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Banca de QUALIFICAÇÃO: CINTIA PINTO DO NASCIMENTO

Uma banca de QUALIFICAÇÃO de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: CINTIA PINTO DO NASCIMENTO
DATA: 08/12/2021
HORA: 18:15
LOCAL: Google Meet
TÍTULO: A mulher sobre rodas: narrativa de uma mulher com deficiência vivendo em uma “sociedade de alta performance”
PALAVRAS-CHAVES: mulher, deficiência, sociedade
PÁGINAS: 50
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Psicologia
RESUMO:

Introdução: A história das pessoas com deficiência é marcada por avanços e retrocessos em vários contextos, como economia e política. A opressão vivenciada por esses indivíduos esteve relacionada à ausência de autonomia e liberdade individual. As concepções de deficiência foram se modificando ao longo do tempo, mas mesmo diante dos avanços, modelos ultrapassados com prerrogativas do capitalismo e capacitismo estão presentes na contemporaneidade.As vidas são atravessadas de maneira assoladoras a partir de uma única história sobre a deficiência, que vem quase sempre marcada por exclusão, promovendo assim tabus, preconceitos, inacessibilidades e tantas violências (Adichie, 2019). Discursos de superação, meritocracia, missão divina tensionam o tempo inteiro a luta para a afirmação do modelo social da deficiência, o qual foi fortalecido por mulheres deficientes. Porém, ainda assim, a sociedade paralisa e nega os lugares que essas mulheresocupam a partir de padrões performáticos femininos. O interesse para a construção da pesquisa partiu da própria experiência da pesquisadora como uma pessoa que tem uma deficiência física, com mobilidade bastante reduzida e que percebeu aescassez na literatura de poucas narrativas sobre a temática. Este interesse de registro autobiográfico em uma tessitura com discussões críticas e conceituais se amplificará quando encontrar, no depoimento de outras mulheres cadeirantes, uma potência de mover-se.Em consonância com as falas que essas mulheres tornaram públicas nos mais diversos meios de divulgação, sejacientífica, seja em páginas pessoais ou jornalísticas, que meu desejo de também expressar minha compreensão, partindo do meu local de fala, que este projeto foi se moldando (Ribeiro, 2017). Assim, a partir das vivências, é possível legitimar as deficiências físicas como um elemento indissociável de cada indivíduo, promovendo novas reflexões no cenário contemporâneo e contrapondo as cobranças de atingir uma irreal perfeição, em um mundo onde constrói todo tempo insatisfação e ineficiência. Como questões que orientam o estudo citamos: Qual o lugar da mulher com deficiência na contemporaneidade? Como as mulheres com deficiência física são afetadas 98 pelo capacitismo? Como o modelo neoliberal pode promover incapacidades diante das expectativas ilusórias de perfeição na sociedade? Como se dá o processo da interseccionalidade a partir das dimensões de gênero, raça, sexualidade e capacitismo? Fundamentação Teórica:A pesquisa será dividida em capítulos que estarão relacionados às narrativas vivenciais da pesquisadora, o conhecimento da literatura referente à mulher com deficiência física, história, gênero, educação, trabalho, sexualidade, maternidade, capacitismo e outras esferas da vida. Articulando também às reflexões de mulheres com deficiência que tornaram manifestas suas experiências em redes sociais ou em meios científicos na contemporaneidade. A inclusão social e o lugar de fala da mulher com deficiência não poderá ser abordado sem relacionar os diversos fatores que a constituem (Gesser, 2010). Autores como: Amaral (1995), Di Marco (2020), Diniz (2007), Gesser (2020), Hooks (2017), Kilomba (2019), Silva (2006) fazem parte do referencial teórico. Desse modo, o estudo seguirá estruturado pela introdução, em seguida será o capítulo 2 Abordagem Metodológica: desenhando um percurso, onde apontaremos o caminho da pesquisa, procedimentos, questões éticas, instrumentos e análise de dados. O capítulo 3 Deficiência Física: um caminho histórico da Idade Antiga à Atualidade elucidará as atribuições às pessoas com deficiência no Ocidente e no transcorrer da história. Apresentará o modelo social da deficiência, as mudanças no conceito e nomenclaturas, abordará a deficiência no Brasil e como está na atualidade. O capítulo 4 Quando tudo começou: narrando memórias, explanará as reflexões acerca da experiência da pesquisadora ao receber o diagnóstico e como lidou com a notícia, ruptura de planos, a nova vivência na cadeira de rodas. No capítulo 5 Educação e Mercado de Trabalho será narrado todo o percurso para obtenção da educação até alcançar uma vaga na universidade, assim também como foi a experiência de adentrar no mercado de trabalho. Ademais, no capítulo 6 Sexualidade / Maternidade: o que meu corpo pode, será retratado o experienciar de como a sexualidade é infantilizada na mulher com deficiência, como o direito de ser mãe é negligenciado. Ao longo desse capítulo será mostrada os estigmas do corpo deficiente, marcado pela corponormatividade e por padrões de beleza ditados na sociedade. O capítulo 7 A produção da incapacidade na sociedade capacitista tratará sobre os conceitos e todas as consequências do capacitismo e a relação com o capitalismo ao longo do tempo. E, por fim, teceremos as principais considerações sobre o trabalho realizado e sinalizando questões emergentes da mulher com deficiência na contemporaneidade. 99 Objetivos:Objetivo geral: Propiciar um espaço de expressão e publicização da narrativa autobiográfica de uma mulher em cadeira de rodas vivendo em uma sociedade de alta performance. Objetivos específicos: a) Conhecer a experiência de como é ser mulher cadeirante na contemporaneidade; b) Compreender sobre os impactos do capacitismo na vida das mulheres com deficiência física; c) Discutir como o modelo neoliberal é produtor de incapacidades diante das expectativas ilusórias de perfeição construídas em uma sociedade capacitista; d) Investigar as questões decorrentes da interseccionalidade no contemporâneo, a partir das dimensões de gênero, raça, sexualidade e capacitismo. Método:Pesquisar acerca da mulher com deficiência, nos levará a fazer uma pesquisa de abordagem qualitativa, por meio de uma narrativa autobiográfica da própria pesquisadora e reflexões de outras mulheres deficientes a partir de suas falas que tornaram públicas (Clandinin e Connelly, 2011; Minayo, 2006). Para Moraes (2000), narrar permite partilhar histórias de sua vida a quem conta seu percurso, refletir e avaliar sua trajetória reaprendendo com ela. Narrar é ressignificar a própria experiência. Por ser um estudo autobiográfico, serão utilizadas as próprias narrativas da pesquisadora, a partir de suas vivências como uma mulher que tem uma deficiência. E em seguida, expor ao leitor as vozes de outras mulheres em cadeira-de-rodas que assumem através da escrita seu lugar e compartilham suas reflexões e experiências.Não haverá necessidade de submissão à Plataforma Brasil para análise e aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) com Seres Humanos, já que a única participante é a própria pesquisadora e os demais relatos colhidos são de origem pública. Assim, o estudo atende aos procedimentos éticos estabelecidos pela resolução n. 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. As experiências serão narradas através de fotos, trechos de diários, memórias de cenas, etc. Resultados e/ou encaminhamento para os resultados:A adoção do método narrativo autobiográfico permitirá envolver a pesquisadora em um contato mais próximo com o tema e assim apresentar sua história partindo do lugar que ocupa como mulher com deficiência física, mãe, entre outros, junto a todos os relatos e informações que serão colhidos ao longo do estudo. Dessa forma, a análise da narrativa será realizada com os materiais pessoais que irão ser disponibilizados. Esses instrumentos iniciarão cada capítulo, os quais serão gatilhos para as discussões, somando às imagens e histórias dos perfis públicos de outras mulheres que têm deficiência. Os disparadores nos tópicos iniciais e a possibilidade de fazer uma costura com conceitos teóricos e todas essas vivências serão os próprios resultados obtidos


MEMBROS DA BANCA:
Externo à Instituição - ANA KARENINA DE MELO AARAES AMORIM - UFRN
Interno - 2231565 - ANTONIO VLADIMIR FELIX DA SILVA
Presidente - 2140896 - LANA VERAS DE CARVALHO
Notícia cadastrada em: 07/12/2021 20:03
SIGAA | Superintendência de Tecnologia da Informação - STI/UFPI - (86) 3215-1124 | © UFRN | sigjb04.ufpi.br.instancia1 25/09/2022 23:43