Este trabalho investiga como perfis de curadoria social no Instagram constroem regimes de visibilidade em Teresina, a partir de um estudo de caso dos perfis @coluna.vip e @periclesmendel. Parte-se do reconhecimento de que, ao registrar eventos de sociabilidade, prestígio e distinção, tais perfis atualizam
lógicas de pertencimento e reconhecimento na cena social teresinense, operando práticas associadas ao
colunismo social digital. O objetivo geral é compreender os regimes de visibilidade das mulheres negras em perfis de curadoria social no Instagram que registram eventos de prestígio e sociabilidade em Teresina, a partir de um estudo de caso dos perfis @coluna.vip e @periclesmendel, investigando em que medida as formas de visibilidade podem estar ancoradas em referenciais raciais hegemônicos. Para tanto, busca-se identificar os regimes de visibilidade mobilizados por esses perfis, analisar como imagens e legendas estruturam narrativas de pertencimento e prestígio social e compreender de que forma marcadores raciais atravessam essas dinâmicas. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, que articula análise de conteúdo e leitura crítica de imagens e legendas, com apoio de planilhas eletrônicas do Microsoft Excel para organização e sistematização do corpus e das categorias analíticas. O referencial teórico mobiliza autoras como bell hooks, Sueli Carneiro, Grada Kilomba e Patricia Hill Collins, em diálogo com estudos sobre raça, mídia, branquitude e regimes de visibilidade. Os resultados apontam para padrões recorrentes de seleção, enquadramento e nomeação que produzem desigualdades na visibilidade conferida às mulheres negras, evidenciando assimetrias simbólicas que atravessam a construção de prestígio e reconhecimento no ambiente digital. Observa-se que, embora haja variações nas formas de mediação entre os perfis analisados, a presença de mulheres negras tende a ocorrer de maneira condicionada, seja por enquadramentos específicos de legitimidade, seja por inserções pontuais em contextos de exceção ou espetacularização. Conclui-se que tais regimes de visibilidade não operam de forma neutra, mas participam da reprodução de hierarquias raciais e sociais, contribuindo para a naturalização da branquitude como referência dominante nos circuitos de distinção social contemporâneos.