenologia de Husserl como uma crítica rigorosa ao positivismo e à formalização excessiva da ciência, resgatando a intencionalidade da consciência e o mundo da vida (Lebenswelt) como solos originários do sentido. Por fim, o estudo aprofunda-se na filosofia de Ladrière, que supera o reducionismo ao categorizar as ciências em formais, empírico-formais e hermenêuticas. Demonstra-se que, para o autor, a linguagem atua como mediadora indispensável na construção do conhecimento, não havendo acesso direto ao real sem a estruturação simbólica de signos e conceitos. Os resultados apontam que a racionalidade é plural e que a ciência, embora autônoma e eficaz em sua operatividade, não esgota a totalidade do sentido humano. A tese conclui que a teologia, na perspectiva ladrièreana, não se opõe à razão científica, mas opera em uma esfera existencial distinta, onde a linguagem da fé — de caráter performativo e autoimplicativo — oferece um horizonte último de significância, integrando a criatividade técnica humana à acolhida do absoluto.