A asma é uma doença inflamatória crônica que atinge uma grande parte da população mundial. É caracterizada pela hiper-reatividade brônquica, inflamação e remodelamento anormal das vias aéreas. Atualmente, os tratamentos convencionais para asma são frequentemente associados a efeitos adversos, limitando a adesão ao tratamento pelos pacientes. O nerol é um álcool monoterpeno de ocorrência natural, encontrado principalmente em óleos essenciais derivados de frutas cítricas e exibe diversas atividades biológicas, incluído ação antioxidante, antimicrobiana, antiespasmódica, anti-helmíntica e antiarrítmica. O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do nerol sobre asma alérgica induzida por ovalbumina em ratos e suas características farmacocinéticas, toxicológicas. Para a predição dos parâmetros farmacocinéticos (ADMET), além de parâmetros toxicológicos foi utilizado PreADMET e SwissADME. A toxicidade aguda de nerol também foi avaliada em larvas de Tenebrio molito, onde a curva de sobrevivência, melanização e níveis de nitritos foram determinadas. O modelo da asma brônquica foi induzido pela administração ovalbumina OVA (1 mg/animal, ip) e adjuvante (hidróxido de alumínio, 20mg/animal), sendo realizada uma fase de sensibilização (14 dias) e em seguida uma fase de desafio antigênico com OVA a 4% durante 7 dias. Para avaliar o efeito do tratamento com nerol em ratos asmático, foram utilizados ratos wistar aprovados pelo (Comitê de Ética em Experimentação Animal/ UFPI- 853/2025). Os animais foram divididos em 8 grupos de 5 cada: sham, asma, dexametasona e Nerol (6,25, 12,5, 25, 50 e 100 mg/kg) e tratados por 7 dias consecutivas. Nas análises das alterações promovidas pela asma, foi realizada a coleta do material biológica (Soro e lavado bronco alveolar (LBA), onde quantificou-se a celularidade e os marcadores de estresse oxidativo (nitrito, GSH, MDA e MPO) bem como análises histológicas. Estudos in sílico indicam que o nerol possui absorção intestinal, ligação à albumina, baixo peso molecular, boa metabolização hepática e baixa toxicidade. Na avaliação aguda em larvas de Tenebrio molitor, Nerol apresentou um perfil de segurança favorável para as doses testadas (3, 30, 300 e 3000 mg/kg), com a DL50 de 1368,25 mg/kg. Ademais, as doses testadas de nerol não induziram melanização significativa nas larvas quando comparadas ao grupo salina, o que reforça seu perfil de segurança dentro dos parâmetros avaliados. Nerol diminuiu significativamente a contagem global de leucócitos em todas as doses testadas comparados com grupo asma. Na contagem diferencial de leucócitos, Nerol foi capaz de reduzir os eosinófilos nas doses 25, 50, 100 mg/kg no sangue periférico quando comparamos com grupo asma. Nerol também diminui os linfócitos nas doses 25, 50, 100 mg/kg no sangue periférico, comparados com os animais do grupo asma. Além disso, Nerol promoveu redução significativa na migração de eosinófilos (100 mg/Kg), e linfócitos (25, 50 mg/Kg) no LBA, comparados com grupo asma, evidenciando potencial capacidade antiinflamatória. Adicionalmente, nerol reduziu os danos oxidativos por reduzir os niveis de nitrito e MDA (malonaldeídio) no sangue e no pulmão de animais asmaticos, e aumentou as concentrações de glutationa reduzida (GSH) e alterou a atividade de MPO (mieloperoxidase) no pulmão dos animais asmáticos, demonstrando potencial efeito antioxidante. Nas análises histológicas, Nerol foi capaz de prevenir as alterações morfológicas do pulmão e traqueia (aumento da camada do musculo liso, espessamento da camada epitelial e espessamento da parede alveolar) induzidas pela asma. Sendo assim, os resultados obtidos nesse estudo sugerem que Nerol apresenta atividades anti-inflamatórios, antioxidantes e alterou o remodelamento do tecido pulmonar e da traqueia em um modelo de asma alérgica induzida por ovalbumina.