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Banca de QUALIFICAÇÃO: FRANCISCO EZEQUIEL LIMA ARAUJO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: FRANCISCO EZEQUIEL LIMA ARAUJO
DATA: 07/12/2021
HORA: 14:00
LOCAL: google meet (remoto)
TÍTULO: RELAÇÃO ENTRE O TEMPO DE EXPOSIÇÃO À TELAS E ASPECTOS COGNITIVOS DE CRIANÇAS
PALAVRAS-CHAVES: uso de telas; crianças; desenvolvimento; memória; atenção
PÁGINAS: 50
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

Introdução. O uso de telas tem se tornado habitual em todas as idades, devido ao seu fácil acesso; porém, as consequências às crianças devem ser avaliadas. Nesse contexto, a chegada da internet e as mídias interativas têm colaborado para um aumento no tempo de uso de dispositivos eletrônicos. Assim, o presente trabalho tem como escopo investigar a relação entre tempo de exposição de tela com dois constructos neurocognitivos, mais especificamente, a atenção e a memória operacional.O tempo de tela é entendido como o tempo total pelo qual a criança permanece exposta a todas as telas, incluindo televisão e mídias interativas (NOBRE et al, 2021). São consideradas tecnologias associadas ao tempo de tela: smartphones, tablets, televisão, videogames, computadores, ou seja, mídias digitais conectadas que possuem transmissão pela internet ou redes de computadores (CPS, 2017). Enquanto os estudos sobre tempo de tela na televisão já são bem documentados na literatura, as pesquisas a respeito do uso das mídias interativas começaram emergir paralelamente ao aumento generalizado do acesso e uso dos dispositivos móveis por crianças (GUEDES et al, 2020). Assim, não estão claros os mecanismos fisiológicos relacionados aos efeitos adversos para a saúde e de que forma os diferentes tipos de tela e conteúdo de mídia afetam o SNC. Fundamentação Teórica. Diversas publicações apontam repercussões do TT sobre indicadores de saúde em crianças e adolescentes (SANTANA et al., 2021; SILVA et al., 2016; SUCHERT et al., 2015). Além dos efeitos já documentados à saúde, Prioste (2013) considera que o aumento vertiginoso do acesso à internet pelos adolescentes afeta o estabelecimento de novas formas de sociabilidade, aprendizagem, cultura, lazer e diversão, o que requer, portanto, atenção e acompanhamento de pais e educadores.No que se refere ao funcionamento atencional, dados psicofisiológicos mostram a relação negativa entre a exposição à tela e os padrões relacionados à atenção gerados a partir do EEG em crianças em idade préescolar com desenvolvimento típico (ZIVAN et al., 2019).Entretanto, não foram localizados estudos que tenham investigado aspectos atencionais em pré-adolescentes. A 61 atenção diz respeito a um conjunto de processos que possibilitam controlar a atividade nervosa associada a eventos externos e internos, a medida em que seleciona aspectos que receberão processamento prioritário (XAVIER, 2015).Malloy-Diniz e colaboradores (2010) apontam que diversas funções cognitivas dependem altamente da atenção, como a memória. Logo, um déficit atencional pode, assim, expressar-se em uma ampla gama de sintomas e impactando funcionalmente diversas áreas da vida cotidiana. Strauss e colaboradores (2006) auxiliam na compreensão dos modelos presentes na literatura que estudam a atenção, nesses modelos ela está associada com vários processos básicos, dentre os quais: seleção sensorial, capacidade atencional, desempenho sustentado, seleção de respostas.Malloy-Diniz e colaboradores (2010), sintetizam os diferentes termos utilizados por diferentes autores, são eles: alertness ou arousal, divisão, seletividade, alternância e sustentação. A memória, segunda variável dependente deste estudo, pode ser definida como a capacidade de adquirir, armazenar e recuperar diversos tipos de informações, sendo assim, fundamental para a sobrevivência e formação da identidade (BUENO; BATISTELA, 2015). Baddeley (2003), define a memória operacional como um sistema que envolve o armazenamento temporário e manipulação da informação que é considerada necessária para uma ampla gama de atividades cognitivas complexas. Essas informações advêm do ambiente imediato e de fontes já acumuladas na memória de longo prazo, desta forma, conseguimos operar com várias informações e, concomitantemente, possibilitar o funcionamento das funções cognitivas superiores, como o pensamento, a linguagem, e o raciocínio. Objetivo. Geral: Investigar se o tempo de exposição excessivo a telas estará associado a prejuízos nos testes de memória e atenção. Específicos:1)Investigar se há diferenças na atenção e memória entre crianças que fazem uso normal e elevado de telas; 2) Comparar, por sexo, os resultados obtidos nos testes de atenção e memória; 3) Comparar os efeitos na atenção e na memória de acordo com o período de maior frequência de uso (manhã, tarde, noite). Método. Trata-se de uma pesquisa quase-experimental, transversal, de cunho quantitativo, do tipo descritivo e correlacional. A amostra será por conveniência do tipo não probabilística. Os participantes do estudo serão crianças de 8 a 11 anos da população em geral nas cidades de São Luís (MA), Teresina (PI) e Colinas (MA), que tiverem autorização dos cuidadores e aceitar voluntariamente participar do estudo e cumprirem os critérios de inclusão.O cálculo amostral será feito com o software GPower. Estima-se contar com 60 crianças, 30 do sexo feminino e 30 do sexo masculino. As crianças serão agrupadas em dois grupos de acordo com o tempo do uso de tela, a saber:G1: Grupo de uso normal (até duas horas), 62 n = 30; G2: Grupo de uso elevado (maior que duas horas), n = 30. Primeiramente, será realizada uma triagem utilizando os seguintes questionários: sociodemográfico e de Rastreio do Desenvolvimento. Em seguida, serão utilizados os seguintes instrumentos: Teste de Atenção Visual TAVIS-4, Figura Complexa de Rey e o Teste de Memória de Reconhecimento (Memore)e, com a tutela dos cuidadores, o preenchimento do Diário do uso de mídias. A ordem de aplicação dos instrumentos será contrabalanceada entre os participantes a fim de evitar o viés da fadiga de resposta. Dessa maneira, a primeira metade dos respondentes, deverá iniciar pela ordem inversa a da segunda metade dos participantes. A análise dos dados será realizada com o software SPSS versão 21, analisando a frequência, estatísticas descritivas para obtenção de medidas de tendência central como média e mediana. Será verificada a normalidade dos dados com o teste Komolgorov-Smirnov e o Shapiro Wilk, a homogeneidade da variância com o teste de Levene. Em seguida, serão realizadas análises inferenciais: análise de regressão em relaçãoao tempo de tela e desempenho nos testes de atenção e memória; análises de comparação em relação:ao desempenho dos grupos nos testes de atenção e memória;entre os sexos em relação aos testes de atenção e memória; e análise de qui-quadrado. Encaminhamentos para os Resultados. Foi realizada uma revisão sistemática na literatura científica buscando entender a relação entre o uso de mídias interativas e tempo de tela entre crianças e adolescentes e implicações para o desenvolvimento neurocognitivo. Verificou-se que quanto a seus efeitos na cognição, a literatura apresenta diferentes visões: por um lado, há os entusiastas, que alegam que o acesso a diferentes ferramentas tecnológicas pode contribuir para o desenvolvimento; e por outro lado, alguns pesquisadores têm alertado para o impacto do uso excessivo dessas ferramentas. Em geral, os estudos interpretam os resultados com base no autorrelato da família sobre a frequência que os filhos ficam expostos, uma medida frágil, já que por diversas razões pode não se aproximar do real. Neste estudo desenvolvemos uma medida de monitoramento do uso das mídias na tentativa de ter respostas mais fidedignas a realidade.Assim, considera-se que a relevância científica deste estudo reside na oportunidade de contribuir a compreensão de como as tecnologias emergentes e o rápido acesso à informação influenciam potencialmente o desenvolvimento infantil.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 1398721 - ANA RAQUEL DE OLIVEIRA
Externo à Instituição - MARINA PEREIRA GONCALVES - UNIVASF
Interno - 1816247 - PALOMA CAVALCANTE BEZERRA DE MEDEIROS
Notícia cadastrada em: 06/12/2021 09:13
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - STI/UFPI - (86) 3215-1124 | © UFRN | sigjb05.ufpi.br.instancia1 06/10/2022 21:56