Notícias

Banca de DEFESA: CAROLINE CABRAL NUNES

Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: CAROLINE CABRAL NUNES
DATA: 17/02/2020
HORA: 14:00
LOCAL: Sala de reuniões - Prédio da Medicina
TÍTULO: “Corpos Encaliçados de Prisão”: mulheres e subjetividades em exceção
PALAVRAS-CHAVES: Encarceramento feminino; Prisão; Poder; Racismo; Corpo; Processos de subjetivação
PÁGINAS: 240
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

Nas últimas décadas, a crise do sistema penitenciário tem demonstrado sua ineficiência e
realidade mais cruel indicando a prisão como um local de exclusão e de morte. São
recorrentes as situações de precariedade, insegurança e violência existentes, decorrentes do
grande encarceramento e da superlotação. Na composição do sistema prisional brasileiro
diversas são as práticas que interseccionam os poderes disciplinar, biopolítico e
necropolitico, práticas que conformam a prisão em um território de suspenção de direitos,
um Estado de Exceção permanente. Dentre estes corpos colocados a exceção na prisão, as
mulheres são alvos principais da incidência incessante dos poderes que encarnam seus
corpos e suas subjetividades. Tomando a prisão como um diagrama de forças, esse trabalho
é uma pesquisa de base qualitativa e trata-se de uma analítica foucaultiana de poderes.
Desta forma, teve como objetivo geral: analisar as memórias, as narrativas e os encontros
de uma psicóloga-pesquisadora com mulheres em situação de cárcere, a partir das relações
de poder que incidem sobre os corpos femininos na prisão. O local de pesquisa foi a
Penitenciária Mista de Parnaíba – PI, e utilizou-se o registro em diários de campo e
entrevistas coletivas. O diagrama de poderes na prisão é composto por linhas de
disciplinarização das mulheres, com o esquadrinhamento de seus espaços, do controle das
atividades, da punição de comportamentos transgressores e uma vigilância permanente; por
linhas de controle biopolítico dos corpos, como a limitação de suas sexualidades e
ineficiência dos serviços específicos para a saúde da mulher; e por linhas que operam pela
lógica necropolítica, como a precária alimentação fornecida, ociosidade, além do abandono
ou esquecimento a que muitas são submetidas no cárcere. Constatou-se que o sistema penal
opera por meio de práticas machistas, classistas e racistas, prolongamento da estruturação
social, excludente e discriminatória, concedendo às mulheres presas uma dupla penalização.
Mas também há resistência, como a organização e solidariedade do grupo, as transgressões
de normas e a construção de amizades, além das expressões feministas próprias aos modos
de vida das mulheres encarceradas, o que indica a necessidade de estudos interseccionais e
que considerem suas particularidades e formas de militância. P or fim, o encontro com
mulheres presas também interpela o corpo de mulher-psicóloga-pesquisadora, produz
dessubjetivações e novos territórios, tensionando suas representações acerca de sua
condição de mulher branca, acadêmica, seus ideais feministas e também sua condição de
liberdade.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1774313 - JOAO PAULO SALES MACEDO
Interno - 2140896 - LANA VERAS DE CARVALHO
Externo à Instituição - MARIANA TAVARES CAVALCANTI LIBERATO - UFC
Notícia cadastrada em: 15/01/2020 10:26
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - STI/UFPI - (86) 3215-1124 | © UFRN | sigjb04.ufpi.br.instancia1 26/09/2022 00:07