Dissertações/Teses

2020
Descrição
  • OSVALDO AUGUSTO VASCONCELOS DE OLIVEIRA LOPES DA SILVA
  • Etiquetagem do uso de eletricidade para a conformidade da Gestão Energética em Instituições de Ensino Superior multicampi
  • Data: 13/10/2020
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    De acordo com os princípios estabelecidos pela Agenda 2030, reconhecendo-se o uso de energia como um dos aspectos ambientais gerenciáveis em uma organização e a Eficiência Energética como alternativa aos impactos socioambientais da expansão da geração de energia, dada a dificuldade de encontrar dados de consumo de energia subsetoriais e inspirado no Programa Brasileiro de Etiquetagem, essa pesquisa teve como objetivo geral: desenvolver Etiquetas de Conservação de Energia baseadas no consumo da eletricidade para benchmarking e conformidade da Gestão Energética em Instituições de Ensino Superior multicampi. Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica e documental com o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Piauí como objeto de estudo e dados coletados nas faturas de energia do período de 2016 a 2019, correlacionando-os com variáveis que medem suas atividades para: avaliar a eficácia do Programa Brasileiro de Etiquetagem em Instituições de Ensino Superior; executar o diagnóstico energético preliminar da instituição; calcular Índices de Eficiência Energética Relativa para os campi, estabelecendo Níveis de Eficiência; estabelecer metas para o aumento da Eficiência Energética; propor um novo modelo de Rotulagem Ambiental Tipo II para Instituições de Ensino Superior multicampi; analisar da expansão da utilização de fontes alternativas de energia nestas instituições. Comprovou-se a ineficácia do programa na etiquetagem de edificações, sobretudo em Instituições de Ensino Superior. Detectou-se o mau gerenciamento do uso de energia na instituição analisada e verificou-se que o desenvolvimento de pesquisas em eficiência energética pode trazer impactos positivos nestas instituições, devendo ter continuidade. Pôde-se utilizar a desagregação das faturas de energia e a Análise Envoltória de Dados para determinar indicadores, índices e níveis de eficiência energéticas para os campi de Instituições de Ensino Superior, que foram sintetizados em um novo modelo de rotulagem ambiental Tipo II para o benchmarking e gestão energética. Além desta etiquetagem, constatou-se a viabilidade técnica e os benefícios ambientais, com discutível viabilidade econômica, do sistema fotovoltaico instalado na instituição analisada. Porém, detectou-se condições favoráveis para a atual expansão do sistema, fornecendo orientações para a contratação de novos sistemas através de dados de atlas solarimétricos, e deu-se retorno para a comunidade acadêmica. Por fim, espera-se que os resultados encontrados tragam impactos positivos no desempenho ambiental das instituições, sensibilizando a comunidade acadêmica para questões ambientais e estimulando a introdução de outras Instituições de Ensino Superior nos estudos, além da aplicabilidade da metodologia a outras organizações multisites e outros aspectos ambientais.

     

    Link de acesso à sala:  https://conferenciaweb.rnp.br/webconf/energia-e-meio-ambiente

     

  • ETHYENNE MORAES BASTOS
  • Produtos da Sociobiodiversidade: uma abordagem Etnobotânica em mercados públicos Teresina, Piauí, Nordeste do Brasil
  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 25/09/2020
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  • Os mercados constituem um espaço privilegiado no que se refere ao patrimônio etnobiológico, sendo possível conhecer os produtos da sociobiodiversidade e da diversidade biológica, de uma região em suas diferentes formas de apropriação. Como questão norteadora da pesquisa buscou-se responder como é construído o etnoconhecimento sobre os produtos da sociobiodiversidade nos mercados públicos de Teresina, Piauí. Partindo-se do pressuposto de que há trocas de informações no processo de comercialização e consequentemente, os permissionários disseminam conhecimento e saber nesses locais. Diante da necessidade em trazer informações sobre os usos de produtos da sociobiodiversidade, por meio da valorização do conhecimento local sobre os recursos biológicos disponíveis nos mercados Laurindo Veloso, Dirceu Arcoverde I, Tersando Paz, Piçarra e São José, objetivou-se verificar o aspecto etnobotânico das espécies que constituem os produtos da sociobiodiversidade. Os dados foram analisados quali-quantitativamente, por meio de diferentes métodos de investigação etnobiológicas, como rapport, lista livre, entrevistas com emprego de formulários semiestruturados, índices de Diversidade de Shannon-Wiener, Consenso do Informante, Diagrama de Venn e análise da rede de interação. Um total de 48 permissionários (as) participaram da pesquisa (39 mulheres e 9 homens), com predominância nas faixas etárias de 50 a 59 anos (20,8%), 60 a 69 (18,7%) e acima de 69 anos (31,3%). A atividade nos mercados não foi mencionada como a principal renda, é complementação da maioria dos entrevistados nos proventos recebidos, especialmente do Governo Federal (87,2%). Registraram-se 115 espécies, distribuídas em 48 famílias, sendo Fabaceae (15), Lamiaceae e Solanaceae (8) e Malvaceae (06) as mais representativas, com predomínio para espécies nativas (51,2%). Estratificou-se em 05 categorias úteis: medicinal; alimentícia, cosmético, construção e artesanal, na qual sobressaiu-se a medicinal (70,17%). Em relação a essa categoria, as partes das plantas mais citadas foram as folhas (37,5%), e as principais formas de comercialização são plantas secas, in natura, ou produtos beneficiados. Dentre as principais afecções tratadas por meio do uso de plantas medicinais, as mais expressivas apresentaram para doenças infecciosas, virais e do aparelho respiratório. Registraram-se as 10 espécies que, possuem maior importância mercadológica: Dysphania ambrosioides (L.) Mosyakin & Clemants, Ximenia americana L., Myracrodruon urundeuva Allemão, Zingiber officinale Roscoe., Allium cepa L., Eucaluptus globulus Labill., Mentha villosa Huds., Punica granatum L., Pneumus boldus Molina e Amburana cearenses (Allemão) A. C. Sm. O Índice de Diversidade de Shannon-Wiener variou (H’=0,99 a 1,25) entre os mercados. Para a similaridade botânica foi constatada nos mercados do Mafuá e da Vermelha a maior presença (9spp) e na rede de interação o Mercado da Piçarra concentrou-se o maior número de espécies de uso alimentício (61,6%). A atividade de comercialização dos produtos da sociobiodiversidade envolve uma rede que engloba uma cadeia com os atores bem definidos. Nenhum dos investigados cultiva as espécies comercializadas, ou atua como coletor destas espécies, limitam-se a venda dos produtos. Os comerciantes de plantas medicinais desempenham um importante papel socioeconômico no município, pois a utilização destas reduz e, muitas vezes chegam a eliminar gastos com medicamentos farmacêuticos, por outro lado não há um padrão mínimo de qualidade e nem uma fiscalização sanitária e ambiental, sendo necessária a implantação de políticas públicas para a capacitação destes profissionais, agregando valor ao saber popular sobre plantas medicinais. O aprendizado sobre o uso das plantas veio do seio familiar, caracterizando o conhecimento horizontal, descartando a hipótese levantada.

    LOCAL: https://conferenciaweb.rnp.br/conference/rooms/ethyenne-moraes-bastos/invite

  • MIGUEL ANTONIO RODRIGUES
  • LOGÍSTICA REVERSA DE EMBALAGENS DE AGROTÓXICOS NO CERRADO PIAUIENSE
  • Orientador : JOAO BATISTA LOPES
  • Data: 14/08/2020
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  • O aumento na produtividade agrícola, motivado, principalmente, pela busca do acúmulo de capital, vem mudando o cenário no meio rural. A partir de pesquisas realizadas no Cerrado piauiense, bem como o baixo preço das terras, foi possível introduzir o cultivo de culturas em larga escala, as quais possibilitaram a implantação e crescimento do agronegócio nesse território. Como questão norteadora da pesquisa buscou-se responder se os mecanismos utilizados, atualmente, são capazes de promover a logística reversa eficiente para as embalagens de agrotóxicos utilizadas no Cerrado piauiense. Este estudo destinou-se avaliar o panorama da atividade agrícola e impactos do gerenciamento das embalagens de agrotóxicos junto aos agentes envolvidos na logística da produção em larga escala e dos agricultores familiares dos quatro municípios maiores produtores de soja do Piauí: Baixa Grande do Ribeiro, Uruçuí, Bom Jesus e Ribeiro Gonçalves. Também, buscou-se conhecer o destino dos resíduos sólidos das empresas atuantes no recorte geográfico proposto, e as perspectivas dos usuários ao que propõe a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), bem como avaliar o fluxo direto e inverso da cadeia de embalagens de agrotóxicos, com destaque para o papel de cada agente dessa cadeia, além de propor um modelo de rastreabilidade total das embalagens de agrotóxicos para o Cerrado Piauiense. A pesquisa de campo foi realizada no período de fevereiro a julho de 2019. O estudo foi realizado por meio de entrevistas com questionários semiestruturados aplicados a representante da Central de recebimento de embalagens de Bom Jesus, aos coordenadores da Agência de Defesa Agropecuária do Piauí, assim como aos agricultores empresariais e familiares dos municípios em estudo. Os resultados mostram fragilidade no sistema de logística reversa, principalmente, no que se refere à fiscalização por parte do poder público, que apresenta infraestrutura de logística de transporte incompatível com as necessidades de deslocamento até as unidades produtoras, além do fato de os agricultores familiares não fazerem a devolução das embalagens. Assim, 57,5% dos representantes da agricultura empresarial vêm praticando a incineração das embalagens não laváveis (flexíveis), e 100% dos agricultores familiares não fazem a devolução das embalagens, e optam pela incineração independente da natureza das substâncias que as constituem.  Foram verificadas irregularidades no manuseio e tratamento das embalagens de agrotóxicos, e a fiscalização não possui estrutura para atuar de forma efetiva, pois além de problemas associados ao transporte, o quadro de pessoal é insuficiente para cobrir todo o território dos municípios. Apesar dos avanços na produtividade, em função do uso de agrotóxicos, é necessário analisar os prejuízos que podem causar ao meio ambiente e à saúde do ser humano, associando à necessidade do monitoramento.

     

    Link de acesso à sala: https://conferenciaweb.rnp.br/events/defesa-de-doutorado-miguel-antonio-rodrigues-ddma-ufpi 

  • WALDILÉIA FERREIRA DE MELO BATISTA
  • SABERES TRADICIONAIS, MUDANÇAS AMBIENTAIS E O EMPODERAMENTO FEMININO NO ENTORNO DE UMA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO BRASILEIRA.
  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 20/03/2020
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  • Diante do acelerado processo de desordenadas alterações do meio natural ao longo do tempo, é importante a análise dos saberes femininos como contribuição fundamental na conservação da biodiversidade, bem como para o  reconhecimento do empoderamento das mulheres nas comunidades rurais. Este estudo, por intermédio da abordagem etnobiológica, objetivou verificar os fatores que influenciam o empoderamento das mulheres campesinas das comunidades rurais denominadas Vamos Vendo, Cigalha e Cachoeira, do entorno do Parque Nacional de Sete Cidades, a partir do levantamento da flora silvestre utilizada, bem como da análise das percepções ambientais ocorridas pelas mulheres destas comunidades. A pesquisa foi desenvolvida entre os anos 2016 e 2019, com dois grupos de mulheres sendo 40 moradoras e sete guias que trabalham no PNSC.  Os procedimentos metodológicos em campo foram realizados por meio das técnicas de Rapport, entrevistas semiestruturadas seccionada em quatro partes, contendo levantamento de informações socioeconômicas, culturais, ambientais e etnobiológicas. Utilizou-se, ainda, lista livre, turnê-guiada, oficinas participativas e coletas botânicas. Todas as informações foram submetidas à análise qualitativa e quantitativa com o uso de estatística descritiva, dados oficiais de precipitação e temperatura, aplicação de índices de diversidade e análises dos dados referentes à percepção ambiental. Constatou-se que as mulheres das comunidades rurais estudadas vivem em condições socioeconômicas e ambientais precárias.  No entanto, apesar da ausência de estruturas que viabilizem o empoderamento, elas desenvolvem práticas e estratégias com base em saberes tradicionais que lhes possibilitam contornar dificuldades que viabilizam um empoderamento individual e coletivo. Os saberes referentes às plantas estão centrados nas mulheres com maior tempo de moradia nas comunidades e nas mais idosas. As percepções das mulheres sobre mudanças ambientais demonstram que os fatores escolaridade e idade são determinantes na percepção de mudanças no ambiente. As percepções sobre alterações no clima apontam para um alinhamento com as informações oficiais, com resultados significativos em tendências climáticas locais. Das plantas levantadas pelas moradoras e guias, identificaram-se 70 espécies, pertencentes a 24 famílias e 62 gêneros distribuídas em sete categorias de uso.  A família Fabaceae foi a mais representativa em número de espécies. As espécies que apresentaram maiores frequências foram a Ameixa (Ximenia americana L.) e o Caju (Anacardium occidentale L.). As de maiores ranques foram as espécies Sucupira (Bowdichia virgilioides) e Jenipapo (Genipa americana). Verificou-se um elevado índice de similaridade (SJ=0,67) entre os dois grupos. Entre as moradoras foram levantadas 66 espécies, pertencentes a 24 famílias, 62 gêneros em três domínios culturais: saúde, nutricional e madeireira. Para os três domínio verificou-se a existência de consenso cultural e baixa similaridade entre as espécies citadas. O etnoconhecimento das mulheres sobre a vegetação silvestre e seus saberes ambientais reafirma sua importância no meio rural e na elaboração de políticas públicas destinadas à conservação da biodiversidade a partir do empoderamento feminino. 

  • SANTINA BARBOSA DE SOUSA
  • FUNGOS E PLANTAS COM POTENCIAL FUNGICIDA CONHECIDOS OU UTILIZADOS POR COMUNIDADES RURAIS NO NORDESTE BRASILEIRO
  • Orientador : JOAO BATISTA LOPES
  • Data: 06/02/2020
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  • As plantas e os fungos estão presentes, como produto útil, ao longo da história da humanidade, sendo aproveitados para fins diversificados. Objetivou-se com este estudo verificar os saberes etnomicológicos e etnobotânicos em comunidades rurais da região Sul do Piauí, nordeste brasileiro, buscando-se conhecer a percepção dominante dos moradores quanto aos fungos e plantas com potencial fungicida. Realizou-se 176 entrevistas, com 99 participantes do gênero feminino e 77 do masculino, por meio de formulários semiestruturados e cheklist de fotografias. Utilizou-se a técnica “turnê-guiada” para as coletas micológicas e botânicas, sendo o material identificado e incorporado ao Herbário Graziela Barroso (TEPB) da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Todas as informações foram submetidas a análise qualitativa e quantitativa, utilizando-se os softwares NTSYSpc v.2.10t, PCORD v.6.08 e o Índice de Margaref. Também determinou-se o índice Valor do Uso (VU) e o Índice de Importância Relativa (IR). Foram citados quatro fungos com uso atual e potencial na categoria medicinal, Podaxis pistillaris (L.) Fr., Fomitiporia sp, Hexagonia hydnoides (Sw.) M. Fidalgo e Pycnoporus sanguineus (L.) Murrill. O maior VU atual e potencial e a maior importância cultural foram do P. sanguineus. O conhecimento dos fungos medicinais está mais presente no gênero feminino na faixa etária adulta. Das plantas fungicidas identificaram-se 36 espécies, distribuídas em 24 famílias e 35 gêneros, sendo as famílias mais representadas em número de espécies: Euphorbiaceae (6), Solanaceae (3), Anacardiaceae, Asclepiadaceae e Cucurbitaceae (2 cada). As espécies mais citadas foram Tragia sp (40), Plumbago scandens L. (18), Senna macranthera (DC. ex Collad.) H. S. (16), Lagenaria siceraria (Molina) Standl. (15) e Calotropis procera (Aiton) W.T.Aiton (13). A maioria das espécies (84%) são indicadas para tratamento de micoses em humanos, 10% para animais domésticos e 6% para controle de pragas. Quanto a riqueza e percepção dos macrofungos, identificaram-se 51 espécies, distribuídas em 18 famílias e 33 gêneros, apresentando riqueza de espécies (S=10,4), percebidas como importantes para a natureza, mas sem importância direta para humanos, irrelevante para qualquer função e de uso medicinal. Os saberes sobre os fungos tratados e das plantas fungicidas da população pesquisada, são relevantes para ampliação do uso das espécies que estão disponíveis localmente, com potencial interesse para a medicina humana e veterinária, mas que ainda não se encontram integrados ao acervo do etnoconhecimento, possibilitando investigação de bioativos pelo meio científico. Apesar de serem utilizadas poucas espécies, os macrofungos possuem importante valor cultural na população estudada que requer maior investimento em pesquisas etnomicológicas.

2019
Descrição
  • RAFAEL DIEGO BARBOSA SOARES
  • PERCEPÇÃO E VARIAÇÃO SAZONAL DA QUALIDADE DA ÁGUA DOS RIOS POTI E PARNAÍBA COM ÊNFASE NA SEGURANÇA HÍDRICA
  • Orientador : CARLOS ERNANDO DA SILVA
  • Data: 06/12/2019
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  • Os recursos hídricos no Brasil são diretamente influenciados pela a ação humana nas grandes cidades, devido ao lançamento de cargas poluidoras acima de sua capacidade de assimilação, como ocorre em Teresina, que apresenta baixa taxa de esgotamento sanitário. Este estudo objetivou avaliar a segurança hídrica dos rios Poti e Parnaíba e a percepção dos gestores sobre a situação do manancial de abastecimento público. A qualidade da água dos rios foi determinada mensalmente a partir de quatorze pontos de coleta no período de novembro de 2015 a novembro de 2017.  A coleta dos organismos fitoplanctônicos e a quantificação da toxina microcistina-LR ocorreu em quatro pontos de forma bimestral. Interpretou-se os resultados frente ao Índice de Qualidade da Água (IQA), os limites estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357/2005 e a Portaria de Consolidação nº 5/2017, considerando os aspectos de precipitação. Os resultados foram avaliados obedecendo o regime de precipitação (seco e chuvoso) da área. A percepção dos gestores foi investigada a partir de uma abordagem qualitativa, com o uso de entrevista semiestruturada sendo analisada através da técnica Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Os resultados indicaram que a sazonalidade é um fator determinante para a qualidade da água dos rios Poti e Parnaíba afetando diversas espécies fitoplanctônicas, distribuídas em cinco divisões, Bacillariophyta, Dinophyta, Cyanobacteria, Euglenophyta e Chlorophyta. As cianobactérias predominaram na estação seca e influenciaram na concentração da toxina microcistina-LR. No rio Poti, esta toxina está correlacionada diretamente com a densidade fitoplanctônica, fósforo total, temperatura, DBO5,20, sólidos totais e às espécies Microcystis sp., Nostoc sp. encontradas no período seco. No rio Parnaíba a temperatura favoreceu a proliferação das espécies Thachelomona sp1 e Cymbela sp., que foram influenciadas principalmente pela variável DBO5,20. De acordo com a Análise de Correlação Canônica (CCA), as cianobactérias influenciaram os altos valores de microcistina-LR, principalmente no ponto PA-6 localizado na Estação de Tratamento de Água (ETA-Norte), fato que pode gerar risco a saúde da população e aumento dos custos no tratamento da água. As percepções abordaram principalmente a importância do manancial para o abastecimento, porém não houve uma relação direta com os resultados do monitoramento. O cenário identificado evidencia a necessidade de uma maior capacitação dos gestores na tomada de decisão para a garantia da segurança hídrica e que se evite a ocorrência de uma crise no abastecimento público.

  • ELISÂNGELA GUIMARÃES MOURA FÉ
  • ENTRE BABAÇUAIS E CARNAUBAIS: ESPACIALIDADES E TERRITORIALIDADES EM COMUNIDADES QUILOMBOLAS NO TERRITÓRIO DOS COCAIS - PI
  • Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
  • Data: 30/10/2019
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  • A tese versa sobre a territorialidade historicamente construída pelas comunidades quilombolas no Território dos Cocais, norte do Estado do Piauí. São 08 comunidades distribuídas nos municípios de Batalha, Campo Largo e Esperantina. Inseridas numa paisagem vegetal de transição entre a caatinga e o cerrado, com feições marcadas pelas palmeiras de babaçuais (Attalea speciosa) e carnaubais (Copernicia prunifera) com as quais estabelecem uma relação de sociobiodiversidade. Apesar do direito a terra, adquiridos na Constituição Federal de 1988, destas, apenas a Comunidade Olho D’Água dos Negros conquistou a titulação de terras. As demais comunidades continuam enfrentando problemas relacionados ao acesso e uso da terra, e aos recursos da biodiversidade local. Nesse contexto,  analisou-se  a comunidade Vereda dos Anacletos, situada no município de Esperantina, certificada como Comunidade  Quilombola pela Fundação Palmares, tem sua territorialidade marcada pelo sentimento de pertencimento e identidade com o lugar, entretanto  foram gradativamente perdendo as terras que abrangiam a comunidade em sua formação inicial. Esta pesquisa buscou compreender o conceito de territorialidade construídos nas comunidades quilombolas do Território dos Cocais, levando em conta a organização socioprodutiva e a identidade territorial historicamente construída, com ênfase para a Comunidade Vereda dos Anacletos. Especificamente objetivou-se analisar a organização socioprodutiva a partir da identificação das formas de acesso e uso da terra e a inserção das políticas públicas voltadas para as comunidades quilombolas; espacializar a relação de sociobiodiversidade local com conservação geoambiental na comunidade Vereda dos Anacletos; compreender a delimitação do território desta comunidade a partir das relações de poder construída historicamente pelos . A metodologia contemplou consultas a fontes de dados secundárias (IBGE; Planos de Desenvolvimento Sustentáveis realizados nas comunidades quilombolas do Território dos Cocais-EMATER/MDA; Cadastro Ambiental Rural). Quanto as  técnicas de coleta de dados primários foram aplicados 22 formulários com trabalhadores rurais  da comunidade ; entrevistas e mapeamento participativo com agricultores. Constatou-se que existe um conflito de uso e de propriedade, uma vez que na Comunidade Vereda dos Anacletos, uma vez que 70% dos agricultores trabalham em terras arrendadas, em propriedades que historicamente estão ligadas a suas territorialidades. A sociobiodiversidade da carnaúba é centrada na palha e no pó da carnaúba, porém geram pouca renda para  os moradores da comunidade, em função a concentração de terra que  dificulta o acesso aos carnaubais. O território da Comunidade Vereda dos Anacletos é fragmentado,  os moradores perderam o acesso a terra e a espaços que representam sua identidade territorial. A população é detentora de conhecimentos da biodiversidade local e do geoambient que possibilita práticas de conservação ambiental, porém há uma desarticulação comunitária em prol de buscar inserção em políticas e programa que fortaleça a organização produtiva na comunidade. O fortalecimento do espaço produtivo da Comunidade Vereda dos Anacletos necessita, além do acesso a terra, a políticas quilombolas  de desenvolvimento rural que levem em conta a aptidão do território, e o modo de vida local.

  • MARIA DE FÁTIMA VIEIRA CRESPO
  • CADEIA DE VALOR DO CARANGUEJO-UÇÁ (UCIDES CORDATUS, LINNAEUS, 1973) DA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA DELTA DO PARNAÍBA, MARANHÃO/PIAUÍ, NORDESTE DO BRASIL
  • Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
  • Data: 29/10/2019
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  • O Ucides cordatus (Linnaeus, 1973) é um dos componentes representativos do relevante ecossistema manguezal. Todavia, a alta mortalidade entre a captura e o consumo motivou estudo que resultou na normatização do armazenamento e transporte dos indivíduos vivos. Assim, questiona-se: como a Instrução Normativa Nº9/2013 vem transformando a cadeia de valor do caranguejo-uçá do Delta do Parnaíba nos aspectos econômicos, sociais e ambientais? Explicitam-se que a implementação da IN impactou positivamente a cadeia de valor, ao promover melhoria na renda do catador, ainda que poucos compradores determinem os preços e a quantidade extraída; acentuaram os conflitos entre os extrativistas e destes com os intermediários; e, a diminuição da pressão sobre o caranguejo e o mangue contribuiu com a sustentabilidade da atividade. Objetivou compreender o sistema de atividades da cadeia de valor do caranguejo-uçá do Delta do Parnaíba, a partir da implementação da IN MPA Nº9/2013. Especificamente, configurou o perfil socioeconômico dos operadores, caracterizou a cadeia de valor, analisou as vantagens competitivas, por meio dos produtos, processos produtivos e custos de produção, identificou as relações sociais salientando os conflitos socioambientais, e descreveu as práticas dos extrativistas para a conservação dos manguezais. Realizado entre setembro de 2015 e outubro de 2016, o estudo envolveu 15 comunidades onde residem os extrativistas. Para coleta de dados usou-se a pesquisa participante pesquisa-ação, via as ferramentas de abordagem observação participante, conversas informais e entrevistas guiadas por formulário, além de oficinas com operadores locais. Em um universo de 565 extrativistas, estimou-se uma amostra probabilística de 140 atores. Como resultado tem-se que os trabalhadores são predominantemente homens, adultos e com baixa escolaridade, dificultando a organização e gestão da atividade. A cadeia de valor é constituída de atividades primárias, descritas nos segmentos de extração, comercialização, processamento e mercado consumidor; atividades de apoio especificadas em reguladores, infraestrutura, recursos humanos, desenvolvimento de tecnologia e aquisição; e margem concentrada nas mãos dos proprietários de restaurantes. A competitividade destaca-se nas inovações nos produtos e processos refletidas na redução dos custos de comercialização. As causas dos conflitos socioambientais são a existência de áreas de uso comum, classificação do caranguejo sem o uso de medidor, diferentes preços e excessiva captura para o beneficiamento. Práticas tradicionais de conservação dos manguezais são expressas no uso de técnicas tradicionais de captura, nas regras locais e no conhecimento ecológico do mangue e biológico dos crustáceos, salientados na percepção e respeito do dimorfismo sexual, período reprodutivo e ecdise. Constatou-se o fortalecimento do poder de mercado oligopsônico, intensificado nas inovações ocorridas no produto, na redução dos custos de comercialização e na dominação das relações sociais, ressaltando a competitividade do caranguejo-uçá do Delta do Parnaíba em relação a outros territórios fornecedores. Conclui-se o ganho ambiental proporcionado pela redução da mortalidade e menor quantidade de indivíduos capturados para o mercado de Fortaleza/CE, confirmando a diminuição da pressão sobre o estoque de U. cordatus. Entretanto, evidenciou a intensificação do beneficiamento, necessitando da regulamentação desse segmento e do monitoramento continuado para afirmar a contribuição da IN para a sustentabilidade do recurso e da atividade

  • JOSÉ EDILSON DO NASCIMENTO
  • ETNODESENVOLVIMENTO E POLÍTICAS PÚBLICAS NA COMUNIDADE QUILOMBOLA PIQUI DA RAMPA, VARGEM GRANDE – MA
  • Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
  • Data: 20/09/2019
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  • A tese aborda o caso da Comunidade Quilombola Piqui da Rampa, que desperta a atenção por ter obtido conquistas consideradas significativas para os seus moradores, como resultado da atuação da Associação do Piqui da Rampa e do reconhecimento como Comunidade Remanescente de Quilombo permitiu que os moradores tivessem acesso a várias políticas públicas de cunho social e produtivo. A Comunidade Piqui da Rampa está localizada no município de Vargem Grande, Estado do Maranhão, Brasil. O objetivo geral é analisar a organização socioeconômica e política da Comunidade Quilombola Piqui da Rampa e suas relações com o meio ambiente, no contexto das políticas públicas. Especificamente, busca-se descrever o processo histórico-geográfico de ocupação da área; caracterizar os tipos de cobertura e uso da terra do Piqui da Rampa; analisar a organização associativa da comunidade; caracterizar as políticas públicas implantadas; analisar a estrutura econômica e; compreender a experiência associativa do “Fundo Rotativo” do Piqui da Rampa. A análise está baseada em fontes de informações primárias e secundárias. As secundárias foram acessadas nas sedes e sites de órgãos públicos de acordo a finalidade definida. Já as primárias foram obtidas a partir de técnicas e instrumentos de pesquisa de campo como a história oral, as entrevistas e a aplicação de formulários. A partir das transcrições das falas dos participantes e dos gráficos e tabelas elaboradas, realizou-se a análise de conteúdo e a interpretação das informações. Constatou-se que as políticas públicas originadas a partir do PCPR-MA, do PRODIM e do FUMACOP contribuíram para fortalecimento da agricultura familiar por meio da geração de trabalho e renda. Verificou-se que a o trabalho realizado pela Associação do Piqui da Rampa é uma consequência direta da organização e, sobretudo, da união dos moradores. Identificou-se que a agricultura é a principal atividade econômica da Comunidade Piqui da Rampa. A produção agrícola da comunidade nos campos agrícolas contribuiu para modificar a relação da Comunidade Piqui da Rampa com a natureza, pois a partir desta iniciativa houve uma redução significativa do uso de queimadas e do desmatamento. Os excedentes agrícolas destinados a comercializados são negociados principalmente através de programas como o PAA e o PNAE, bem como diretamente nas feiras e mercados de Vargem Grande. Outra constatação importante foi que a função desempenhada pelo Fundo Rotativo do Piqui da Rampa ultrapassa a simples questão da doação. A sua importância está relacionada com os valores e princípios que são construídos ou realçados como a solidariedade e a reciprocidade. Portanto, o processo de etnodesenvolvimento da Comunidade Piqui da Rampa se fortalece com as conquistas obtidas a partir da atuação da entidade representativa da comunidade.

  • GEOVANA ALVES ROCHA VIEIRA
  • DESAFIOS DA HABITAÇÃO POPULAR EM CIDADES CONTEMPORÂNEAS: ESTUDO DE ASSENTAMENTOS URBANOS INFORMAIS NA CIDADE DE TERESINA, PIAUÍ
  • Orientador : WILZA GOMES REIS LOPES
  • Data: 22/07/2019
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  • A partir do século XX, no Brasil, inicia-se de modo acelerado o processo de crescimento das cidades associado a um rápido aumento demográfico desacompanhado pela implantação de infraestrutura urbana e redes habitacionais suficientes. Como resultado, a ausência de espaços residenciais adequados e, financeiramente acessíveis, levou a população a se instalar em áreas fora da ocupação formal, resultando na criação de moradias em favelas urbanas. A capital do Piauí, estado do Nordeste do Brasil, sofreu elevada expansão na década de 1970, com o surgimento de novos polos de densidade populacional e, juntamente com eles, o aumento dos setores de pobreza na cidade, de forma mais intensa desde a década de 1990. Neste período, foi intenso o estabelecimento de ocupações espontâneas de grande porte na capital, como a Vila Irmã Dulce, atualmente com 3.989 unidades habitacionais, na zona Sul de Teresina, além das vilas Santa Bárbara, 1.800 domicílios, na zona Leste, e Vila Alto da Ressurreição, 3.000 domicílios, zona Sudeste da capital, apoiados pelos movimentos sociais e resguardados pela Constituição democrática estabelecida no país, em 1988. Atualmente, apenas em Teresina há mais de 200 mil pessoas residindo na informalidade segundo dados da Prefeitura Municipal de Teresina (PMT) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim, uma vez que a falta de moradia atinge milhares de brasileiros, há a necessidade de estudos voltados para a questão da moradia e da regularização fundiária, não só em Teresina, mas em todo o país. Desta forma, esta pesquisa tem como objetivo analisar a presença dos assentamentos urbanos informais, seu impacto ambiental e sua influência na transformação do espaço urbano da cidade de Teresina, Piauí. Como objetivos específicos têm-se discussão sobre aspectos da gestão urbana voltados para o direito à cidade, enfocando a informalidade habitacional, além disso, identificar os assentamentos informais e verificar sua inserção urbana na cidade de Teresina, ainda, analisar a expansão do espaço urbano da capital do Piauí, a partir da inserção das ocupações espontâneas na cidade. Do mesmo modo, avaliar a implantação no espaço urbano das ocupações espontâneas estudadas e, caracterizar os assentamentos informais estudados, enfocando o processo de ocupação e a relação de seus moradores com a comunidade. Para isso, foi realizada coleta de documentos em agências públicas, como a Prefeitura de Teresina e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, além da visita de campo nas referidas comunidades com aplicação de entrevista semiestruturada e registros fotográficos. Foram elaborados, por meio do software ArcGis, versão 10.3, mapas do espaço urbano de Teresina com a inserção dos assentamentos urbanos informais. Assim, foi observado que o processo de urbanização das cidades brasileiras levou a produção de espaço urbano caracterizado pelo espraiamento, exclusão e desigualdades socioespaciais. Embora, tenha havido melhorias significativas, quanto a políticas urbanas no país, especialmente nos anos 2000, elas não foram devidamente implantadas, potencializando a ação do mercado imobiliário privado especulativo, aumentando a barreira dos pobres urbanos ao acesso a cidade formal.  Assim, carentes de acesso à terra formal, a população de menor poder aquisitivo, busca na informalidade a alternativa para aquisição da moradia, aumentando, cada vez mais, a quantidade de assentamentos urbanos informais no espaço urbano da cidade de Teresina, distribuídos por todas as quatro regionais da cidade, sejam nas áreas centrais ou nas periferias. Diante disso, há uma necessidade constante e incessante de estudos voltados para a problemática da habitação no país.

  • FRANCISCO DE TARSO RIBEIRO CASELLI
  • ANÁLISE DA SUSTENTABILIDADE DA CADEIA PRODUTIVA DO BABAÇU (Attalea speciosa) NA MATA DOS COCAIS
  • Orientador : JOAO BATISTA LOPES
  • Data: 26/03/2019
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  • A busca de processos mais limpos e ambientalmente seguros é uma das grandes preocupações da atualidade. Neste sentido, a obtenção de recursos florestais por meio do extrativismo vegetal é um cenário a ser explorado e potencializado. Neste contexto, temos o coco babaçu, que é abundante na Mata dos Cocais, entre os estados do Maranhão e Piauí, onde as populações o têm como componente integrante da economia local, em que suas partes do coco apresentam diversas possibilidades de uso como alimento humano e animal, bem como na indústria farmacêutica e ainda, como fonte de biocombustíveis, a partir do óleo e da biomassa. Objetivou-se estudar o modelo da cadeia produtiva de exploração do coco babaçu em seus aspectos econômicos e ambientais. Especificamente, pretende-se: a) mapear a cadeia produtiva do coco babaçu na Mata dos Cocais nos municípios de Batalha, Campo Largo, Esperantina e São João do Arraial; b) estimar o potencial de geração de biomassa do coco babaçu para geração de energia; c) identificar os pontos críticos da cadeia produtiva do babaçu, d) analisar a sustentabilidade da cadeia produtiva do babaçu por meio da pegada ecológica. O estudo encontra-se dividido em cinco artigos. No primeiro, a metodologia consistiu da utilização de imagens de satélite LandSat 5 e 8 TM e construção de carta de uso e ocupação do solo para quatro munícipios do território, entre os anos de 1990 e 2015. Também, foram utilizados dados estatísticos do IBGE sobre a produção do babaçu. Os resultados apontam para o aumento da área do solo exposto entre 1990 e 2015, de 2% para 8% do território estudado, enquanto a mata ciliar foi reduzida a 50% e a produção de amêndoa de 72% na análise da série entre os anos de 1975 e 2015. No segundo estudo, foi realizada revisão bibliográfica e documental, análise de dados secundários de fontes oficiais e entrevista direta com atores dos diversos níveis da cadeia produtiva do babaçu para analisar sua estrutura. Os dados foram analisados usando-se estatística descritiva, modelo de mapeamento de Arranjo Produtivo Local e análise do conteúdo. Os resultados indicam a cadeia é incipiente para formar um APL, necessitando de ações para melhorar e estimular o nível de confiança entre os atores. No terceiro artigo, os dados obtidos foram analisados a partir de revisão bibliográfica, entrevistas e formulários para entender a relação extrativismo e sustentabilidade. O conhecimento limitado acerca do mercado, capacidade organizacional incipiente e baixa escolaridade dos catadores foram as principais dificuldades encontradas. Necessitando de adoção de ações conjuntas é possível que ocorra a ampliação dos ganhos na extração do coco babaçu, utilizando-se de métodos éticos e sustentáveis. No quarto artigo, foram utilizados dados secundários a partir de amplo levantamento bibliográfico para analisar relação entre a comunidade e o extrativismo do babaçu. Os resultados mostram que a cadeia produtiva tem baixo nível de organização, que interfere na viabilidade da biomassa do babaçu como matéria-prima para biocombustíveis. Também se verificou que as quebradeiras enfrentam dificuldades relacionadas ao acesso à coleta coco, comercialização da produção, e a natureza árdua da atividade. O quinto artigo tratou da sustentabilidade da extração de óleo da amêndoa do coco babaçu, por meio da ferramenta pegada ecológica. Foram consultados agentes, que trabalham com a quebra do coco e empresas de beneficiamento, visando levantar dados relativos ao consumo de energia, água, geração de resíduos, papel e alimentação e utilização de transporte na produção do óleo artesanal e industrial na região. Também, foram utilizados dados secundários de instituições oficiais e de bibliotecas e de sítios da internet. Em seguida, foram estimadas as pegadas ecológicas do óleo artesanal, cujo valor foi de -590,296 gha/pessoa e do óleo industrializado de, -720,348 gha/pessoa, indicando boa sustentabilidade dos processos de extração do óleo da amêndoa de babaçu. A ferramenta pegada ecológica mostrou que pode ser de grande ajuda no processo e avaliação e planejamento da sustentabilidade do processo produtivo de extração do óleo da amêndoa do coco babaçu.

  • JOÃO SOARES DA SILVA FILHO
  • Por água abaixo’: os caminhos da associação interfederativa no setor de saneamento no estado do Piauí
  • Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
  • Data: 28/02/2019
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    O saneamento básico é condição basilar para o alcance de qualidade de vida em uma sociedade desenvolvida. Daí a busca pela sua prestação em quantidade e qualidade. Dada a sua natureza, o saneamento se caracteriza pela sua multisetorialidade, que engloba questões diversas, tais como a saúde, os recursos hídricos, a organização social, a política. Esta pesquisa apresenta um retrato da engenharia e implementação dos consórcios públicos do setor de saneamento, tomando, por estudo de caso, o Consórcio Regional de Saneamento do Sul do Piauí (Coresa Sul do PI), uma experiência de associação interfederativa no nordeste do Brasil. Busca-se entender como foi concebido e como tem se dado a implementação e o acompanhamento de suas ações de saneamento para que se concretizem em ganhos de qualidade de vida pela população da região sul piauiense. Daí, busca-se realizar uma análise de política que compreenda o seu processo de elaboração, os atores envolvidos e as suas motivações. Tem-se por objetivo analisar o ciclo da política associativa no setor de saneamento, por meio do Coresa Sul do PI como estratégia de desenvolvimento local. Realizou-se levantamento bibliográfico sobre o setor de saneamento à luz dos instrumentos de associação interfederativa e da sustentabilidade, bem como os elementos da metodologia de análise de política. A pesquisa documental incluiu o portal da Presidência da República e do Ministério das Cidades (MCidades), e os Estatutos e Regimentos do Coresa Sul do PI. Os dados secundários sobre demografia e condições socioeconômicas foram obtidos em bases de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD); os dados financeiros foram disponibilizados pela Caixa Econômica Federal, responsável pelo desembolso de recursos. O Coresa Sul do PI foi implementado sob a égide da Lei de Consórcios Públicos (Lei Federal nº 11.107/2005), com o objetivo declarado de prestar serviços de saneamento ambiental com qualidade e transparência. Constatou-se poucos avanços práticos no cumprimento dos objetivos propostos e sua posterior proposta de extinção, com execução parcial das obras e dos recursos financeiros. Percebeu-se, ainda, a sujeição da iniciativa a vieses políticos e uma estrutura administrativa que limita as condições de gerenciamento. Tais condições desacreditaram a experiência tanto pelos gestores municipais, quanto pela população local, o que fragilizou o modelo solidário que se buscou instituir e a melhoria das suas condições de vida.

  • JOSÉ ALEX DA SILVA CUNHA
  • PADRÕES ETNOBIOLÓGICOS DE ARACNÍDEOS (ARACHNIDA, ARANEAE) DO DELTA DO PARNAÍBA – BRASIL
  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 25/02/2019
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  • O Delta do Parnaíba é considerado o terceiro maior do mundo é o único no Continente Americano a desaguar diretamente no oceano. É uma Unidade de Conservação (UC), cujos espaços de seu território legalmente estabelecidos pelo poder público para a conservação, possui limites definidos e regime característicos de administração, como forma de garantir sua proteção. Pesquisas etnobiológicas são escassas para a região da Área de Proteção Ambiental (APA), fazendo-se necessários estudos que demonstrem o conhecimento etnobiológico, as práticas ambientais, culturais e a realidade socioeconômica das comunidades na região. O objetivo deste estudo foi contribuir com o conhecimento sobre aranhas e sua relação com as comunidades, por meio de uma perspectiva etnozoológica e etnoecológica, oferecendo embasamento para futuras estratégias voltadas a conservação. O trabalho em campo foi desenvolvido nas comunidades do Labino e Tatus no Piauí; Passarinho e Caiçara no Maranhão, todas pertencentes a área de influência (RESEX) Marinha Delta do Parnaíba, inserida na APA. As atividades foram compreendidas entre os anos de 2016 e 2018. Entrevistou-se 162 pessoas, entre homens e mulheres, maiores de idade. Os participantes citaram um total de 264 indivíduos, distribuídos em 36 etnoespécies, classificadas em 11 famílias de aranhas. Mais da metade dos moradores (59%) nomearam pelo menos um comportamento destes invertebrados, relacionando-o as suas atividades funcionais. Os entrevistados exibiram uma variedade de atitudes em relação as aranhas, prevalecendo aspectos negativos, com ênfase ao medo (63%) ou a vontade de matá-las (34%). O uso destes de aranhas pelas comunidades está relacionado ao caráter terapêutico (66,6%) ou magia (44,4%) em ambos, os participantes usam todo o copo do animal. A remuneração, associada à escolaridade e o acesso restrito aos serviços públicos parecem ser os principais descritores destas comunidades. Aplicou-se 158 mapas mentais junto aos alunos nas escolas da APA, e paralelamente foram desenvolvidas atividades de educação ambiental. Os alunos apresentam uma boa noção para descrever as paisagens da APA, porém expressam uma certa dualidade entre a percepção naturalista e a inclusão do homem como integrante do meio ambiente. Os estudantes percebem as aranhas por intermédio de uma visão naturalista, como peça importante da fauna local, destacando aspectos relacionados ao modo de vida destes invertebrados. A percepção dos moradores neste estudo, reflete os saberes relacionados aos aspectos biológico e ecológico das aranhas, mediante um conjunto conhecimentos e comportamentos em relação a elas, o que pode ser traduzido como um valioso recurso cultural. Percebe-se uma total ausência de atividades voltadas a Educação Ambiental nas comunidades, talvez pela ausência ainda, de um plano de manejo da APA.

  • JOSÉ RODRIGUES DE ALMEIDA NETO
  • GESTÃO DO CONHECIMENTO TRADICIONAL AGRÍCOLA DE PLANTAS PRAGUICIDAS EM COMUNIDADES RURAIS NO MUNICÍPIO DE SIGEFREDO PACHECO, PIAUÍ, NORDESTE DO BRASIL
  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 22/02/2019
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  • As comunidades rurais, especialmente de países em desenvolvimento, detêm vasto conhecimento, a partir dos quais se desenvolvem práticas tradicionais, especialmente, as relacionadas com o cotidiano das atividades agrícolas, como o uso de plantas no combate de pragas na agricultura. Esta pesquisa, por intermédio da abordagem etnobiológica e a partir de problemáticas como perca de conhecimento tradicional agrícola e a necessidade de resgate de práticas ambientalmente sustentáveis, teve como objetivo geral analisar a gestão do conhecimento tradicional de plantas praguicidas conhecidas e usadas na agricultura de subsistência nas comunidades rurais Poço do Jatobá, Olho D’água da Fazenda, Cacimba e Gangorra do município de Sigefredo Pacheco, no Nordeste do Brasil. Especificamente, teve-se o intuito de: a) levantar as plantas praguicidas conhecidas e as usadas (no presente e no passado); b) identificar a transmissão da informação sobre o uso dessas plantas; c) verificar os conhecimentos tácitos dos pesquisados quanto ao domínio praguicida; d) conhecer a interferência do conhecimento exógeno no controle de pragas; e) discutir a importância dos conhecimento tradicional de plantas praguicidas; e f) propor uma ferramenta de gestão chamado de Quadro de Gestão do Conhecimento Tradicional (QGCT). O trabalho metodológico em campo foi desenvolvido entres os anos 2015 e 2018, por meio das técnicas de Rapport, entrevistas semiestruturadas com uso de formulário, turnê-guiada, coleta botânica e oficinas participativas. A autoidentificação como agricultor(a) familiar e a maioridade foram critérios de inclusão no estudo, que ao final obteve 111 participantes, entre homens e mulheres. Todas as residências das quatro comunidades foram visitadas, no intuito de levantar dados socioeconômicos, sociodemográficos, de produção, conhecimento e uso de plantas praguicidas. O estudo de cunho qualiquantitativo, além de estatística descritiva e aplicação de índices de diversidade, analisou dados êmicos de percepção ambiental. Constatou-se que, as comunidades rurais estudadas possuem características socioculturais e produtivas que as classificam como tradicionais, pertencentes a agricultura familiar, além de fazerem uso de plantio em consórcio como estratégia de conservação on farm. No entanto, a maioria do agricultores (n= 62) entrevistados utiliza agrotóxicos, com maior ênfase no uso de herbicidas. As informações para o uso de agrotóxico recebem influências endógenas e exógenas às comunidades rurais, sendo estas últimas representadas, especialmente, pela televisão, rádio, comércio local, agências bancárias e os serviços de extensão rural. Dos entrevistados, 39 conhecem plantas praguicidas e apenas 18 fazem uso. A espécie mais citada foi Azadirachta indica A. Juss. (Nim) e a mais utilizada foi Nicotiana tabacum L. (Fumo). O uso dessas plantas é mais repassado de forma endógena, dentro das próprias comunidades, entre parentes e amigos. Fontes exógenos desse conhecimento de plantas, como a extensão rural, também foram citadas, mas com menor influência se comparado ao repasse de informações dessas fontes para o uso de agrotóxicos. Constatou-se a partir do QGCT, processos de conversão de conhecimento tácito em explícito e vice-versa, por intermédio das trocas de experiência entre os agricultores presentes nas reuniões, mostrando-se como instrumento importante na preservação da sabedoria popular sobre o conhecimento agrícola, podendo ser utilizado pelos serviços de extensão rural na tomada de decisão sobre políticas voltadas ao campo.

  • MARIA DO SOCORRO MONTEIRO CARCARÁ
  • SANEAMENTO BÁSICO PARTICIPATIVO: COMO A TELEVISÃO DIVULGA, O QUE O PÚBLICO APREENDE
  • Data: 22/02/2019
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  • Em pleno século 21, as desigualdades sociais resistem no Brasil. Fatigante seria elencar causas para justificar a obstinação desse quadro, contudo prognósticos que apontam para a urgência de estruturas adequadas de saneamento básico figuram no topo das possibilidades de redução das insistentes desproporções em território brasileiro. A informação e a cidadania são requisitos impostergáveis na busca por uma justiça ambiental suscitada pelo acesso ao saneamento. Com a intenção de diagnosticar o nível de conhecimento da população e a influência da televisão na formação do público, este estudo investiga em municípios das quatro mesorregiões do Piauí o repertório de conhecimento da população sobre os quatro eixos de saneamento básico: abastecimento d´agua, esgotamento sanitário, coleta e tratamento de resíduos sólidos e drenagem de água pluviais. A aplicação de questionários foi realizada em dois anos no intuito de acompanhar a evolução da compreensão sobre o conceito. A influência das notícias televisivas na formação da audiência é verificada de duas formas. A primeira pela ótica do público através da interpretação das respostas dadas a questionamentos sobre mídia e televisão. A segunda através de análise de notícias veiculadas em dois programas jornalísticos: Bom Dia Brasil, de rede nacional, e o local Piauí TV 2.  De um modo geral, os resultados aqui encontrados diagnosticam uma população dotada de debilitado conhecimento de conceitos básicos de saneamento, apesar de se reconhecer atingida pelas deficiências do setor. A pesquisa constata que os entrevistados, em sua grande maioria, desconhecem o Controle Social - previsto na Lei 11.445/2007 -  que lhes oportuniza o protagonismo nas decisões sobre obras, serviços, regulação, tarifação, entre outros. A falta de conhecimento da participação popular nos encontros de elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico, nas assembleias e audiências públicas conduz à conclusão de que o controle social no Piauí é urdido para o mero cumprimento de formalidade legal. Esse contexto compromete a cidadania, à medida que inabilita a população para a cobrança de seus direitos. A pesquisa resulta na criação de um paradigma de análise de notícias de televisão voltado para o jornalismo ambiental. Comprovou, ainda, que a pesquisa quantitativa pode ser um método efetivo de análise de recepção. Por fim, alerta para a necessidade da estruturação de novas estratégias de abordagem do tema pelo meio televisivo que adote os preceitos do jornalismo ambiental, tendo em vista a ineficiência do atual modelo. Quando o jornalismo valoriza o apelo ao espetáculo e à folhetinização em prol de vantagens financeiras renuncia à função formativa, submetendo a audiência à fantochização e comprometendo a cidadania

2018
Descrição
  • JOHNNY HERBERTHY MARTINS FERREIRA
  • CENÁRIOS PROSPECTIVOS DA CADEIA SOJÍCOLA EM BALSAS (MA): ASPECTOS ECONÔMICO-SOCIAIS E AMBIENTAIS EM 2027
  • Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
  • Data: 21/12/2018
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  • As consequências das práticas atuais do agronegócio precisam ser analisadas para que medidas mitigadoras de impactos ambientais e econômico-sociais sejam tomadas no cerrado. Os cenários prospectivos fundamentam-se em combinações de variáveis que descrevem diversos futuros possíveis e suas interligações com o presente. Assim, faz-se mister elaborar e analisar cenários prospectivos da cadeia produtiva da soja nesta região. Dentre os municípios do cerrado do Maranhão, destaca-se Balsas, por acomodar grandes empreendimentos graníferos, dispor de infraestrutura para o agronegócio, liderar a produção de soja e ser a terceira no ranking com o melhor PIB entre os municípios do estado. Com base nesse panorama, a questão norteadora da investigação conforma-se em: como as estratégias atuais do agronegócio acabam por configurar cenários prospectivos da cadeia sojícola de Balsas em 2027, considerando-se as possíveis mudanças econômicas, sociais e ambientais? Com vistas a responder essa problemática, tem-se como hipótese que o atual modelo estratégico do agronegócio sojícola em Balsas acaba por contribuir para o advento de cenários prospectivos que refletem a introdução sistemática de inovações tecnológicas, elevação da produtividade e a geração de emprego e impactos ambientais negativos. O objetivo geral centrou-se na elaboração de cenários prospectivos relativos aos aspectos econômico-sociais e ambientais para a cadeia sojícola de Balsas em 2027. Quanto aos procedimentos técnicos, a investigação utilizou-se de pesquisa bibliográfica, documental e de pesquisa de campo. Em relação à coleta de dados sobre a cadeia produtiva do agronegócio foram entrevistados 40 produtores de soja da região. Para a análise dos cenários, foi empregado o método de Grumbach e entrevistados 12 especialistas do setor. Essa metodologia presume a análise da conjuntura atual do setor, o reconhecimento das principais variáveis que afetam o setor, a averiguação da interação entre essas variáveis por meio do método de impactos cruzados e, por fim, a concepção e interpretação dos cenários prospectivos do setor sojícola, no intervalo de tempo convencionado, buscando prevenir setores públicos e privados para as possíveis mudanças futuras que possam ocorrer no cerrado sul maranhense e na cadeia produtiva da soja. Entre os eventos da cadeia produtiva de soja em Balsas com maior probabilidade de ocorrência no ano de 2027, de acordo com os especialistas, destaca-se a “expansão da área de produção da soja”, a “elevação dos custos de produção” e as “espécies transgênicas mais produtivas”. Tais eventos evidenciam que o cerrado ainda tem grande probabilidade de sofrer desmatamentos, embora o uso de espécies transgênicas possa amenizar essa consequência, de acordo com os resultados da pesquisa. No entanto, o evento com maior motricidade, ou seja, aquele que mais influencia a ocorrência dos demais é o “mercado internacional mais exigente por certificações de sustentabilidade”. Isso mostra que as exigências do mercado externo influenciam significantemente o modo de produção da soja no Brasil. O evento com maior dependência, isto é, aquele que sofre maiores influências dos demais eventos é a “expansão do emprego indireto”. Em razão disso, para que ocorra a expansão do emprego indireto é necessário que os outros eventos analisados também ocorram.

  • FRANCISCO PRANCACIO ARAÚJO DE CARVALHO
  • O PIAUÍ NO CONTEXTO REGIONAL: UMA ANÁLISE DOS EFEITOS ECONÔMICOS E AMBIENTIAS A PARTIR DE MODELOS INTER-REGIONAIS
  • Orientador : JOAO BATISTA LOPES
  • Data: 20/12/2018
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  • O desenvolvimento de uma nação exige conhecimentos e estratégias adequadas para o enfrentamento das diferenças inter-regionais e intrarregionais, permeadas por problemas complexos e diversos. Os alertas multidimensionais (sociais, econômicos, políticos e ambientais) em seus níveis, locais, regionais, nacionais e globais, indicam a existência de uma estrutura econômica e social relativamente rígida, conflituosa e desigual. Os dilemas regionais entre economia e meio ambiente, crescimento econômico e desigualdades, são alguns dos exemplos, que se revelam na base do desenvolvimento do capitalismo. Nesse aspecto, o modelo econômico brasileiro não é divergente e, em suas bases regionais, exige severas transformações, para além do assistencialismo e dos moldes tradicionais de políticas. A exemplo do Piauí, uma unidade da federação que, por hipótese, possui uma economia de baixa associação econômica intersetorial, geradoras de uma estrutura de efeitos reduzida sobre o emprego, a renda e o meio ambiente, comparativamente ao Restante do Brasil; revelando, espacialmente, desigualdade econômica estrutural. Assim, é que o problema desta pesquisa se consolidou como: quais os efeitos econômicos, sociais e ambientais na estrutura inter-regional da economia piauiense? Como fulcro resolutivo, o objetivo geral foi analisar a economia do Piauí em suas relações setoriais e de impactos da demanda final, sobre a renda, emprego e o meio ambiente e, sua associação espacial de renda. Especificamente, os objetivos foram: avaliar, para o Piauí (PI) e Restante do Brasil (RB), os multiplicadores de produção, renda, emprego, os índices de ligação setoriais e, os impactos setoriais em valor adicionado, emprego e meio ambiente; investigar, nesse mesmo enfoque, o trade-off entre renda, emprego e meio ambiente (consumo de água e emissão de CO2), a partir dos impactos da demanda final das famílias, governo e dos investimentos e; examinar os efeitos intermunicipais do emprego e renda e, do grau de associação econômica do Piauí. Para tanto, nos procedimentos metodológicos, utilizou-se uma matriz de insumo-produto inter-regional de 2011, mensurada por Haddad, Gonçalves Junior e Nascimento (2017); construi-se um modelo de regressão linear, por Mínimos Quadrados Ordinários, do Produto Interno Bruto (PIB) municipal em função do estoque de emprego, para o Brasil e Piauí, com dados de 2011, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2016a) e do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE, 2014), utilizando-se o software Gnu Regression Econometrics and Time-series Library (GRETL) e; fez-se uma Análise Exploratória de Dados Espaciais e cálculo da autocorrelação entre vizinhos através do I de Moran, com uso do software GeoDa e dados do PIB per capita para o ano de 2014, do IBGE (2016a). Os resultados do modelo matricial sugerem uma dissociação dos impactos econômicos e ambientais da demanda final direta e indiretamente incorporada nos fluxos econômicos associados à economia estatal; o modelo econométrico corrobora ao revelar baixo efeito do emprego sobre a renda e; o modelo espacial, comprova a baixa associação significativa entre as economia municipais do Piauí, exceto na região do agronegócio

  • FRANCISCA CARLA SILVA DE OLIVEIRA
  • DIVERSIDADE E COMERCIALIZAÇÃO DE PLANTAS MEDICINAIS NA FEIRA DE OEIRAS
  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 09/04/2018
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  • As feiras livres são espaços que asseguram a resiliência e manutenção dos saberes empíricos sobre as espécies úteis. Situadas nas cidades, permeiam trocas econômicas, ecológicas e culturais, por meio da comercialização de diversos produtos e serviços, incluindo espécies vegetais para uso terapêutico. A comercialização de plantas medicinais nos centros urbanos possui características e dinâmicas próprias.  Assim, objetivou-se conhecer as plantas medicinais comercializadas, indicações de uso e o perfil sociodemográfico dos vendedores que trabalham na feira de Oeiras, Piauí. Foram feitas entrevistas com aplicação de formulários semiestruturados à 7 signatários. Procedeu-se ao registro da fala, observações da estrutura física e condições sanitárias do espaço da feira. Calculou-se os índices de similaridade, diversidade de Shannon-Wiener e de riqueza de espécies.  Para o Consenso do Informante, foi calculado o Nível de Fidelidade.   A totalidade dos entrevistados (100%) são residentes em Oeiras e pertencem ao gênero masculino. O tempo em que trabalham na atividade variou de 25 a 60 anos. São predominantemente de origem rural (57,1%). Identificou-se 59 espécies vegetais, pertencentes a 34 famílias, com maior representatividade para Fabaceae (15 ssp.), com predomínio das espécies nativas. Os órgãos vegetais mais usados foram folhas (31,36%) e caules (16,56%) e a forma de preparo predominante foi o chá (decocção e infusão, 27,17% e 18,47%, respectivamente). Ximenia americana L. apresentou maior concordância de uso e Amburana cearensis (Allemão) A. C. Sm. foi a espécie mais versátil. O uso de espécies medicinais foi mencionado como eficiente para o tratamento de doenças físicas e/ou espirituais e as citações mais usuais foram para o tratamento de sinais e sintomas de transtornos dos sistemas respiratório e geniturinário. Considerando os sistemas corporais, houve concordância entre os vendedores no uso das plantas indicadas para o tratamento de doenças da pele e estruturas relacionadas.  Além do uso terapêutico, 13,8% espécies foram referenciadas para uso mágico-religioso. A atividade na feira foi mencionada como fonte de renda principal (71,5%) e o comércio de plantas é feito concomitantemente com a venda de outros produtos por todos os entrevistados.  O repasse do conhecimento é feito por transmissão horizontal, vertical e oblíqua.   A atividade de comercialização envolve diversas pessoas com funções bem definidas e no local convergem plantas para uso medicinal adquiridas de diferentes municípios.  Verificou-se que os feirantes são reconhecidos como especialistas locais e a feira livre é um importante espaço de (re)construção e difusão da cultura local, acerca do uso de etnoespécies. Além da importância econômica para os vendedores, a venda de plantas medicinais apresenta relevante contribuição sociobioambiental para o município.  A inclusão da feira em políticas públicas mostrou-se como necessária para o estabelecimento de normatização e orientações específicas aos feirantes para garantir a permanência da venda de plantas como atividade econômica e o uso seguro e sustentável dos recursos da flora.

     

  • MAURICIO EDUARDO CHAVES E SILVA
  • CONHECIMENTO ECOLÓGICO E BOTÂNICO LOCAL DE AGRICULTORES SOBRE AGROBIODIVERSIDADE EM ÁREAS RURAIS DO MUNICÍPIO DE AMARANTE, PIAUÍ, BRASIL
  • Orientador : JOAO BATISTA LOPES
  • Data: 26/03/2018
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  • A agrobiodiversidade, importante ramo da biodiversidade, tem grande relevância para a agricultura e alimentação, apresentando forte vínculo com os seres humanos. Os estudos sobre agrobiodiversidade contemplam saberes e práticas sobre o ambiente, tradições e costumes, em que os agricultores usam os recursos que lhes são disponíveis na natureza, de forma a garantir sua alimentação, saúde, construção de abrigo e artefatos, produção de fibras e geração de renda. Objetivou-se investigar por meio do conhecimento ecológico e botânico local, a agrobiodiversidade dos recursos vegetais alimentares utilizados em sistemas de produção tradicional, nas dietas das famílias dos agricultores, nas comunidades rurais Periperi e Projeto de Assentamento Araras, município de Amarante, Piauí, Brasil. O estudo é de caráter qualiquantitativo, baseando-se nos métodos dialético, comparativo e etnográfico, por meio de pesquisa bibliográfica e levantamento de dados, aplicando-se formulários semiestruturados, listagem livre, observação participante, turnê guiada e conversas informais, junto aos agricultores escolhidos por meio de amostragem não probabilística. Nas duas comunidades, os agricultores mantêm e gerenciam as espécies vegetais basicamente, em três agroecossistemas tradicionais: as matas, os quintais e as roças. Foram citadas 102 etnoespécies conhecidas, utilizadas e manejadas como recurso alimentar nos agroecossistemas tradicionais avaliados, distribuídas em 41 famílias botânicas. A maioria das espécies citadas (61%) é predominantemente cultivada em roças e quintais. O fruto foi o órgão vegetal mais consumido, com cerca de 72% de citação. Tanto as mulheres como os homens citaram, em média a mesma quantidade de plantas alimentares, e não foi observada diferença entre o número de espécies citadas em relação à idade, nível de escolaridade e renda familiar mensal dos entrevistados. Os quintais agroflorestais produtivos se caracterizaram por apresentar o maior número de espécies alimentícias citadas (72) no estudo. Tornam-se uma alternativa viável, agroecológica e sustentável que permite a produção permanente de alimentos básicos de qualidade e de fácil acesso para a subsistência de toda a família. Os saberes e práticas tradicionais dos agricultores fornecem elementos, que contribuem para a manutenção e conservação da biodiversidade agrícola. O compartilhamento dos conhecimentos provenientes do meio científico com as culturas locais melhora a compreensão das formas de conexão com a natureza. Espera-se que os resultados deste trabalho, possam favorecer à criação de políticas públicas que incentivem sistemas de produção agroecológicos e orgânicos nos agroecossistemas tradicionais, contribuindo para a melhoria na qualidade da segurança alimentar e nutricional dos agricultores.

  • ANA KEULY LUZ BEZERRA
  • Práticas de Justiça: A atuação dos operadores do direito no enfrentamento das questões ambientais
  • Data: 23/03/2018
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    A pouca efetividade do direito ambiental não corresponde a importância que este ramo do direito tem para a sociedade atual e para o futuro do homem na terra. As questões ambientais ainda são pouco valorizadas em nossa sociedade, isto é muitas vezes agravado pela forma como são enfrentadas pelos operadores do direito. Neste trabalho, buscou-se, por meio de pesquisa de campo com abordagem etnográfica e da análise de discurso crítica de decisões judiciais, analisar se o estudo da atuação dos operadores do direito no enfrentamento das questões ambientais pode se fazer relevante para o avanço na efetividade da legislação ambiental brasileira, e como objetivos específicos: a) identificar o modo como os operadores do direito que atuam em Teresina avaliam seu desempenho no enfrentamento das questões ambientais; b) identificar as categorias de fundamentação dos discursos jurídicos oriundos de julgamentos de demandas ambientais; c) apresentar os possíveis entraves para a efetividade da legislação ambiental; d) apresentar instrumentos que sejam capazes de impulsionar a efetividade da legislação ambiental brasileira; e e) propor uma nova modelagem de aplicação da legislação ambiental brasileira. A pesquisa de campo com abordagem etnográfica revelou o modo como os operadores do direito de Teresina avaliam sua atuação no enfrentamento das questões ambientais e os entraves para a efetividade da legislação ambiental e deram suporte ao desenvolvimento dos instrumentos para impulsionar esta efetividade apresentados neste trabalho. A Análise de Discurso Crítica (ADC) revelou as categorias de fundamentação dos discursos dos ministros do STF e dos julgadores locais no enfrentamento das questões ambientais. De um modo geral pode-se afirmar que o estudo desenvolvido pode contribuir ao menos doutrinariamente para o avanço da efetividade da legislação ambiental. Isto porque, o estudo revelou que de um modo geral os operadores do direito avaliam sua atuação como negativa (abaixo do esperado) e demonstram consciência da necessidade de mudança de valores e de comportamento que o enfrentamento da questão ambiental exige. Foi possível identificar ainda por meio das entrevistas os conceitos de efetividade e os entraves para a efetivação da legislação ambiental. Os entrevistados definiram efetividade como sendo: sinônimo de celeridade; necessidade de popularização do direito ambiental; atuação preventiva dos operadores do direito e atuação efetiva do judiciário (decisões com eficácia e que garantam a proteção do bem jurídico tutelado na demanda). E atribuíram como razões para a inefetividade da legislação ambiental: a falta de valores próprios relacionados ao meio ambiente na sociedade e entre os operadores do direito; uma característica própria dos direitos coletivos; a natureza técnica das normas que extrapolam o conhecimento de um magistrado; limitação orçamentária do poder público; e a dependência de um plano de gestão/política pública que envolva o problema ambiental debatido. A partir disto, propôs-se como instrumentos capazes de impulsionar a efetividade da legislação ambiental: a necessidade do empoderamento da sociedade civil acompanhado de um processo de conscientização e educação ambiental; um rito processual especial próprio para as demandas ambientais; celeridade no julgamento destes processos; atuação efetiva das instituições que compõem a atividade jurisdicional; a utilização de mecanismos alternativos de solução de conflitos (a exemplo do Círculo de Políticas Públicas da Seção Judiciária do Piauí); legislação ambiental reforçada por regulamentos processuais e acompanhada de planos de implementação e orçamento suficientes para sua efetiva aplicação e por sugere-se a criação de um microssistema autopoiético de direito ambiental à luz da teoria dos sistema de Luhmann como proposta para uma nova modelagem de aplicação da legislação ambiental brasileira. A análise de discurso crítica apontou a luta ideológica como dimensão da prática discursiva, uma luta para remoldar as práticas discursivas e as ideologias nelas construídas no contexto da reestruturação ou da transformação das relações de dominação. É importante pensar inclusive que os discursos captados nas entrevistas dos operadores estão na contramão dos discursos jurídicos escritos, contudo suas práticas discursivas, ainda não foram suficientes para transformar as posições ideológicas demarcadas no Poder Judiciário. Acredita-se que o modo de agir dos operadores do direito locais e os discursos jurídicos são em muitos casos consequência de uma formação doutrinária pautada nos direitos individuais e em valores culturais que não tem o meio ambiente como prioridade, e ainda pela divergência de posicionamento no que tange às questões eminentes da sociedade quando comparadas às questões ambientais. Percebe-se por fim, que o olhar progressista da atividade jurisdicional é ao mesmo tempo selecionador, pois naquilo que é discutido amplamente nas mídias e na sociedade, os operadores do direito apresentam soluções inovadoras e em muitos casos extrapolam o texto legal, o que não se tem observado com a mesma intensidade na análise das questões ambientais.


2017
Descrição
  • KELLY POLYANA PEREIRA DOS SANTOS
  • Etnozoologia e Etnoecologia na Comunidade de Pescadores Artesanais de Miguel Alves, PI/Brasil
  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 23/11/2017
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  • Nas comunidades tradicionais de pescadores artesanais evidencia-se uma importância cultural de sobrevivência através do uso dos recursos pesqueiros. Assim, investigou-se o conhecimento Etnozoológico e Etnoecológico dos pescadores artesanais da comunidade de Miguel Alves/PI, filiados à Colônia Z- 14, visando conhecer e registrar diversidade dos recursos animais (peixes), além de analisar a diversidade sociocultural da comunidade, as estratégias de pesca e a percepção ambiental acerca dos recursos hídricos da região. O município de Miguel Alves abriga a sede da colônia Z-14, epossui 440 associados, destes, apenas 366 pertencem ao município. A metodologia definiu-se em entrevistas semiestrururadas, observação direta, registro fotográfico, conversas informais registradas em diário de campo e tabulação e análise quantitativa dos dados. Realizaram-se coleta e identificação do material zoológico.  Entrevistou-se 183 pescadores, (59,6%) do gênero masculino e (40,4%) do feminino. Há uma participação das mulheres na pesca que pode ser direta (pescando com os maridos) ou indireta (concertando pescado ou fabricando artefatos de pesca). 59,49% dos pescadores possuem apenas o ensino fundamental incompleto, 49,36% produzem artesanalmente artigos para consumo próprio ou venda difundido entre as seguintes categorias: artefatos de pesca, fabricação de canoas, produção de remédios caseiros e bordado. Os pescadores apontaram diversos problemas que afetam o rio Parnaíba: desmatamento nas margens do rio, soterramento de lagoas, assoreamento, poluição com produtos químicos e irrigação. Na comunidade, constatou-se que há um programa de educação ambiental voltada para a valorização e respeito aos recursos naturais, essa programação é desenvolvida pela prefeitura municipal em conjunto com a colônia de pescadores Z-14 e o IBAMA. Quanto ao conhecimento tradicional em relação aos pescados da região, foram apontadas 42 espécies, distribuídas em seis ordens e 20 famílias. Os apetrechos mais utilizados foram: engancho/rede, seguido de anzol e tarrafa. O teste de Shannon-Wiener demonstrou que a diversidade de citações entre gêneros alcançou valores semelhantes entre homens e mulheres. Por meio do Coeficiente de Pearson, contatou-se que embora a idade e o tempo no ofício da pesca tenham influenciado no número de peixes citados por cada classe, esta foi muito sutil tendo como base os valores numéricos trabalhados. Os peixes foram classificados em raros (18 espécies) e comuns (24 espécies). Constatou-se que a forma do corpo (63%) e a coloração (41%) foram os critérios mais utilizados na identificação dos “tipos” de peixes. Aspectos como o revestimento cutâneo, etnohabitat, tipos de dentes, tamanho e presença ou não de esporão também foram utilizados na classificação. O conhecimento popular sobre a morfologia dos peixes foi específico e minucioso, sendo utilizado no reconhecimento e nomeação das etnoespécies. Foram citados 14 diferentes itens alimentares que compõem a dieta dos peixes locais, sendo 11 encontrados naturalmente no ambiente aquático, e três adicionados no momento da captura das espécies. Os peixes foram classificados quanto ao etnohabitat em quatro categorias: “peixe de rio”; “peixe de lagoa”; “peixe que vive no fundo” e “peixe que vive no raso”. Quanto à reprodução, a diferenciação do macho e da fêmea, só ocorre no momento da retirada das vísceras. Os fenômenos comportamentais percebidos foram agrupados em seis “etnocategorias” as quais se relacionam com comportamento de fuga, predação, comportamento social, ou ainda a respostas a estímulos artificiais. A valorização do conhecimento tradicional das populações pesqueiras é essencial para a manutenção da diversidade biológica, e para possíveis planos de manejos pesqueiros.

     

     

  • JOSÉ NATANAEL FONTENELE DE CARVALHO
  • NOVAS DINÂMICAS NAS RELAÇÕES DE TRABALHO NO EXTRATIVISMO DA PALHA DE CARNAÚBA, Copernicia prunifera (Miller) H. E. Moore, A LUZ DO TRABALHO DECENTE
  • Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
  • Data: 14/11/2017
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  • A tese aborda as relações de trabalho no extrativismo da palha de carnaúba (Copernicia prunifera (Mill.) H. E. Moore) no Estado do Piauí, temática que ganhou maior evidência a partir do ano de 2013, por meio de duas novas dinâmicas: a celebração das Convenções Coletivas de Trabalho e a inclusão dessa atividade, na pauta das ações de fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Piauí, inclusive com resgate de trabalhadores submetidos a condições análogas à de escravo, na modalidade degradante. O objetivo geral da tese é analisar os efeitos das convenções coletivas e das ações de fiscalização nas relações de trabalho no extrativismo da palha de carnaúba no estado do Piauí. Especificamente, buscou-se reconstituir os contextos e processos de construção da Convenção Coletiva de Trabalho; analisar as cláusulas firmadas nas Convenções Coletivas de Trabalho no período de 2013 a 2017; verificar o mercado de trabalho formal do extrativismo da palha de carnaúba no período de 2005 a 2015; analisar a evolução da produção de pó e exportação da cera no período de 2005 a 2015 e; examinar as ações de combate ao trabalho degradante no extrativismo da palha de carnaúba. O estudo se alicerça teoricamente nas reflexões em torno do trabalho decente e apoia-se na centralidade do trabalho na atividade em estudo. Para o alcance dos objetivos da pesquisa, a metodologia contemplou a utilização de dados secundários, visitas técnicas, análise documental e observações simples. Fez-se uso também de conversas informais com agentes econômicos que atuam no extrativismo da palha de carnaúba. Para subsidiar a análise do conjunto das informações obtidas, utilizou-se a técnica de triangulação de dados. Constatou-se que o movimento sindical dos trabalhadores rurais foi protagonista nas negociações coletivas no extrativismo da palha de carnaúba, ensejando uma reconfiguração das relações de trabalho nessa atividade. As cláusulas estabelecidas nas Convenções Coletivas reafirmaram direitos garantidos pela legislação trabalhista e pela Constituição Federal. Percebeu-se um avanço no mercado de trabalho formal nesse setor, bem como a relevância do mercado do pó e cera de carnaúba para a economia do Piauí. Notou-se que o Estado está conseguindo construir uma institucionalidade capaz de combater a prática constante de negação dos direitos dos extrativistas, por meio de ações de fiscalização nos carnaubais e implementação do Cadastro de empregadores infratores. O cumprimento das Convenções Coletivas e a intensificação das fiscalizações nos carnaubais são fundamentais para a promoção do trabalho decente no extrativismo da palha de carnaúba e para a construção do pilar social do desenvolvimento sustentável.

  • FABRÍCIO NAPOLEÃO ANDRADE
  • MANEJO FLORESTAL: UMA ALTERNATIVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL EM PROJETOS DE ASSENTAMENTO RURAIS NO ESTADO DO PIAUÍ
  • Orientador : JOAO BATISTA LOPES
  • Data: 27/10/2017
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  • Objetivou-se avaliar a dinâmica da exploração florestal no estado do Piauí e sua relação com os Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) em assentamentos rurais, de forma a identificar e quantificar os Planos de Manejo Florestais aprovados no Piauí no período de 2010 a 2015; levantar e analisar os dados fitossociológicos dos planos de manejo nos assentamentos Sambaibinha e Lagoa do Mato, respectivamente, situados nos municípios de São Francisco do Piauí e Milton Brandão, e caracterizar e analisar os aspectos socioeconômicos e composição da renda dos assentamentos com atividade de MFS aprovados no estado. A pesquisa foi desenvolvida com utilização do banco de dados da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR) e com realização de inventário florestal. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas entre todos os chefes de famílias, que participam ou participaram da atividade de manejo florestal, chamado de manejadores, que aceitaram espontaneamente participar da pesquisa. No assentamento Sambaibinha, do total de 26 famílias, apenas 18 chefes de família aceitaram participar da pesquisa, enquanto no assentamento Lagoa do Mato participaram 13 chefes de famílias do total de 16. Foram selecionados os assentamentos Sambaibinha e Lagoa do Mato, por serem os pioneiros e terem maior tempo de exploração contínua com a atividade de manejo florestal. Os dados mostram que 96 PMF detentores de autorização representaram mais de 117.000 hectares de área manejada, em propriedades cujas extensões variaram de 67,60 a 34.208,00 ha, com área manejada por propriedade entre 40,00 e 24.969,00 ha. Os talhões adotados para exploração anual tiveram dimensões entre 7,50 e 1.945,70 ha. O volume anual autorizado no período foi de 1.998.986,2 st/ano. A vegetação natural que ocorre nos PFMS estudados é do tipo floresta caducifólia e/ou floresta sub-caducifólia se constituindo de vegetação arbórea densa no assentamento Sambaibinha com área de transição cerrado/caatinga. O mesmo aspecto foi observado no assentamento Lagoa do Mato. As áreas apresentam grande diversidade florestal. A vegetação arbórea encontrada nos PMFS Sambaibinha e Lagoa do Mato apresentaram, respectivamente, em seus levantamentos 1.292 e 1.551 ind.ha-1, com índice de diversidade de 2,76 e 3,19 nats/indivíduos, densidades de 1.538 e 2.423 ind.ha-1, área basal de 13,46 e 8,29 m2/ha e valores volumétricos de 371,25 e 260,18 st/ha. As famílias Fabaceae e Combretaceae foram as únicas presentes em ambas as áreas. Com relação aos aspectos socioeconômicos e ambientais, observou-se que nos dois assentamentos, o homem é o provedor da renda para o sustento e desenvolvimento da família e também que a divisão por idade inexiste, não havendo grupo que se mostre predominante. Outro dado importante é que a maioria dos assentados 61,5% e 67%do assentamento Sambaibinha e Lagoa do Mato, respectivamente, apresenta estrutura familiar definida. Das famílias que estão presentes no manejo pode-se observar 83,4% e 84,6% dos chefes de família se enquadram na profissão como agricultor no assentamento Sambaibinha e Lagoa do Mato, respectivamente. No assentamento Lagoa do Mato a prática da agricultura, é considerada por 69,2% dos entrevistados como a principal fonte de renda mensal, o restante 31,8% declaram que as atividades de diarista em diferentes serviços constituem a principal fonte de renda. Há dependência dos assentados em relação a renda obtida com a atividade do manejo florestal, em que observamos no Assentamento Lagoa do Mato, a contribuição do manejo florestal variou entre 83,3% e 23,1% na renda familiar, enquanto no Assentamento Sambaibinha, oscilou entre 87% e 31%. Assim, o Manejo Florestal influencia não somente nos ganhos econômicos, mas sim por indicar o método correto de produção de material madeireiro.

     

     

  • LUCIA DA SILVA VILARINHO
  • CAPITAL SOCIAL E DESENVOLVIMENTO NO AGRONEGÓCIO NO CERRADO DO PIAUÍ: desafios e potencialidades no município de Uruçuí
  • Orientador : WILZA GOMES REIS LOPES
  • Data: 25/08/2017
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  • A maioria dos estudos sobre o desenvolvimento reporta-se ao crescimento econômico como fator de medida de prosperidade e acúmulo de riquezas, pouco ou nada considerando fatores de outra natureza, embora ele mantenha relação direta com a dinâmica social, cultural e política das sociedades que, no conjunto, influencia a qualidade de vida da população e demarca o desenvolvimento. Desta forma, ganham importância aspectos da estrutura social relacionados com a capacidade coletiva de interagir, confiar, cooperar, associar-se via redes de relacionamentos formais e informais, que proporcionem a seus membros um capital coletivo – capital social. Este representa um conjunto de recursos não monetários capazes de promover melhor utilização dos ativos econômicos pelos indivíduos e pelas instituições em determinada localidade, visando estimular a articulação sociedade-Governo-mercado de forma a valorizar potencialidades locais e possibilitar o protagonismo dos agentes sociais na construção do desenvolvimento com equilíbrio integral. No caso específico, o agronegócio da soja vem acarretando mudanças significativas em diversos locais do Brasil. A região do cerrado do Piauí, sobretudo para os 18 municípios produtores de soja do sudoeste e parte do extremo sul do Estado, com destaque para Uruçuí, nos últimos 30 anos, tem vivenciado significativo dinamismo econômico, resultante da modernização da agricultura e do agronegócio da soja mediante a instalação de grandes empresas, organizações e de um diversificado comércio alimentador da atividade agroindustrial. Sob esta perspectiva, o objetivo geral deste estudo é analisar o capital social dos trabalhadores do agronegócio em Uruçuí e seu potencial para influenciar o desenvolvimento sustentável, em especial, no cenário do agronegócio. São objetivos específicos: (1) aferir o índice de capital social (ICS) dos trabalhadores, considerando as dimensões participação em organizações, grupos e redes; confiança, coletividade e solidariedade; e ação social; (2) avaliar as dimensões de capital social pesquisadas e seu potencial para influenciar o desenvolvimento no município; (3) discutir questões da realidade local relacionadas às dimensões do desenvolvimento sustentável, na visão dos agentes sociais locais; (4) conferir desafios e potencialidades de desenvolvimento sustentável e as perspectivas do capital social. Trata-se de pesquisa exploratória e analítica, com abordagem quantitativa e qualitativa, realizada entre 2016 e 2017, com a utilização de uma conjunção de instrumentos de pesquisa, ênfase para as técnicas de entrevista e de questionário (QIM-CS), além da observação participativa e da análise de conteúdo, além de exaustiva pesquisa bibliográfica e documental. O ICS do segmento dos 170 participantes do estudo está aferido e classificado como baixo 0,378 (±0,1), com maior média para a dimensão confiança, coletividade e solidariedade 0,453 (±0,2), seguida pela ação social 0,421 (±0,1) e participação em organizações, grupos e redes 0,260 (±0,1). Dentre os resultados centrais, está a urgência de os agentes sociais transmutarem meras possibilidades em reais políticas públicas e em outros mecanismos que assegurem o desenvolvimento social em Uruçuí, mediante a valorização, na dinâmica local, de elementos essenciais ao desenvolvimento sustentável: participação, cooperação, espírito coletivo, solidariedade e, principalmente, compromisso e engajamento em questões e bens públicos, a exemplo das questões fundiária e ambiental, com permanente busca de maior inclusão social.

  • JOSSIVALDO DE CARVALHO PACHECO
  • Impactos ambientais na produção de ração para frango de corte em uma cooperativa de avicultores piauiense
  • Data: 26/05/2017
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  • A questão ambiental invade todos os setores da vida humana. A avicultura tem papel de destaque na economia e nutrição dos brasileiros. A ração é o principal insumo para a criação de frangos de corte. As cooperativas são modos de participação na vida econômica da sociedade, cujos princípios remetem a características que se integrariam harmonicamente com a produção sustentável. A Avaliação do Ciclo de Vida permite identificar e propor cenários de produção sustentável de ração para frango de corte. Nosso objetivo foi identificar e avaliar os potenciais impactos da produção de ração para frango de corte, com o uso da metodologia de Avaliação do Ciclo de Vida. A coleta de dados foi realizada em uma cooperativa de avicultores de Teresina-PI, e envolve a identificação das matérias-primas, além de sua origem e quantidade; etapas do processo produtivo. Também, utilizou-se dados do Ecoinvent, disponibilizado no software SimaPro, em que foi realizada a modelagem. O método de avaliação utilizado foi o ReCiPe Midpoind (H). A caracterização da avaliação de impacto mostrou que os maiores impactos estão relacionados a utilização de ingredientes com maior teor de energia e proteína, como milho e soja. Isso acontece devido aos impactos ambientais negativos associados à produção agrícola desses materiais (dados do Ecoinvent), além do transporte dos mesmos entre as fazendas em que são cultivados (Uruçuí e Sebastião Leal, região sul do Piauí) e a fábrica em que a ração é produzida (aproximadamente, 520 km distantes de Teresina). Desse modo, são impactos associados às atividades que acontecem fora dos limites da cooperativa. Além disso, a utilização da farinha de carne e ossos, subproduto oriundo de abatedouros, determinou o aparecimento de impactos ambientais positivos em todas as categorias do método utilizado, com destaque para: eutrofização de corpos de água doce, ecotoxidade marinha e depleção da camada de ozônio. O reaproveitamento desses subprodutos (carne e ossos) na ração e, consequentemente, o impedimento do seu descarte é ambientalmente vantajoso. A atividade cooperativa desenvolve-se atendendo minimamente os princípios cooperativos. Não há uma valorização das questões ambientais no processo produtivo, alguns aspectos sociais da atividade empresarial são negligenciados. A Avaliação do Ciclo de Vida é uma ferramenta adequada para identificar cenários de menor impacto ambiental negativo.

  • SILVIA MARIA SANTANA ANDRADE LIMA
  • EXPANSÃO URBANA E SUSTENTABILIDADE: DINÂMICA DOS PADRÕES ESPACIAIS E DAS ALTERAÇÕES NA COBERTURA DO SOLO NA CIDADE DE TERESINA, PIAUÍ
  • Orientador : WILZA GOMES REIS LOPES
  • Data: 31/03/2017
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    O crescimento da população urbana e das cidades é uma realidade mundial. Estudos mostram que o crescimento da população é natural e importante para a sobrevivência humana. No entanto, observa-se que há descompasso entre o crescimento da população e a expansão dos espaços ocupados por ela. A expansão espraiada traz desafios à construção de cidades sustentáveis, já que se configura como uma trama descontínua, fragmentada, permeada por grandes espaços de baixa densidade populacional e sem urbanização. Assim, tornam-se necessários maiores deslocamentos entre regiões, com crescente demanda e consumo de energia, acarretando maiores custos e gastos para assegurar serviços urbanos, que não atendem de forma justa (equânime) todo o território, produzindo ocupações socialmente desiguais, fragmentações na malha urbana, além de impermeabilizar grandes territórios. A investigação sobre a expansão urbana por meio da incorporação de novos espaços à cidade, as formas que assume, se compacta ou dispersa, as alterações na cobertura do solo com a perda de solo vegetado e sua impermeabilização, são referências importantes para se conhecer as diversas realidades deste fenômeno, contribuindo com informações para um planejamento mais eficiente e gestão do espaço urbano, socialmente mais justa e sustentável. O objetivo geral deste estudo é avaliar a “natureza” da expansão urbana em Teresina, capital do Piauí, nas últimas décadas, a partir da dinâmica dos padrões espaciais e das alterações na cobertura do solo. Como objetivos específicos têm-se: a) Discutir os aspectos relacionados ao processo de urbanização, ao crescimento populacional, à expansão urbana e às preocupações com o planejamento visando à sustentabilidade urbana, tendo como enfoque a cidade de Teresina; b) Identificar a expansão urbana de Teresina a partir da dinâmica dos padrões espaciais, considerando dados de 2000 e 2010, e enfocando as dimensões formais: densidade, fragmentação, orientação e centralidade; c) Mensurar a expansão urbana e as mudanças na cobertura do solo, destacando solo urbanizado, solo com cobertura vegetal e solo exposto para Teresina, e as alterações entre 2000, 2010 e 2015; d) Analisar a expansão urbana sob a ótica da dualidade entre cidades compactas e dispersas e seus desafios para sustentabilidade urbana e planejamento; e) Discutir a atuação dos planos diretores no controle da expansão urbana de Teresina e na mudança de sua configuração urbana. Como procedimentos metodológicos, foi realizada revisão bibliográfica, a partir de aprofundamento conceitual e histórico sobre o processo de urbanização e crescimento populacional; apreensão da expansão urbana, buscando agentes, causas e efeitos, formas de mensurar este fenômeno, como também, as preocupações socioambientais e de planejamento urbano inerentes ao processo de expansão. Para obtenção dos objetivos pretendidos foram utilizados, amparado em dados secundários do IBGE e de geoprocessamento, métodos de classificação de imagens para medir, quantificar e observar as manchas urbanas e as mudanças na ocupação do solo urbano em Teresina entre 2000 e 2015. Foi usado o software ArcGIS, versão 10.3, o SPRING 5.1.8, e o software Quantum GIS 2.6 Brighton para processamento dos dados, classificação de imagens e geração de mapas. Os resultados foram apresentados em forma de artigos Foi possível observar que as áreas urbanizadas, em Teresina, aumentaram em maior proporção que sua população. Apesar de ter diminuído os grandes espaços de baixa densidade populacional, dentro e entre o tecido urbano consolidado, aumentado a densidade bruta das manchas urbanas, continua a ocorrer espraiamento da cidade, apontando para uma expansão em que coexistem a compactação e o modelo de ocupação dispersa. Ainda, constatou-se que a impermeabilização de vastas áreas de solo urbano em Teresina, somada às grandes perdas de cobertura vegetal, indicam que o processo de urbanização não está acontecendo de forma sustentável, já que a urbanização não está caminhando em conjunto com o aumento das áreas verdes e da infraestrutura. As infinitas possibilidades e alternativas de destino dos espaços urbanos geram incertezas e preocupações, pois foi constatado que a legislação vigente não está garantindo a preservação e seus usos em favor de toda a cidade e de sua população.


  • ADRIANA SARAIVA DOS REIS
  • Saneamento básico na cidade de Lagoa Alegre, estado do Piauí, Brasil: Compreendendo as nossas mazelas
  • Data: 20/01/2017
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  • Este trabalho tem por objetivo averiguar a compreensão dos habitantes do entorno da Lagoa Central do Município de Lagoa Alegre-PI quanto ao abastecimento de água, coleta, transporte e destinação final de resíduos sólidos e líquidos, utilização e revitalização da lagoa, além de verificar a existência/eficiência das ações de saneamento no município e as condições de saúde da população. Também foi analisada, junto aos moradores da cidade, a percepção sobre os inúmeros aspectos que envolvem a temática “resíduos sólidos”. Para tanto, aplicou-se formulários aos moradores do entorno da lagoa central para verificar se estes percebiam alterações neste ambiente ao longo dos anos e aos moradores do município para diagnosticar os serviços de saneamento prestados, principalmente com relação aos resíduos sólidos. Além da coleta de dados em campo, também foram obtidas informações junto a órgãos oficiais, fornecidos pela Empresa de Águas e Esgotos do Piauí S.A. (AGESPISA), pelo Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB), pelo Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento (SNIS) e Secretaria de Saúde do Estado do Piauí. Ao final do estudo, verificou-se que os habitantes da cidade não têm consciência sobre os problemas ambientais causados pela inadequada coleta, transporte, armazenamento e destinação final dos resíduos sólidos urbanos e que percebem as alterações sofridas pela Lagoa pela má gestão de resíduos sólidos, mas não se reconhecem como agentes ativos neste processo.  Constatou-se ainda que a cidade em questão possui ineficiente infraestrutura de saneamento, até mesmo inexistente em algumas zonas, fato que afeta diretamente a saúde e o meio ambiente. Este diagnóstico revela-se importante para a melhoria da qualidade de vida da população por colaborar com informações que devem auxiliar os gestores na organização dos serviços de saúde e saneamento local.

2016
Descrição
  • ANTONIO JOAQUIM DA SILVA
  • AGRICULTURA FAMILIAR E A TERRITORIALIZAÇÃO/DESTERRITORIALIZAÇÃO/RETERRITORIALIZAÇÃO PROVOCADA PELO AGRONEGÓCIO NO CERRADO PIAUIENSE: HIBRIDISMO SOCIOCULTURAL EM URUÇUÍ
  • Orientador : MARIA DO SOCORRO LIRA MONTEIRO
  • Data: 13/12/2016
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  • A expansão da fronteira agrícola no cerrado piauiense, iniciada nos anos 1990, comandada pelo agronegócio, que se caracteriza como um projeto sociopolítico organizado em torno de elites agrárias que defendem a presença atuante do Estado na concessão e proteção de benesses de um segmento social que produz para o mercado de commodities, articulado às exigências do capital financeiro internacional, consubstancia-se como o fenômeno responsável por transformações socioespaciais que atingem diretamente os modos de vida do agricultor familiar, o qual consiste em um ator social calcado nas virtudes da sociedade camponesa, cuja tradicionalidade legitima-se como uma particularidade que não esgota ante as rugosidades espaço/temporal. Nesse sentido, faz-se necessário investigar Uruçuí, em virtude da atividade agrícola familiar no município anteceder o agronegócio, por ter sido um dos primeiros a abrigar empreendimentos graníferos e a disponibilizar infraestrutura para o agronegócio e liderar o ranking de municípios com o melhor PIB per capita – desempenho decorrente do Valor Adicionado (VA) da agropecuária. Sendo assim, a questão norteadora da investigação conforma-se em como se manifesta a interferência da agricultura empresarial sobre os modos de vida dos agricultores familiares? Com vistas responder essa problemática, tem-se como hipótese a concepção de que a expansão do agronegócio em Uruçuí, por meio do planejamento produtivo e do gerenciamento, que inclui o uso sistemático de inovações tecnológicas e redução da força de trabalho, repercutiu em alterações nos modos de vida dos agricultores familiares, redundando na reconversão dos saberes, objetos e técnicas para reinseri-los em novas condições de produção e de consumo que se traduzem no hibridismo do tradicional com o moderno. O objetivo geral centrou-se na análise do processo de territorialização/desterritorialização/reterritorialização provocado pela agricultura empresarial nos modos de vida dos agricultores familiares de Uruçuí. Especificamente debateu-se teórica e conceitualmente agronegócio, agricultura familiar, modos de vida e território; contextualizou-se os fatores inerentes à expansão da agricultura empresarial em Uruçuí; caracterizou-se a agricultura familiar uruçuiense nas dimensões sociais, econômicas, culturais e ambientais; identificou-se na agricultura familiar influências do modelo empresarial de agricultura em larga escala; e discutiu-se as implicações do agronegócio na reprodução da agricultura familiar do município. A metodologia desse estudo qualiquantitativo sustentou-se nos métodos dialético, comparativo e etnogeográfico. Após a análise dos resultados, conclui-se que a instalação do agronegócio em Uruçuí foi condicionada por fatores como baixo preço da terra, infraestrutura, favorabilidades de clima, solo, topografia e hidrografia, e pela existência de um atrativo mercado consumidor regional. E que o contato dos agricultores familiares com o agronegócio, acarretou processos socioculturais de hibridação, marcados por uma eficácia performativa restrita, devido às limitações de assistência técnica, crédito, terras e da precariedade dos objetos tecnoprodutivos empregados nas roças, e caracterizados por um patrimônio de saberes e práticas tradicionais que não negava a modernidade, o que confirmou a hipótese, e ao mesmo tempo, expressou a necessidade de ações e intervenções públicas efetivas, visando a emancipação e potencialização da pequena produção no município.

  • IRLAINE RODRIGUES VIEIRA
  • Percepção ambiental, uso, manejo e valoração econômica da palmeira buriti (Mauritia flexuosa L. f.) na região dos Lençóis Maranhenses, Brasil
  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 02/12/2016
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  • Na região turística dos Lençóis Maranhenses, o extrativismo da palmeira buriti (Mauritia flexuosa L. f.) para abastecer o mercado turístico tem promovido pressões extrativistas que ocasionam danos aos buritizais. Diante disso, objetivou-se investigar a percepção ambiental, uso, manejo e valoração ambiental de comunidades situadas em uma realidade extrativista direcionada ao comércio turístico. Foram selecionados municípios que compõem a cadeira produtiva do artesanato com diferentes distâncias do centro de comercialização: Barreirinhas (centro de comercialização), Paulino Neves (distante 39,6 km) e Tutóia (distante 89,7 km). Para a coleta de informações sobre a percepção ambiental de valores florestais, uso e manejo do buriti, foram entrevistados 296 artesãos e extrativistas nos três municípios. Para obtenção do valor médio da disposição a pagar pela conservação dos buritizais e compreensão da consciência conservacionista, foram entrevistados 416 habitantes de Barreirinhas. Constatou-se que houve uma maior percepção sobre os valores florestais da categoria econômica. Apenas no município de Tutóia, os fatores socioeconômicos não influenciaram na percepção ambiental e não houve relatos de redução dos buritizais em decorrência das coletas, reflexo da crença em elementos sobrenaturais que desempenham papel regulador do extrativismo, dependência cultural dos recursos naturais e de práticas conservacionistas. Houve uma priorização das categorias de uso artesanato e alimentícia em Barreirinhas e Paulino Neves. Verificou-se que a intensidade de extrativismo de folhas em Barreirinhas esteve acima da capacidade de suporte da planta. A população de Barreirinhas relatou que os danos nos buritizais estão associados aos extrativistas. Apesar de apontarem um culpado, atribuíram a toda população a responsabilidade pela conservação ambiental. Isto refletiu em uma disposição de 65,75% dos informantes a contribuir financeiramente com um valor médio anual de R$ 179,49 para custear a conservação dos seus buritizais. A disposição a pagar foi independentemente de qualquer fator socioeconômico. Conclui-se que dentre as percepções, os valores florestais econômicos foram priorizados. Houve um direcionamento dos usos da palmeira para o mercado turístico nos municípios mais próximos do centro de comercialização e que o intenso extrativismo realizado em Barreirinhas está acima da capacidade de suporte da planta, o que vem sendo perceptível pela população deste município, favorecendo para que estes contribuam financeiramente com propostas conservacionistas.

  • LÚCIA GOMES PEREIRA
  • "QUINTAIS RURAIS: ETNOBOTÂNICA COM ENFOQUE NA DIVERSIDADE E USO DE PLANTAS NO MUNICÍPIO DE MONSENHOR GIL, PIAUÍ, NORDESTE DO BRASIL"

  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 30/09/2016
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  • Os quintais constituem-se como um rico reservatório de germoplasma, o que contribui

    para a manutenção da diversidade biológica, atuando como um laboratório da vida.

    Objetivou-se pesquisar os usos atribuídos às plantas, registrando dados de frequência e

    abundância, verificar a importância ambiental e cultural dos quintais, constatar se as

    atividades desenvolvidas nos quintais ajudam na conservação da biodiversidade local e

    realizar análises químicas de espécies medicinais aromáticas, visando validar sua ação

    fitoterápica. A pesquisa de campo foi precedida pela aprovação do projeto pelo Comitê

    de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Observando-se os

    aspectos éticos da pesquisa envolvendo seres humanos, todos os partícipes da pesquisa

    assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram visitados 85

    quintais (45 na comunidade Baixa Grande e 40 na comunidade Monte Alegre),

    oportunidade em que se realizaram entrevistas semiestruturadas com os mantenedores

    destes quintais e turnês- guiadas para a coleta das plantas úteis ali cultivadas. As coletas

    botânicas seguiram o preconizado por metodologia usual e os espécimes vegetais foram

    depositados no Herbário Graziela Barroso (TEPB) da UFPI. Os dados foram reunidos

    em planilhas eletrônicas e calculados os índice de Shannon (H’) e Jaccard, visando à

    obtenção de dados sobre a diversidade florística e similaridade dos quintais,

    respectivamente. O Fator de Consenso dos Informantes (FCI) e a Importância Relativa

    (IR) foram calculados para as plantas medicinais catalogadas. As indicações

    terapêuticas seguiram a “Classificação Internacional de Doenças e Problemas

    Relacionados à Saúde”, adotada pela Organização Mundial de Saúde. Do total de

    mantenedores dos quintais, 97% são piauienses, 65 são mulheres e 20 homens, com

    idade variando entre 21 a 86 anos. A maioria é casada (67%), trabalha nos serviços do

    lar (35%) e ganha menos de um salário mínimo (76%). Os quintais são vistos como um

    lugar apropriado ao manejo de plantas alimentícias, ornamentais, fitoterápicas e

    cosméticas, servindo, também, para a realização de atividades domésticas e criação de

    pequenos animais. Foram registradas 188 espécies, onde 59,8% são exóticas e 40,43%

    são nativas. Os mantenedores da comunidade Baixa Grande referiram 179 espécies e os

    da Comunidade Monte Alegre 119. As famílias mais representativas, em relação ao

    número de espécies foram: Fabaceae (14), Euphorbiaceae (9) e Arecaceae (8).

    Mangifera indica L. (manga), Anacardium occidentale L. (caju) e Annona squamosa L.

    (ata) foram as mais cultivadas. A categoria de uso ornamental contou como a maior

    quantidade de espécies citadas (57%), seguida da alimentícia (37,2%) e medicinal

    (31,4%). Os quintais analisados se mostraram bastante diversificados, com Índice de

    Shannon-Wiener de H´=4,73. Foram registradas 59 espécies de plantas medicinais,

    dentre as quais figuram a Ximenia americana L. (ameixa), Myracrodruon urundeuva

    Allemão (aroeira), Anacardium occidentale L. (caju) e Terminalia fagifolia Mart.(

    chapada). As folhas foram as mais utilizadas (69,65%), seguidas de frutos (19,61%) e

    caule (8,03%). Os chás, na forma de decocto e infusão (58.89%) e suco (17,09%) foram

    os modos de preparo mais relatados. As doenças do ouvido e da apófise mastoide e as

    doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas foram os males mais reportados. Croton

    campestris A. St. Hil. e X. americana foram as espécies mais versáteis, com IR=2. Os

    quintais estudados são diversificados, representando uma rica fonte de espécies úteis,

    especialmente aquelas que possuem finalidades ornamentais, alimentícias e medicinais,

    além de exercerem a função de refúgios para espécies nativas, ali protegidas pelos seus

    mantenedores, que colaboram para a conservação da biodiversidade local.


  • ROSELANE MOITA PIEROT
  • Gestão urbana e o tratamento da questão ambiental: Uma análise dos instrumentos urbanísticos e de planejamento orçamentário.

  • Orientador : ANTONIA JESUITA DE LIMA
  • Data: 29/09/2016
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  • O presente estudo se propõe analisar como a gestão pública municipal tem atuado sobre o meio ambiente em Teresina, tomando por base a análise dos instrumentos urbanísticos e de planejamento orçamentários instituídos após o Estatuto da Cidade. Pretende responder ao seguinte questionamento: que problemas o município enfrenta na implementação da política ambiental que conduz à sustentabilidade urbana? Parte-se do pressuposto de que esses problemas fragilizam a efetivação de políticas que garantam a sustentabilidade urbana. Assim, a pesquisa tem como objetivo geral: analisar a atuação do poder público municipal sobre o meio ambiente, tomando como referência os instrumentos urbanísticos e de planejamento orçamentário. E como desdobramento deste, delimitam-se os objetivos específicos: a) Identificar nos instrumentos legais de gestão municipal as iniciativas voltadas à questão socioambiental urbana; b) Caracterizar o sistema de gestão ambiental adotado pelo município de Teresina; e c) Analisar nos instrumentos do orçamento municipal a execução das políticas públicas ambientais. O recorte temporal da pesquisa compreende os anos de 2006 a 2013 e se fundamenta na Constituição Federal de 1988, que estabelece as leis orçamentárias, sendo o Plano Plurianual uma lei de periodicidade quadrienal. Do ponto de vista metodológico, quanto à sua natureza, trata-se de uma pesquisa aplicada, pois segundo Barros e Lehfeld (2000), esse tipo de pesquisa tem como finalidade gerar conhecimento para aplicação de seus resultados, contribuindo com a prática e visando à resolução de um problema identificado na realidade. Analisando sob a perspectiva do seu objetivo, trata-se de uma pesquisa descritiva, vez que, nela, as características do processo de gestão pública sobre o meio ambiente estão sendo descritas por meio de observação sistemática. Quanto à abordagem do problema, o estudo utilizou a pesquisa qualitativa, uma vez que o foco da análise dos dados estive na interpretação ao invés da quantificação. Buscou-se investigar a relação entre realidade e objeto de estudo, por meio de interpretações de informações contidas em documentos e depoimentos (DALFOVO, LANA E SILVEIRA, 2008). Conclui-se que os órgãos representativos do SISNAMA no munícipio, representados pela SEMAM e COMDEMA, apresentaram dificuldades para implantar a política ambiental no município. Faz-se necessário a reestruturação do sistema para torná-lo capaz de fazer frente ao cumprimento, monitoramento e avaliação da PPMA, sob pena da cidade ter comprometida, de forma irreversível, seu patrimônio natural e, por conseguinte, a sua sustentabilidade ambiental.

  • LEONARDO SILVA SOARES
  • Planejamento ambiental integrado: Bases para o Desenvolvimento Sustentável do Baixo Curso do Rio Itapecuru, Maranhão

  • Orientador : WILZA GOMES REIS LOPES
  • Data: 12/05/2016
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  •  O presente trabalho aborda a interação de fatores físicos e sócio econômicos em dez Sub-Bacias Hidrográficas (SBHs) localizadas nos Municípios de Rosário, Bacabeira e Santa Rita, inseridos no Baixo Curso do Rio Itapecuru (BCRI), Estado do Maranhão. Nesta região, existe a perspectiva da instalação de empreendimentos industriais, os quais, provavelmente irão potencializar a pressão sobre os recursos naturais, com real possibilidade de ocorrerem mudanças significativa nos padrões ambientais, gerando consequências negativas sobre a qualidade de vida das comunidades locais e funcionamento dos ecossistemas naturais. Desta forma, este trabalho objetivou analisar a dinâmica ambiental das SBHs, por meio da integração das características geomorfológicas, de uso e cobertura do solo, do potencial erosivo e da qualidade da água, gerando subsídios para fundamentação de propostas que visem a solução dos conflitos socioambientais, além de orientar a utilização racional do espaço e dos recursos naturais no âmbito do planejamento ambiental. Para tanto, foram empregados quatro eixos metodológicos, que permitiram a compreensão da dinâmica geoambiental da área de estudo. O primeiro, caracterizou os componentes morfométricos das SBHs, indicando as principais formas de relevo, padrões de drenagem e áreas de maior susceptibilidade ambiental, que devem ser priorizadas no processo de planejamento ambiental. O segundo componente foi pautado na avaliação da dinâmica do uso e cobertura do solo entre os anos de 2005 e 2015, em que foram discutidas as principais mudanças da paisagem neste horizonte temporal. No terceiro eixo, por meio da Equação Universal de Perda de Solos (EUPS), foi mapeada a evolução dos processos erosivos em função das mudanças da paisagem, entre os anos de 2005 e 2015. O quarto componente investigou a qualidade de água do rio Itapecuru, a partir de ampla rede de monitoramento dos parâmetros físico-químicos e biológicos da água, em que foi possível indicar o status de qualidade da água e compreender as inter-relações com a dinâmica ambiental das SBHs, no trecho investigado. A partir dos resultados da análise geomorfológica, foi constatado que as SBHs são de pequena dimensão e na rede de drenagem predominam canais intermitentes e de primeira ordem. Observou-se, ainda, que 83,3% da área estudada constitui zona de média e alta susceptibilidade ambiental, as quais devem ser priorizadas para implementação de ações de gerenciamento dos recursos naturais. Quanto ao uso e cobertura do solo, as classes “vegetação alta” e “vegetação média” foram predominantes nos três anos analisados. As principais mudanças foram impulsionadas pela supressão da vegetação, devido à implantação de um grande empreendimento e expansão das áreas ocupadas das cidades de Bacabeira e Rosário. O potencial erosivo indicou que as principais classes da EUPS foram “Muito Baixa” e “Baixa”, com perda de solo inferior a 10 t ha-1 ano-1. Por outro lado, em algumas zonas, evidenciou-se a ampliação das áreas susceptíveis à erosão laminar, devido ao aumento das classes “Moderada” e “Moderada a forte” (perdas de até 500 t ha-1 ano-1), impulsionadas pelas alterações nos padrões da paisagem. Com relação à qualidade da água, ocorre ampla variação espaço-temporal entre as variáveis, com alteração significativa no sentido montante/jusante para as variáveis: sólidos suspensos totais, transparência, turbidez e ferro total, sugerindo influência dos processos erosivos nas SBHs. As ocorrências de coliformes termotolerantes e Escherichia Coli indicam o lançamento de esgoto sanitário diretamente no rio. As informações obtidas na pesquisa indicam que apesar das pressões existentes na região, o ambiente ainda apresenta extensas áreas com alto potencial para conservação ambiental, sendo possível recuperar aquelas em estado inicial de degradação. O estabelecimento de estratégias vinculadas ao planejamento ambiental deve antecipar a chegada de empreendimentos e considerar a capacidade de suporte dos ecossistemas, compatibilizando sua implantação com a manutenção das características socioambientais inerentes ao BCRI.

     

     

     

  • TERESA LENICE NOGUEIRA DA GAMA MOTA
  • INOVAÇÃO, SUSTENTABILIDADE E ORGANIZAÇÃO PRODUTIVA: A CAPRINOCULTURA NA COMUNIDADE DE SÃO DOMINGOS, SOBRAL-CE

  • Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
  • Data: 26/04/2016
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  • Esse trabalho estuda Sistema Local de Inovação (SLI), tendo como eixo norteador a organização produtiva e a cultura e os saberes locais, diferenciando-se dos estudos existentes sobre a temática, residindo nesse aspecto a relevância da pesquisa. Estudaram-se os agricultores familiares, criadores de caprinos da Comunidade de São Domingos, localizada à margem do açude Jaibaras, no município de Sobral, Ceará, pela importância da caprinocultura para o nordeste brasileiro e da agricultura familiar, principalmente considerando seu processo de desenvolvimento. O principal problema da pesquisa consistiu em averiguar porque a caprinocultura não vem sendo capaz de gerar e sustentabilidade aos agricultores familiares da Comunidade de São Domingos. Trabalhou-se com a hipótese de que a cultura e os saberes locais não têm sido considerados nos processos de geração e difusão de tecnologias e na organização produtiva e, consequentemente não há como propiciar sustentabilidade econômica, social e ambiental. Assim, o principal objetivo do estudo consistiu em analisar a cultura e os saberes locais, os processos de geração e difusão de tecnologias, a organização produtiva e a sustentabilidade dos criadores de caprinos da comunidade de São Domingos, a partir da compreensão do Sistema Local de Inovação (SLI), e da formação do Arranjo Produtivo Local (APL). Fez-se uso, portanto de um estudo de caso, trabalhando-se com técnicas como observação participante, entrevista por pauta, grupo focal e o método da triangulação,. Entendeu-se que o SLI que atua junto aquela aglomeração de criadores de caprinos não vem trabalhando como sistema e vem apresentando falhas de articulação, notadamente entre as instituições geradoras do conhecimento, entre os geradores do conhecimento e os absorvedores de tecnologia, entre os integrantes da cadeia produtiva; e entre os produtores e o mercado. Observou-se que as instituições geradoras do conhecimento vêm atuando de forma isolada, que a linguagem e conhecimento utilizados na difusão de tecnologia não interaje com o conhecimento tácito da comunidade, que os caprinocultores têm pouquíssimo conhecimento das possibilidades e dos demais atores que atuam na cadeia produtiva, como beneficiadores da matéria prima, comerciante e consumidores intermediários e finais de produtos beneficiados e, dessa forma desconhecem a potencialidade do mercado para a caprinocultura. Contudo, questões relacionadas ao meio ambiente vêm sendo respeitadas, como é o caso da utilização do esterco como adubo orgânico; do tratamento dos corpos de água para os poucos animais abatidos; e da não erosão ou pactuação do soloi em função do manejo semi-intensivo.  O principal problema do mau funcionamento do SLI reside, portanto, em ignorar a cultura e os saberes locais. Exemplo disso é o fato das instituições promotoras do desenvolvimento, que vêm atuando na comunidade, não terem percebido da barreira existente entre os produtores, para avançar na criação de caprinos como oportunidade de geração de renda, pelo fato de associarem a criação de cabras à pobreza,  por desconhecerem as potencialidades da cadeia da caprinocultura leiteira e os mercados que para ela se apresentam; e  por não estarem suficientemente capacitados e organizados para enfrentarem a concorrência. Com as deficiências de funcionamento do SLI fica comprometida a capacidade de consolidação do potencial Arranjo Produtivo Local (APL) de caprinos da comunidade de São Domingos.

  • RODRIGO DE SOUSA MELO
  •  Turismo de baixo carbono em Unidades de Conservação no Piauí

  • Orientador : MARIA DO SOCORRO LIRA MONTEIRO
  • Data: 08/04/2016
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    As mudanças climáticas que consistem no expoente principal da crise contemporânea na relação entre sociedade e natureza afetam todas as atividades humanas. Em função desse cenário, novos arranjos de planejamento e gestão devem ser alicerçados por ações contextualizadas nos princípios do desenvolvimento de baixo carbono. Assim, esta pesquisa questionou se o turismo nas Unidades de Conservação (UCs) Parque Nacional (PARNA) de Sete Cidades e APA do Delta do Parnaíba conciliam o uso turístico com a conservação dos recursos ambientais e a melhoria de qualidade de vida das populações locais? Com base nessa indagação, a hipótese dessa investigação assenta-se em que o desenvolvimento do turismo de baixo carbono, no PARNA de Sete Cidades e na APA do Delta do Parnaíba minimiza os impactos sociais, econômicos e ambientais. Nessa perspectiva, analisaram-se os impactos do turismo nas UCs APA do Delta do Parnaíba (PI) e no PARNA de Sete Cidades, embasado no inventário das fontes de emissão de dióxido de carbono (CO2) dos visitantes e nos princípios do turismo de baixo carbono. E, especificamente, diagnosticou-se a visitação turística nas UCs; caracterizou-se as emissões de CO2 dos atores turísticos nas referidas UCs; comparou-se as estimativas de emissão de CO2 em uma UC de Proteção Integral e uma de Uso Sustentável, com vistas a avaliar a existência de diferenças entre categorias de UCs, como também se relacionou as estimativas de emissão de CO2 com as variáveis sociais, econômicas e ambientais, para aferir se haviam correlações entre as mesmas. Para tanto, metodologicamente, utilizaram-se pesquisas bibliográfica e de campo, e como ferramentas analíticas o método SWOT e o modelo de inventariação de CO2 do DECC e do IPCC. Fundamentado nessa investigação, identificou-se que a caracterização dos aspectos sociais, econômicos, políticos, ambientais e turísticos dos Ambientes Interno (AI) e Externo (AE) da análise SWOT, explicitou a inexistência de planejamento e gestão do uso e ocupação do solo como o principal conflito inerente a APA do Delta do Parnaíba e ao PARNA de Sete Cidades, além da precária infraestrutura de apoio ao turismo. Já referente ao inventário das emissões de CO2, detectou-se que a média das emissões per capita dos visitantes na APA do Delta do Parnaíba foi de 39,2 kgCO2 por dia e no PARNA de Sete Cidades foi de 6,9 kgCO2 por dia, sendo os principais vetores, o consumo de combustíveis, que respondeu por 91,3% e 78,2%, seguido pela produção de lixo orgânico e inorgânico com 7,8% e 21,8%, respectivamente. Nos meios de hospedagem, os visitantes das UCs emitiram cerca de 4,01 kgCO2/pernoite, tendo como principal contribuinte o consumo de energia elétrica, com 94,7% das emissões, acompanhado pela produção de lixo com 4,8% do total. Em síntese, as emissões totais per capita dos visitantes nas UCs APA do Delta do Parnaíba foi de 67,28 kgCO2 na tipologia carro e 20,58 kgCO2 na tipologia ônibus, e no PARNA de Sete Cidades foi de 15,14 kgCO2 e 5,64 kgCO2, respectivamente.  Outrossim, examinou-se que a comparação das emissões entre as UCs, por um lado, revelou como fator determinante na composição do quadro das emissões, o carro de passeio em ambas UCs, e, por outro lado, que o consumo de alimentos e bebidas na APA do Delta do Parnaíba concorreu para a maior produção per capita de lixo em relação ao PARNA de Sete Cidades. Ressalta-se tal configuração pelo fato desta última se enquadrar na categoria de UC de Proteção Integral, que limita o número de pessoas e o acompanhamento de condutores de visitantes ao longo do percurso. Desta forma, verificou-se que o inventário das emissões de CO2 foi essencial para avaliação dos impactos da visitação nas UCs, embasado no modelo do turismo de baixo carbono. Em virtude desse panorama, reconheceu-se a necessidade de pesquisas em outros destinos turísticos e em segmentos específicos com a finalidade de ampliar o conhecimento científico sobre essa temática.

     

     

     

     

  • KARLA BRITO DOS SANTOS
  • INVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO DE ALHO (ALLIUM SATIVUM)  NA MICRORREGIÃO DE PICOS (PI)

  • Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
  • Data: 31/03/2016
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  • O cultivo de alho no leito do rio Riachão é uma atividade familiar desenvolvida na Microrregião de Picos (PI); nas décadas de 1950, 1960 e 1970 foi a principal fonte de renda das famílias, o que é notável, sobretudo, por tratar-se de uma atividade agrícola, considerando-se as condições edafoclimáticas locais. A questão do estudo trata sobre as causas da involução da produção de alho no leito do rio, associando-a a três hipóteses: 1) à forma como o material propagativo (alho semente) é selecionado; 2) à inadequação do produto às exigências do mercado; e 3) aos impactos ocasionados pela construção de barragens. Para tanto, foram consultadas as bases de dados da FAO, como também o Sistema AliceWeb/SECEX/MDIC, e a Pesquisa de Produção Agrícola Municipal/IBGE. Os instrumentos de coleta envolveram diário de campo da atividade e entrevistas semiestruturadas, e a análise de conteúdo foi o método utilizado. O problema foi analisado em três estudos. No primeiro, objetivou-se caracterizar o sistema de cultivo de alho no leito do rio Riachão, nos municípios de Bocaina e Santo Antônio de Lisboa, verificando se a forma como o material propagativo (alho semente) é selecionado contribui para a erosão genética do alho no Piauí. O estudo concluiu que a atividade estudada manteve o padrão tecnológico; quanto à hipótese de erosão genética, esta não foi confirmada. O segundo estudo objetivou analisar os aspectos mercadológicos do produto,e concluiu que a produção que alcançou mercados regionais foi se restringindo e que nem mesmo o mercado local aceita o produto, em vista da exposição ao qual foi imposta e do comprometimento de seus atributos. No terceiro estudo, o objetivo consistiu em analisar os impactos das barragens de Bocaina e de Piaus sobre a produção de alho no leito do rio no complexo hidrológico Guaribas-Riachão-Marçal, nos municípios de Bocaina e Santo Antônio de Lisboa (PI). Este artigo concluiu que as barragens de Bocaina e de Piaus impactaram negativamente a produção de alho no leito do rio, pela redução do volume de água e de fertilidade no leito do rio, bem como pela submersão dos canteiros. Considerando-se os três estudos, pode-se afirmar que as alterações nas condições naturais no leito do rio, decorrentes de chuvas instáveis e pela construção de barragens, a inadequação do produto às exigências do mercado, e os impactos das barragens de Bocaina e de Piaus sobre a produção são fatores que conjuntamente respondem pela involução e também pelo acentuado processo de extinção em que se encontra a atividade de cultivo de alho no leito do rio Riachão, na Microrregião de Picos.

     

     

     

2015
Descrição
  • LEONARDO MADEIRA MARTINS
  • Avaliação de impactos ambientais em curtumes
  • Orientador : JOSÉ MACHADO MOITA NETO
  • Data: 17/12/2015
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  • O couro, produto dotado de grande valor econômico, representa uma das mais antigas mercadorias que perduram no mercado moderno. A história do seu uso, importância e nobreza coincidem com a história da humanidade. A industrialização e a modernização dos processos de curtimento, ao longo dos séculos, tem melhorado a qualidade do couro por sofisticada sequência de etapas de processamento químico industrial, porém tem elevado o potencial de impacto ambiental dos curtumes, produzindo efluentes líquidos e gasosos, bem como resíduos sólidos mais complexos e de difícil gerenciamento. A mitigação dos diversos impactos ambientais na indústria coureira está diretamente relacionada a sua sobrevivência. Portanto, o objetivo deste trabalho está na proposição de uma metodologia para a identificação e avaliação de impactos ambientais em curtumes. Neste sentido, foram visitados três curtumes com o intuito de se conhecer as dificuldades encontradas no atendimento às prerrogativas ambientais. Inicialmente buscou-se avaliar a viabiliade locacional de cada curtume utilizando o Modelo Coppe-Cosenza de localização industrial. Logo em seguida os impactos ambientais foram avaliados conforme os métodos The Rapid Impact Assessment Matrix – RIAM e o Modelo para Avaliação Ambiental em Sistemas Produtivos Industriais – MAASPI. Por fim, foi traçada uma metodologia de avaliação de impacto ambiental para curtumes denominada C2RM baseada nos métodos anteriormente citados.

     

  • MARCOS ANTONIO TAVARES LIRA
  • SISTEMAS HÍBRIDOS PARA O FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA NA COMUNIDADE ROÇA DE BAIXO, PAULISTANA (PI)

  • Orientador : JOSÉ MACHADO MOITA NETO
  • Data: 16/12/2015
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  • O trabalho apresentado faz uma abordagem dos sistemas híbridos como alternativas sustentáveis para o fornecimento de energia elétrica em comunidades rurais do estado do Piauí. Seu objetivo geral é verificar a viabilidade técnica e econômica da utilização destes sistemas em comparação com o sistema de abastecimento convencional de energia elétrica a fim de se estabelecer uma alternativa sustentável. A região de estudo escolhida foi a comunidade Roça de Baixo localizada na zona rural do município de Paulistana-PI e situada a 30 km da sede do mesmo. A razão da escolha se deve ao fato da comunidade não possuir energia elétrica e por reunir condições naturais favoráveis ao aproveitamento das energias solar e eólica. Inicialmente, caracteriza-se a região de estudo a partir do seu perfil diário e mensal de velocidade média do vento e dos índices de radiação solar obtidos a partir da Plataforma de Coleta de Dados do Instituto Nacional de Meteorologia instalada no município de Paulistana. A partir destes dados estimou-se o potencial de produção de energia eólica e solar fotovoltaica da região. Através de visitas in loco, fez-se o levantamento do perfil da demanda de energia a ser atendida pelo sistema híbrido. Utilizando-se o software HOMER, simulou-se o sistema híbrido para duas configurações: uma com fontes renováveis (eólica e solar fotovoltaica) e outra com inclusão de gerador a diesel neste sistema. Em seguida realiza-se a análise da viabilidade técnica e econômica dos sistemas híbridos propostos. Pelo aspecto técnico, ambos os sistemas híbridos se mostraram viáveis. Já com base na análise econômica, os resultados não apresentaram viabilidade, pelo menos para a comunidade em estudo, cuja distância para a rede convencional de energia é de 5 km. No entanto, quando se aumenta essa distância para 10 km e 15 km verifica-se a viabilidade econômica de ambos os sistemas híbridos.

  • EDNA MARIA FERREIRA CHAVES
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    PLANTAS SILVESTRES E PRÁTICAS ALIMENTARES POPULARES EM ÁREAS DE CARRASCO, SEMIÁRIDO DO NORDESTE DO BRASIL

  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 29/10/2015
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  • As plantas alimentícias silvestres estão dentre os recursos vegetais que têm contribuído para o atendimento das necessidades nutricionais básicas de famílias em todos os continentes e são consideradas importantes para as políticas que visam à segurança alimentar. Objetivou-se no cômputo geral conhecer as plantas silvestres que ocorrem de forma espontânea na fitofisionomia do carrasco e que são utilizadas na alimentação, além de resgatar as práticas alimentares populares com uso dessas plantas nas comunidades Bebedouro e Oiticica, município de Buriti dos Montes e Itapecuru e Pinga, Cocal, Piauí. Após aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE nº 02773212.0.0000.5214) da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foi entrevistada uma pessoa maior de 18 anos por unidade familiar, em 100% das residências habitadas. Espécies foram selecionadas para a realização de testes visando avaliar a  composição química e atividade antioxidante in vitro, seguindo-se metodologia usual. A partir das 93 entrevistas realizadas com auxílio de formulário semiestrutuado foram identificadas 79 espécies silvestres alimentícias, pertencentes a 33 famílias e 65 gêneros, distribuídas em 28 subcategorias de uso associadas às praticas alimentares populares.  Dessas espécies, 43 foram indicadas para uso emergencial e 36 para não emergencial. Houve consenso entre os informantes quanto às práticas alimentares específicas; a correlação entre idade e gênero com o número de espécies conhecidas variou entre as comunidades; e os fatores ecológicos verificados influenciaram na seleção e no uso de espécies alimentícias conhecidas.  A caracterização química e a atividade antioxidante in vitro revelaram que macambira (Bromelia laciniosa Mart. ex Schult.), jatobá (Hymenaea martiana Hayne), taturubá (Pouteria macrophylla (Eyma) Aubl.) e jacarandá (Swartzia flamingi var. psilonema (Harms) Cor.) são ricas em carboidratos, possibilitando sua utilização para complementação calórica diária. As espécies H. marciana, P. macrophylla e Randia armata (Sw.) DC. (taturapé) destacaram-se em compostos bioativos e em atividade antioxidante in vitro. Porém, mesmo as espécies que apresentaram menores teores desses compostos, B. laciniosa, Melocactus zehntneri (Britton & Rose) Luetzelb. (coroa-de-frade), Pilosocereus gounellei Juss. (xiquexique) e S. Flaemingi (jacarandá), foram consideradas plantas alimentícias importantes por estarem disponíveis em períodos de escassez de alimentos. As espécies H. martiana e P. macrophylla destacaram-se em capacidade para reduzir os radicais livres ABTS•+ e DPPH·. Concluiu-se que as comunidades estudadas conhecem e usam plantas alimentícias silvestres emergenciais e não emergências e identificam as subcategorias de uso alimentar para cada espécie; que há consenso entre os informantes sobre as subcategorias de uso dessas espécies; que a capacidade preditiva dos fatores idade e gênero, em relação ao número de espécies conhecidas, variou entre as comunidades, portanto não predizendo o conhecimento em todas; que os fatores ecológicos analisados influenciaram a seleção e o uso alimentício das espécies conhecidas; e, ainda, que as espécies analisadas possuem substâncias que justificam o uso na alimentação.

     

     
  • ALEXANDRE NOJOZA AMORIM
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    QUINTAIS URBANOS DE TERESINA (PI): CULTIVO DE ESPÉCIES ÚTEIS E APEGO AO LUGAR

  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 13/10/2015
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  •  

    a

    Quintais são espaços em torno das residências onde ocorre o cultivo de espécies vegetais que apresentam usos diversos, constituindo-se como um microssistema onde acontece vinculação afetiva. Objetivou-se caracterizar a fitodiversidade de quintais urbanos de Teresina (PI), levantar os usos dados aos vegetais cultivados, além de analisar os fatores que contribuem para a vinculação afetiva do mantenedor com o espaço do quintal. De um universo de 201.093 casas, foram amostrados 96 quintais urbanos (e=10%, nc=95%),em entrevistas semiestruturadas com cada mantenedor, enquanto os vegetais eram coletados in situ no momento da realização da turnê-guiada, seguindo-se metodologia usual, identificados e incorporados ao herbário Graziela Barroso (TEPB) da Universidade Federal do Piauí (UFPI), quando possível. A pesquisa foi submetida à apreciação ética, no Comitê de Ética na Pesquisa da Universidade Federal do Piauí, e foi aprovada segundo o nº CAAE 20529114.1.0000.5214. Os dados foram reunidos em planilhas eletrônicas e calculados o índice de Shannon (H’) para cada quintal, curva de rarefação para atestar a suficiência amostral e o índice de correlação de Pearson (ρ) a fim de verificar relação entre a área e diversidade vegetal dos quintais. Estes foram comparados em similaridade em relação à diversidade vegetal e construído o dendrograma. Para entender o apego ao quintal, foi utilizada técnica “a walk around the block” (Caminhada em torno do quarteirão) e da escala likert para ajudar na quantificação dos dados. Os quintais apresentaram heterogeneidade, sobressaindo-se as famílias Cactaceae (12 espécies), Euphorbiaceae (11), Araceae/Lamiaceae (6), Arecaceae/Orchidaceae/Myrtaceae (5), Poaceae/Solanaceae (4). Houve equilíbrio entre herbáceas, arbustivas e arbóreas (36, 32 e 31%, respectivamente). As categorias de uso ornamental (77 espécies), medicinal e alimentar (47) foram as que tiveram maior número de citações. Gripe (73 citações), calmante (45) e dores de barriga, estômago ou má digestão (45) foram as enfermidades mais referidas e tratadas pelo conjunto de plantas identificadas. O manejo é realizado pelas mulheres (80%, 77) que utilizam 42 minutos (média) diários. Estes são utilizados principalmente para lavagem de roupas (61,5%) e para lazer (19%). Desconhecem o que seja sustentabilidade ambiental (51,5%), mas reconhecem o calor (47%) e o lixo urbano (30,9%) como grandes problemas ambientais. Foram unanimes em considerar o quintal importante na residência, que gera sentimentos bons (41%) e muito bons (59%) e que faz lembrar da infância (87%). O valor de Pearson (ρ = 0,1926) mostrou não haver correlação entre a diversidade e área. O manejo é dado pela mulher e destaca-se o cultivo de plantas ornamentais, medicinais e alimentares.


    Palavras-chave: Quintal urbano. Apego ao lugar. Etnobotânica. Afeto. Senso de lugar.

     

  • JULIANA PORTELA DO REGO MONTEIRO
  • A (INSUSTENTABILIDADE) AGRICULTURA URBANA EM TERESINA (PI)

  • Orientador : MARIA DO SOCORRO LIRA MONTEIRO
  • Data: 03/09/2015
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  • A Agricultura Urbana (AU) consiste em uma atividade agrícola praticada em

    pequenos espaços, nas cidades, cultivadas no solo, em canteiros suspensos ou

    telhados, e/ou pecuária de pequeno porte, destinada ao autoconsumo, doação ou

    venda na vizinhança e em mercados, praticada mundialmente com finalidades

    diversas, como a geração de renda e a promoção da segurança alimentar. Justifica-se,

    portanto, a necessidade de um olhar crítico sobre esta prática, sob os aspectos

    econômico, social, ambiental e político/institucional. A AU está estabelecida em

    Teresina há 27 anos, como um modelo de cogestão entre a Prefeitura e a comunidade

    de baixa renda, residente das zonas de expansão urbana, objetivando ocupação de

    espaços vazios em bairros periféricos, geração de renda e melhoria da segurança

    alimentar das famílias pobres das áreas periféricas. Nesse contexto, essa investigação

    questiona: o modelo de agricultura desenvolvido na área urbana de Teresina se

    configura como (in)sustentável? Partindo dessa problemática, a hipótese desse estudo

    consiste em que a AU em Teresina encerrava uma prática insustentável pelas esferas

    político/institucional, econômica, social e ambiental por não contemplarem a melhoria

    das condições da ambiência. Assim, analisou-se a AU em Teresina como uma

    prática/política decorrente da ação conjunta de agentes produtores (horticultores e

    poder público municipal), a partir das dimensões social, econômica, ambiental e

    político/institucional. Para tanto, especificamente, caracterizou-se a agricultura

    urbana, através das funções, dimensões e agentes; identificou-se e avaliou-se o papel

    e a ação dos agentes envolvidos na agricultura urbana em Teresina; discutiu-se a

    sustentabilidade da agricultura urbana como uma política, com base na construção de

    indicadores, assentados nas dimensões econômica, social, ambiental e

    político/institucional. Destaca-se que a metodologia se pautou no método complexo,

    mediante pesquisa de campo nas 40 hortas urbanas localizadas na Capital piauiense,

    com um total de 95 questionários. Dessa forma, caracterizou-se o agricultor como

    migrante, essencialmente feminino, acima dos 46 anos e com baixa escolaridade

    formal. Detectaram-se as necessidades econômicas como a principal motivação de

    entrada na atividade. Acrescenta-se que os indicadores sociais demonstraram que os

    serviços públicos, especialmente o esgotamento sanitário, eram deficitários,

    ocasionando uma interação negativa com a produção urbana. Quanto aos indicadores

    econômicos, notou-se fragilidade na gestão da AU, pelas dificuldades na

    quantificação da produção e na capacidade de obtenção de crédito, desfavorecendo o

    caráter econômico da atividade e seu poder de atração junto ao público jovem. Na

    dimensão ambiental, constatou-se que os indicadores de adoção de práticas ecológicas

    e de uso do lixo como adubo estavam em concordância com as proposições do Órgão

    Gestor em proveito da agricultura orgânica, que a água utilizada nos cultivos era

    satisfatória, mas de qualidade duvidosa, visto a não ocorrência de análises periódicas,

    e que o uso de produtos químicos nos cultivos expressou uma prática ambiental

    insustentável. Já quanto à dimensão político/institucional, observou-se insuficiência

    e/ou inadequação na prestação de assistência técnica e o escasso conhecimento dos

    agricultores sobre os planos e projetos elaborados pelo poder público. Diante do

    exposto, comprovou-se a hipótese elencada, de que, apesar dos avanços propiciados

    pela prática/política de AU em Teresina, esta ainda não se constitui como uma

    atividade sustentável.




     

  • ELAINE APARECIDA DA SILVA
  • Gestão ambiental em indústrias de transformados plásticos de polietileno de Teresina-PI 
  • Orientador : JOSÉ MACHADO MOITA NETO
  • Data: 21/05/2015
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  • A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma ferramenta aplicável a processos, produtos e serviços com o objetivo de identificar impactos ambientais associados a cada estágio do seu ciclo de vida. Este trabalho teve como objetivo avaliar os impactos ambientais potenciais relacionados ao ciclo de vida de transformados plásticos de polietileno e de polietileno reciclado, por meio da ACV, nas indústrias de Teresina-PI. Foram realizadas visitas in loco à quatro indústrias para o conhecimento da atividade e a realização da coleta de dados primários. Os dados secundários foram obtidos nas bibliotecas Ecoinvent 3 e USLCI e foram tratados com os demais no software Simapro (versão PhD 8.0.3.14). A Avaliação de Impactos foi realizada segundo o modelo ReCiPe Midpoint (E). As indústrias desse setor processam matéria-prima virgem e/ou realizam a reciclagem mecânica, primária ou secundária, do polietileno para produção de embalagens recicladas. Os resultados subsidiaram a identificação e indicação de oportunidades de melhorias ambientais para as indústrias. Observou-se que as etapas adicionais necessárias para o desenvolvimento da reciclagem, como lavagem, secagem, aglutinação e extrusão de grãos, respondem por mais de 60% do consumo de energia elétrica deste processo. As principais contribuições negativas ambientalmente para o processo de transformação do polietileno é o elevado consumo de energia elétrica, seguido do transporte de matérias-primas e do produto final por conta da utilização do diesel, contribuindo, principalmente, para as categorias de impacto eutrofização de corpos d’água doce, toxicidade humana, ecotoxicidade de corpos d’água doce, ecotoxicidade marinha e depleção fóssil.

  • MARIA PESSOA DA SILVA
  • ETNOBOTÂNICA NA COMUNIDADE RURAL SÍTIO VELHO EM ASSUNÇÃO DO PIAUÍ, BRASIL: IDENTIFICAÇÃO E TRANSMISSÃO DO SABER TRADICIONAL

  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 05/05/2015
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  • A Etnobotânica trata das relações homem x natureza, e tem despertado o interesse de

    pesquisadores. A comunidade Sítio Velho (05o 48’ 10,4”S e 40o 55’ 38,4”W) apresenta

    transições vegetacionais entre floresta subcaducifólia/cerrado/caatinga hiperxerófila,

    com predomínio de caatinga, rica em diversidade biológica e requer estudos

    direcionados à etnoconservação. Conhecer a utilização da flora, compreender a relação

    entre os moradores da comunidade rural Sítio Velho em Assunção (PI), com o meio

    ambiente e traçar o panorama de uso e os fatores que influenciam esses usos, foram os

    objetivos buscados na realização desta pesquisa. A comunidade possui uma extensão de

    848 ha, situada entre o Piauí e Ceará, conta com 430 pessoas, distribuídas em 97

    famílias, que desenvolvem a agricultura de subsistência. A metodologia definiu-se em

    observação, aplicação de formulários semiestruturados com 50% da população do

    gênero masculino e feminino, das faixas etárias: idosa (6 homens e 6 mulheres), jovem

    (10 homens e 17 mulheres) e 37,5% com a faixa etária adulta (25 homens e 29

    mulheres), correspondendo a 41 homens e 52 mulheres, com idades entre 18 e 89 anos.

    Os dados quantitativos foram: Valor de Uso; Fator de Consenso dos Informantes; Índice

    de Importância Relativa e Curva de Rarefação entre as espécies da Família Asteraceae.

    Quanto à escolaridade dos moradores maiores de idade (247 pessoas) verificou-se que

    42,9% são alfabetizadas e 57,1% não alfabetizadas. Em 94,5% das famílias há uma

    complementação de benefícios, sendo 80% bolsa família, 10% aposentadoria, 6% bolsa

    jovem e bolsa safra atingem um percentual de 4%. A extensão salarial correspondeu a

    60% meio salário e 28,5% um salário mínimo, 9,5% não dispõem de renda fixa e 2%

    acima de três salários mínimos. O tempo de moradia de 97,3% da população

    entrevistada correspondeu à idade. O acervo botânico coletado encontra-se depositado

    no Herbário Graziela Barroso (TEPB) da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Para

    definição dos informantes-chaves (pessoas de notório saber) foi definido técnica de

    amostragem aleatória. Catalogaram-se 136 espécies, distribuídas em 69 famílias e as

    mais representativas em número de espécies foram: Leguminosae (27),

    Euphorbiaceae/Lamiaceae (13) e Asteraceae (8). Identificaram-se 11 categorias de uso:

    medicinal, alimentação humana e animal, construção, produção de energia, manufatura,

    melífera, místico-religiosa, ornamental, veterinária e cosmética, sendo que as mais

    relevantes em citações foram medicinal, alimentação animal, alimentação humana e

    produção energética. O maior Valor de Uso medicinal foram: Aloe vera (L.) Burm. f.,

    Leonotis nepetifolia L. e Momordica charantia L. (VU=4,0); e maior Importância

    Relativa foram Chenopodium ambrosioides L. (IR=2), seguida por Sida acuta Burm. f.

    (IR=1,71). Na categoria construção a espécie mameleiro (Croton blanchetianus

    Baill)/Euphorbiaceae, foi a mais versátil. Entre as espécies da família Asteraceae a que

    se sobressaiu com maior Valor de Uso (VU) foi Bidens pilosa L. (0,33). O cálculo de

    rarefação das espécies desta família demonstrou que o maior conhecimento botânico

    está contido na faixa etária adulta. Portanto, as heranças das práticas tradicionais,

    principalmente no que se refere ao uso de remédios e construções, oriundos de plantas,

    ainda são expandidas pelos idosos e adultos na comunidade.


     

     

     

  • GUILHERMINA CASTRO SILVA
  • EXPANSÃO DOS CONDOMÍNIOS HORIZONTAIS E LOTEAMENTOS FECHADOS EM TERESINA, PIAUÍ: SEGREGAÇÃO, ESTRATÉGIAS DE MARKETING, VALORIZAÇÃO E ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA."

  • Orientador : WILZA GOMES REIS LOPES
  • Data: 17/04/2015
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  •  

     

    Os condomínios horizontais no Brasil surgiram como uma nova forma de morar, oferecendo

    um local aprazível com segurança, lazer, área verde, casa com padrão de qualidade e

    homogeneidade socioeconômica. Na década de 1990, surgiram em Teresina os primeiros

    empreendimentos fechados como resultado das diversas formas de produção do espaço,

    dentre elas, os condomínios horizontais e loteamentos fechados. As ações dos agentes

    produtores do espaço urbano estão relacionadas com a segregação urbana, valorização e a

    especulação imobiliária que são enfatizadas em campanhas publicitárias que enaltecem as

    vantagens de adquirir um imóvel nesses empreendimentos. O objetivo desta pesquisa foi

    analisar a expansão dos condomínios horizontais e loteamentos fechados, enfocando a ação

    dos agentes produtores do espaço urbano no processo de segregação e na atuação das ações de

    estratégias de marketing, valorização do espaço e especulação imobiliária em Teresina, Piauí.

    Para isso foi feito levantamento e caracterização dos condomínios horizontais e loteamentos

    fechados, que resultou na produção de um mapa com a localização dos mesmos na cidade de

    Teresina. Também foi feito uma análise das propagandas divulgadas pelas imobiliárias para a

    comercialização dos empreendimentos e a valorização do espaço urbano e,

    consequentemente, a especulação imobiliária a partir da implantação dos condomínios

    horizontais e loteamentos fechados. Foram identificados 68 empreendimentos em Teresina,

    no período de 2011 a 2014, que apesar de possuírem características diferentes entre si, em

    comum, destaca-se o fato de serem formas de parcelamento da propriedade privada,

    concebidas por um empreendedor privado e de gestão do espaço interno por meio de estrutura

    de decisão condominial, submetida a normas próprias. Salienta-se ainda que as propagandas

    dos empreendimentos apresentam elementos que atraem os futuros moradores com imagens e

    textos que reflitam os desejos e proporcionem qualidade de vida.


     

     

  • ROMINA JULIETA SANCHEZ PARADIZO DE OLIVEIRA
  • INOVAÇÃO AMBIENTAL e O ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DE SOJA NO CERRADO PIAUIENSE

  • Orientador : MARIA DO SOCORRO LIRA MONTEIRO
  • Data: 10/04/2015
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  • A presente investigação tem como tema a inovação ambiental e o arranjo

    produtivo local de soja no cerrado piauiense, conteúdo que se mostra

    relevante por conta das externalidades geradas pela produção granífera no

    sudoeste do Piauí. Sendo assim, a questão norteadora desta pesquisa centrou-se em

    como as inovações ambientais desenvolvidas no APL de soja no cerrado piauiense,

    em particular em Baixa Grande do Ribeiro, Bom Jesus, Ribeiro Gonçalves e Uruçuí,

    configuram-se em indutoras à sustentabilidade econômica, social e ambiental? Isto

    posto, esta tese objetivou analisar como as inovações ambientais empreendidas

    pelas empresas produtoras de soja nos municípios de Baixa Grande do Ribeiro, Bom

    Jesus, Ribeiro Gonçalves e Uruçuí, do cerrado piauiense, possibilitam a

    sustentabilidade econômica, social e ambiental. Especificamente identificou-se e

    caracterizou-se as empresas produtoras de soja no Piauí; analisou-se o sistema de

    produção, o perfil inovativo e a competitividade das empresas produtoras de grãos do

    cerrado piauiense; configurou-se o APL de soja do estado; e analisou-se as inovações

    ambientais adotadas pelas empresas da região. Para tanto, utilizou-se a abordagem de

    Arranjo Produtivo Local (APL) por esta considerar a inovação, a cooperação e a

    aprendizagem por interação, como fatores decisivos para atingir a competitividade

    sustentada. Quanto aos procedimentos técnicos, a investigação utilizou-se de pesquisa

    bibliográfica, documental e de pesquisa de campo. Partindo-se da problemática

    exposta, concluiu-se que a produção granífera, no APL de soja do cerrado piauiense,

    induziu, ainda que de forma incipiente, à sustentabilidade econômica, social e

    ambiental. Econômica pois, originou um fluxo regular de investimento público e

    privado, resultando em ganhos econômicos para os indivíduos inseridos direta, ou

    indiretamente, na atividade. Social, na medida em que, com investimentos públicos,

    ainda que parcos, proporcionou a interorização de cursos técnicos e superiores,

    melhorando o nível educacional da população e, com investimentos privados,

    treinamentos e capacitações contribuíram para a qualificação da mão de obra local.

    No tocante à sustentabilidade ambiental, a pesquisa ratificou a Hipótese de Porter,

    pois ocorreu de forma dependente das exigências provenientes das regulações legais

    ou da determinação do mercado, dando a estes papel fundamental na mitigação dos

    impactos ambientais decorrentes da atividade granífera.


  • EMILIANA BARROS CERQUEIRA
  • Extrativismo da carnaúba, conservação ambiental e política de preços mínimos para sociobiodiversidade

  • Orientador : JAIRA MARIA ALCOBACA GOMES
  • Data: 27/02/2015
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  • Esta tese tem como tema a cobertura vegetacional dos municípios no Piauí e Ceará que exploram economicamente a carnaubeira, assunto que se faz relevante à medida que a degradação ambiental é uma realidade preocupante e os carnaubais desempenham funções importantes no Nordeste brasileiro, além do fator vegetacional, estuda-se a Política de Garantia de Preços Mínimos para a sociobiodiversidade (PGPM-Bio) na cadeia produtiva da cera de carnaúba, já que esta tem como fim garantir e fortalecer a manutenção das atividades extrativistas e, assim, considera-se que a PGPM-Bio possui cunho ambiental que visa a conservação da biodiversidade. Para tanto, dividiu-se o trabalho em três artigos. No primeiro artigo, analisam-se as características socioeconômicas e ambientais e o nível de desmatamento nos municípios do Piauí e Ceará que extraem pó de carnaúba em 2000, 2009 e 2012. Para tanto, utilizou-se as bases de informações do IBGE relativas ao PIB, número de habitantes na zona rural e urbana e área dos municípios, para obter os indicadores: PIB per capita, densidade demográfica e taxa de urbanização. Fez-se uso ainda das imagens MODIS/NDVI disponíveis no sitio da Embrapa. Como resultados encontrou-se que densidade demográfica apresentou-se em condições mais favoráveis à degradação nos municípios analisados do que este mesmo indicador a nível estadual, regional e nacional, enquanto o PIB per capitae a taxa de urbanização foram mais desfavorável à degradação. Quanto ao NDVI, foi maior em 2009, que em 2000, porém em 2012, registrou os menores valores este índice mostrou-se sensível à precipitação. Ressalta-se a importância de monitorar as áreas para estabelecer políticas públicas adequadas na contribuição da conservação do meio ambiente. O segundo artigo, que especifica a degradação no município de Campo Maior (PI) ainda é apenas uma proposição de realizar um mapeamento das áreas degradadas, levando em consideração as áreas de carnaubais, delimitadas no Relatório Carnaupi. O terceiro artigo tem como objetivo analisar a operacionalização da PGPM, explicitando o mercado do pó e cera de carnaúba. Para atingir esse fim, usou-se as informações do IBGE sobre o volume de recursos gerados pela produção extrativa do pó de carnaúba, do UN Comtrade e AliceWeb acerca da exportação de ceras em nível nacional e mundial, e da CONAB relativos aos preços de mercado e mínimo. Constatou-se que tanto o pó, quanto a cera possuem representatividade econômica para o país. O pó configura-se como o quinto principal produto do segmento extrativo vegetal não madeireiro do país e a cera de carnaúba é a principal cera exportada pelo Brasil. O volume de recursos destinados à operacionalização da PGPM-Bio cresceu, embora só tenha ocorrido, desde a sua vigência até julho de 2013, a operacionalização de seis, dos quatorze produtos nela amparados. Os preços mínimos apresentam correlação com os de mercado, exceto para a cera tipo 1. Assim, tanto o uso do NDVI, quanto a PGPM contribuem para a conservação da carnaúba, o primeiro permitindo o monitoramento de suas áreas e o outro ao fornecer incentivos econômicos.

     

     

2014
Descrição
  • ALYNE MARIA BARBOSA DE SOUSA
  • Indicadores de sustentabilidade: uma proposta de tipologia de assentamentos rurais em Teresina-PI

  • Orientador : MARIA DO SOCORRO LIRA MONTEIRO
  • Data: 15/08/2014
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  • A distribuição da posse da terra no Brasil conforma-se entre as piores do mundo; nesse sentido, a questão fundiária assume extrema importância social, devendo configurar como prioridade dentre as políticas públicas. Nesse sentido, faz-se mister investigar o processo de implantação de assentamentos rurais situados em Teresina, onde existem 14 projetos, abrangendo 11.034 hectares e 891 famílias. O objetivo geral desta pesquisa centrou-se no desenvolvimento de uma tipologia de assentamentos amparada na construção de indicadores nos âmbitos ecológico, econômico, social, cultural e político-institucional. Para tanto, especificamente formulou-se um sistema de indicadores, mensurou-se a sustentabilidade de três assentamentos rurais, os quais foram classificados em uma escala progressiva. As questões norteadoras assim consubstanciam-se: os assentamentos rurais de Teresina podem ser considerados sustentáveis? Em que aspectos? Como o histórico de formação de cada assentamento repercute no seu desempenho? A hipótese baseia-se na concepção de que o nível de sustentabilidade dos assentamentos diverge em razão das condições para a conservação do meio ambiente, a auto-suficiência econômica, a organização política, o apoio institucional e reprodução sociocultural das populações. Como suporte teórico-metodológico deste estudo de natureza qualiquantitativa, utilizaram-se os métodos sistêmico, experimental, estatístico e comparativo, além das abordagens da fenomenologia sociológica e da etnometodologia. No tocante às técnicas de pesquisa empregadas, foram aplicados entrevistas e questionários entre assentados, líderes de associações de assentados e representantes dos órgãos gestores dos assentamentos rurais Santana Nossa Esperança, Fazenda Soares e Tapuia. Os resultados obtidos nesta pesquisa corroboraram a hipótese elencada inicialmente de que o nível de sustentabilidade dos assentamentos pesquisados difere significativamente, sobretudo em razão da disponibilidade e do uso dos recursos naturais existentes, do modelo de arranjo político construído e da qualidade da ação desempenhada pelos órgãos gestores, bem como da dotação de meios para a reprodução cultural dessas comunidades, como um reflexo de seus históricos diferenciados de formação; entretanto, no aspecto geral, observaram-se situações insustentáveis ou no limite da sustentabilidade para as populações dos assentamentos pesquisados. 

  • FÁBIO JOSÉ VIEIRA
  • USO DE FITOCOMBUSTÍVEL NO SEMIÁRIDO  BRASILEIRO: PREFERÊNCIAS LOCAIS E ATRIBUTOS FÍSICOS DA MADEIRA

  • Orientador : ROSELI FARIAS MELO DE BARROS
  • Data: 28/03/2014
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  • USO DE FITOCOMBUSTÍVEL NO SEMIÁRIDO BRASILEIRO:

    PREFERÊNCIAS LOCAIS E ATRIBUTOS FÍSICOS DA MADEIRA

    Resumo

    A lenha e o carvão são utilizados como fonte de energia primária em muitos países,

    principalmente, pelas comunidades rurais para suprir suas demandas de cozinhar e

    aquecimento, constituindo-se numa atividade geradora de forte pressão extrativista nas

    Florestas Tropicais. Entender que fatores estão ligados na dinâmica de consumo e

    preferência por esse recurso tem sido alvo de diversos estudos, porém ainda, é

    necessário mais pesquisas para compreensão e adoção de medidas conservacionistas

    nestas áreas. Baseado neste cenário, duas comunidades rurais, no semiárido do Nordeste

    do Brasil, foram selecionadas para verificar a existência de diferença entre o

    conhecimento, uso e preferência de espécies para fitocombustível; se ocorre domínio do

    tipo vegetacional (caatinga ou cerrado) com relação às espécies citadas; relacionar os

    fatores socioeconômicos na quantidade de lenha consumida e avaliar as propriedades

    físicas das madeiras citadas para fitocombustível, afim de relacioná-las com o uso e

    preferência por fitocombustíveis. Ainda foi objetivo desse estudo, avaliar duas técnicas

    de coleta de informações sobre preferência por fitocombustível. Para isso, foram

    realizadas 55 entrevistas semiestruturadas (um em cada domicilio pesquisado), para

    coleta de informações socioeconômicas e dados sobre o conhecimento, uso e

    preferência de espécies para fitocombustível. Realizou-se pesagem do consumo médio

    diário durante 12 meses nas residências, para quantificar o consumo por família.

    Utilizou-se o exercício de ordenamento (metodologia participativa) para elencar a

    ordem de preferência pelas espécies mais citadas como preferidas para fitocombustível.

    Para determinação do Indíce do Valor de Combustível (IVC) verificou-se a densidade,

    umidade e teor de cinzas das espécies citadas. Na analise de dados usou-se os testes não

    paramétrico de Wilcoxon, qui-quadrado e o teste G (Williams) e também a Correlação

    de Spearman, Kruskal-Wallis e GLM. Por fim, calculou-se o índice de saliência (IS) das

    espécies consideradas como mais preferidas pelas comunidades, levando-se em

    consideração os ordenamentos realizados durante a metodologia participativa. Foram

    reportadas 57 espécies como fitocombustível nas duas comunidades, das quais 48 são

    efetivamente utilizadas e 19 são citadas como preferidas. As duas comunidades se

    diferenciam no número de espécies conhecidas. Os principais resultados desta

    investigação mostram que o ambiente não parece ser um fator importante na seleção de

    plantas, uma vez que não foram encontradas diferenças no número de espécies

    conhecidas entre os tipos vegetacionais (caatinga/cerrado). Somente houve relação

    significativa entre o consumo médio diário e o número de pessoas nas residências.

    Encontrou-se correlação positiva significativa apenas entre as citações de uso e os

    valores de IVC sem cinza para as duas comunidades, e citação de uso e IVC com cinzas

    para apenas uma das comunidades. Em relação aos métodos utilizados para coleta de

    preferência, os mesmos mostraram semelhanças de resultados, porém a metodologia

    participativa torna-se mais vantajosa, pois há um ganho de tempo na coleta de dados.

    Neste sentido, o uso e a preferência por fitocombustível parecem estar ligada a outros

    fatores que não o ambiente, e as propriedades físicas. A seleção de espécies pode estar

    mais associada a outros fatores, tais como: a qualidade e a disponibilidade do recurso.

    Acredita-se que a relação entre o consumo e a renda não foi percebido, principalmente,

    por conta do uso consorciado da lenha e carvão com o GLP em todas as residências

    pesquisadas. Esses dados são importantes para esclarecer fatores que podem interferir

    na seleção e consumo de lenha, além de fornecerem direções para futuras estratégias de

    conservação de espécies na região. Assim, é importante que futuras pesquisas busquem

    investigar o peso relativo dos fatores mencionados para melhor compreender a seleção

    de espécies no uso fitocombustível.


  • GARDENIA MARIA BRAGA DE CARVALHO
  • Auditoria contábil ambiental em empreendimentos piauienses: um instrumento de política de prevenção de danos

  • Orientador : MARIA DO SOCORRO LIRA MONTEIRO
  • Data: 27/02/2014
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  • A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), instituída pela Lei nº 6.938/81, determina a apresentação do Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) e do Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) que compõem a Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) para atividades potencialmente poluidoras ou capazes de causar depleção dos recursos naturais.  Porém, apesar dessa regulamentação, presenciou-se uma lacuna na política ambiental, que poderia ser sanada com a institucionalização da Avaliação Ambiental Estratégica (AAE), a ser realizada durante o planejamento para avaliar estrategicamente o empreendimento a ser instalado e da Auditoria Contábil Ambiental (ACA), para verificar se as medidas para mitigar a degradação ambiental aprovados no licenciamento foram implementados. Assim, com base nesse panorama, questiona-se: como a ACA, enquanto instrumento de política pública, possibilitará que empreendimentos pertencentes a setores de médio e alto impacto ambiental estabelecidos no estado do Piauí entre 2008 e 2010, comprovem a efetividade dos impactos ambientais e das medidas mitigadoras apresentadas aos órgãos ambientais para obtenção de licenciamento? As hipóteses assentam-se em que: a ACA servirá como  mecanismo de garantia aos empreendimentos que impactam negativamente o meio ambiente e aos órgãos ambientais,  de que os eventos ambientais apresentados nos EIA's/ RIMA's estão registrados na contabilidade; inexiste  nexo entre as informações prestadas nos relatórios ambientais e as registradas nos relatórios contábeis; e, as informações prestadas nos relatórios ambientais visam sobremaneira a obtenção do licenciamento ambiental que a preservação do meio ambiente.  Com vistas constatar as hipóteses, objetiva-se analisar, por meio da ACA, a compatibilidade entre as informações relacionadas a impactos ambientais e medidas mitigadoras que alterem o patrimônio das empresas de médio e alto impacto ambiental instaladas no Piauí entre 2008 e 2010, prestadas nos EIA/RIMA, e as constantes nos Balanços Patrimonial (BP) e Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Para tanto, a pesquisa utilizou-se dos métodos descritivos, documental, bibliográfica e exploratória, desenvolvida com base no modelo de ACA e aplicada a cinco empreendimentos instalados no Piauí.  Portanto, através da investigação constatou-se que a política pública voltada ao meio ambiente não cumpre o papel de solucionar problemas ambientais relacionados à implantação de empreendimentos que impactam negativamente o meio ambiente por estar fragmentada e sem interação entre órgãos ambientais, empreendimentos beneficiados, os investidores e a sociedade.  Inferiu-se ainda que a ACA, além de contribuir para a empresa, contribui também com o órgão ambiental e com a sociedade.  Relativamente à primeira, busca salvaguardar seu patrimônio de possíveis multas e interdições por meio da comprovação de que tudo que foi realizado está dentro do que foi permitido pelo órgão ambiental; e a segunda e terceira, no sentido de verificar se as informações apresentadas foram efetivamente implementadas e se foram no limite permitido. 




  • KARINE DOS SANTOS
  • A EDUCAÇÃO AMBIENTAL FORMAL NO PIAUÍ

  • Orientador : JOSÉ MACHADO MOITA NETO
  • Data: 26/02/2014
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  • A educação, refere-se ao processo de desenvolvimento da capacidade intelectual e das potencialidades do ser humano em todos os seus domínios. Especificamente, sobre a Educação Ambiental (EA), eixo condutor deste trabalho, o termo ambiental também é dispensável visto que o adjetivo serve apenas para designar a parte ambiental implícita entre as funções que a educação deveria exercer sobre os cidadãos, isto é, a transmissão de sua cultura, sendo preparado para uma contribuição efetiva para sociedade que vive, e também para desafiar a própria sociedade, conduzindo-a de acordo com sua visão de mundo agora tendo como parâmetro também as demandas das futuras gerações, ou seja, as tarefas históricas da educação (transmissão e transformação) já embutiriam o “novo” trazido pela perspectiva ambiental. Nesta perspectiva, ainda que reconhecidas as limitações da educação como agente transformador nas práticas sociais que tangem a questão ambiental, há um forte consenso de que a educação é um caminho na compreensão e na busca de soluções para complexos e diversificados problemas relacionados às alterações ambientais provocadas pelo Homem . Indiscutivelmente, as organizações não governamentais voltadas para as questões ambientais exercem um papel significativo de educação durante sua atuação em prol do ambiente. Contudo, o amplo espectro de informalidade de muitas de suas atividades não se coaduna com o escopo deste trabalho, que foca a estritamente a educação formal. Todavia, os PCN’s e outras leis que regem todos os níveis da educação brasileira não definem precisamente o enfoque sobre EA, ficando a cargo dos cursos de formação de professores incluírem em seus currículos as temáticas ambientais. Neste sentido, esta investigação visa conhecer como os cursos de licenciatura do Piauí que tradicionalmente tratam da questão ambiental (Química; Física; Biologia e Geografia) têm preparados os futuros professores para transpor os conteúdos das ciências da natureza e da geografia contextualizados as demandas ambientas.  Nossa hipótese é que a maioria dos cursos de graduação de licenciatura do Piauí reserva a discussão sobre as questões do ambiente a “tópicos ambientais” de maneira desconexa e pouco instigante aos futuros professores, normalmente confinada num único componente curricular. Por conseguinte, estes alunos (futuros professores) não trarão a sua prática de ensino o devido enfoque interdisciplinar que a temática ambiental demanda, resultando assim, em cidadãos egressos do ensino médio (in)formados apenas pela mídia e/ou outras fontes informais. Isto é, as iniciativas em EA formal não estão atendendo a mais urgente das necessidades da sociedade: formação do cidadão consciente e comprometido com o bem estar desta e das próximas gerações.

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