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Banca de QUALIFICAÇÃO: MATHEUS BARBOSA DA ROCHA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MATHEUS BARBOSA DA ROCHA
DATA: 01/10/2018
HORA: 14:00
LOCAL: Sala de reuniões da Direção do Campos
TÍTULO: O Cuidado em Saúde nos Terreiros e suas Interfaces com a Estratégia de Saúde da Família
PALAVRAS-CHAVES: Religiões de Terreiros; Estratégia de Saúde da Família; Interações; Cuidado
PÁGINAS: 236
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

Esta pesquisa traz como campo de problematização as interações nas ofertas de cuidado entre religiões afro-brasileiras e Estratégia de Saúde da Família (ESF). A criação do Sistema Único de Saúde (SUS) levou a mudanças de perspectivas que resultaram em críticas ao modelo hospitalocêntrico e maior enfoque na Atenção Primária à Saúde (APS). Na realidade brasileira, esse nível de atuação é operacionalizado principalmente pela Estratégia de Saúde da Família (ESF). De modo geral, aos profissionais dessas equipes é incumbido que os mesmos interajam com os espaços sociais da comunidade e promovam cuidados em saúde através de relações democráticas, equânimes e horizontais. Nesse contexto, interações da ESF com as práticas de cuidado em saúde promovidas pelos terreiros mostram-se necessárias. Diante desse cenário, o objetivo geral desse estudo consistiu em investigar os processos de interações entre religiões de terreiros e Equipes de Saúde da Família nas ofertas de cuidado em saúde aos territórios em que estão inseridos e aos adeptos/consulentes das religiões afro-brasileiras. Os específicos foram: (1) conhecer as concepções dos praticantes/adeptos das religiões de terreiros sobre saúde, adoecimento e cuidado em saúde; (2) mapear os processos de cuidado em saúde promovidos pelas religiões afro-brasileiras direcionados aos seus praticantes, consulentes e à comunidade de forma geral; (3) caracterizar as estratégias de cuidado em saúde desenvolvidas pelas ESFs em relação aos povos de terreiros; e (4) analisar as interações nas ofertas de cuidado em saúde entre religiões de matrizes africanas e Estratégia de Saúde da Família. Como matriz de investigação e como estratégia de produção e análise das informações utilizamos o referencial da Análise Institucional, mais especificamente em uma perspectiva “no Papel”. Os sujeitos dessa pesquisa, desenvolvida na cidade de Parnaíba, foram divididos em três grupos: no primeiro tivemos três líderes de centros religiosos afro-brasileiros; no segundo, estiveram os praticantes/consulentes desses estabelecimentos religiosos; e no terceiro, os profissionais das três ESF que cobriam os respectivos terreiros investigados. Como instrumentos utilizamos entrevistas semi-estruturadas com os líderes religiosos; observação participante das cerimônias espirituais; conversas informais com os consulentes; e uma roda de conversa com cada ESF. A partir do nosso mergulho no campo de pesquisa foi possível percebermos que promover saúde nesses espaços expressa perspectivas de cuidado em saúde que se contrapõem às racionalidades biomédicas, positivistas e cartesianas, fazendo referência, muitas vezes, a terapêuticas como: uso de plantas com finalidades terapêuticas; recebimento de rezas e passes; consultas com cartomantes, com seus jogos de búzios e incorporações; atendimentos com as entidades por meio de jogos de búzios e incorporações; e desenvolvimento de projetos sociais e comunitários. As ESFs terminam funcionando num viés curativo-preventivista, o que desemboca na premissa de que seriam os profissionais da saúde os detentores “oficiais” das práticas de cuidado. Dentre as inúmeras possibilidades de dialogias entre esses atores institucionais, nessa pesquisa, conseguimos identificar as seguintes: ausência de atividades conjuntas; reconhecimento mútuo sobre a eficácia e a importância do cuidado em saúde promovido tanto pelos terreiros como pelos serviços de saúde; desenvolvimento de ações conjuntas por iniciativa das Equipes de Saúde da Família; e atividades promovidas pelos povos de terreiros em decorrência das suas articulações políticas. Acreditamos ser esse último caminho, deveras enriquecedor na construção de possibilidades de interfaces entre ESF e religiões de matrizes africanas nas ofertas de cuidado em saúde: o reconhecimento do protagonismo dos praticantes dessas crenças, de modo que estes participem do planejamento, promoção, gestão e avaliação do cuidado em saúde que lhes são destinados.



MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 2231563 - ANA KALLINY DE SOUSA SEVERO
Externo à Instituição - JOAO PAULO PEREIRA BARROS - UFC
Interno - 1774313 - JOAO PAULO SALES MACEDO
Notícia cadastrada em: 21/09/2018 12:08
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