Mauritia flexuosa L.f., popularmente conhecida como buriti, é
uma palmeira amazônica cujos frutos apresentam epicarpo, mesocarpo e endocarpo ricos em
compostos bioativos, como carotenoides, tocoferóis, fenóis, flavonoides e fitosteróis, associados a
propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e neuroprotetoras. Considerando a elevada
prevalência dos transtornos de ansiedade e os efeitos adversos dos ansiolíticos convencionais, a
busca por alternativas naturais tem se mostrado relevante. Esta dissertação foi desenvolvida em
dois capítulos. O Capítulo I consistiu em uma busca de anterioridade na literatura científica,
abordando o potencial bioativo e neuroativo de M. flexuosa L.f., com ênfase nos compostos
presentes em seus frutos e suas possíveis aplicações no manejo dos transtornos de ansiedade. O
Capítulo II teve como objetivo avaliar os efeitos ansiolíticos da fração insaponificável do epicarpo
do buriti (FIEB) por meio de abordagens in silico e in vivo. A FIEB foi obtida a partir do epicarpo
seco, submetido à extração com hexano, saponificação e metilação. O extrato foi incorporado ao
azeite em concentrações de 6,25 a 50 mg/mL. Zebrafish adultos (Danio rerio) foram distribuídos
em grupos experimentais (n = 6), mantidos sob condições controladas e submetidos aos testes de
toxicidade aguda, campo aberto e claro-escuro. As análises de modelagem molecular
demonstraram interações favoráveis entre os principais constituintes da FIEB e os receptores
GABAAA, com destaque para olean-12-en-3-ol e lupeol. Os ensaios comportamentais
evidenciaram efeito dose-dependente, com modulação da atividade locomotora e exploratória,
sugerindo potencial ansiolítico. Assim, os resultados indicam que a FIEB apresenta efeitos
neuromoduladores promissores, reforçando seu potencial como fonte natural e sustentável de
agentes neuroativos