|
Descrição |
|
|
-
ADRIANA GALVAO
-
Sustentabilidade, saber-fazer feminino e qualidade do óleo artesanal de pequi (Caryocar coriaceum wittm.) em Boa Hora/PI: da sociobiodiversidade à matriz lipídica de interesse cosmético
-
Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
-
Data: 28/08/2026
-
Mostrar Resumo
-
O óleo artesanal de pequi constitui uma expressão da sociobiodiversidade ao articular conservação da espécie, conhecimentos territoriais, trabalho feminino, circulação mercantil e atributos de qualidade de uma matriz lipídica de interesse cosmético. Esta tese teve como objetivo analisar a sustentabilidade, o saber-fazer feminino e a qualidade do óleo artesanal de pequi (Caryocar coriaceum) produzido em Boa Hora, Piauí, integrando rastreamento relacional da cadeia, identificação botânica, registros georreferenciados e ambientais, sistematização do processo produtivo e caracterização laboratorial, com vistas à agregação de valor no âmbito da sociobiodiversidade e à discussão do óleo como matriz lipídica de interesse cosmético. Adotou-se abordagem interdisciplinar e multimétodo. O rastreamento relacional reuniu pesquisa documental, consulta institucional e observação de 89 pontos comerciais em Teresina. A investigação territorial compreendeu entrevistas com 12 mulheres, observação integral de um processo artesanal e registros botânicos e ambientais. O delineamento laboratorial incluiu oito amostras artesanais, uma preparação obtida em laboratório por extração com hexano (5B), de mesma origem territorial da amostra artesanal 5A, sem correspondência de lote, e uma referência comercial (DB), em conjuntos analíticos distintos. Nos mercados, 29 pontos declararam vender óleo de pequi; 17 forneceram referência territorial ou interestadual, mas apenas uma ligação produtiva foi verificada até Boa Hora, distinguindo origem declarada de proveniência verificada. A matéria-prima foi identificada como Caryocar coriaceum Wittm., com cinco exsicatas incorporadas ao acervo do Herbário Graziela Barroso/UFPI (TEPB 33648–33652). Os registros ambientais associaram a continuidade da atividade à permanência dos pequizeiros e ao acesso aos frutos, diante de conversão da cobertura natural, queimadas, cercamentos e variação percebida da frutificação. A organização do processo em quatro fases e 14 macroetapas técnico-operacionais evidenciou uma tecnologia empírica situada, orientada por critérios sensoriais e decisões sobre matéria-prima, água, calor, separação, coagem, envase e armazenamento. No processo acompanhado, 34,4 kg de frutos resultaram em 510 mL de óleo; o intervalo técnico entre o batimento inicial e a finalização foi de aproximadamente 8 h 20 min, enquanto a jornada observada, desde a preparação do recipiente, totalizou 11 h 46 min. Nas três condições examinadas quanto ao perfil de ácidos graxos e à fração insaponificável — 5A, 5B e DB — predominaram os ácidos oleico e palmítico, acompanhados por terpenoides, triterpenos e fitoesteróis com distribuição variável. As amostras artesanais apresentaram variação nos carotenoides, menor amplitude da atividade antioxidante e heterogeneidade nas contagens de bolores e leveduras. No ensaio celular, 5A, 5B e DB não exibiram padrão dose–resposta consistente de redução da viabilidade. Como devolutiva comunitária, foram elaborados um guia ilustrado de boas práticas, derivado das 14 macroetapas, e uma proposta de rótulo técnico-informativo. Os resultados indicam que a sustentabilidade e a qualidade do óleo se relacionam à articulação entre conservação da espécie, acesso ao território, visibilidade das produtoras, continuidade das informações de origem, saber-fazer, condições operacionais e conservação pós-processamento. A composição é compatível com o reconhecimento do óleo como matriz lipídica de interesse cosmético, sem demonstrar segurança, eficácia, conformidade regulatória ou aptidão para esse uso. Conclui-se que a agregação de valor requer governança da informação, conservação dos pequizeiros, qualificação participativa do processo e retorno às produtoras, sem descaracterizar a base territorial e artesanal da cadeia.
|
|
|
-
MARALÍ SILVA SANTOS
-
ICMS Ecológico como instrumento econômico de política ambiental: regulação, distribuição e incentivos às ações socioambientais no Piauí
-
Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
-
Data: 27/08/2026
-
Mostrar Resumo
-
O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) Ecológico consolidou-se no Brasil como instrumento de federalismo fiscal ambiental orientado à indução de ações socioambientais nos municípios. Embora disseminado em diferentes estados brasileiros, permanecem lacunas quanto à compreensão integrada das relações entre desenho normativo, certificação ambiental, transferências fiscais, execução orçamentária e capacidades institucionais locais. Diante dessa problemática, esta pesquisa analisa o ICMS Ecológico como instrumento econômico de política ambiental, com foco em sua regulação, distribuição e nos incentivos às ações socioambientais nos municípios do Estado do Piauí, buscando compreender em que medida esses incentivos se traduzem em práticas de melhoria das condições socioambientais e contribuem para o fortalecimento da gestão municipal. Adotou-se abordagem quanti-qualitativa, de caráter explicativo, estruturada como estudo de caso múltiplo. A amostra foi definida por amostragem não probabilística do tipo intencional, considerando a constância de participação nos processos de certificação ambiental desde 2017, e incluiu os municípios de Água Branca, Altos, Campo Maior, Corrente, Oeiras, Piripiri e Teresina. A estratégia metodológica combinou análise da trajetória normativa da política, abrangendo o período de 2008 a 2025, com análise empírica dos municípios, tendo 2017 a 2025 como período de referência e recortes específicos conforme a natureza e a disponibilidade dos dados. Foram examinados os repasses do ICMS Ecológico, a execução orçamentária municipal, a relação entre despesas ambientais e transferências recebidas, além de entrevistas semiestruturadas com gestores e servidores públicos. Os resultados evidenciam que o ICMS Ecológico exerce maior influência sobre a dimensão institucional, ao estimular a formalização de estruturas administrativas, instrumentos de planejamento e práticas associadas à certificação. Contudo, os critérios estabelecidos mostram-se mais orientados à verificação da conformidade administrativa e documental do que à aferição da qualidade, continuidade e dos efeitos das ações socioambientais. Na dimensão fiscal e orçamentária, embora os repasses assumam relevância diferenciada entre os municípios, sua ampliação não se converte proporcionalmente em despesas na Função Gestão Ambiental, em razão da ausência de vinculação obrigatória e da dispersão dos gastos entre diferentes funções e subfunções. Os achados indicam, ainda, que a conversão do incentivo fiscal em práticas contínuas depende das capacidades técnico-administrativas, dos instrumentos de planejamento, da articulação intersetorial e dos arranjos de governança locais. Conclui-se que o ICMS Ecológico contribui para a organização da gestão ambiental municipal, mas não assegura, isoladamente, seu fortalecimento operacional ou a continuidade das ações socioambientais. Sua capacidade de produzir resultados está menos relacionada ao volume de recursos transferidos do que às condições institucionais, administrativas, orçamentárias e de governança que mediam sua implementação.
|
|
|
-
SARA ZILANDA LIMA DA SILVA
-
SISTEMA PRODUTIVO DE VAZANTEIROS E AGRICULTORES FAMILIARES EM TERESINA PI: DIÁLOGOS COM A TEORIA DA ATIVIDADE HISTÓRICO CULTURAL
-
Orientador : JOAO BATISTA LOPES
-
Data: 17/08/2026
-
Mostrar Resumo
-
As associações rurais têm o potencial de gerar estratégias criativas e democráticas para o desenvolvimento local, promovendo a participação política e social e otimizando o uso dos recursos disponíveis localmente. Através da organização em associações rurais, os indivíduos podem catalisar mudanças sociais, políticas e econômicas. Este estudo tem como objetivo analisar e compreender o desenvolvimento do sistema de atividades focado na produção e as manifestações de contradições históricas entre os membros de uma associação de agricultores de várzea e agricultores familiares no município de Teresina. Trata-se de um estudo qualitativo baseado na Teoria da Atividade Histórico-Cultural, um quadro teórico-metodológico que sustenta a colaboração entre investigadores e participantes. O estudo foi ancorado no Laboratório de Mudança (LM), caracterizado como uma metodologia participativa que visa proporcionar transformações profundas ou incrementais superficiais no trabalho. Assim, foram realizadas 10 sessões de LM, precedidas por entrevistas semiestruturadas e pela coleta de informações gerais ou específicas por meio de diálogos em grupo ou individuais. As entrevistas, gravadas em áudio, buscaram compreender o sistema de atividades da associação. O estudo demonstra as motivações que sustentam o grupo desde 1991 nas suas atividades, mesmo diante de desafios como a falta de apoio técnico, a falta de posse das terras onde vivem e trabalham e o baixo envolvimento dos membros em ações coletivas. Foram identificados cinco padrões de expressões que remetiam a sentimentos de satisfação e prazer em persistir na lida com a terra: gostar do que faz; vínculo com a história familiar; essência do altruísmo; contato com a natureza e gratidão pela terra. Três contradições históricas foram identificadas nas atividades atuais da associação, que contribuíram para problemas como fragilidade estrutural, falta de serviços essenciais, baixo número de membros, regularização fundiária pendente e produção incipiente. A dramatização destacou-se pelo forte impacto emocional, promovendo aprendizado significativo, fortalecimento da harmonia do grupo e estímulo à agência coletiva. As encenações, criadas pelos próprios participantes, transformaram manifestações de contradições em ações concretas, resultando em mobilização imediata para resolver problemas reais. Assim, o estudo confirma o potencial da arte como ferramenta pedagógica capaz de promover protagonismo, engajamento e união, oferecendo um modelo inovador para políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural e à emancipação de comunidades historicamente excluídas e invisibilizadas.
|
|
|
-
PATRICIA BARBOSA PEREIRA
-
Expansão portuária e conflitos espaciais: as transformações socioeconômicas e ambientais no entorno do Terminal de Uso Privado Porto São Luís/MA
-
Orientador : GIOVANA MIRA DE ESPINDOLA
-
Data: 31/07/2026
-
Mostrar Resumo
-
A partir da década de 1970, o Maranhão implementou políticas desenvolvimentistas que geraram novas configurações territoriais, mas também intensificaram os conflitos ambientais, culturais e agrários. A porção norte maranhense, apesar de sua localização geográfica estratégica (próxima aos mercados norte-americano e europeu) e riqueza biótica e abiótica, integra o estado mais pobre da federação e registra alta incidência de conflitos agrários. Esta tese analisou as transformações territoriais, socioeconômicas e ambientais no Maranhão, especificamente no entorno do Terminal de Uso Privado (TUP) Porto São Luís, atualmente em contrução, e que pertence à empresa Cosan Ltda. O processo de transição empresarial do TUP Porto São Luís, da chinesa CCCC para a brasileira Cosan, fundamentou um dos debates propostos nessa pesquisa. Considerando as sólidas relações diplomáticas entre o estado do Maranhão e a China, o estudo direcionou-se inicialmente para a compreensão do terminal como um ponto estratégico selecionado para compor Nova Rota da Seda, o que abriria caminhos para uma maior adesão brasileira ao projeto geopolítico chinês. O aumento da demanda por exportações e a expansão de projetos de infraestrutura elevam os impactos negativos sobre o meio ambiente e os recursos naturais, tornando crucial a quantificação desses danos. O estudo também abordou a situação das comunidades tradicionais e quilombolas da área, que residem próximas a recursos naturais conservados, em contraste com a pressão exercidas pelos investimentos. A metodologia apoiou-se no método histórico-dialético e na teoria do Ajuste Espacial (Spatial Fix), cujos procedimentos incluíram levantamento teórico, seleção de dados, tabulação e produção de gráficos com uso de planilha eletrônica e do software de estatística BioEstat 5.0. Para a confecção dos mapas de uso e cobertura da terra, adotaram-se os dados da plataforma Mapbiomas, sendo estes processados através do software QGIS. Dados vetoriais dos planos diretores de 2006 e 2023, bem como do zoneamento de 1992, foram obtidos junto ao banco de dados da Prefeitura Municipal de São Luís. Já para a elaboração do mapa do índice composto simples, a partir dos indicadores saneamento, escolaridade e renda, foi necessária a aquisição de arquivos alfanuméricos e vetoriais do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por setor censitário, para os anos de 2010 e 2022. Os resultados indicaram que, apesar de toda a conjuntura de evidente parceria estratégica, o Brasil e o Maranhão ainda não sinalizaram efetivamente a participação na Nova Rota da Seda. A instalação de infraestruturas no estado do Maranhão sempre foi um fator decisivo para a efetivação de atividades econômicas nos mais diversos setores, em especial o primário, que é considerado o motor da economia. Diferentes momentos marcaram o crescimento da economia maranhense, com destaque para os financiamentos do governo federal, visando integrar as regiões do território brasileiro. O uso contínuo dos recursos naturais tem gerado preocupações em face às mudanças climáticas, conforme indicam os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Nesse contexto, a análise considerou as medidas propostas pelo Complexo Portuário do Maranhão que compreende toda a área portuária do Estado, dada a limitação imposta pelo estágio de implantação do TUP Porto São Luís. Verificou-se que há ações para minimizar os efeitos nocivos de suas operações, com especial foco nas diretrizes do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 13. Porém, essas iniciativas apresentam ações que estão estritamente vinculadas à esfera empresarial, negligenciando as demais dimensões e âmbitos previstos pelo referido ODS. As reconfigurações territoriais tornam-se evidentes, impulsionadas tanto pelo avanço de projetos logísticos, a exemplo do TUP Porto São Luís, quanto pela fragilidade da legislação urbanística, que contribuiu para a fragmentação dos territórios tradicionais. Constatou-se que o Plano Diretor, embora concebido como um instrumento de planejamento, atuou frequentemente como um facilitador para a implantação de empreendimentos porto-industriais. As comunidades do entorno foram invisibilizadas nesse processo; em resposta, estas articulam-se pela aprovação da RESEX Tauá-Mirim, visando resguardar 12 comunidades que lutam pela garantia de seus direitos territoriais. Os indicadores sociais analisados contestaram a ideia de que a instalação de empreendimentos garante prosperidade local e melhoria na qualidade de vida. Na prática, o discurso de avanços permaneceu restrito a uma pequena parcela da população. Com isso, espera-se que haja um equílibrio entre as atividades econômicas, os recursos naturais e a população. É necessário que essas justificativas sejam cumpridas, pois, como verificado, os indicadores sociais ficam à margem desse processo de crescimento econômico. Torna-se fundamental que as políticas públicas atendam às necessidades prioritárias e que o processo seja mais acessível, permitindo que a população participe efetivamente das tomadas de decisões.
|
|
|
-
LUAN VICTOR BRANDÃO DOS SANTOS
-
CONHECIMENTO E PERCEPÇÃO DE QUILOMBOLAS PIAUIENSES SOBRE PLANTAS ALIMENTÍCIAS SILVESTRES E INSETOS VISITANTES FLORAIS FRENTE ÀS MUDANÇAS AMBIENTAIS
-
Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
-
Data: 07/07/2026
-
Mostrar Resumo
-
As plantas alimentícias utilizadas por populações tradicionais são importantes componentes na manutenção e promoção da segurança alimentar em regiões vulneráveis. Atualmente, as mudanças ambientais e climáticas influenciam fortemente a disponibilidade, produção e sobrevivência dessas espécies em comunidades tradicionais. Tais efeitos estendem-se aos animais polinizadores, com um impacto notável e significativo sobre as populações de insetos. Objetivamos registrar o conhecimento e percepção dos moradores do Quilombo Custaneira/Tronco em Paquetá/PI, acerca dos impactos das mudanças ambientais nas espécies de plantas alimentíceas e nos insetos polinizadores, com integração dos dados bibliográficos nacionais e informações ambientais. De natureza qualiquantitativa, empregamos análises bibliográficas, lista livre, entrevistas semiestruturadas, dados geoespaciais e climáticos do MapBiomas e estações climáticas e pluviométricas do INMET e ANA. Quantitativamente utilizamos o Fator de Consenso de Informante, Importância Relativa e Índice de Saliência. Registraram-se o maior levantamento sobre as frutíferas alimentícias (557) e seus polinizadores (527). O polinizador mais frequente do país são abelhas de pequeno porte. Os polinizadores exóticos tendem a preferir plantas exóticas, enquanto os nativos apresentam maior versatilidade. As pesquisas etnobiológicas concentraram-se nas regiões Nordeste e Norte particularmente em comunidades rurais. Nossos preditores não foram capazes de separar grupos distintos quanto à diversidade de espécies, domínios fitogeográficos e tipo de comunidades. As plantas alimentícias são importantes agentes na segurança alimentar e econômica no quilombo, onde registramos 98 espécies, pertencentes a 85 gêneros e 43 famílias, sendo Solanaceae (9), Cucurbitaceae (8) e Fabaceae/Anacardiaceae (6) as mais diversas. A maioria é exótica (63,26%) cultivadas em quintais, hortas ou roças. Os frutos são os mais consumidos (55,26%), seguidos por folhas (20,39%), sementes (9,36%), raízes (5,92%), caules (4,61%) e resina/flores/pseudofrutos (0,65%). Os IR e IS destacaram Spondias tuberosa L. e Anacardium occidentale L., como espécies centrais. O alto FCI (0,8925) aponta forte homogeneidade no repertório alimentar, predominantemente com espécies cultivadas, enquanto as silvestres exibem maior diversidade de uso. Detectou-se distribuição igualitária do conhecimento no quilombo. As mudanças climáticas afetam a segurança alimentar, seja pela extinção local de espécies como o Jenipapo (Genipa americana L.) e Araçá (Psidium sp), como pela manutenção dos corpos hídricos. Não houve evidência estatística de alterações no regime chuvoso na série histórica de precipitação no município (p = 0,987; R2 = 0,0056), porém a década de 2010 apresenta uma queda considerável da média hídrica, o que explica a percepção dos moradores quanto à diminuição e rarefação das chuvas. A temperatura média anual apresentou tendência de elevação, com registros mais altos a partir de 2010, coincidindo com o aumento da frequência de queimadas em Paquetá. Conclui-se que as frutíferas são as plantas mais consumidas no Brasil e em Custaneira/Tronco, o polinizador mais frequente são abelhas de pequeno a médio porte, as mudanças climáticas impactam o quilombo com redução de água disponível, extinção de espécies locais e aumento da temperatura que potencializam a insegurança alimentar no quilombo.
|
|
|
-
ITALO EMMANOEL MESQUITA OLIVEIRA DE MOURA
-
Gestão do Ciclo de Vida da cadeia de valor de polpa de frutas: Ecoeficiência e ACV social para a tomada de decisão estratégica
-
Orientador : ELAINE APARECIDA DA SILVA
-
Data: 29/05/2026
-
Mostrar Resumo
-
O modelo de crescimento linear focado no lucro gerou crises ambientais e sociais, demandando a transição para o desenvolvimento sustentável fundamentado na circularidade. Este trabalho justifica-se pela importância estratégica do setor de polpa de frutas para o agronegócio brasileiro, especialmente no Nordeste, e pela carência de estudos que integrem ferramentas de gestão sustentável para este produto. O objetivo geral é analisar os impactos ambientais, sociais e econômicos da cadeia de valor de polpas de frutas por meio da aplicação de ferramentas de Gestão do Ciclo de Vida, visando subsidiar decisões estratégicas voltadas à sustentabilidade do setor. A pesquisa estrutura-se de forma interdependente em quatro etapas: o Capítulo I investigou a comunicação corporativa, revelando que os discursos institucionais são predominantemente orientados ao marketing, com baixo embasamento técnico e potencial de Greenwashing. Essa constatação de falta de transparência deu subsídios para o Capítulo II, que estabeleceu uma proposta metodológica ao integrar a Análise do Discurso materialista à Avaliação Social do Ciclo de Vida, criando um protocolo para converter narrativas e silêncios corporativos em evidências sociais materiais e comparáveis. Com essa ferramenta, o Capítulo III realizou a aplicação prática na cadeia produtiva de polpas congeladas, diagnosticando que 52% das categorias sociais operam abaixo do requisito básico, evidenciando que a etapa de cultivo é significativamente mais crítica socialmente do que o beneficiamento industrial. Para completar o diagnóstico do tripé da sustentabilidade, o Capítulo IV quantificou a relação ambiental-econômico por meio da Avaliação da Ecoeficiência das polpas de acerola e goiaba, identificando o uso intensivo de fertilizantes, o consumo energético na irrigação e a logística regional como os principais hotspots do ciclo de vida. Conclui-se que a aplicação integrada das ferramentas de Gestão do Ciclo de Vida, conforme realizada neste estudo, permite identificar os impactos ambientais, sociais e econômicos, bem como possíveis lacunas entre as narrativas corporativas e a realidade operacional. Assim, identificou-se que sustentabilidade socioambiental no setor ainda é tratada como ferramenta de reputação e não como pilar estratégico na tomada de decisões na cadeia de suprimentos. Como recomendações, propõe-se a aplicação da estrutura proposta no capítulo II em outras cadeias do agronegócio e a inclusão de indicadores de saúde mental e diversidade cultural, acompanhando a evolução das demandas sociais e normativas, bem como a avaliação ambiental de outros tipos de frutas tropicais importantes para a região Nordeste do Brasil.
|
|
|
-
DANIEL LEAL SOUSA
-
Impactos socioambientais e econômicos da implementação das miniusinas de energia solar fotovoltaica no âmbito das Parcerias Público-Privadas (PPPs) do estado do Piauí.
-
Orientador : MARCOS ANTONIO TAVARES LIRA
-
Data: 25/05/2026
-
Mostrar Resumo
-
O crescimento da demanda energética global, aliado aos impactos ambientais causados pelas fontes não renováveis, exige a adoção de políticas públicas voltadas à transição para fontes renováveis e de menor impacto. Nesse contexto, a energia solar fotovoltaica tem se destacado como uma alternativa estratégica, especialmente em regiões com alta incidência solar, como o Estado do Piauí. Essa pesquisa tem como objetivo geral: caracterizar os impactos socioambientais, técnicos e econômicos resultantes da implementação das miniusinas de energia solar fotovoltaica no âmbito das parcerias público-privadas (PPP) do Estado do Piauí. Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, análise documental, coleta de dados secundários (faturas de energia, relatórios técnicos), visitas técnicas e aplicação de entrevistas semiestruturadas com representantes da gestão pública, empresas concessionárias e moradores das comunidades vizinhas às usinas. Os resultados demonstraram economia nos gastos com energia elétrica dos órgãos públicos atendidos pelas miniusinas (R$ 1.482.184,04 no período de março de 2024 a fevereiro de 2025). Quanto à arrecadação municipal, as usinas contribuíram com cerca de R$ 24.500,00 mensais por unidade em Imposto Sobre Serviços (ISS), o que representa um incremento relevante para municípios de pequeno e médio porte. A construção de laboratórios na UESPI, representa um avanço significativo para o fortalecimento da infraestrutura de ensino, pesquisa e extensão da instituição e contribui muito com a formação nessa área. No entanto, foram identificados desafios importantes: planejamento inicial inadequado da alocação dos créditos de geração; ausência de políticas públicas locais para destinação da nova arrecadação tributária; baixa percepção dos benefícios por parte da comunidade local; e fragilidades nos mecanismos de comunicação institucional e participação social. As entrevistas revelaram que 72% dos moradores entrevistados não percebem impactos ambientais. Com a pesquisa constata-se que o modelo de PPP adotado apresenta viabilidade técnica e econômica, mas precisa de ajustes estruturais para maximizar seus impactos sociais e ambientais. Por fim, espera-se que os resultados obtidos ao longo desta pesquisa possam subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficientes e contribuir para o aprimoramento do modelo de Parceria Público-Privada (PPP) aplicado ao setor de energia renovável. Os achados apresentados oferecem subsídios técnicos, econômicos e sociais que podem orientar a concepção de novos projetos, viabilizando sua expansão.
|
|
|
-
IRENE SUELEN DE ARAUJO GOMES
-
Birdwatching como Atividade Socioeconômica e o Ecodesenvolvimento Turístico para a APA Delta do Parnaíba
-
Orientador : ANDERSON GUZZI
-
Data: 25/05/2026
-
Mostrar Resumo
-
A humanidade e sua relação com o meio ambiente são marcadas por diferentes posturas, que vão da exploração utilitária à busca por conservação. Nesse cenário, o conhecimento local assume papel fundamental, especialmente em áreas protegidas, onde a subsistência depende diretamente da biodiversidade. A Área de Proteção Ambiental (APA) Delta do Parnaíba destaca-se por sua singularidade geomorfológica e riqueza biológica, configurando-se como potencial cenário para o desenvolvimento do birdwatching, atividade que integra conservação ambiental, turismo e geração de renda. Nesse sentido, pretende-se avaliar o potencial da APA Delta do Parnaíba para essa prática, identificando a riqueza avifaunística local e os principais pontos de observação, além de analisar a percepção dos condutores de turismo sobre a avifauna. Foram utilizadas técnicas de geoprocessamento e sensoriamento remoto para mapear áreas, identificar suas fisionomias e mudanças ao longo de 28 anos (1996 a 2024), desde o início da implantação da APA até os dias atuais, utilizando o Sistema de Informação Geográfica QGIS, versão 3.22.10. Para o estudo etnoornitológico, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 20 condutores, cujas citações revelaram saberes relacionados à sensibilidade das aves frente ao turismo, às práticas de conservação e ao papel socioeconômico da atividade. A comparação entre a lista oficial de 253 espécies registradas na APA e as 81 mencionadas pelos condutores demonstra um conhecimento local significativo, ainda que parcial, sobre a biodiversidade. Os resultados indicam que o birdwatching, aliado à valorização do conhecimento local, pode se consolidar como atividade sustentável, fortalecendo a conservação da avifauna e promovendo benefícios socioeconômicos às comunidades locais. Ainda foi realizado um levantamento de trabalhos envolvendo descritores específicos sobre a avifauna, resultando no registro de 307 espécies, distribuídas em 25 ordens e 63 famílias, em sua maioria residentes e insetívoras. Esses dados embasaram a elaboração de um aplicativo móvel para apoiar a prática e ampliar o conhecimento sobre educação ambiental e engajamento comunitário, contribuindo para o ecodesenvolvimento regional. Conclui-se que ao se integrar ciência, turismo e conhecimento local, é possível a sensibilização pelo manejo participativo e a consolidação da proposta do passarinhar como instrumento de desenvolvimento sustentável na APA Delta do Parnaíba.
|
|
|
-
CAROLINA DE SOUSA SANTANA
-
Modernização agrícola e saberes tradicionais sobre plantas inseticidas em comunidades rurais de Tianguá-Ce
-
Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
-
Data: 14/05/2026
-
Mostrar Resumo
-
A modernização da agricultura resultou na adoção de práticas agrícolas com a finalidade de expandir a produção de alimentos. No entanto, muitas delas, como os agrotóxicos, trazem prejuízos ao ambiente e à saúde da população. Uma forma de minimizar esses danos é utilizando o conhecimento tradicional, dentre eles, o uso de plantas no controle de insetos infestantes. Entretanto, devido a necessidade de respostas rápidas, muitos agricultores têm resistência a esse tipo de manejo. Diante dessa problemática, objetivou-se verificar se a modernização agrícola interfere no uso de plantas inseticidas em assentamento de reforma agrária e em uma comunidade rural do município de Tianguá- CE. Realizou-se um levantamento bibliográfico para verificar as pesquisas que estão sendo realizadas na temática abordada, utilizado como base de dados a Scopus, Web of Science e Google Scholar, de setembro a dezembro de 2024 por meio dos descritores: “inseticidal plants” AND “traditional knowledge”, “ethnobotany” AND “bioinsecticides”, não sendo delimitado um período de busca, visando verificar a evolução dos estudos, resultando em 53 documentos. A partir da leitura desses trabalhos, observou-se um maior número de publicações no continente africano, sendo que o ano de 2018 destacou-se com um maior número de publicações. Azadirachta indica A. Juss., Nicotiana tabacun L., Eucalyptus globulus Labill. e Melia azedarach L. foram as espécies botânicas mais citadas. Em seguida, foram realizadas a aplicação de lista livre e entrevistas semiestruturadas. O Índice de Fidelidade em associação com o Ranqueamento de Ordem Prioritária, Índice de Importância Cultural e o Quiquadrado foram utilizados como ferramentas quantitativas. Dentre os 40 agricultores da comunidade São José, apenas 12 fazem uso das plantas inseticidas. No Assentamento Val Paraíso, dos 47 entrevistados, apenas 16 fazem uso dos vegetais no controle de insetos. O nim (A. indica ) foi a de maior consenso entre os agricultores da comunidade São José para o controle do pulgão, e no assentamento Val Paraíso a pimenta-de-cheiro (Capsicum chinense Jacq.) foi a de maior concordância para o mesmo inseto. Em ambas as comunidades o nim destacou-se como prioridade de ordenamento. Não houve relação entre conhecimento de plantas inseticidas e escolaridade e entre renda e uso de agrotóxicos na comunidade São José, enquanto no assentamento Val Paraíso essa relação foi significativa. A metodologia participativa foi utilizada com o objetivo de gerenciar o conhecimento tradicional, a partir da construção do Quadro do Gerenciamento do Conhecimento Tradicional. Foram identificadas as vias de transmissão do conhecimento e os critérios de seleção de plantas inseticidas, com 42,5% dos agricultores da comunidade São José relatando que copiam a informação de amigos, sendo a via horizontal a mais utilizada. No assentamento Val Paraíso 55% dos informantes acessam o conhecimento a partir de representantes das empresas, ou seja, pela via oblíqua. Diante do exposto, conclui-se que a modernização agrícola influencia nos critérios de seleção de métodos de controle na comunidade São José e assentamento Val Paraíso.
|
|
|
-
FRANCISCO EDUARDO DOS SANTOS SOUSA
-
CAÇA DE ANIMAIS SILVESTRES: DOS IMPACTOS SOBRE A DIVERSIDADE FUNCIONAL AO CONHECIMENTO ETNOZOOLÓGICO
-
Orientador : WEDSON DE MEDEIROS SILVA SOUTO
-
Data: 30/04/2026
-
Mostrar Resumo
-
A caça de animais silvestres constitui uma das principais ameaças à biodiversidade, comprometendo a diversidade funcional e os serviços ecossistêmicos, inclusive em Unidades de Conservação (UC). O objetivo geral deste estudo foi avaliar os impactos da caça sobre a diversidade funcional de espécies cinegéticas, integrando abordagens ecológicas e etnozoológicas em diferentes escalas espaciais. Foram empregados métodos complementares, incluindo uma revisão sistemática da literatura em escala nacional, levantamentos de campo por meio de transecções lineares para avaliar um gradiente de pressão de caça no Parque Nacional Serra da Capivara (PNSC), e uma abordagem etnozoológica baseada na aplicação de formulários semiestruturados a caçadores e outros atores locais (moradores, guias e agentes de fiscalização). A revisão de 21 estudos identificou 161 espécies caçadas em UC, predominantemente mamíferos, incluindo 30 espécies ameaçadas, com impactos concentrados em funções ecológicas como dispersão de sementes e controle populacional. No PNSC, os levantamentos de campo evidenciaram um gradiente de defaunação, com maior riqueza faunística em áreas internas e de difícil acesso. A abordagem etnozoológica registrou 35 espécies-alvo na região, com a pressão de caça concentrada em mamíferos como Dicotyles tajacu e Dasypus novemcinctus (Linnaeus, 1758), além de revelar que, embora as comunidades reconheçam a importância econômica do Parque, sentem-se socialmente desconectadas dele, apesar de deterem amplo conhecimento sobre a fauna local. Os resultados demonstram que a caça ilegal não apenas reduz populações, mas também compromete funções ecológicas essenciais, diminuindo a resiliência dos ecossistemas. Conclui-se que a gestão eficaz das UC exige a superação de abordagens exclusivamente repressivas, demandando a integração do conhecimento ecológico tradicional, o fortalecimento da participação comunitária e o desenvolvimento de alternativas socioeconômicas sustentáveis, de modo a conciliar a conservação da biodiversidade com a justiça social.
|
|
|
-
GIOVANNA SANTOS DE SOUZA
-
Entre lagoas: da análise à divulgação científica da dinâmica limnológica de lagoas costeiras do Piauí
-
Orientador : IVANILZA MOREIRA DE ANDRADE PAIVA
-
Data: 29/04/2026
-
Mostrar Resumo
-
Os ecossistemas lênticos costeiros são considerados potencialmente instáveis, pois as alterações causadas por estressores naturais e antrópicos interferem com maior impacto em sua dinâmica, favorecendo seu desequilíbrio. As lagoas do Portinho, no município de Parnaíba, Sobradinho, em Luís Correia e da Santana, em Cajueiro da Praia, se destacam por serem as maiores da região costeira do Piauí. Assim, objetiva-se com este trabalho analisar temporal e espacialmente as características físicas, químicas e biológicas de ecossistemas lênticos situados na planície litorânea do estado do Piauí, utilizando as comunidades fitoplanctônica e macrófitas aquáticas, como bioindicadores, para gerar ferramentas de divulgação científica para sensibilização social em ambientes formais e não formais de ensino, a fim de auxiliar futuros programas de gestão desses ecossistemas. Como metodologia foi feita a caracterização sazonal, elaboração de mapas com delimitação da lâmina superficial das lagoas, a análise física, química e biológica da água, utilizando a comunidade fitoplanctônica como bioindicador, aplicação do índice de estado trófico (IET), o levantamento florístico das macrófitas aquáticas e a elaboração de ferramentas de divulgação científica com a produção de cartilha com jogos e atividades didáticas e um documentpario sobre as lagoas. Como resultados parciais observou-se que a dinâmica de redução e expansão da lâmina d’água superficial das lagoas do Portinho, Sobradinho e Santana sofreu consequência direta dos eventos climáticos extremos, como El Niño, que ocasionou índices pluviométricos abaixo da média histórica, principalmente no período de 2010 a 2017, e da redução gradativa dos índices de precipitação pluviométrica e modificação do ciclo sazonal da região nos últimos 50 anos. A sazonalidade e os impactos antrópicos interferem na dinâmica física, química e biológica de lagoas costeiras do Piauí, afetando o estado trófico das lagoas, bem como a diversidade de espécies do fitoplâncton. As lagoas abrigam espécies anfíbias e emergentes de macrófitas aquáticas, principalmente das famílias Cyperaceae e Fabaceae, com novos registros para o Piauí. As ferramentas de divulgação científica encontram-se em fase de elaboração, assim como dados do biovolume do fitoplâncton e a comparação da lista de espécies de macrófitas com outros ambientes costeiros da região Nordeste. Assim, ressalta-se a importância do estudo da dinâmica das lagoas do Portinho, Sobradinho e Santana, visto que as temáticas definidas no presente estudo são pouco ou ainda não foram exploradas na região.
|
|
|
-
VANESSA FERNANDA DA SILVA SOUSA
-
Aspectos socioeconômicos, prospectivos e ambientais do pequi (Caryocar coriaceum Wittm) no Meio-Norte do Brasil: uma análise integrada à luz das mudanças climáticas
-
Orientador : IVANILZA MOREIRA DE ANDRADE PAIVA
-
Data: 24/04/2026
-
Mostrar Resumo
-
Caryocar coriaceum Wittm, conhecida popularmente como pequi, é uma espécie nativa e endêmica do Cerrado brasileiro, de ampla distribuição e grande potencial socioeconômico nos estados de ocorrência, que incluem Piauí, Ceará, Bahia, Pernambuco e Maranhão. Diante da importância da espécie, sua dificuldade de regeneração natural e riscos decorrentes da degradação do seu bioma originário, a presente pesquisa investigou o estado atual do conhecimento científico, tecnológico e socioambiental relacionado à espécie. A pesquisa fundamentou-se na análise de três estudos complementares, que abordam (1) a prospecção científica e tecnológica da espécie, (2) a percepção de coletores sobre sua importância sociocultural e (3) os desafios enfrentados na cadeia produtiva diante da perspectiva das mudanças climáticas. O primeiro artigo desenvolveu uma prospecção científica e tecnológica da espécie a partir da análise de bases de dados nacionais e internacionais (INPI, Web of Science, EPO e DII). Metodologicamente, foram quantificados artigos e patentes relativos ao C. coriaceum, com destaque para a concentração de publicações nos anos de 2011, 2015 e 2020 (n=4, cada). Apesar do número reduzido de patentes (n=7), quando comparado a outras espécies do gênero, como Caryocar brasiliense (n=57), observou-se predominância de aplicações nas áreas médica, odontológica, cosmetológica e alimentícia. O desenvolvimento tecnológico da espécie revelou-se incipiente, embora em ascensão, evidenciando a necessidade de investimentos em bioprospecção e inovação, sobretudo frente ao potencial de uso e ao endemismo da espécie no Brasil. O segundo artigo utilizou a metodologia de análise narrativa para interpretar entrevistas com 17 coletores do Maranhão, revelando o valor simbólico, econômico e afetivo do C. coriaceum para as comunidades extrativistas. As narrativas demonstraram que a coleta do fruto transcende o aspecto econômico, configurando-se como prática de pertencimento e identidade comunitária. As mudanças ambientais — em especial o desmatamento e os incêndios — foram identificadas como ameaças às práticas tradicionais, indicando a urgência da integração do conhecimento ecológico local nas estratégias de conservação, como forma de preservar tanto a biodiversidade quanto a resiliência sociocultural dessas populações. O terceiro artigo investigou a cadeia produtiva do C. coriaceum em Caxias-MA, a partir de abordagem mista com entrevistas semiestruturadas e análise pelo Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). O estudo revelou que a cadeia é sazonal e informal, com lucratividade média de 57,13%, porém vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas, como alterações no regime de chuvas e aumento das temperaturas, que impactam diretamente na frutificação. A ausência de organização coletiva e a dependência de atravessadores comprometem a sustentabilidade da atividade. A diversificação de produtos e o fortalecimento de políticas públicas são apontados como estratégias para aumentar a resiliência das comunidades extrativistas. Em conjunto, os estudos demonstram que Caryocar coriaceum Wittm. representa uma espécie de elevado valor estratégico, ainda subexplorado do ponto de vista tecnológico. A articulação entre conhecimento científico, saberes tradicionais e políticas públicas é crucial para o fortalecimento da cadeia produtiva, conservação da espécie e promoção do desenvolvimento sustentável das comunidades que dela dependem.
|
|
|
-
RUBENILSON AMORIM MARTINS
-
Qualidade, governança e gestão das águas: implicações nos usos e conflitos na bacia hidrográfica do rio Itapecuru, Maranhão
-
Data: 25/03/2026
-
Mostrar Resumo
-
A água é a base da vida no planeta Terra, pois proporciona as condições ambientais e biológicas para a manutenção da biodiversidade e para a sobrevivência da espécie humana, impondo as sociedades humanas uma dependência para a sobrevivência e para o desenvolvimento das atividades econômicas. Apesar da extrema dependência, da não existência de elemento que a substitua, o avanço da escassez, a insegurança hídrica e a degradação da qualidade da água, desencadeadas pela mudança na cobertura da terra, intensificação dos usos da água, poluição hídrica e mudanças climáticas, são realidades comuns e crescentes em grande parte dos países. O conhecimento da qualidade ambiental de bacias hidrográficas é fundamental para o desenvolvimento de ações e políticas eficazes de governança e gestão das águas, de modo a compatibilizar o uso e cobertura da terra com a preservação dos recursos hídricos, evitar conflitos pelo uso da água e garantir a perenidade em quantidade e com qualidade adequada para proporcionar os usos múltiplos da água. Assim, está pesquisa tem como objetivo analisar a qualidade, governança e gestão das águas e as implicações nos usos e conflitos na bacia hidrográfica do rio Itapecuru.A área de estudo compreende o alto, médio e baixo curso da bacia hidrográfica do rio Itapecuru, que está localizada na parte centro-leste do Estado do Maranhão. Para analisar a relação do uso e cobertura da terra com a qualidade da água na bacia hidrográfica do rio Itapecuru, foi feita a comparação das classes de uso e cobertura da terra, definidas a partir da confecção de mapas de uso e cobertura da terra, desenvolvidos com imagens do satélite Landsat 8 dos anos de 2003 e 2023, com os dados de qualidade de água, obtidos no Portal HidroWeb do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH) com a série histórica de 2003 a 2023. A condição de qualidade da água foi definida por meio dos Índices de Qualidade da Água -IQA-NSF e IQA-CCME e dos Índices de Estado Trófico IET-Lamparelli e TRIX, os dados de qualidade da água utilizados nos índices, foram obtidos em campanhas de coletas de amostras de água realizadas nos rios Itapecuru e Alpercatas, com periodicidade bimestral, ao longo do ano de 2023, totalizando seis campanhas, três no período chuvoso e três no período de estiagem. Os usos da água foram identificados a partir de observações in locoe análise das outorgas de uso da água ativas, e os cenários de conflitos hídricos foram identificados através do balanço hídrico e da condição de qualidade da água dos principais rios da bacia hidrográfica do rio Itapecuru. A avaliação da eficácia e eficiência da governança e gestão da água, foi realizada a partir da aplicação dos indicadores de governança da água desenvolvido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE. Os resultados demonstraram relação entre alteração no uso e cobertura da terra, com perda de qualidade da água na bacia hidrográfica do rio Itapecuru, em que o trecho da bacia com menor alteração na cobertura natural da terra (alto curso) apresentou melhor qualidade da água e os trechos com maiores alterações na cobertura natural da terra (médio e baixo cursos) apresentaram maior degradação a qualidade da água. A condição de qualidade da água definida a partir dos índices de qualidade da água e dos índices de estado trófico, também ratificou esse padrão espacial da degradação da qualidade da água na bacia hidrográfica, com o alto curso apresentado menor degradação e os cursos médio e baixo maior degradação da qualidade da água. Os principais usos da água identificados com base na quantidade de outorgas emitidas foram, pecuária representando 51,19%, irrigação 18,86%, aquicultura 5,98%, indústria 5,38%, esgotamento sanitário (diluição) 3%, mineração 1,79%, abastecimento público (urbano e rural) 0,89% e lazer 0,59%. Com relação aos cenários de conflitos hídricos, verificou-se por meio do balanço hídrico, baixa probabilidade de ocorrência de conflitos pela redução da quantidade de água, por outro lado, constatou-se uma maior probabilidade de ocorrência de conflitos pela perda progressiva da qualidade da água. Os indicadores de governança da água da OCDE, mostraram a existência de muitas lacunas na governança da água na bacia hidrográfica do rio Itapecuru, especialmente ligadas ao monitoramento e avaliação de políticas da água, monitoramento, transparência, inovação da governança, equidade e proteção dos utilizadores da água, e mostrou como principais pontos fortes (eficácia e eficiência), a existência de políticas, leis e instituições envolvidas na governança da água e regulação por meio de políticas e normas. Por fim, espera-se que os resultados obtidos nesta pesquisa possam ser utilizados como uma importante ferramenta para tomada de decisão, pelas organizações ligadas a gestão da água e ordenamento territorial, gestores públicos e comitê da bacia hidrográfica, de modo a nortear o planejamento da gestão e governança da água no território da bacia hidrográfica do rio Itapecuru.
|
|
|
-
ANTONIA ALIKAENE DE SÁ
-
Composição florística, estrutura da vegetação e uso da terra no Vale do Canindé, semiárido do Nordeste brasileiro
-
Data: 16/03/2026
-
Mostrar Resumo
-
A Caatinga e o Cerrado constituem ecorregiões de elevada relevância ecológica no Brasil e, no semiárido nordestino, estruturam mosaicos vegetacionais complexos, especialmente em áreas de transição (ecótonos). Apesar de sua importância biológica, esses sistemas vêm sendo intensamente pressionados pela expansão agropecuária, intensificação do uso do solo e exploração de recursos naturais, resultando na redução da vegetação nativa e na perda de biodiversidade. Nesse contexto, esta tese teve como objetivo analisar, de forma integrada, a composição florística e a estrutura da vegetação, as dinâmicas de Uso e Cobertura da Terra e a efetividade da política pública do ICMS Ecológico no Território de Desenvolvimento Vale do Canindé, Piauí, buscando compreender as interações entre os componentes ecológicos, econômicos e institucionais e subsidiar estratégias de planejamento territorial sustentável. O estudo foi realizado em seis municípios representativos de áreas de Cerrado, Caatinga e ecótono Cerrado–Caatinga. Entre 2022 e 2024, foram conduzidas expedições de campo para levantamento florístico por caminhadas aleatórias e amostragem fitossociológica pelo método de pontos-quadrantes. As espécies foram coletadas em estágio reprodutivo, herborizadas e identificadas com base em chaves taxonômicas, comparação com coleções de herbários e consulta a especialistas. A classificação seguiu o sistema APG IV, com conferência nomenclatural e do status de conservação na plataforma Flora e Funga do Brasil. As mudanças no Uso e Cobertura da Terra foram avaliadas a partir de dados do MapBiomas (Coleção 2 – beta), comparando-se os anos de 2016 e 2023, e relacionadas a indicadores socioeconômicos do IBGE. A análise da efetividade do ICMS Ecológico baseou-se na documentação referente ao Selo Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH), no período de 2021 a 2024, com suporte de análises estatísticas. Foram registrados 151 táxons, distribuídos em 44 famílias e 112 gêneros, com predominância de Fabaceae, Bignoniaceae, Malpighiaceae e Malvaceae. Os gêneros mais representativos foram Cordiera, Cenostigma, Mimosa e Fridericia. O município de Oeiras apresentou maior diversidade florística e incluiu a espécie rara Bredemeyera petiolata, além de novos registros para o estado do Piauí e espécies quase ameaçadas, como Handroanthus serratifolius e Amburana cearensis. A análise de similaridade indicou compartilhamento e exclusividade de espécies entre os municípios, destacando a afinidade florística entre Oeiras e São João da Varjota, bem como o caráter ecotonal de Cajazeiras do Piauí. Na análise estrutural, foram registrados 129 táxons, distribuídos em 87 gêneros e 31 famílias, sendo Fabaceae a mais representativa. As áreas de ecótono apresentaram maiores índices de diversidade, especialmente Oeiras (H’ = 3,51) e São João da Varjota (H’ = 3,06). As espécies com maior valor de importância variaram conforme a fitofisionomia, destacando-se Pityrocarpa moniliformis no Cerrado e Cenostigma nordestinum e Callisthene microphylla na Caatinga. Combretum leprosum foi a espécie mais abundante, indicando estágios sucessionais intermediários. A distribuição diamétrica em padrão “J” invertido sugere regeneração ativa, embora sob influência de perturbações antrópicas. A análise espacial evidenciou redução generalizada da vegetação nativa e expressiva expansão da agropecuária, especialmente em Tanque do Piauí (+59,82%) e São João da Varjota (+35,13%), associadas à dependência econômica do setor primário. A avaliação do ICMS Ecológico mostrou descompasso entre conformidade burocrática e efetividade ambiental, com predominância de ações de baixo custo e limitada implementação de medidas estruturais de maior impacto. Conclui-se que o Vale do Canindé abriga elevada biodiversidade, particularmente em seus ecótonos, porém encontra-se sob forte pressão antrópica, demandando políticas públicas mais robustas e estratégias integradas de conservação e gestão territorial.
|
|
|
-
VANÊSSA COELHO DA SILVA
-
Carbono no solo e impactos ambientais no cultivo de meloeiro sob sistema conservacionista e convencional
-
Orientador : GUSTAVO SOUZA VALLADARES
-
Data: 02/03/2026
-
Mostrar Resumo
-
A mudança no uso da terra para fins agrícolas é uma das principais fontes de emissão de CO2 tornando o manejo do carbono (C) edáfico essencial para a mitigação das mudanças climáticas. No semiárido, o cultivo intensivo do meloeiro sob modelos convencionais de monocultivo podem degradar os recursos naturais e potencializar impactos ambientais. Diante disso, é fundamental a integração de tecnologias sustentáveis, como o uso de misturas de plantas de cobertura e sistemas de preparo mínimo do solo. Aliada a técnicas de produção agrícola sustentáveis, o uso de modelos matemáticos e metodologias ambientais, como o modelo Rothamsted Carbon (RothC) e a Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), apresenta-se como estratégia indispensável para monitorar estoques de C e otimizar a eficiência ambiental dos sistemas produtivos.Com esse estudo, objetiva-se (1) Avaliar a dinâmica do estoque de C em diferentes camadas de solo do cultivo de melão sob diferentes composições de mistura de plantas.; (2) Modelar o estoque de carbono futuro em diferentes agroecossistemas no cultivo de meloeiro sob diferentes cenários climáticos.; (3) Avaliar a pegada ambiental da produção de meloeiro em sistemas de cultivo convencional e conservacionista, por meio da aplicação integrada da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) e do modelo Rothamsted Carbon (RothC), considerando diferentes cenários e modelos climáticos. O estudo foi conduzido no Campo Experimental Bebedouro da Embrapa Semiárido, Petrolina-PE em área cultivada com melão amarelo, cv. Gladial, foram considerados 8 ciclos de cultivo (2012-2019). O delineamento experimental foi composto por dois sistemas de manejo de solo (com e sem revolvimento), três tipos de tratamentos utilizando mistura de plantas, composta por 14 espécies com diferentes proporções de leguminosas, gramíneas e oleaginosas e quatro repetições que foram divididos em blocos casualizados. Após 70 dias de desenvolvimento foram cortadas e depositadas no solo. Dados de temperatura e precipitação foram adquiridos dos modelos climáticos BCC CSM, MIROC5, CESM1-BGC, IPSL CM5B LR e HADGEM2-AO, seguindo os cenários climáticos RCP 4.5 e RCP 8.5. O estoque de C futuro foi estimado até o ano de 2071 usando o modelo RothC. A ACV foi empregada para mensurar e comparar os impactos ambientais de ambos os sistemas considerando o clima atual e o clima no ano de 2032, período em que o experimento completará 20 anos e o estoque de C no solo é considerado estável pelo IPCC. A análise do teor de C no solo por camada, mostrou que a profundidade 0-5 cm, o manejo sem revolvimento e o tratamento com maior proporção de gramíneas e oleaginosas apresentaram maiores teores de C no solo, quanto ao aumento do teor de C no solo foi mais expressivo a partir do 4º ano de cultivo especialmente nas camadas superficiais. Sobre o acúmulo de C futuro no solo, o tratamento com predominância de leguminosas e sem revolvimento aumentou o estoque de C no solo independentemente do cenário climático. O revolvimento do solo não favoreceu o acúmulo de C, fazendo com que nenhum dos tratamentos alcançasse o mesmo estoque que a Caatinga. No cenário RCP 4.5 o modelo MIROC5 favoreceu o maior acúmulo de C no solo; já os menores estoques de C ocorreram nos modelos CESM1-BGC e IPSL CM5B LR sob o cenário RCP 8.5. Os maiores impactos ambientais ocorreram no sistema conservacionista devido a irrigação utilizada para o crescimento das misturas de planta, seguido das emissões de campo e uso dos fertilizantes nitrogenados. A aumento da temperatura em 1.05 e 1.2 °C nos modelos HadGEM2-AO e o CESM1-BGC pode intensificar os impactos ambientais causados pelo cultivo de meloeiro. Os resultados evidenciam que manejos convencionais podem comprometer os estoques de C no solo, ressaltando a urgência de práticas conservacionistas. A adoção do sistema sem revolvimento associado ao cultivo de misturas de plantas, especialmente durante o período chuvoso de regiões semiáridas podem ser uma estratégia para redução dos impactos ambientais causados pelos cultivos de grande impacto socioeconômico, como o meloeiro, conciliando produtividade com a conservação dos recursos naturais.
|
|
|
-
RUANNA THAIMIRES BRANDÃO SOUZA
-
Restinga piauiense: dinâmica do uso e cobertura do solo, fitodiversidade, fitofisionomias e avanços nos estudos etnobotânicos
-
Orientador : IVANILZA MOREIRA DE ANDRADE PAIVA
-
Data: 27/02/2026
-
Mostrar Resumo
-
A restinga é um ecossistema costeiro de grande importância ecológica, econômica e sociocultural, cuja conservação exige conhecimento aprofundado sobre sua dinâmica ambiental, diversidade biológica e interação com comunidades humanas. Foram utilizadas técnicas de sensoriamento remoto para analisar as mudanças temporais no uso e cobertura do solo no município de Ilha Grande, Piauí, ao longo de 31 anos (1992-2021), com base nos dados da plataforma MapBiomas, a fim de identificar tendências, padrões de transformação e possíveis impactos ambientais decorrentes dessas mudanças na área de estudo. utilizando o Sistema de Informação Geográfica QGIS, versão 3.22.10, com o plug-in SCP (Semi-Automatic Classification Plugin) para o mapeamento das alterações na cobertura do solo. A tabulação dos dados, geração de gráficos e tabelas, e cálculo da representatividade das classes de mudanças foram realizadas no MS Excel, utilizando o plug-in Land Cover Changes. Os resultados apontam que, em 1992, a paisagem de Ilha Grande Piauí era predominantemente natural, com extensas áreas de vegetação nativa e pouca intervenção humana. Porém, entre 2002 e 2012, observou-se um aumento considerável nas áreas urbanizadas e no desenvolvimento econômico. Este fenômeno tornou-se ainda mais evidente em 2021, com a expansão urbana, instalação de empreendimentos e crescimento do turismo, resultando em impactos significativos na cobertura do solo. O levantamento florístico da restinga de Ilha Grande foi realizado entre setembro de 2022 e agosto de 2025, abrangendo diferentes formações vegetais campestres, arbustivas e florestais, em uma área aproximada de 129,7 km². O esforço amostral resultou em 409 registros de ocorrência, dos quais 281 corresponderam a coletas de campo. Foram registradas 281 espécies de fanerógamas, distribuídas em 175 gêneros e 55 famílias, com destaque para Fabaceae (55 espécies), Poaceae (25 espécies) e Cyperaceae (23 espécies). Os gêneros mais representativos foram Cyperus (14 espécies), Paspalum (8 espécies) e Ipomoea (8 espécies). Quanto às formas de crescimento, predominam espécies herbáceas (140 spp.; 50%), seguidas por arbustos (77 spp.; 28%) e árvores (30 spp.; 11%). O inventário ampliou em 60,39% o conhecimento florístico do município, registrou 12 novos táxons para o estado do Piauí, identificou 54 espécies endêmicas e revelou que 3,2% das espécies apresentam algum grau de ameaça de extinção. A organização fitofisionômica foi investigada por meio de levantamentos de campo realizados entre março de 2022 e agosto de 2025, integrados ao mapeamento por imagens multiespectrais Sentinel-2, utilizando classificação supervisionada e validação geoambiental. Foram identificadas treze classes de uso e cobertura da terra, incluindo oito fitofisionomias de restinga. A vegetação ocupou a maior parte da área de estudo, com predominância do fruticeto aberto inundável (33,0%), seguido por campos entremeados (13,38%) e formações florestais não inundáveis (12,40%). A riqueza florística foi maior nas formações campestres (157 espécies), seguida pelos fruticetos (94 espécies) e florestas (30 espécies). Os padrões espaciais revelam uma paisagem em mosaico, estruturada predominantemente por gradientes hidro-edáficos e microtopográficos, sem evidências de trajetórias sucessionais lineares, destacando a singularidade ecológica dos sistemas costeiros deltaicos em relação a outras restingas do Nordeste brasileiro. Foi realizado ainda um mapeamento dos estudos etnobotânicos sobre Restinga e Etnobotânica no Brasil, utilizando descritores “Restinga”, “Restinga AND Ethnobotany”, “Restinga AND Ethnobotany AND Brazil” nas bases de dados Portal Periódicos Capes, Web of Science e Scopus. Os artigos abordaram principalmente os usos econômicos, ecológicos e ambientais de espécies vegetais, bem como o conhecimento local sobre plantas medicinais e enfatiza a importância de estratégias para a criação de áreas protegidas de uso sustentável como forma de garantir a manutenção de conhecimento tradicional e conhecimento local associado. Conclui-se que, os estudos sobre etnobotânica em ambiente de restinga são escassos e que pesquisas futuras poderiam levar em consideração os aspectos culturais, sociais e econômicos vivenciados pelas comunidades costeiras, com maiores subsídios para ações que contribuam para a conservação de espécies vegetais e de conhecimento tradicional em áreas de restinga. Foram registradas 13 publicações, distribuídas ao longo dos anos de 2004 a 2023. Os artigos abordaram principalmente os usos econômicos, ecológicos e ambientais de espécies vegetais, bem como o conhecimento local sobre plantas medicinais e enfatiza a importância de estratégias para a criação de áreas protegidas de uso sustentável como forma de garantir a manutenção de conhecimento tradicional e conhecimento local associado. Conclui-se que, os estudos sobre etnobotânica em ambiente de restinga são escassos e que pesquisas futuras poderiam levar em consideração os aspectos culturais, sociais e econômicos vivenciados pelas comunidades costeiras, com maiores subsídios para ações que contribuam para a conservação de espécies vegetais e do conhecimento tradicional em áreas de restinga. De forma integrada, os resultados apresentados evidenciam a elevada diversidade florística, a complexidade fitofisionômica e a crescente pressão antrópica sobre a restinga de Ilha Grande, Piauí, ressaltando seu papel estratégico para a conservação da zona costeira piauiense. A presença expressiva de espécies endêmicas, novos registros estaduais e táxons ameaçados, aliada à escassez de estudos etnobotânicos, reforça a urgência de ações de preservação, monitoramento contínuo e gestão territorial integrada. O estudo fornece uma base científica sólida para subsidiar políticas públicas, estratégias de manejo sustentável, recuperação de áreas degradadas e iniciativas que conciliem desenvolvimento socioeconômico e conservação ambiental na região costeira do Piauí.
|
|
|
-
GERALDO BARBOZA DE OLIVEIRA JUNIOR
-
Racismo ambiental: territórios tradicionais e conflitos socioambientais
-
Data: 25/02/2026
-
Mostrar Resumo
-
Esta tese explora a relação entre racismo ambiental, conflito e justiça socioambiental em territórios tradicionais nos estados do Rio Grande do Norte e Piauí. O racismo estrutural é apresentado como o motor das desigualdades que marginalizam comunidades e as expõem à degradação ambiental, perpetuando uma necropolítica. A análise se aprofunda nos conflitos gerados pela transição energética e pelo modelo de desenvolvimento extrativista, que prioriza o lucro em detrimento dos direitos humanos e da sustentabilidade. Utiliza-se o conceito de "campo" para desvendar as disputas por recursos e poder, onde comunidades tradicionais e ativistas resistem a um desenvolvimento imposto. O ativismo socioambiental é destacado como crucial para dar visibilidade às injustiças, contestar o discurso desenvolvimentista e pressionar por políticas públicas mais protetivas. O estudo enfatiza a importância de uma abordagem justa e inclusiva para as energias renováveis e a necessidade de uma mudança profunda no modelo de desenvolvimento, que valorize a diversidade cultural e socioambiental, rompendo com práticas neocoloniais. A pesquisa revela a invisibilidade das populações tradicionais nos planos governamentais, a falta de atenção aos seus direitos e a priorização de interesses econômicos em setores como o agronegócio e o turismo. A luta pela demarcação de territórios pesqueiros e o reconhecimento legal das comunidades tradicionais pesqueiras são apresentados como atos de autoafirmação e resistência. A análise das narrativas dos pescadores artesanais do Delta do Parnaíba expõe os impactos do turismo e dos grandes empreendimentos energéticos, revelando perdas, exclusão e desterritorialização. A urgência de considerar o conhecimento tradicional e a participação dessas comunidades na formulação de políticas é defendida para construir um futuro mais justo, sustentável e equitativo, que respeite a diversidade cultural e ambiental do estado, garantindo que o desenvolvimento beneficie a todos os seus habitantes.
|
|