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Banca de QUALIFICAÇÃO: MAYLLA MARIA SOUZA DE OLIVEIRA

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: MAYLLA MARIA SOUZA DE OLIVEIRA
DATA: 08/12/2021
HORA: 15:15
LOCAL: Google Meet
TÍTULO: Cartografia de escrevivências: modos de viver e fazer arte de pescadoras artesanais
PALAVRAS-CHAVES: artesanais
PÁGINAS: 50
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

Introdução:Historicamente, os povos e as comunidades tradicionais têm seus territórios invadidos e expropriados para exploração de riquezas em nome da ordem do Estado e do progresso do capital. De Norte a Sul do Brasil, devido ao avanço de grandes empreendimentos econômicos no território das comunidades tradicionais pesqueiras, os pescadores e as pescadoras artesanais têm seus modos de vida, constantemente, subtraídos. Nesse cenário, são as mulheres que estão à frente da luta em defesa da vida no território das águas, por isso elas são ameaçadas de morte o tempo todo. Inspirada nas “escrevivências” de Conceição Evaristo (Duarte & Nunes, 2020), a partir das quais podemos entender que nossas memórias são construídas através de nossas histórias de vida e que as mesmas são reinventadas a cada momento assim como a água corrente do mar, que enche e vaza, hora agitada e hora calma, eu compreendo a importância de escrever, falar e narrar sobre muitas dessas memórias vividas e compartilhadas com tantas mulheres, que sobrevivem em um território de pesca artesanal, tanto na Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba, formado por municípios do Piauí, do Ceará e do Maranhão como em outros estuários do Brasil. Escrevo essas linhas e através delas reconheço e transcrevo a voz dessas mulheres das águas e reafirmo que ninguém pode falar por nós, porque a nossa força vem do nosso cantar e nós queremos ser ouvidas e assim será. Muitas mulheres, em um cenário nacional sustentam a si mesmas e suas famílias com o trabalho da pesca artesanal, que está diretamente relacionado ao seu modo de vida nos territórios em contextos de comunidades tradicionais, embora ainda tenham que se impor para que sejam reconhecidas como pescadoras, e acabam enfrentando uma série de obstáculos para que consigam tão arduamente serem vistas como tais. Suas afetações e atravessamentos estão diretamente ligados a vida no território e aos modos que essas mulheres encontram para sobreviver e resistir (Flores & Trevizan, 2015, 2019). 80 A partir do pensamento ecofeminista de Silvia Federici (2019) e da concepção de comunidade das sobreviventes da transfeminista Bru Pereira (2021) e também da minha própria experiência, percebo que se trata de uma luta coletiva e importante no que diz respeito ao devir mulher e toda sua subjetividade. Desta forma, a arte de viver do trabalho reprodutivo da pesca artesanal (arte de pescar, de bordar e de confeccionar artefatos da pesca) em toda sua amplitude proporciona uma reinvenção e reconstrução diária, expressa nas diversas memórias e histórias de nossas lutas (Pontes, 2021). Assim as linhas que pescam e as linhas que bordam a vida se entrelaçam para compor caminhos comuns na conquista por nossos direitos e reconhecimento, ocupando espaço em lugares anteriormente tão predominantemente masculinos e nos provocam a construirmos juntas tantas histórias de vida, de luta e resistência. As pescadoras artesanais, através de seus ofícios e com a sua voz, encontram maneiras de se reinventar em um cenário machista e opressor. Portanto, este projeto de pesquisa nasce de um canto de pescadora que resiste, e de um ponto que molda as linhas da história de tantas mulheres que querem ser ouvidas e nos fazem refletir e questionar: Como o trabalho reprodutivo da pesca artesanal afeta os modos de viver e fazer arte das mulheres pescadoras artesanais? Como se constituem os processos de subjetivação em arte e escrevivências de pescadoras artesanais diante da discriminação e preconceitos vivenciados frente a uma sociedade machista e opressora?Objetivos:Geral: Cartografar processos de subjetivação em arte e escrevivências de pescadoras artesanais; Específicos: a) Caracterizar modos de vida, modos de fazer arte, luta e resistência das pescadoras artesanais; b) Mapear processos de enfrentamentos, escrevivências e afetações das mulheres pescadoras e artesãs; c) Analisar processos de subjetivação em arte, sujeição e resistência de mulheres pescadoras e artesãs. Método: A pesquisa realiza-se através da cartografia de escrevivências, com recursos heteroautobiográficos, tendo em vista que parto da narrativa de minha própria escrevivência e devir mulher em um território pesqueiro, uma vez que estou inserida e participo do contexto das vidas de outras mulheres que também vivem em territórios das águas, atravessada e afetada pelas histórias dessas diferentes mulheres em um contexto amplo. Trata-se de um modo de acompanhar os processos de subjetivação, marcados por atravessamentos macro e micropolíticos (Guattari & Rolnik, 2010), denúncias e enunciados que expressam resistências,desejos, percepções, sentimentos, modos de agir e sentir, expressões que não são ditas, porém são vistas dentro de distintas características, de forma que produzemafetação a pessoa, ao lugar ou ao momento e podem ser matérias de expressão de narrativas, práticas, ações, discursos e gestos das mulheres nos modos de 81 viver e fazer arte que compõe esta cartografia. Através da participação observante, está se dando a produção das informações e dados das pescadoras artesanais, que vivem em comunidades tradicionais por meio das vivências no território, memórias, histórias, encontros, rodas de conversa e reuniões que ocorreram presencial e remotamente, em virtude da pandemia por COVID 19, a exemplo: VI Encontro Nacional das Pescadoras, que aconteceu no dia 08/07/2021, através de plataforma virtual, reuniões presenciais de moradores, pescadoras, pescadores e movimentos sociais frente a situações de conflitos no território da Área de Proteção Ambiental do Delta do Parnaíba, participação no Observatório Escuta, que são encontros quinzenais, que ocorrem em plataforma virtual, um espaço de escuta, acolhimento e interação e troca de saberes de pescadoras, pescadores, professores e alunos. Resultados: Percebeu-se que embora existam tantos percalços as mulheres pescadoras artesanais, que vivem nos territórios das águas, buscam maneiras de se reinventar e resistir, traçando caminhos para sobreviver a um sistema opressor, capitalista e colonial que insiste em nos matar a todo instante. a) reconhecendo que muitas vezes nossos corpos não aguentam tantas dores, mas compreendendo que território e corpo se conectam e atravessam toda a subjetividade do devir mulher, assim fortalecendo nossa sobrevivência nesses espaços. b) articulando-se enquanto movimentos coletivos de mulheres e organização pela luta de nossos direitos nos territórios, valorizando lideranças femininas e o potencial de nossas vozes; c) produção de modos de vida que resistem, por meio da prática da pesca artesanal e destacando a arte como potência para viver, que envolve os modos de reinvenção e sobrevivência, considerando a importância de nossas histórias e assim de nossa ancestralidade, na construção de escrevivências, que compõem cartografias de lutas nos territórios das águas. Portanto é necessário coragem de enfrentar as lutas diárias pela conquista de nossos direitos, afinal, não são tempos fáceis, é preciso discutir e combater os sistemas coloniais capitalísticos que invadem e desrespeitam nossas vidas, nossos corpos, nossos territórios. Hoje em dia, graças aos movimentos feministas e os coletivos de lutas, tais como Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP) e Articulação Nacional das Pescadoras (ANP), através do conhecimento adquirido e o respeito aos saberes tradicionais, são muitas as conquistas alcançadas. Além de sinônimo de resistência, a pesca artesanal é fonte de renda e sustendo, embora ainda haja profissões bem realizadas por mulheres que não ganham o devido reconhecimento. As mães de família as executam com excelência, são pescadoras de sonhos, são bordadeiras de realidade, são mulheres que com coragem 82 e determinação lutam para serem ouvidas e reconhecidas como tais. São mães e mãos que vivem suas histórias.


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ANA KARENINA DE MELO AARAES AMORIM - UFRN
Presidente - 2231565 - ANTONIO VLADIMIR FELIX DA SILVA
Interno - 1750399 - CARLA FERNANDA DE LIMA
Notícia cadastrada em: 07/12/2021 19:47
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - STI/UFPI - (86) 3215-1124 | © UFRN | sigjb06.ufpi.br.instancia1 28/09/2022 06:57