Os romances A mulher de pés descalços e Baratas, de Scholastique Mukasonga, assumem a forma de Narrativa de Filiação ao reinscrever a memória familiar no horizonte da Memória Exemplar, fazendo da Escrevivência não apenas um exercício de rememoração, mas um dispositivo de resistência política e de denúncia social frente ao projeto de apagamento histórico do genocídio contra os tutsis. Assim, intenta-se investigar que a Narrativa de Filiação empreendida pela narradora, apoderando-se das memórias de vivências com sua família, especialmente com a mãe, Stefania, é o caminho utilizado para evidenciar a sua Escrevivência, que opera como um fator de resistência política e de denúncia social, transcendendo o luto individual e alcançando uma dimensão coletiva e política, possibilitando, assim, um ritual fúnebre literário e uma justiça restaurativa. Para a pesquisa serão considerados os pressupostos teóricos de Appiah (1997); Munanga (2009, 2019); Mbembe (2001, 2014, 2018, 2021); (2000, 2004, 2021); Said (2003); Davis (2016); Candau (2023); Hawbachs (2006); Assmann (2011); Seligmann-Silva (2000, 2003, 2008, 2010); Figueiredo (2022); Bernd (2018); Viart (2008, 2019); Demanze (2009); Van Der Kolk (2020); Todorov (2000, 2002); Hartman (2008, 2022); dentre outros. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e bibliográfica, percorrendo os teóricos de Appiah (1997); Munanga (2009, 2019); Mbembe (2001, 2014, 2018, 2021); (2000, 2004, 2021); Said (2003); Davis (2016); Candau (2023); Hawbachs (2006); Assmann (2011); Seligmann-Silva (2000, 2003, 2008, 2010); Figueiredo (2022); Bernd (2018); Viart (2008, 2019); Demanze (2009); Van Der Kolk (2020); Todorov (2000, 2002); Hartman (2008, 2022); dentre outros. Trata-se de uma pesquisa qualitativa e bibliográfica, percorrendo os campos da Crítica literária, História, Sociologia, dentre outras áreas importantes para a pesquisa. Espera-se demonstrar que a articulação entre Escrita de Filiação, Memória Exemplar, Escrevivência e Fabulação Crítica estrutura um projeto estético-político em que a reconstrução da memória familiar ultrapassa o gesto memorialístico e se afirma como prática de resistência, capaz de tensionar narrativas hegemônicas e reinscrever a história tutsi no campo da memória coletiva. A memória evocada de sua anterioridade é uma forma de evidenciar a sua escrevivência, que opera como um ritual fúnebre literário, oferecendo aos seus mortos, através do texto literário, uma justiça restaurativa. Nesse aspecto, os textos se apresentam como um memorial onde os mortos podem, finalmente, descansar, além de transformar o luto individual e a dor em uma ação política, deixando para a posteridade um legado ancestral.