Esta dissertação investiga a cultura material remanescente da Batalha do Jenipapo (1823), centrando-se no Cemitério do Batalhão, em Campo Maior, Piauí. O sítio é analisado como um testemunho material de um conflito traumático e suporte físico da memória e resistência das camadas populares — negros, indígenas e sertanejos — historicamente silenciadas pela historiografia oficial. A pesquisa fundamenta-se teoricamente na Arqueologia Histórica, conforme as perspectivas de Funari (2003), Lima (1993) e Trigger (2004), articulando-se com as vertentes da Arqueologia de Conflitos e de Campos de Batalha sob o aporte de Landa e Hernández de Lara (2014) e Lino (2011, 2022). Metodologicamente, o estudo adota uma abordagem interdisciplinar que integra o levantamento bibliográfico e a análise documental paleográfica de manuscritos de 1823 à prospecção arqueológica de campo. Foram aplicados métodos não intrusivos de investigação, incluindo georreferenciamento e a prospecção geofísica pelo método da eletrorresistividade com arranjo dipolo-dipolo. Esta abordagem visa identificar evidências sob os túmulos visíveis e em áreas adjacentes, como a estrutura quadrangular identificada na porção posterior do cemitério. Os resultados parciais do processamento geofísico revelaram anomalias consideráveis no subsolo, indicando interrupções na continuidade estratigráfica que sugerem a presença de depósitos ou estruturas enterradas distintas da matriz geológica local. Conclui-se que o uso da geofísica é eficaz para caracterizar a ocupação espacial do sítio sem a necessidade de escavações invasivas, permitindo cruzar a materialidade dos vestígios com a literatura e as motivações políticas do passado para fundamentar a preservação e a gestão patrimonial do local.